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quinta-feira, 29 de junho de 2023

Como os conservadores fizeram feio ser hétero e bonito ser homo - episódio 7: crianças trans existem (eram os adolescentes que não podiam ver nudez)

Participantes exibem cartaz com a frase 'Crianças trans existem' durante a 27ª edição da Parada do Orgulho LGBT+, na avenida Paulista, em São Paulo - Eduardo Knapp - 11.jun.23/Folhapress

Abigail Pereira Aranha

1) Introdução

Olá, meus amigos e minhxs inimigxs! Vou abordar o rebuliço do bloco para crianças trans na Parada do Orgulho LGBT em São Paulo. Eu dizia em agosto do ano passado[1]:

Combate ao sexo e à sexualidade na internet para impedir uma criança de descobrir cenas de sexo e se viciar em pornografia aos 10 anos. Sim, há quem jure que descobriu casos assim. São mulheres pastoras (vamos pular a parte de se a Bíblia permite) e mulheres feministas. (...) Ah, a censura era contra a heterossexualidade, pra mãe salvar o filho de 14 anos de ver seios mais bonitos que os dela, ou pro pai afastar homens pedófilos da filha de 15 anos. Na hora em que um menino de 6 anos diz que é gay ou transexual, pau no cu dos conservadores.

Na última frase, eu fiz referência ao caso de um menino transexual de 6 anos na Argentina em 2013, que eu abordei na época[2]. Neste caso, a mãe do menino mandou uma carta para a então presidente da Argentina Cristina Kirchner para conseguir a mudança de sexo nos documentos dele. Naquele mesmo ano, também na Argentina (eu também comento no texto), uma menina de 13 anos teve um vídeo erótico vazado que, como dizia o título de uma notícia do Clarín, "convulsiona a La Plata".

Voltando ao caso deste junho de 2023, este é o título de uma reportagem da Folha de São Paulo: "Crianças trans na Parada LGBT+ viram munição para conservadores". Como está no texto, "munição para alguns setores contaminarem toda a sociedade com a ideia de que os progressistas estão indo longe demais e querem transexualizar inocentes criancinhas". E tá errado? Vou deixar a reportagem no apêndice.

Este caso das crianças trans na Parada Gay me chama a atenção porque eu já fui afastada de crianças e adolescentes por causa da minha vida (heteros)sexual, para não ser modelo pra elas. Então, de onde vieram essas crianças trans se os pais delas pensam que eu sou imprópria para as crianças e os adolescentes?

2) O pacto com o Socialismo do Diabo 1

Eu já lembrei aos leitores em vários textos de que o Feminismo já foi conservador na Primeira Onda e já teve uma boa convivência com as mulheres cristãs na Segunda Onda, e o antifeminismo só começou quando o movimento feminista ficou abertamente esquerdista, anticristão e antimasculino. O caso do que chamam de crianças trans é parecido: os esquerdistas e os conservadores estavam unidos em impedirem as crianças e os adolescentes de terem conhecimento sobre sexo, até que a esquerda decidiu seguir um plano próprio. A loucura do LGBT-Feminismo recente é o preço que as tribufus interioranas conservadoras estão sendo cobradas por ajudarem a esquerda para elas tentarem tornar o mundo um paraíso para quem odeia sexo.

Ainda volto a este ponto no final.

3) Batalha pelos direitos LGBTQIA+ na fraudemia

O problema do que chamam de criança trans é de entendimento da normalidade. Ops! Eu usei a palavra "normalidade" contra a palavra "transexual", e haverá quem entenda que eu estou expressando a chamada heteronormatividade, um preconceito que diz que é normal ser heterossexual. Isso também sinaliza para o que eu disse.

E você achou curioso que isso aconteceu pouco depois da panicodemia da gripe chinesa? Ainda era junho de 2020 quando o Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas produziu um relatório sobre "o impacto da pandemia de COVID-19 nos direitos humanos das pessoas LGBT"[3]. Eu achei a pérola enquanto eu pesquisava sobre "direitos humanos das pessoas LGBT" na Agenda 2030. Antes, eu achei um artigo da The Harvard Gazette de outubro de 2020: "batalha pelos direitos LGBTQ em meio à pandemia"[4]. Enquanto pra você e pra mim, eles diziam "fique em casa". E o artigo tem um ato falho muito legal: "é claro que a crise está oferecendo cobertura aos regimes totalitários para consolidar seu poder". Não diga!

Eu pesquisei de novo e achei outra pérola também de junho de 2020: "Great Reset: Por que a inclusão LGBT+ é o segredo do sucesso pós-pandemia das cidades"[5]. Está na página do Fórum Econômico Mundial! E cadê os meus direitos humanos de trabalhar em 2020 sem ser chamada de genocida ou teórica da conspiração? "Saúde pública se sobrepõe a direito pessoal, dizem governadores". UOL Debate de 23 de abril de 2020[6]. Um dos participantes era o governador do Maranhão, atual ministro da Justiça Flávio Dino.

Durante as medidas de restrição social da panicodemia, a população em geral saiu com ainda menos inteligência, saúde mental e percepção da realidade do que entrou. E agora, nós temos uma sandice que já tínhamos antes, o ativismo trans, com um outro problema a mais: a identificação de uma pessoa com o gênero oposto ao do próprio corpo numa época em que o homem precisa ser desconstruído e a mulher precisa deixar de ser feminina e bonita. Ou: o homem masculino é assassino de gays e mulheres; a mulher feminina é capacho dos homens conservadores, marionete da indústria da beleza e objeto do mercado sexual. Então, a "criança trans" está se identificando com quem?

4) Mais uma vez, transexualismo não é disfunção sexual

E precisamos ter em mente que criança trans não é do mesmo tipo que criança homossexual. Porque a homossexualidade é uma orientação sexual, ou algo parecido; a transexualidade é uma doença mental, uma dificuldade grave de conexão com a realidade (porque o mundo real físico observável não é referência para essa pessoa nem no que se refere a ela mesma). Mas tanto a criança homossexual quanto a criança trans não existem. A criança homossexual é só uma criança que brinca de imitar alguns homossexuais mais caricatos, um deles pode ser um dos pais. A criança trans é uma criança com modelos tóxicos (nós não conhecemos uma "mulher trans" que pareça uma dona de casa de comercial de meados do século XX, nem um "homem trans" que é fã de personagens heróicos masculinos). Os gays, as lésbicas e os transexuais têm um movimento pra eles na esquerda (não que eles estejam unidos, quem conhece o Movimento LGBTQIA+ por dentro sabe como as letrinhas têm antipatia entre elas mesmas), então os conservadores confundem tudo e colocam o transexualismo como questão de sexo.

5) Meretrizes e, dizem alguns, LGBT's podem entrar no Céu, mas eu não entro nem na igreja

Eu uso um disfarce de gorda pra fora de casa, pra não chamar a atenção pro meu corpo. Se eu usar uma burka, quem der uma olhada mais atenta vai perceber o tamanho dos meus seios e da minha bunda. Se eu for a uma igreja evangélica com vestido comprido de mangas compridas sem o disfarce por baixo, eu vou ser expulsa. Em algumas igrejas, um demônio pode entrar (no corpo de alguém), mas eu não. Porque as minhas formas podem induzir o fiel ao pecado. Aí, o irmão pode expor o problema pra mim e eu vou querer ficar com ele a sós. Eu também posso abalar casamentos, e nem posso entrar na relação pra ajudar.

Se eu fosse mesmo me converter ao Cristianismo do tempo da vovó, eu poderia fazer cirurgias de redução das mamas e das nádegas e toda a igreja ficaria feliz, inclusive eu. O problema é que eu sou hétero, eu gosto de ver homens honrados com alegria de me ver e gosto de dar a eles o que eles querem. Mas além deste, há um outro problema, que tem a ver com o assunto aqui: se eu fosse lésbica ou "mulher trans", eu teria uma igreja pra mim.

6) Transexualismo não tem relação com sexo, mas o combate ao ativismo trans tem

Os cristãos conservadores, especialmente as mulheres conservadoras, têm um padrão moral em que a falta de sexo é um dos maiores valores. Com essa mentalidade, eles dizem que o Movimento LGBTQIA+ quer produzir a erotização das crianças e incentivar a pedofilia. Eu já tento explicar há um bom tempo, e com mais profundidade em um texto de 2016[7], que pedofilia é diferente de sexo com crianças, e as duas coisas são diferentes de sexo com adolescentes. Não são a esquerda em geral e o Movimento LGBTQIA+ especificamente que querem produzir a sexualização infantil, são os conservadores de direita que usam as crianças e os adolescentes como cortina de fumaça para reprimir o sexo.

Para os conservadores, a liberalidade heterossexual está ligada a todas as perversões sexuais possíveis, incluindo a transexualidade (que, como eu expliquei rapidamente, é transtorno psiquiátrico, não orientação sexual). Mas você pode me mostrar alguma mulher feminista ou algum militante LGBTQIA+ falando em sexualidade heterossexual sem ser como objetificação da mulher pelo homem?

7) O pacto com o Socialismo do Diabo 2

O que você, pai ou mãe, ensinou de valores de verdade para os seus filhos? Esse é o título de uma reflexão que eu compartilhei em fevereiro de 2012[8].

Pelo menos no Brasil, enquanto as lesbofeministas malucas e os pregadores conservadores diziam que o softcore induzia ao estupro e a pornografia heterossexual normal levava à pedofilia, a direita cristã se obrigava a votar em um presidente de centro para o concorrente de esquerda não ser eleito. Ao mesmo tempo, pelo menos no Brasil e nos Estados Unidos, os conservadores e a esquerda defendiam o controle da internet, os conservadores em nome de proteger as crianças do sexo (na teoria e na prática). Quando a esquerda maluca anticristã conquistou espaços na sociedade, os liberais-conservadores tiveram de usar a internet e as redes sociais que antes condenavam como ambientes de satanistas e pervertidos sexuais; e lá, foram submetidos à mesma censura que defenderam. E enquanto os pregadores tradicionais pregavam contra a pornografia, a prostituição, o sexo fora do casamento e as mulheres de biquíni na televisão, a militância esquerdista entrava nas próprias igrejas. Ao final, os próprios esquerdistas anunciaram a teologia feminista, a teologia negra e as igrejas "inclusivas" de LGBT, enquanto qualquer pastor que reprovasse o esquerdista[9] e a mãe solteira se arriscava a ser reprovado por mais da metade dos membros assíduos aos cultos de domingo. O horror ao sexo fez valer a concordância com a esquerda maluca?

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[1] Subtítulo "Conclusão (e um pouco sobre sexo)" do texto "O futuro é o Centro (inclusive o futuro da esquerda)", 28 de agosto de 2022. A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2022/08/o-futuro-e-o-centro.html#subtitulo5; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2022/08/o-futuro-e-o-centro.html#subtitulo5

[2] "O Puritano-Feminismo episódio 4: ver nome feio na TV com 9 anos no Brasil ou gravar vídeo safado na Argentina com 13 não pode, mas menino virar menina com 6 tudo bem, né?", 28 de setembro de 2013. A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2013/09/o-puritano-feminismo-episodio-4-ver.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2013/09/o-puritano-feminismo-episodio-4.html

[3] "Report on the impact of the COVID-19 pandemic on the human rights of LGBT persons". Office of the United Nations High Commissioner for Human Rights, 19 de junho de 2020. https://www.ohchr.org/en/calls-for-input/report-impact-covid-19-pandemic-human-rights-lgbt-persons

[4] "Battle for LGBTQ rights amid the pandemic". The Harvard Gazette, 08 de outubro de 2020. https://news.harvard.edu/gazette/story/2020/10/a-global-look-at-how-covid-19-has-affected-lgbtq-activism

[5] "Great Reset: Why LGBT+ inclusion is the secret to cities' post-pandemic success". World Economic Forum, 03 de junho de 2020. https://www.weforum.org/agenda/2020/06/lgbt-inclusion-cities-post-covid-reset-recovery

[6] "UOL Debate: Saúde pública se sobrepõe a direito pessoal, dizem governadores". UOL Notícias, 23 de abril de 2020. https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/04/23/liberdades-individuais-nao-sao-absolutas-diz-flavio-dino-sobre-isolamento.htm

[7] "Seis e dezesseis (Ou: direita cristã, acabou! - parte 10)", 08 de janeiro de 2016. A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2016/01/seis-e-dezesseis-ou-direita-crista.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2016/01/seis-e-dezesseis-ou-direita-crista.html

[8] "O que você, pai ou mãe, ensinou de valores DE VERDADE para os seus filhos?", 12 de fevereiro de 2012. A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2012/02/o-que-voce-pai-ou-mae-ensinou-de.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2012/02/o-que-voce-pai-ou-mae-ensinou-de.html

[9] Por exemplo: "'Diziam que eu não era cristão de verdade': os evangélicos que mudaram de igreja por causa do bolsonarismo". BBC News Brasil, 30 de setembro de 2022. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63055714

Apêndice

"Crianças trans na Parada LGBT+ viram munição para conservadores". Folha de São Paulo, 12 de junho de 2023. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2023/06/criancas-trans-na-parada-lgbt-viram-municao-para-conservadores.shtml

Crianças trans na Parada LGBT+ viram munição para conservadores

Grupo afirma que menores não têm capacidade de deliberar sobre adequação de gênero; terapia hormonal só pode ser realizada a partir dos 16 anos

12.jun.2023 às 18h25

Anna Virginia Balloussier

Bruno Lucca

SÃO PAULO

"Crianças trans existem." O estandarte vinha nas cores azul, rosa e branca, que identificam a causa transexual, assim como o arco-íris representa o conjunto sob o guarda-chuva da diversidade sexual e de gênero. Adultos em perna-de-pau e menores de idade em volta, um deles fazendo joinha.

Essas imagens tiradas domingo (11), na Parada do Orgulho LGBT+, em São Paulo, se alastraram tal qual pavio de pólvora nas redes conservadoras. "Qual a tara dessas pessoas com crianças? Não acho certo. E vocês?", publicou no Twitter Amanda Vettorazzo, coordenadora do MBL (Movimento Brasil Livre) e uma das primeiras a trazer as fotos para a arena pública.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) seguiu junto. "A esquerda tenta empurrar sua agenda justamente na infância, para que o estrago introduzido seja de difícil reversão", postou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Por que eles querem tanto a audiência de crianças?", disse Nikolas Ferreira (PL-MG), recordista de votos em 2022 para a Câmara.

Participantes exibem cartaz com a frase 'Crianças trans existem' durante a 27ª edição da Parada do Orgulho LGBT+, na avenida Paulista, em São Paulo - Eduardo Knapp - 11.jun.23/Folhapress

Participantes exibem cartaz com a frase 'Crianças trans existem' durante a 27ª edição da Parada do Orgulho LGBT+, na avenida Paulista, em São Paulo - Eduardo Knapp - 11.jun.23/Folhapress

Thamirys Nunes, 33, já foi denunciada ao Conselho Tutelar. Viu um buffet infantil negar festa de aniversário para sua filha e cinco escolas a recusarem. Acostumou-se a ser alvejada por conservadores, mas também por progressistas que não querem sua causa na linha de frente. Temem que vire combustível para o outro polo inflamar o debate sobre direitos LGBTQIA+.

Ela é a fundadora da Minha Criança Trans, ONG que levou o bloco com crianças e adolescentes à Parada. Em 2022 eles também saíram, mas a presença do grupo só viralizou nesta edição do evento.

Thamirys conta que a filha tinha 3 anos quando a família percebeu sua disforia de gênero —desconexão entre o sexo com que alguém nasce e como se identifica. Não conseguia entender a razão de ser chamada pelo masculino. "Ela falava: ‘Mamãe, posso morrer hoje para nascer menina amanhã? Eu teria sido mais feliz se Deus tivesse me feito menina’."

Foi um baque. Ela vinha de uma "família extremamente conservadora", diz. "Eu mesma era bem conservadora, para ser sincera. Mas, em prol da felicidade da minha filha, resolvi falar: tá bom, como [ela] pode ser feliz?"

Comprou-lhe uma sapatilha com brilho, a primeira peça feminina, e formou uma junta de especialistas para entender como criar a menina. Não há qualquer tratamento hormonal envolvido, ao menos até a puberdade, segundo a mãe. Qualquer cirurgia de redesignação sexual, de acordo com o CFM (Conselho Federal de Medicina), só depois dos 18 anos.

A criança tem hoje 8 anos e passa pela chamada transição social, que consiste em adequar nomes, pronomes, roupas e outros fatores ao gênero no qual ela se reconhece.

Seu acompanhamento psicológico é feito no Amtigos (Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual), do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). O projeto virou alvo, em maio, de uma CPI na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), que investigará o tratamento concedido a menores de idade.

No ambulatório paulistano, uma equipe multidisciplinar composta por psiquiatras, psicólogos, endocrinologistas e pediatras oferece apoio a crianças e jovens com inconformidade de gênero. Lá, seguindo as diretrizes do CFM, o atendimento ocorre em etapas.

Primeiro, há conversa. Muita. Paciente e familiares são ouvidos. Constatada a disforia e o desejo de transição, há duas opções: se o menor estiver no começo da puberdade, é iniciado o bloqueio puberal, impedindo o desenvolvimento de atributos sexuais indesejados. Já em caso de puberdade avançada, o mais indicado é a terapia hormonal, prevista a partir dos 16 anos.

Alexandre Saadeh, coordenador do Amtigos, diz ser importante o período de diálogo e, se houver acordo, a supressão da puberdade, método que pode ser revertido no futuro. Ele afirma que sentir desconforto com o corpo nem sempre significa transexualidade. Pode ser algo pontual.

"Ninguém é obrigado a tomar hormônios e fazer cirurgias. Caso aconteça, é fruto de um criterioso acompanhamento pautado em conceitos médicos, não ideológicos", afirma.

Karen de Marca, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, ressalta que nem sempre é necessária uma intervenção nos pacientes. Para ela, o acolhimento a fim de mitigar o sofrimento é o mais valioso. "A exclusão dessas pessoas é o que de pior pode acontecer. Há perigo de mutilação corporal e até suicídio."

O pastor e teólogo Yago Martins tacha de criminosa a bandeira levantada por Thamirys e sua organização, que acolhe 580 famílias com filhos trans. "Quando nasce, a pessoa não tem maturidade para perceber a própria sexualidade ou identidade de gênero", afirma.

Ele credita ao "lobby político" e ao "engajamento de grupos progressistas" a normalização de um transtorno registrado no DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, segundo ele. Na verdade, a entidade americana não trata a disforia de gênero como transtorno desde 2013. Em seu manual, diz que a variação de gênero não pode ser enquadrada como patologia, mas problemas psicológicos surgem do sofrimento causado pela inadequação. Estes, sim, devem ser tratados.

Em 2018, a OMS (Organização Mundial da Saúde) removeu a transexualidade da lista de doenças mentais.

"Se alguém se sente gordo sendo exageradamente magro, dizemos que possui anorexia e tentamos conformar a imagem à biologia por meio de tratamento", afirma o pastor Martins, que tem pós-graduação em neurociência e psicologia. "Mas, se alguém se sente mulher sendo homem, mutilamos a biologia em nome de ideologia."

Algumas vozes fora do conservadorismo viram um erro estratégico na publicização da pauta. Autor de "Crônica de uma Tragédia Anunciada: Como a Extrema-Direita Chegou ao Poder" e colunista da Folha, Wilson Gomes conheceu a foto a partir de um post de Maurício Souza (PL-MG), jogador de vôlei eleito deputado após ser acusado de homofobia.

"A tese de que os progressistas têm uma ideologia degenerada que viola as crianças é típica dos conservadores que emergiram ao poder com Bolsonaro", afirma Gomes. "Se você juntar o tema 'trans', 'sexo' e 'criança', cria um coquetel de medos para o qual ainda não há vacina. A questão, portanto, não é se crianças trans existem ou não, é se essa pauta, um poderoso espantalho para a maioria conservadora, beneficia de algum modo a pauta trans."

Thamirys já ouviu que não deveria jogar sua bandeira para o escrutínio público, sob o risco de fornecer munição para alguns setores contaminarem toda a sociedade com a ideia de que os progressistas estão indo longe demais e querem transexualizar inocentes criancinhas.

"Pergunto: e onde eu deveria estar? Como posso proteger minha filha se eu não falar que ela existe? Se eu não tiver nenhuma política pública [para crianças como ela], se pediatras e juízes não estiverem preparados para recebê-la? Quem protege a menina trans expulsa de casa aos 11 que o Estado finge que não viu, que a família finge que não sabe e onde o ambiente mais acolhedor que ela encontra é na prostituição, na exploração sexual?"

Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "Como os conservadores fizeram feio ser hétero e bonito ser homo - episódio 7: crianças trans existem (eram os adolescentes que não podiam ver nudez)", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2023/06/feio-ser-hetero-bonito-ser-homo-7.html
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "Como os conservadores fizeram feio ser hétero e bonito ser homo - episódio 7: crianças trans existem (eram os adolescentes que não podiam ver nudez)", https://avezdoshomens.blogspot.com/2023/06/feio-ser-hetero-bonito-ser-homo-7.html

terça-feira, 30 de maio de 2023

Notas sobre anglofilia

Abigail Pereira Aranha

1) Algumas notas minhas no VK: anglofilia[01]

Os poucos antiesquerdistas que parecem inteligentes confundem anglofilia com alta cultura. "Anglofilia" foi um neologismo que eu fiz agora: é a veneração pela Inglaterra e por suas colônias desenvolvidas, mais notoriamente os Estados Unidos. Até o finado prof. Olavo de Carvalho caiu nessa, mesmo depois de registrar na introdução de "O Imbecil Coletivo" que o Brasil começou a imitar a cultura estadunidense depois de que essa cultura já estava em decadência. A anglofilia é um pedantismo de herdeiros de elites agrárias falidas dos países católicos da América. Pra dar uma ideia do problema, deixo algumas perguntas.

1) Por que nenhum liberal comenta que a prostituição é crime nos Estados Unidos, com uma época em que policiais homens se fingiam de clientes e policiais mulheres se fingiam de prostitutas só pra dar flagrante?

2) Se o Protestantismo é um valor dos Estados Unidos e da Inglaterra, por que a única liderança protestante inglesa foi o rei Henrique VIII?

3) Por que os conservadores antifeministas não comentam que foi nos Estados Unidos e na Inglaterra que o Feminismo surgiu, e como onda conservadora?

4) Como um país evoluído de gente bonita e culta pode ser um lugar onde qualquer vaca semianalfabeta brasileira que detesta quem tem QI maior que o dela quer entrar como imigrante?

2) Algumas notas minhas no VK: a cultura do Primeiro Mundo, parte 1[02]

Pessoal, se lembram do que eu disse sobre por que eu traduzo alguns textos meus pro inglês, pro espanhol, pro italiano e pro francês, às vezes textos baseados em notícias do Brasil? Antes de reproduzir essa lista, eu gostaria de chamar a atenção pra um outro ponto, que eu me dei conta agora: se o desnível intelectual-cultural do Primeiro Mundo em relação ao Brasil acompanhasse o desnível econômico, um brasileiro típico teria ojeriza ou vergonha de estar lá, talvez até mesmo enquanto fala, aqui, sobre esses países.

Com 30% a mais de QI médio que o do Brasil, que é 83[03], um país teria 108. Como é a vida de uma pessoa com esse QI no Brasil? Tem poucos interlocutores a não ser que aceite um nível mais inculto de conversa; é vista como arrogante; ganha inimizade dos chefes e dos colegas de trabalho que sabem menos que ela; a mulher é cristã conservadora pros progressistas e promíscua pros cristãos conservadores; acontece a mesma coisa entre as pessoas da própria família; e por aí vai. No entanto, qualquer semianalfabeto brasileiro que faz viagem de 3 ou 5 dias pro Primeiro Mundo volta contando sobre a viagem pros colegas de trabalho, e a ninfeta fútil do atendimento ao público e a faxineira favelada ainda perguntam sobre mais detalhes. E qualquer velha inculta moradora de bairro pobre conta com gosto quando tem um filho que mora no Primeiro Mundo, que provavelmente chegou como imigrante ilegal.

Se o brasileiro típico é dinherista, inculto, pequeno de espírito e não consegue conceber algo maior do que a mediocridade do ambiente em que cresceu, isso ainda não explica que ele não se sinta desconfortável em ver, por imagem ou presencialmente, a diferença pra melhor entre o Primeiro Mundo e o Brasil. Porque, por isso mesmo, a visão de algo de qualidade intelectual-cultural superior será constrangedora ou no mínimo estranha. Como esse brasileiro vai associar um país de Primeiro Mundo a monumentos, lugares bonitos, comidas diferentes, produtos de primeira qualidade e mulheres bonitas? Tirando a parte das mulheres (que é uma questão genética, e chamo a atenção pra que mesmo elas não são associadas a uma sexualidade liberal a não ser por maledicência provinciana), nada disso traz ao brasileiro um sinal opressor de uma superioridade intelectual-cultural humilhante. Por sinal, até alguma literatura dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França, por exemplo, é exibida por farsantes intelectuais daqui.

Agora eu copio um trecho do meu texto "O Petrolão da CoViD-19 e o preço da estupidez", de 12 de agosto de 2021[04]:

"Eu comentei uma vez sobre o meu estranho hábito de traduzir em 4 idiomas textos meus sobre atualidades do Brasil, em algum ano antes da fraudemia da gripe chinesa. O motivo pra isso, eu dizia, era compartilhar com leitores não-lusófonos alguma coisa relevante e não-regional que eu aprendia da minha experiência cotidiana. A intenção era essa também com leitores de Portugal, Moçambique e Angola, que eu sabia que tinha. E a minha experiência cotidiana, ou a sua, é a de uma pessoa que vive em algum lugar do mundo, fala algum idioma, é homem ou mulher, etc. No meu caso, eu sou uma mulher brasileira, que vive no Brasil e fala português. Por um lado, isso me leva a escrever coisas que eu não diria (ou nem saberia) se eu fosse dos Estados Unidos ou do Norte da Índia. Por outro lado, se eu não for uma pessoa intelectualmente pequena, eu posso apresentar, como moradora do Brasil, uma reflexão que um leitor dos Estados Unidos, da Índia ou mesmo de outro país lusófono não vê de forma corriqueira; ou mesmo no Brasil, eu posso apresentar, como uma garota que nasceu e mora no estado de Minas Gerais, uma observação não corriqueira para um leitor do estado do Pará ou do estado de Pernambuco. E nos meus relatos breves da minha vida de licenciosidade, eu também trago pontos para reflexão. Depois desse comentário, o caso da 'plandemia', ou 'panicodemia', me mostrou que o resto do mundo é ainda menos diferente do Brasil do que eu imaginava naquela época."

3) Algumas notas minhas no VK: a cultura do Primeiro Mundo, parte 2[05]

O desnível intelectual-cultural entre o Primeiro Mundo e o Brasil é tão menor que o desnível econômico, urbanístico, industrial, tecnológico ou mesmo acadêmico que um brasileiro típico ainda pode ter uma informação entre superficial e razoável sobre qualquer pessoa do Primeiro Mundo que tenha destaque acadêmico, literário, empresarial, político ou artístico e imaginar que poderia estar no lugar dessa pessoa, com coisas tão simples e fortuitas como nascer naquela família, crescer naquele lugar, ter a oportunidade e o dinheiro pra estudar onde aquela pessoa estudou, conhecer certas outras pessoas ou, quando a pessoa em questão é mulher, ter nascido uma mulher com um certo perfil físico. O brasileiro típico não chegou ao nível de psicose de rebaixar a esses termos uma inteligência, uma bibliografia ou uma conduta moral de superioridade humilhante (e eu lembro que conduta moral de alto nível não é e não se mede pelo nível de gimnofobia e aversão ao sexo).

4) Mais notas sobre a anglofilia

A cidade de Londres foi criada no século I pelo Império Romano, e o inglês é um dialeto do latim. Isso ilustra como o Reino Unido de certa forma tenta ser ou pensa que é o Império Romano: na área política, o expansionismo para a América, a África, a Índia e a Oceania; na área religiosa, um Catolicismo melhorado junto com um puritanismo inquisitorial, que a Coroa inglesa levou para onde conseguiu chegar. Ah, os países anglófonos tentam fazer o inglês ser o latim (de certa forma, até conseguiram). Nossos bisavós tinham as nossas idades quando a língua chique era a francesa, e os nossos avós, no caso do Brasil, tinham as nossas idades quando ouviam músicas em italiano. Ops! "Chic" vem do francês.

A frase "ninguém nunca perdeu dinheiro por subestimar a inteligência do povo norte-americano"[06] foi atribuída ao jornalista Henry Louis Mencken. Na verdade, ele disse "nunca ninguém neste mundo perdeu dinheiro ao subestimar a inteligência das grandes massas do povo simples"[07], na coluna de 18 de setembro de 1926 do jornal "The Evening Sun", de Baltimore, estado de Maryland, Estados Unidos. Aquela versão é como foi registrada na seção de carta de leitores do jornal "Richmond Times-Dispatch" de 1º de junho de 1935 (obrigada ao Quote Investigator[08]). Não faz muito tempo que podíamos ver esquerdistas que conseguiam mostrar como os Estados Unidos tinham gente burra tanto na política quanto na população geral. Se lembra do Michael Moore?

A anglofilia leva os conservadores a exaltarem a Revolução Americana enquanto, por serem conservadores, demonizam a Revolução Francesa. A Revolução Americana aconteceu, numa descrição rápida, quando a Coroa britânica tentou tratar os Estados Unidos como uma colônia comum, como a Guiana Inglesa ou Serra Leoa. Os Estados Unidos não conheceram o Feudalismo. A França antes da Revolução Francesa sim, e teve a revolução contra ele. A queda política da Igreja Católica Apostólica Romana virou mágoa dos conservadores até hoje. Ah, a Revolução Francesa trouxe os conceitos de direita e esquerda na política, mas o Conservadorismo, também daquela época, é o que hoje é chamado de direita (ou extrema direita). A direita original é algo como a centro-esquerda de hoje, a ala revolucionária que queria construir a revolução com a velha ordem. E o progresso que veio com a Revolução Francesa, que dividiu Idade Moderna e Idade Contemporânea, criou o rancor dos conservadores contra a modernidade. Se os Estados Unidos e o Canadá, ex-colônias britânicas, não tivessem se tornado países desenvolvidos, o Cristianismo hoje seria quase uma crendice do Terceiro Mundo junto com o vodu e as religiões indígenas sul-americanas, só que com mais adeptos.

Eu já disse uma vez que o orgulho que alguns têm de serem negros, eu tenho de ser branca[09]; e um dos motivos é a liberdade que eu tenho aqui, por influência da colonização europeia, de ser ateia, de compartilhar ideias com vocês com um pouco de pornografia no meio e de ter bons momentos inclusive sexuais com amigos e colegas de trabalho homens. Mas se a Revolução Francesa tivesse chegado na Inglaterra e nos Estados Unidos, teríamos um mundo ainda melhor? É uma boa pergunta. Porque hoje é fácil comparar a África com a Europa ou a Ásia com a Europa no sentido sociopolítico, é fácil mostrar o que a Europa levou de bom praqueles lugares, mas comparar um país europeu com outro e imaginar como seria o mundo se um estivesse na posição de influência do outro é complicado. E por isso é complicado perceber e analisar o que eu chamo aqui de anglofilia.

Os conservadores brasileiros que falam em guerra cultural conseguem ver os Estados Unidos e a Inglaterra, ao mesmo tempo, como terras da literatura de alto nível e como matrizes de tudo que é vulgar ou idiota nas artes e entretenimentos e de toda a loucura esquerdista que chegava ao Brasil na década seguinte (hoje em dia, quase em tempo real); da mesma forma que, dentro dos tópicos religiosos, como terras dos maiores e mais sérios pregadores cristãos conservadores e como origem de todas as heresias escandalosas e todas as infiltrações esquerdistas no meio cristão, além de capital de tudo que é bruxaria e pornografia. Alguns conservadores podem contar como os Estados Unidos e a Inglaterra, tanto os governos quanto a iniciativa privada, financiaram a industrialização da União Soviética, a industrialização da China socialista e o terrorismo islâmico; enquanto outros conservadores (e alguns deles mesmos) louvam os Estados Unidos como a capital da liberdade individual e do Capitalismo "laissez-faire" (deixem fazer, em francês). Não diz a própria Bíblia que "não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons"? Ou que uma fonte não pode dar água doce e água amarga? (Mt 7: 18 e Tg 3: 11, 12)

Eu disse aqui e ali que a trama contra o Conservadorismo é uma trama política e cultural socialista contra o povo de verdade.[10] Eu também disse indiretamente, mas eu mais demonstrei que verbalizei, que eu prefiro estar ao lado de conservadores e criacionistas contra a trama da engenharia social da esquerda recente do que estar ao lado dos esquerdistas que se dizem ateus. Eu disse e não retiro. Mas aqui, eu argumentei rapidamente que o Conservadorismo é praticamente uma veneração ao império inglês, que é uma imitação da Igreja de Roma. Um sinal de como a cultura angloamericana é superestimada é que mesmo no século XXI, os conservadores vencem com dificuldade ou perdem para uma esquerda de bandidos, doentes mentais e "losers" que faz ofertas demagógicas à parte mais fracassada e semianalfabeta do eleitorado; em outras palavras, os conservadores têm em pé de igualdade, mesmo na área político-eleitoral, um gênero de adversários que seria caso de cadeia ou de hospício aos olhos de uma coletividade mentalmente normal.[11] Outro sinal é que quando os conservadores falam em "guerra cultural" no século XXI, mesmo depois de uma série de insanidades da militância progressista, eles ainda parecem suas próprias trisavós se juntando a uma multidão na sua localidade rural do interior para queimar livros ou agredir uma mulher menos feia e sexualmente reprimida que elas.

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[01] Abigail Pereira Aranha, 29 de junho de 2022 às 12:39. https://vk.com/wall546824903_2733

[02] Abigail Pereira Aranha, 27 de março de 2022 às 18:32. https://vk.com/wall546824903_2426

[03] "Countries by IQ - Average IQ by Country 2022", World Population Review, https://worldpopulationreview.com/country-rankings/average-iq-by-country

[04] "O Petrolão da CoViD-19 e o preço da estupidez", 12 de agosto de 2021. A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2021/08/petrolao-da-covid-19.html

[05] Abigail Pereira Aranha, 28 de março de 2022 às 22:44. https://vk.com/wall546824903_2452

[06] https://www.pensador.com/frase/MjkzMDAzMA

[07] https://grandescitacoes.com/nunca-ninguem-neste-mundo-perdeu-dinheiro-ao-subestimar-a-inteligencia-das-grandes-massas-do-povo-simples-nem-nunca-ninguem-perdeu-um-cargo-publico-por-isso

[08] "No One in This World Has Ever Lost Money by Underestimating the Intelligence of the Great Masses of the Plain People". Quote Investigator, 1º de março de 2020. https://quoteinvestigator.com/2020/03/01/underestimate

[09] "Por que eu tenho orgulho de ser branca", 28 de maio de 2010, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2010/05/por-que-eu-tenho-orgulho-de-ser-branca.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2010/05/por-que-eu-tenho-orgulho-de-ser-branca.html

[10] Especificamente sobre isso, no subtítulo "O combate ao povo de verdade passa pelo combate ao Cristianismo" do texto "O primeiro Estado além da família", 29 de abril de 2023. A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2023/04/o-primeiro-estado-alem-da-familia.html#subtitulo6; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2023/04/o-primeiro-estado-alem-da-familia.html#subtitulo6

[11] Aparentemente, eu só observei os casos da esquerda desastrada nos governos federais da América do Sul. E realmente eu fiz isso, mas como exemplo prático que também pode ser aproveitado pelo Primeiro Mundo. Por sinal, os Estados Unidos têm hoje a sua Dilma Rousseff, o presidente Joe Biden empossado por fraude eleitoral.

Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "Notas sobre anglofilia", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2023/05/notas-sobre-anglofilia.html
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "Notas sobre anglofilia", https://avezdoshomens.blogspot.com/2023/05/notas-sobre-anglofilia.html

sábado, 29 de abril de 2023

O primeiro Estado além da família

Abigail Pereira Aranha

1) Introdução

Você pode ter notado, se tiver pelo menos uns 40 anos hoje, que política e questões sociais não eram assuntos de conversa muito comuns nos anos 1990 em um pais como o Brasil. Política era vista como coisa suja ou, quando era discutida, era no máximo gestão de economia, de obras públicas e, talvez, de assistência social. O Feminismo às vezes era piada de programa humorístico (a lésbica bisonha ainda era uma figura excêntrica e sem destaque social), às vezes era assunto de militante de esquerda esquisito ou de pregador excêntrico que era contrário. Uma militância LGBT unida com uma militância feminista não era assunto de conversa porque ainda era o tempo em que dava pra fazer piadas com gays, alguns deles amigos ou vizinhos. Por quê? Até então, a sociedade era uma extensão da família, ou não dava grandes sinais de ser outra coisa.

O fim do mundo não é algo que desperta interesse há pouco tempo. Mas o governo do Anticristo ou algo semelhante parece que é. Sim, muita gente se diz cristã e os sinais do fim do mundo estão descritos na Bíblia. Mas quase toda essa muita gente que se diz cristã parecia pensar que o mundo ia acabar com um meteoro, ou com catástrofes naturais, ou com a explosão de um depósito de bombas atômicas; e só agora essas pessoas parecem pensar em um governo tenebroso antes.

Eu coloco aqui a imagem do governo do Anticristo, mesmo eu sendo ateia, porque é o que muitas pessoas acreditam que vai ser. Pode acontecer algo nessa direção mesmo que o Deus cristão não exista, mas visto que o Cristianismo é a religião com mais professantes no mundo e, fora da Ásia, é a religião da maioria da população, o problema essencial continua: um sistema político mundial à revelia da população. E quanto mais a preparação para esse sistema avança, mais pessoas comuns se percebem não representadas. Isso não é no sentido de ter um político eleito que venceu aquele que essas pessoas preferiam. A coisa parece avançar para a não representação no ambiente social, e está indo até pra uma porcaria contra a própria noção de normalidade.

Isso não é uma trama contra a família, como os pregadores conservadores dizem, é algo maior. É o que eu vou tentar explicar, passando por alguns assuntos que podem parecer desconexos.

2) A vitória contra Donald Trump, Jair Bolsonaro e o povo de verdade

Donald Trump nos Estados Unidos e Jair Bolsonaro no Brasil não representavam a direita ou o Conservadorismo, eles representavam a correspondência entre o povo de verdade e uma classe política eleita por esse povo. Joe Biden foi empossado na presidência dos Estados Unidos e Lula na do Brasil como parte de um projeto contra o povo de verdade, especialmente contra o povo mentalmente normal. Quem está lamentando isso hoje e tentou evitar isso enquanto podia só entendeu primeiro. Os eleitores reais e pobres dos presidentes empossados, quando os presidentes eleitos foram os concorrentes, ainda vão perceber que os votos de todos eles juntos foram desnecessários na eleição. No caso brasileiro, segundo o próprio resultado oficial da eleição, quase 30% da população do país e quase 40% do eleitorado SABE que o atual presidente não foi eleito. O problema não foi fraude eleitoral. O adversário da esquerda era a verdade e a percepção da realidade. A esquerda recente não é uma ideologia. Fora a elite que comanda tudo, a coletividade esquerdista é um eleitorado de "losers" que pensam que são espertalhões que vão ganhar migalhas da Administração Pública mais uma militância de loucos.

3) Por falar em loucura, vamos comentar sobre o transexualismo e a linguagem politicamente correta

Uma pessoa transexual é alguém que não se identifica com o gênero do próprio corpo. Portanto, é uma pessoa para quem o mundo real físico e observável não é referência nem para a identidade dela mesma. Uma pessoa com dificuldades de percepção do mundo real é doente mental por definição. O transexualismo estava na Classificação Internacional de Doenças, código F64.0, entre as parafilias. Esse foi um erro que a militância LGBTQIA+ aproveitou, inclusive porque os críticos a esse movimento seguiram esse erro: o transexualismo foi colocado como um transtorno sexual (como o homossexualismo já foi em versões anteriores) quando devia estar entre os transtornos psiquiátricos.

Você nunca viu nem vai ver uma pessoa transexual com qualidade acima de medíocre como pintora, escritora, jornalista, filósofa, programadora, engenheira, ou coisas assim. Você já viu alguns gays (de hoje em dia e de épocas passadas). Isso deve chamar a atenção. A sexualidade exagerada e até a sexualidade pervertida são compatíveis com talentos artísticos, profissionais e intelectuais. A transexualidade nunca.

Mas eu lembro a questão dos transexuais aqui porque essa questão ilustra o próprio relacionamento da coletividade em geral com a noção de normalidade. Mas mais do que isso, a ideia de quem nos empurra esse assunto falso é nos tirar ainda mais da integridade mental e da conexão com a realidade que os alienados do fim do século XX ainda tinham. E aqui, eu trato a coisa no sentido de imagem do cotidiano: você não pode ver homem que se identifica como mulher e ver que a pessoa não é mulher, ou, se puder ver, dizer isso.

Ah, e ainda temos a linguagem neutra e outras tentativas de políticas para a linguagem adequada contra o machismo, o racismo, etc. Sempre políticas conduzidas por militantes de esquerda que são lésbicas ou subalfabetizados. A linguagem neutra é lesbianismo psicótico. A linguagem politicamente correta é uma espécie de transexualismo da linguagem, no sentido da incapacidade para perceber e descrever a realidade.

4) O aspecto sociojurídico das minhas aventuras não-familiares

O aspecto mais visível da sociedade como extensão da família medíocre é a quase clandestinidade da heterossexualidade no sentido jurídico-policial. Um homem que se aproxima de uma mulher não-autorizada pode se encaixar em tipos penais. Uma mulher que se aproxima de um homem não-autorizado também se arrisca a ter dissabores ou até prisão. A prostituição, a pornografia e o softcore precisam ficar escondidos. Escondidos das mulheres. Ainda volto a elas.

Eu já falei no transporte público de sexo com alguns homens que estavam ao meu lado (ou com eles sobre sexo). Eu me divirto com homens colegas de trabalho no vestiário masculino. Eu já fiz sexo com rapazes adolescentes. Eu já fiz sexo com homens casados. A fantasia que eu trago aqui é uma sociedade em que eu não sou vista como excêntrica e caso de polícia.

5) O golpe da gripe chinesa

A ideia do decreto da pandemia da CoViD-19 (não uso aqui a palavra "decreto" por acaso) foi criar as condições para aquele extermínio de dois terços da humanidade que alguns conservadores dizem que os Illuminati querem. Agora que ninguém viu alguém antes saudável morrer da doença, ficou claro que as únicas coisas que funcionaram no #StayHome foram a distribuição mundial de um antivírus no ano seguinte, a vigilância do trabalho honesto e a punição legal, ilegal ou extralegal por crime de opinião. Qual linha de ônibus no seu país melhorou os quadros de horários de 2019 para 2022? Ou mesmo na saúde, você no Brasil viu o Sistema Único de Saúde melhorar?

A parte menos subalfabetizada e mesquinha da população já percebeu o que está acontecendo desde o começo. Até a parte da população menos interessada em política que vive do próprio trabalho percebeu algo errado na época do isolamento social. O pânico histérico da maioria da população não a fez saber a diferença entre CoViD-19 e gripe comum. Mas quando o projeto se aproximar mais do que era planejado, mais gente burra vai perceber coisas erradas.

Num país onde você pode ser preso por fazer a ceia de Natal com pessoas da sua família, como alguns já propuseram em 2020, qual a conexão que você consegue ter com outras pessoas? Não está na questão se você é antissocial ou tem dificuldades pra conversar. Estar em uma coletividade significa ter interações com outras pessoas para interesses pessoais, mútuos ou de terceiros. Então, qual a comunhão entre as pessoas de uma cidade desse projeto pós-pandemia? E por quais vias, que passam por onde?

Se realmente existia um plano para redução da população mundial para no máximo 2 bilhões de habitantes no tempo em que eram 6, isso não é algo que vá ser executado por baixo do tapete. Mas a gripe chinesa não foi feita pra ser instrumento pra isso, nem a sua suposta vacina. A preparação deveria ser cultural, depois sociopolítica. Mas a própria fraudemia foi resultado de uma preparação assim. Por sinal, alguns já falaram em 2020 em "lockdown climático" contra o aquecimento global, no mesmo espírito do #FiqueEmCasa.

6) O combate ao povo de verdade passa pelo combate ao Cristianismo

Mesmo que você não creia no Cristianismo e acredite que ele já devia ter sido extinto (como eu acredito), você não pode deixar de observar que esta é a religião de mais de 2 bilhões de pessoas no mundo. Uma coisa é dizer que esse tanto de gente, cerca de um terço da população mundial, crê em restos da ignorância feudal da Idade Média. Algo assim, até eu já disse por aqui. Outra coisa é dizer que essas mesmas pessoas, ou pelo menos as que levam a religião a sério, são agressores de mulheres, racistas, especistas (especismo é racismo contra bichos e vegetais), contra a Ciência e coisas do tipo.

E você percebeu que você não vê intelectuais da esquerda falando sobre educação revolucionária dos cristãos? Sim, a Dª. Maria Madalena não sabe o quanto a Igreja Católica apoiou a escravidão, o extermínio de pagãos, a misoginia e a repressão sexual, mas ela é uma senhora católica amável e de bom caráter. Por que não apresentar o Evangelho comunista para ela de uma forma que ela queira mesmo entrar na união dos proletários de todo o mundo? No Brasil, você pode estar na rua e ser abordado por uma garota jovem, cuja aparência agrada os rapazes, fazendo um trabalho evangelístico. Aí, quem combate as trevas da Idade Média são um grupo de lésbicas feias com um visual e um discurso que as deixa pior ainda.

7) Salvando as mulheres, como sempre (e agora chego no ponto)

Até a Terceira Onda do Feminismo, mulheres conservadoras ou apenas mulheres comuns pareciam conviver bem com a militância LGBT-feminista. As mulheres da mediocridade física e mental pra baixo pareceram acreditar que quanto mais elas eram antipáticas e menos elas tinham o que acrescentar, mais elas tinham poder. Na Quarta Onda, desde 2012, a experiência começou a mostrar o contrário: o poder delas foi de criar repulsa em colegas de trabalho, afastar candidatos a padrasto dos filhos e até de não conseguir sexo. E as melhores mulheres (no sentido de mentalidade) não mostraram muita diferença pras feministas de esquerda, isso quando elas realmente não queriam ser identificadas com aquelas. Uma mulher honesta ficou cada vez mais associada a uma interiorana com pouca escolaridade e neurose antissexual (e não é que isso estava errado). Então, cada vez mais mulheres cristãs jovens, aquelas que levam a religiosidade cristã a sério, passaram a associar o LGBT-Feminismo à devassidão heterossexual, como já faziam as suas mães, e a pregar contra o feminismo maluco. Aparentemente, a maioria dessas mulheres estão procurando casamento com um homem conservador.

Volto à questão transexual. Alguns homens conservadores abordam a parte das chamadas "mulheres trans" em banheiros femininos como se essas... mulheres fossem homens cis heterossexuais com intenção de estupro em um banheiro feminino. Quando um homem pensa que nasceu para combater um certo perigo, ele enxerga este perigo maior do que o real. A mulher se sente ameaçada pela questão trans em geral, porque ela percebe que o preço de não ser mulher está começando a ser cobrado. Então, o homem conservador vai lá em defesa dela.

Mas a "mulher trans" mostra o que as mulheres reais falham em ser. Se uma mulher média não tratasse a falta de sexo como medida de dignidade, um homem não tentaria imitar essa mulher, com chances reais, em alguns casos, de ser confundido com ela.

As mulheres são preocupação até dos homens antifeministas. O rapaz tem menos de 45 anos e já passou os últimos 10 ou 20 anos lendo e assistindo vídeos sobre uma Nova Ordem Mundial satânica, ele passou a associar esse esquema à esquerda maluca recente e a partir daí, ele já teve perfis suspensos no Facebook e no Twitter (aqueles perfis com pseudônimo no lugar do nome e personagem de filme no lugar da foto, porque ele não pode ser descoberto por colegas de trabalho), e ele conheceu canais do YouTube e perfis de redes sociais cujos usuários foram importunados pela polícia. E ainda assim, ele ainda pensa que um dia vai ter que proteger a tia velha alienada que mal consegue manejar o próprio celular. Os Illuminati passaram esse tempo todo planejando campos de concentração para senhoras interioranas aposentadas?

8) O preço da mediocracia (e, novamente, sobre as mulheres)

Uma sociedade só pode ter suas posições de destaque ocupadas por medíocres na melhor das hipóteses e bandidos na pior quando as classes poderosas seguram a estrutura toda sabendo onde querem e vão chegar. E essas classes poderosas precisam não estar nas mãos desses desqualificados no poder formal, além de não estarem elas próprias entre aqueles. A não ser na situação instável em que a inteligência, a comunhão com a verdade ou sequer a competência técnica estão tão improváveis ou impotentes no meio da coletividade que não vão assumir posição de autoridade. Isso ajuda a explicar por que o Feudalismo durou mais de um milênio na Europa, e, um século depois do fim dele na Europa, outros sistemas políticos com a mesma miséria ainda existiam na Ásia e na África. E aqui, eu não digo que uma elite maligna deixou o povo pobre de espírito, alienado e analfabeto. Eu digo que a massa nesse nível de pobreza de espírito foi patrocinada pela elite da ocasião. Se eu disser que qualquer semianalfabeto fracassado pode ser da igreja estatal do Império Romano, eu não estou fazendo uma ofensa barata; eu estou dizendo algo que no fim do século XX ou neste século XXI, pode ser comprovado por pesquisa escolar ou por observação de campo em um país como o Brasil (e isso também não é uma caricatura).

Aí, caímos na mediocracia da esquerda recente. Eu passei pelo Feudalismo pra lembrar, mais uma vez, que a História não dá saltos. A esquerda maluca vem da esquerda intelectual, a esquerda intelectual tem sua herança no Catolicismo Romano e no Protestantismo (que tem sua raiz no Catolicismo Romano), a Igreja Católica da época salvou alguma coisa do Feudalismo. Na parte antes da esquerda inteligente, não posso me aprofundar porque essa é uma longa história. Mas hoje está cada vez mais claro, mesmo para pessoas com pequenez de intelecto, que o patrocínio da mediocridade tem um preço com dois aspectos. O primeiro é que não há vaga em posições destacadas para todos os espertalhões medíocres. O segundo é que pessoas medíocres em posições onde elas não deveriam estar podem encontrar outras pessoas como elas nessas posições ou acima delas.

Os negros e os não-héteros não seguiram a onda dos seus supostos representantes de esquerda. Os que eram bem-sucedidos ou apenas conseguiam ter uma vida razoável sendo pessoas ordeiras competentes não sentiam que ganhariam algo nessa onda. Os medíocres e os abaixo da mediocridade não tinham nem força nem voz pra encher o saco, e a esquerda da época não se interessava neles. Mas o Feminismo já existia na primeira metade do século XX. Se uma mulher não aderiu à militância feminista na Primeira Onda e na Segunda Onda, isso não foi porque ela tinha uma convicção cristã contrária, mas exatamente porque ela era muito pouco instruída e muito mal informada para saber a respeito, ou porque ela tinha um bom casamento; mas isso não tirou dessa mulher algo que o Feminismo poderia ter feito a favor dela. Sim, o Feminismo fez bem a quase todas as mulheres: as bonitas puderam fazer carreira com a beleza (ou conseguir um casamento), as feias tiveram os seus casamentos com mais liberdade para atormentar os seus maridos (isso ficou mais visível com as leis recentes), as que puderam conseguir bons empregos tiveram oportunidades, as que não puderam conseguir bons empregos tiveram seus maridos (ou rendas de ex-maridos), e assim por diante.

Na verdade, todo o apoio popular à mediocracia foi para favorecer as mulheres em geral, às vezes em especial as mulheres idosas. Tanto mulheres pensando em benefícios próprios (recentemente em vários países, em benefícios sociais próprios) quanto homens pensando nessas mulheres (algumas mulheres individualmente ou as mulheres em geral). O protesto contra a esquerda veio quando a porcaria ficou visível até para os alienados. Mas o problema maior é que, como eu estou tentando demonstrar, um novo sistema pode estar se desenhando cujo projeto pode eliminar milhões de pessoas.

9) Salvando as mulheres do sexo, como sempre... e pagando por isso

Eu estava dizendo antes que o Feminismo fez bem a quase todas as mulheres. As mulheres que o feminismo conservador e o feminismo de esquerda despreza ou ataca diretamente são as mulheres que são sexualmente ativas (por trabalho ou por gosto) ou que são apenas agradáveis aos homens no sentido físico ou comportamental. Para os homens e as mulheres feministas da esquerda recente, elas devem ser salvas do machismo; para os tradicionalistas, elas devem ser salvas do pecado; para ambos, talvez elas devam ser queimadas na fogueira como cabras expiatórias do plano de salvação.

Os conservadores apoiaram censura contra as mulheres profissionais do sexo e os conteúdos eróticos e sexuais. Eles já pregaram várias formas de censura à internet dizendo que as crianças podem encontrar (ou já encontram) pornografia bizarra com facilidade. Eles sempre lutaram contra a Educação Sexual nas escolas e já fizeram professores serem demitidos por tocar no assunto. Eles também sempre aceitaram com facilidade acusações falsas sem provas de crimes sexuais de homens contra mulheres e crianças. Quando a esquerda se mostrou mais louca já na política oficial de vários países relevantes, os conservadores de direita viram tudo isso ser usado contra eles mesmos. O "dicionário" que os conservadores tentam contornar nas redes sociais e no YouTube hoje ("dicionário" é o conjunto de palavras que dão sinal para análise de censor ou eliminação automatizada do conteúdo) começou pra salvar filho adolescente de mocreia puritana de ver corpo de mulher gostosa. Assim como os bloqueios da internet em nível nacional em alguns países (bloqueios políticos), que começaram com softwares para computadores domésticos para "controle dos pais". A direita conservadora ainda insiste em criar uma imagem mental no público que associa a esquerda em geral a sexo com crianças, mulheres que se fazem disponíveis aos homens ou à socialização das mulheres. Novamente, os homens conservadores lutam para proteger as mulheres e as crianças de perigos inexistentes. Mas nem isso a esquerda atual permite, porque, novamente, o seu adversário não é a direita conservadora, é o povo de verdade.

Até recentemente, as igrejas cristãs só demonstraram posição política pra seguir a onda da esquerda ou pra reprimir o sexo. Hoje, até temos alguns cristãos lendo os noticiários e vendo sinais do fim do mundo, mas confundindo o fim deles mesmos como ideia com o fim do mundo. A família tende à mediocridade (no sentido estatístico), mas se há um projeto contra a família, esse projeto é de um sistema sociopolítico sem participação da normalidade mental e moral das pessoas decentes.

Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "O primeiro Estado além da família", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2023/04/o-primeiro-estado-alem-da-familia.html
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "O primeiro Estado além da família", https://avezdoshomens.blogspot.com/2023/04/o-primeiro-estado-alem-da-familia.html

sexta-feira, 31 de março de 2023

A Sociedade dos Garotos - parte 10: Toda forma de poder

EN: The exposed pussy of a grill saleswoman. Joe's Fantasies, Nikky Boob, street vendor, African woman, robust black woman, woman in skirt with panties showing, upskirt, sexual imagination. PT-BR: A boceta exposta de uma vendedora de grelhados. Joe's Fantasies, Nikky Boob, vendedora ambulante, mulher africana, mulher negra robusta, mulher de saia com calcinha à mostra, imaginação sexual. FR: La chatte exposée d'une vendeuse de grillades. Les Fantasmes de Joe (Joe's Fantasies), Nikky Boob, vendeuse de rue, femme africaine, femme noire robuste, femme en jupe avec culotte montrant, imagination sexuelle. ES: El coño expuesto de una vendedora de parrillas. Joe's Fantasies, Nikky Boob, vendedora ambulante, mujer africana, negra robusta, mujer en falda con bragas mostrando, bajo la falda, imaginación sexual. IT: La figa esposta di una commessa di grill. Joe's Fantasies, Nikky Boob, venditrice di strada, donna africana, robusta donna di colore, donna in gonna con mutandine in mostra, immaginazione sessuale.

Abigail Pereira Aranha

1) Introdução

As estruturas de poder e de comando de qualquer lugar do mundo e qualquer época nunca dependeram de solução de problemas reais do grupo social, e a hierarquia que, etimologicamente, significa governo dos santos não segue a escala de grandeza moral ou mesmo a escala de competência técnica. Qualquer anarquista sabe disso. E essa verdade é de conhecimento público nas Américas e na Europa desde o fim do século XX. Quando uma elite política, religiosa ou técnica tinha os conhecimentos que justificavam o poder e a autoridade que ela tinha, isso acontecia em geral porque essa elite fechou esses conhecimentos dentro dela mesma enquanto o resto do povo era privado deles, às vezes proibido de tê-los. Muitos católicos dos séculos XX e XXI não tiveram essa noção de privação do conhecimento porque nasceram já conhecendo a invenção recente, e socialista, da escola pública.

Mesmo que um sistema de organização social e política tivesse o objetivo de administrar as questões de uma coletividade, primeiro ele deveria ir ao encontro de uma coletividade já existente com estas questões definidas e conhecidas; segundo, ele deveria ser proposto por alguém que percebeu que este sistema era uma solução para estes problemas. Mas os que acreditam que as sociedades humanas começaram assim (e realmente muitos eruditos dizem isso) nasceram conhecendo os confortos da própria civilização, a imprensa e, no século XX, a escola pública; então, eles quase pensam que esses recursos recentes são tão antigos quanto a humanidade. E as lendas que eles contam sobre a origem da sociedade e das estruturas de poder exigem uma situação inicial de desagregação social e violência em que a coletividade não sobreviveria até esse projeto iluminado, ou não teria alguém que o concebesse; e ao mesmo tempo, exigem as mesmas coisas que elas descrevem como foram criadas na criação delas mesmas. Logo, a tese é Petição de Princípio.

Então, como tudo isso começou? Com a família. Antes de existirem países mais ou menos unificados, cidades aqui e ali ou mesmo tribos indígenas, existiram famílias. E nessa exposição, família é qualquer sistema com pai, mãe, filhos, ascendentes dos pais, descendentes dos filhos, descendentes dos ascendentes (como primos) e ascendentes dos descendentes (como os sogros dos filhos casados, que são avós dos netos). E eu não entro aqui na questão do casamento, do formato do casamento ou se houve um casamento do pai com a mãe.

2) (No mau sentido) a família é a base da sociedade

Talvez você veja tudo sobre poder e organização social fazer sentido se você assumir que tudo começa, inclusive historicamente, com a família.

Por sinal, a Bíblia diz que a nação de Israel veio de uma família, de Abraão, de Isaque e de Jacó. É curioso que Isaque era filho de Abraão com a sua meio-irmã Sara (Gn 20: 12), Jacó era filho de Isaque com a neta de uma prima dele (Gn 24: 15) e 9 dos 13 filhos de Jacó foram com duas primas dele (Gn 28: 2, 29: 32 a 30: 24 e 35: 16 a 18). E mais do que isso, tudo começou quando Deus disse a Abrão para sair do meio familiar dele (Gn 12: 1). Outra curiosidade é que Jesus Cristo era, formalmente, descendente do rei Davi, como talvez metade da Judeia (afinal, um carpinteiro semianônimo chamado José era descendente de Davi). Será que a formação cultural do povo de Deus dependia de que essa população se fechasse, como diríamos hoje, numa "bolha"?

Sim, a família é a base da sociedade, não porque a sociedade tem sua célula na família, mas porque a sociedade é ampliação da família mediocre.

Aí, haverá quem pense que quando uma mulher fala mal da instituição familiar, ela é uma depravada ateia satanista. Eu sou só ateia, mas as minhas aventuras sexuais com 332 homens desde os meus 14 anos me ajudaram a ver o mal sociopolítico da família medíocre. E nisso, eu não digo que a minha família é medíocre. Eu não aprendi o Ateísmo e a licenciosidade no ambiente familiar, mas o meu pai e os meus irmãos me amam.

3) A submissão de muitos a uma pessoa poderosa

O poder formal pode ser ilustrado neste trecho bíblico, apesar de o contexto ser outro: "mil homens fugirão ao grito de um, e ao grito de cinco todos vós fugireis" (Is 30: 17). Quantos países no mundo têm mais de 3 policiais por 1000 habitantes? Os países com mais proporção de policiais por 1000 habitantes estão em governos autoritários ou totalitários, em geral em situação econômica e social decadente; o que refuta aquela afirmação de que a segurança do cidadão comum no quotidiano é garantida pelo monopólio estatal da violência. Mas isso não significa que cada país no mundo seja uma população oprimida por uma minoria irrisória de dominadores que comanda outra minoria mais numerosa de soldados. E mesmo se fosse assim, nós teríamos dois problemas. O primeiro: quem teria sido o cara maluco que chegou diante de todos e berrou "o rei sou eu"? O segundo, que na verdade vem antes do primeiro: por que haveria de existir algum rei? Por falar em rei, foi comum ao redor do mundo um rei ser deposto ou morto, e o governante novo era uma pessoa de uma família influente. Ops! Família, de novo. E aí vamos pras respostas daquelas duas perguntas.

A estrutura de poder, mesmo em governos autoritários e totalitários, começa de baixo e vai pra cima, não vice-versa. É como se o reinado fosse um consórcio de famílias; ou melhor, de chefes de famílias. Do antigo rei de cidade pra cima, você talvez veja isso com mais clareza: várias cidades formavam um país, às vezes com divisões regionais intermediárias, e vários países às vezes se uniam em um império. Nós ainda temos uma estrutura parecida com isso na democracia indireta de hoje: nós elegemos representantes municipais, estaduais e federais para organizarem a segurança pública, para organizarem a rede pública de saúde, para baixarem o preço da carne, etc. E mais do que isso, se a maioria da população vê o país inteiro como extensão do próprio bairro, isso não é algo que muita gente vê como uma pequenez de espírito e de intelecto. O imperador não existia como tal antes do império, ele não tinha algo para representar ou para ser associado ao seu papel; o rei de uma cidade que faz parte do império já tinha. E antes da cidade, as famílias que a formaram também já existiam.

4) De onde vem o LGBT-Feminismo

Quando falamos em poder social e político, muitos pensam em ação dos homens. Mas por que nenhum grupo social na história da humanidade legalizou o estupro de mulher por homem comum? Mais do que isso, por que qualquer grupo social na história da humanidade ofereceu proteção à mulher comum enquanto tinha restrições contra o sexo heterossexual? Mais do que isso, essa mulher comum foi defendida DO SEXO, defendida PELA COMUNIDADE, uma defesa que pode ser expressa PELAS NORMAS SOCIAIS que incluem as leis. Os antifeministas usam esse dado com frequência para refutar o Feminismo, especialmente a loucura recente de "cultura do estupro". Mas os antifeministas conservadores não demonstram que o Feminismo é desnecessário, eles demonstram que ele já existia antes. Na Terceira Onda e na Quarta Onda do Feminismo, a comunidade se tornou o marido de cada mulher de uma forma mais visível. Qualquer mãe solteira ou feiosa encalhada pode conseguir desde favores de transeuntes até cotas no mercado de trabalho. Mas antes da terceira onda, tivemos uma segunda e uma primeira. E antes da primeira onda, algum conjunto de condições a levou a ser possível. A História não dá saltos. No Conservadorismo, você pode ser intelectual sem saber disso, como os antifeministas conservadores parecem não saber.

Eu mencionei há pouco a proteção da mulher contra o sexo (com homem). Isso inclui a censura contra mulheres profissionais do sexo e contra mulheres com menos má vontade sexual. Essa repressão antissexual é para atingir os homens, especialmente os homens adolescentes e jovens. Mas para isso, não é necessário um complô de mulheres feias, desagradáveis, frígidas e invejosas para vilificar a heterossexualidade masculina a partir de uma posição de poder formal. Influenciar homens a fazer isso por elas já é suficiente. E aqui chegamos ao ponto: se a família é a base da sociedade, ela também tem a base do Feminismo. Mas antes, eu ainda chamo a sua atenção para outra questão: a dos gays e das lésbicas.

O Movimento LGBTQIA+ junta todas as pessoas que não são héteros, mas, ainda assim, não pode alegar que representa metade da população, como o movimento feminista pode, mesmo com uma credibilidade duvidosa. Tanto esse movimento feminista quanto aquele Movimento LGBTQIA+ são truques da esquerda recente para engenharia social. Mas por que ambos andam juntos? Primeiro, porque um gay é um homem que não tem interesse sexual em mulheres, e isso é um prazer para uma mulher que odeia sexo. Segundo, porque muitos gays fazem uma certa imitação da mulher. Por sinal, você pode ver no seu quotidiano como um gay tem mais proximidade com as mulheres que um homem hétero. Mas as lésbicas estão no LGBT-Feminismo porque são mulheres? É o contrário, o Feminismo é um movimento lésbico. O lesbianismo, como eu tenho dito, não é homossexualidade feminina, é transtorno mental sociopata.

O Feminismo em todas as ondas e o Movimento LGBTQIA+ têm um princípio moral em comum com o Conservadorismo: a vilificação da heterossexualidade masculina. Se você é homossexual, não existe cura para o que não é doença; se você é um homem heterossexual que acessa pornografia, você tem o cérebro de um viciado em cocaína. Se você é homossexual, a sua vida íntima não é um problema pra ninguém; se você é um homem heterossexual, você é um perigo para as garotas adolescentes, produz importunação sexual para as mulheres no mercado de trabalho e movimenta o tráfico de mulheres para o mercado do sexo. Bom, você pode ser um homem heterossexual e viver sem grandes problemas nessa situação, desde que você não saia do armário. Ops! Um gay ou uma lésbica sair do armário é libertação. Mas essas ideias não estão só na militância maluca que mal tem contato com o povo de verdade. Essas ideias estão difundidas entre as pessoas comuns. E nisso voltamos pra questão da família e da sua ligação com o LGBT-Feminismo.

Aliás, eu me lembrei agora: eu compartilhei várias vezes em redes sociais algum vídeo ou alguma foto de gangbang (uma mulher transando com vários homens) com o comentário "minha filha com 14 anos". Você nunca viu alguém fazer um comentário assim. Eu acredito no poder da educação infantil para formar uma pessoa ajuizada já na adolescência. Assim como alguns acreditam que uma criança pode receber educação financeira, profissional, técnica ou religiosa (e fora a religiosa, eu acredito que eles estão um tanto certos), eu acredito que a mesma criança pode receber educação intelectual, educação moral e educação sobre vários aspectos da vida que é bom que ela não experimente nunca ou que ela não pode experimentar ainda. Esse último caso é o da Educação Sexual. Mas eu precisei dar essa pequena volta pra alguns leitores não entenderem atrocidades quando eu mencionasse Educação Sexual para crianças; nem quando eu mencionasse educação pelo exemplo, depois desses perceberem (alguns já sabiam) que eu sou ateia não-casta. Por sinal, essa lembrança descontraída também se encaixa no assunto, a formação em casa de uma pessoa moralmente sã e mentalmente integra; ou o contrário, como é a regra geral.

Os conservadores alardeiam que a ideia do Movimento LGBTQIA+ é homossexualizar a população mundial para que a Nova Ordem Mundial satânica possa reduzir a população mundial para 500 milhões de habitantes, ou um bilhão, ou dois bilhões no máximo. E ao mesmo tempo, consolidar a libertinagem, inclusive heterossexual. Eles erram. Mas esse erro também sinaliza para a questão daqui: eles defendem o interesse de alguém.

5) A cultura do oprimido

Um elemento necessário para um poder opressivo é que o oprimido aceite algo contra ele mesmo, ou que ele acredite que ganha algo com isso nem que seja numa vida após a morte. Mas antes de pensar em como sair disso, vamos pensar em como entramos.

A visão de mundo que o oprimido tem não vem dos aparelhos ideológicos de Estado (AIE). Aparelhos ideológicos de Estado, na literatura marxista, são as estruturas que não são formalmente políticas ou estatais e que moldam o cidadão para o sistema de dominação. Eles davam como exemplo as igrejas, as escolas (que, segundo eles, ensinavam Conservadorismo e Capitalismo), a imprensa (que, segundo eles, defendia o Capitalismo e tudo que eles lutam contra), a indústria de artes e entretenimentos (que, segundo eles, defendia o Capitalismo e tudo que eles lutam contra), etc. Mas o que havia antes desses aparelhos ideológicos de Estado? A família, que vem antes da própria sociedade.

6) Toda forma de poder feminino

É claro para nós hoje que uma sociedade é feita em grande parte do trabalho dos empregados no Capitalismo, e alguns desempregados, e, antes do Capitalismo, do trabalho de escravos. Havia alguma parte de trabalho da elite, eu digo parte boa. Mas depois de sabermos que a sociedade patriarcal deixou as mulheres no serviço doméstico e na criação dos filhos e só recentemente em posições menores que as dos homens no mercado de trabalho, nós descobrimos recentemente, pelo trabalho de pesquisadores e pesquisadoras feministas do Primeiro Mundo, que existiram civilizações lindas e sem guerra governadas pelas mulheres; mas elas foram destruídas por invasões de outras civilizações (patriarcais, é claro). A não ser algumas poucas comunidades isoladas com maioria de lésbicas guerreiras. Ops! Não são favelas brasileiras que são longe do centro da cidade e têm muitas mães solteiras.

7) Toda forma de ignorância

Nós temos hoje via escola pública de países de Terceiro Mundo do século XXI conhecimentos que eram segredos militares ou de sociedades secretas antes da Idade Contemporânea. Mas quem diz que "os poderosos" têm medo de um povo escolarizado e, mais do que isso, inteligente está um tanto errado. Quem mais viu o conhecimento e a inteligência com desde desinteresse na melhor das hipóteses até ódio mal disfarçado na pior foram as vacas fracassadas incultas de municípios pequenos agropecuários. A tese de que a camponesa inculta repulsiva tenha hostilidade contra o filho afeito aos "estudos" (e mais ainda contra a filha) com uma eventual tolerância a um filho bem sucedido que venha a ajudá-la financeiramente, tudo isso a reboque de um ardil maligno do "sistema" de que ela não sabe e que ela não teria capacidade pra entender se soubesse, não deixa de ser uma tese plausível. Mas essa e a tese de que a coisa no nível microscópico seja uma iniciativa própria de feiosas pobres de espírito não são excludentes. Mais que isso, essas iniciativas próprias pulverizadas em quase cada casebre de periferia de cidade e quase cada pequena propriedade rural talvez dêem resultado suficiente para os poderosos quase não se preocuparem com o tal ardil maligno.

Assim, os artistas, os cientistas e os filósofos em todo o mundo antes do século XX eram quase todos de família ricas, e quase todos homens. As mulheres, sempre eram. Aliás, como vamos agora nas Américas e na Europa quando a maioria das pessoas com formação universitária é de mulheres, algumas delas via programas assistenciais para a parte mais pobre da população? Não apareceu uma versão feminina do dr. Carlos Chagas ou do inventor Charles Goodyear, mas vimos em reportagens de jornal alguma professora, cujo nome vimos uma ou duas vezes na vida e nem nos lembramos mais, que fez um estudo mostrando sexismo ou racismo onde nenhuma pessoa normal veria.

8) Por que a mãe é o começo disso tudo

Toda forma de poder tende a ser para proteção, provisão ou conveniência das mulheres. A família é anterior à civilização, inclusive existe alguma forma de família em uma comunidade não civilizada. Assim, podemos encontrar a origem cultural do poder, da submissão e da opressão dentro da família. Mais exatamente, na figura materna.

Qual ditadura atacou a família? Talvez você possa mostrar alguma cultura antiga ou mesmo recente que reprimiu a família de escravos.

E vamos observar quem louva a família. A família como instituição, não a própria família. Na verdade, realmente é a própria família. Quem exalta a família é provinciano do interior, mulher idosa ou filho de família em boa situação socioeconômica. Para este último, a família foi fundamental para ele ser o que é, e este é o perfil do pregador que os outros dois vão ouvir.

O amparo social ou familiar aos idosos foi pensado para as mulheres idosas. Os homens podiam ter os mesmos benefícios se não morressem antes em guerras, ataques de animais ferozes ou acidentes de trabalho. Uma pessoa nascida antes do último quarto do século XX pode ter tido um pai que morreu assim, não a mãe. A futura mulher idosa é a mãe que tem uma baixa qualidade de vida junto com os filhos com recursos que não dariam uma vida decente para ela mesma.

Assim, você pode observar que desde o começo dos grupos sociais de que tomamos conhecimento, nenhuma necessidade ou conforto de mulheres feias, velhas ou frígidas deixou de ser um valor a ser buscado pelo grupo social, a não ser quando e onde a vida era penosa demais para livrar as mulheres de uma cota menor de trabalho desconfortável.

Poderia a lembrança confusa da amamentação ser a origem da ideia do poder sociopolítico? Uma lembrança confusa da mãe como símbolo da vida e da proteção, junto com a lembrança confusa do pai como amparador (ou não) da mãe, e a partir das duas lembranças, a projeção da mãe nas mulheres e do pai nos homens (e, nos filhos homens, em si mesmos).

É a regra geral que os pais e as mães não vejam a criação de filhos como a responsabilidade de criar um ser humano decente e saudável, mas como uma situação de poder que pode ser a única que terão na vida. E se o movimento feminista diz que a sociedade patriarcal deixava para a mãe o serviço doméstico e a criação dos filhos, ele deixa escapar que é a mãe medíocre quem molda os filhos que serão cidadãos típicos.

Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "A Sociedade dos Garotos - parte 10: Toda forma de poder", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2023/03/a-sociedade-dos-garotos-parte-10.html
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "A Sociedade dos Garotos - parte 10: Toda forma de poder", https://avezdoshomens.blogspot.com/2023/03/a-sociedade-dos-garotos-parte-10.html
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