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sábado, 24 de outubro de 2026

O primeiro turno das eleições 2026 e a democracia do novo normal

Abigail Pereira Aranha

1) O primeiro turno das eleições de 2026 não é uma revolução, mas teve muitas coisas boas

  1. Vocês se lembram da então deputada que em 2017 queria descobrir e processar o colega que teve a voz gravada chamando-a de gostosa?[01] É a Shéridan Estérfany. Ela foi candidata a vice-governadora de Roraima, vice do Soldado Sampaio, do partido Republicanos. Eles perderam.
  2. Bolsonaristas que ganharam:

    1. Bia Kicis e Michelle Bolsonaro para senadoras pelo Distrito Federal (Sebastião Coelho, um desembargador que é um grande crítico do STF atual, também foi candidato a senador pelo Distrito Federal);
    2. Gustavo Gayer para senador por Goiás;
    3. Nikolas Ferreira reeleito deputado federal por Minas Gerais, um dos deputados mais votados do Brasil;
    4. Carlos Jordy para senador pelo Rio de Janeiro;
    5. Sóstenes Cavalcante e Thiago Gagliasso para deputados federais pelo Rio de Janeiro;
    6. André Fernandes para deputado federal pelo Ceará;
    7. Styvenson Valentim para senador pelo Rio Grande do Norte;
    8. Índia Armelau para deputada estadual do Rio de Janeiro;
    9. Guilherme Derrite para senador por São Paulo;
    10. Lucas Pavanato para deputado federal por São Paulo, um dos deputados mais votados do Brasil;
    11. Luiz Philippe de Orleans e Bragança, Marina Helena, Mário Frias e Pastor Marco Feliciano também para deputados federais por São Paulo;
    12. Eduarda Campopiano para deputada estadual de São Paulo;
    13. Sérgio Moro para governador do Paraná;
    14. Deltan Dallagnol e Filipe Barros para senadores pelo Paraná;
    15. Delegado Francischini, Jeffrey Chiquini, Paulo Eduardo Martins e Sargento Fahur para deputados federais pelo Paraná
    16. Zucco para governador do Rio Grande do Sul;
    17. Sanderson e Marcel Van Hattem para senadores pelo Rio Grande do Sul;
    18. Maurício Marcon e Osmar Terra para deputados federais pelo Rio Grande do Sul;
    19. Professor Cláudio Branchieri para deputado estadual do Rio Grande do Sul;
    20. Carol de Toni para senadora por Santa Catarina (ganhou junto com Carlos Bolsonaro);
    21. Júlia Zanatta para deputada federal por Santa Catarina, a terceira deputada mais votada do Brasil (a segunda, se excluirmos a Erika Hilton); e
    22. Ana Caroline Campagnolo para deputada estadual de Santa Catarina
  3. Traidores de Jair Bolsonaro e isentões que perderam:

    1. Soraya Thronicke para senadora pelo Mato Grosso do Sul;
    2. Otoni de Paula para deputado federal pelo Rio de Janeiro;
    3. Simone Tebet para senadora por São Paulo;
    4. Professor Marco Antônio Villa (que o saudoso Olavo de Carvalho chamava de Marco Antônio Vil) e Rachel Sheherazade para deputados federais por São Paulo
  4. Políticos da esquerda que perderam:

    1. Randolfe para senador pelo Amapá;
    2. Eliziane Gama para senadora pelo Maranhão;
    3. Erika Kokay e Leila do Vôlei para senadoras pelo Distrito Federal;
    4. Soraya Thronicke para senadora pelo Mato Grosso do Sul;
    5. Iriny Lopes (secretária de Políticas para as Mulheres do governo Dilma Rousseff) para deputada federal pelo Espírito Santo;
    6. Benedita da Silva para senadora pelo Rio de Janeiro;
    7. Fernando Haddad para governador de São Paulo;
    8. Marina Silva e Simone Tebet para senadoras por São Paulo;
    9. Zé Dirceu e Rui Falcão (ex-presidente do PT) para deputados federais por São Paulo;
    10. Gleisi Hoffmann para senadora pelo Paraná; e
    11. Manuela d'Ávila para senadora pelo Rio Grande do Sul
  5. Youtubers de esquerda que perderam: Clayson Felizola para deputado federal por Minas Gerais e Tamir Felipe para deputado federal por São Paulo.
  6. A viúva da Marielle Franco, Mônica Benício, perdeu pra senadora pelo Rio de Janeiro.
  7. Renan Calheiros perdeu pra senador por Alagoas.
  8. Dois candidatos a deputados federais se posicionaram a favor da legalização da maconha e perderam: Dário 4e20 por Minas Gerais e Santo Legaliza por São Paulo. Ambos são do PSOL e usaram o mesmo número, 5042.
  9. Vocês devem ter notado que desde a queda da Dilma Rousseff, o Hitler aparece toda época de eleição presidencial, pixações de suásticas pelo país etc. Dessa vez, ele apareceu de novo: Hitler Kléber Pederssetti, candidato a deputado estadual do Rio Grande do Sul. Ele perdeu. Mas ele é do bem.[02]
  10. Vocês já viram algum esquerdista dizer que se o Flávio Bolsonaro ganhar, a família Bolsonaro vai dominar o Brasil? Eles erraram: Jair Bolsonaro não é mais o presidente do Brasil, é o rei do Brasil. Ele indicou o filho Flávio e ele já saiu no segundo lugar nas pesquisas. Agora, fora o filho Eduardo que está exilado nos Estados Unidos, já temos esperando pelo Flávio, se ele for eleito presidente, o irmão Carlos eleito senador por Santa Catarina, o meio-irmão Jair Renan eleito deputado federal por Santa Catarina, a madrasta Michelle eleita senadora pelo Distrito Federal e o tio Renato Bolsonaro, irmão do Jair, eleito deputado federal por São Paulo. Só faltou a mãe, a Rogéria Bolsonaro, que perdeu pra deputada federal pelo Rio de Janeiro.
  11. Dos 6 deputados federais mais votados do Brasil nestas eleições, 4 são do PL e apoiadores de Jair e Flávio Bolsonaro: o 1º é Nikolas Ferreira, por Minas Gerais com 3.119.318 votos; o 2º é Lucas Pavanato, por São Paulo com 3.038.438 votos; o 4º é André Fernandes, pelo Ceará com 684.372 votos; e a 6ª é Júlia Zanatta, por Santa Catarina com 560.223 votos.[03]

2) Algumas notícias ruins

  1. Foram eleitos 70 deputados federais do PT: 12 por Minas Gerais, 11 por São Paulo, 7 pela Bahia, 6 pelo Rio de Janeiro, 5 pelo Paraná, 5 pelo Rio Grande do Sul, 3 pelo Ceará, 3 por Pernambuco, 3 pelo Piauí, 2 pelo Espírito Santo, 2 por Goiás, 2 pelo Pará, 2 por Santa Catarina, 1 pelo Distrito Federal, 1 pelo Maranhão, 1 pelo Mato Grosso, 1 pelo Mato Grosso do Sul, 1 pela Paraíba, 1 pelo Rio Grande do Norte e 1 por Sergipe[04]. Do Nordeste, só Alagoas ficou fora da lista; mas quase a metade veio daqui do Sudeste (31).
  2. Dos 7 deputados federais do PT pela Bahia, uma é Maria Fernandes Marighella, neta do Carlos Marighella. Essa é PT até do avesso: número 1331. A Bahia também elegeu dois de seus ex-governadores do PT para senadores: Jaques Wagner e Rui Costa. Mas em vez de condenar os baianos, vou puxar a orelha dos bolsonaristas: falta presença anti-PT no Norte e no Nordeste. Na Bahia, por exemplo, se você rejeita o Jerônimo Rodrigues, a sua melhor opção pra governador (até onde eu conheço) era o ACM Neto. São 9 estados no Nordeste e 7 no Norte. Cada um vai nos dar 3 senadores e pelo menos 8 deputados, e o estado às vezes não tem a população da região metropolitana de Belo Horizonte (cerca de 5 milhões de habitantes). Se lá é curral eleitoral do PT, é porque o PT está lá.
  3. "Em tempos de conservadorismo, decote de deputada é assunto mais comentado da posse em SC"[05]. A deputada era Ana Paula da Silva, a Paulinha. Mas esta notícia é de fevereiro de 2019, quando ela tomou posse como deputada estadual de Santa Catarina. Agora a Paulinha também foi eleita por Santa Catarina, mas como deputada federal.
  4. Saíram com governadores do PT eleitos no primeiro turno: Bahia com Jerônimo Rodrigues, Ceará com Elmano de Freitas e Piauí com Rafael Fonteles. Com governadores coligados com a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), a Paraíba com Lucas Ribeiro e o Sergipe com Fábio Mitidieri. Dos 5 estados que terão segundo turno pra governador, o Rio Grande do Norte tem um candidato do PT, Cadu de Lula. O Distrito Federal também terá segundo turno, com Leandro Grass do PT e Celina Leão do PP.
  5. Foram eleitos 6 senadores do PT: 2 pela Bahia (os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa), uma por Minas Gerais (a prefeita de Contagem Marília Campos), 1 por Pernambuco (Humberto Costa), uma pelo Rio Grande do Norte (Samanda de Lula) e 1 por Sergipe (Rogério Carvalho).
  6. O Piauí elegeu seus dois senadores na coligação do seu governador Rafael Fonteles, do PT: Júlio César O Julim do Lula do PSD (o PSDB sem o B) e Marcelo Castro do MDB.
  7. Dos senadores eleitos do Rio Grande do Norte, nós tivemos empate: do lado deles, Samanda de Lula; do nosso, Styvenson Valentim, do Podemos.
  8. Um dos dois senadores eleitos de Sergipe é da coligação do governador eleito Fábio Mitidieri: Rogério Carvalho, do PT.
  9. No Ceará, tivemos aquele rebuliço que acabou numa desavença entre a Michelle e o Flávio Bolsonaro, de a direita trocar a candidatura de André Fernandes pra governador pelo apoio ao Ciro Gomes e, com este apoio, conseguirmos mais dois senadores de direita. A discussão entre nós era sobre perder de pé ou ganhar de quatro. Perdemos de quatro: Ciro Gomes perdeu pro Elmano de Freitas, do PT, no primeiro turno e os dois senadores eleitos foram Cid Gomes do PSB e Luizianne Lins da Rede Sustentabilidade.
  10. Omar Aziz, senador protagonista da CPI do Circo (da COVID) está no segundo turno pra governador do Amazonas, concorrendo com a Professora Maria do Carmo, do PSD (o PSDB sem o B). O Cabo Daciolo também concorreu a governador do Amazonas.
  11. O deputado federal Hélio Lopes, o Hélio Negão, amigo do Jair Bolsonaro, perdeu pra senador por Roraima. Eu pessoalmente gostei de ele ter saído do Rio de Janeiro e tentado por lá, porque foi uma compensação de uma falha da direita conservadora: a falta de opções no Norte e no Nordeste.
  12. O então presidente da Câmara dos Deputados que atrapalhou o então presidente Jair Bolsonaro e a nossa vida, Arthur Lira, foi eleito senador por Alagoas. E o presidente da Câmara que nos atrapalhou neste governo, Hugo Motta, foi reeleito deputado federal pela Paraíba.
  13. A Negona do Bolsonaro, Vanessa Silva, precisou concorrer com o nome a deputada federal pelo Rio de Janeiro.[06] Ela já teve o apelido vetado pra concorrer a vereadora na eleição de 2024.[07] "Segundo a justiça eleitoral, o nome induz à 'palavra preconceituosa' e 'racista'". Desta vez, a alegação foi outra, a de que o nome na urna podia sugerir parentesco com Jair Bolsonaro. Vocês devem estar pensando: se a Negona do Bolsonaro se identificasse como Neguinha do PT, não haveria problema. Pois a Maria da Luz Chagas Santos usou este nome para concorrer a deputada estadual de Goiás. A Negona do Bolsonaro não ganhou, mas a Neguinha do PT também não.
  14. Luíza do Clezão perdeu pra deputada distrital (o equivalente a deputada estadual do Distrito Federal).
  15. Dois tranca-rua da fraudemia foram eleitos: Helder Barbalho, então governador do Pará, senador pelo Pará; e Edinho Silva, então prefeito de Araraquara, deputado federal por São Paulo. Triste, mas um número residual que mostra que nenhum prefeito ou governador conseguiu usar o #FiqueEmCasa pra ganhar fama de salvador da pátria.
  16. A irmã da Marielle, Anielle Franco, conseguiu se salvar do esquecimento iminente: foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro. Ela se salvou do esquecimento, não da insignificância. Estaremos de olho nela (no meu caso, eu sou hétero).
  17. Renato Freitas, então vereador de Curitiba que participou da invasão de uma igreja católica e foi cassado[08], foi eleito deputado federal pelo Paraná.
  18. As duas mulheres trans mais famosas da esquerda na Câmara dos Deputados, Erika Hilton por São Paulo e Duda Salabert por Minas Gerais, ganharam mais um mandato. O transexualismo cerebral brasileiro ainda resiste. Ah, sim, o Brasil foi ocupado pela China, mas a esquerda se sente soberana (a não ser que Flávio Bolsonaro ganhe e entregue o Brasil pro Donald Trump).
  19. O youtuber de extrema esquerda Jones Manoel foi eleito deputado federal por Pernambuco.
  20. Youtubers bolsonaristas que perderam:

    1. Samantha Cavalca para deputada federal pelo Piauí;
    2. Wilker Leão para deputado federal pelo Distrito Federal;
    3. Vanessa Silva, a Negona do Bolsonaro, para deputada federal pelo Rio de Janeiro;
    4. Adrilles Jorge, Bárbara Kogos, Felipe Lintz e Silvio Navarro Jornalista para deputados federais por São Paulo;
    5. Renato Taroco para deputado federal por São Paulo;
    6. Boca Nervosa (pagodeiro negro de direita) e Carlo Cauti (apresentador da Revista Oeste) para deputados estaduais de São Paulo;
    7. Flávio Amaral (pastor ex-travesti com o ministério Libertos Por Deus) para deputado estadual de São Paulo;
    8. Cristina Graeml, jornalista da Revista Oeste, para senadora pelo Paraná;
    9. Olímpio de Araújo Júnior (do canal Mundo Polarizado) e Oswaldo Eustáquio para deputados federais pelo Paraná;
    10. Paula Marisa para deputada federal pelo Rio Grande do Sul; e
    11. Bismark Fugazza (do Canal Hipócritas) para deputado federal por Santa Catarina[09]

3) Outra curiosidade das eleições 2026 e um pouco sobre o tribalismo mental da esquerda

A atriz pornô Bianca Naldy concorreu pra deputada federal pelo Rio de Janeiro, mas perdeu. Aqui, eu vou fazer uma ponte com o meu texto anterior, sobre os tribalismos mentais da população brasileira[10]. Na eleição passada, 2022, a também atriz pornô Ester Tigresa Vip queria concorrer a deputada estadual do Mato Grosso. "Após repercussão negativa, PT expulsa Ester Tigresa e ela reage"[11]. A alegação da direção estadual do partido era que a candidatura dela faria o partido cair em chacota nacional. "Atriz pornô acusa partido de preconceito e machismo". Ora vejam!

Primeiro, vou fazer uma revisão rápida sobre o tribalismo mental. Mesmo uma pessoa que tem um trabalho normal e participa da vida normal da sociedade pode ter a mente fechada em um conjunto de ideias ou pior, em um conjunto de chavões e gatilhos emocionais, e por estes ver o mundo ao redor. Em vez de analisar o mundo e as pessoas pelos dados que vêm deles mesmos, a pessoa que tem este tribalismo mental (como a maioria dos brasileiros) se revolve no seu próprio universo verbal-emocional que em grande parte vem pré-elaborado por uma inteligência externa. O que seria uma análise sobre pessoas, sobre o ambiente ao redor ou sobre a própria vida humana é uma produção verbal ou escrita de um universo emocional ou de uma escola ideológica cujas palavras não têm conexão ou compromisso com a realidade, e não raro não têm a integridade da conexão interna. Depois desta revisão, agora acrescento: algumas pessoas se colocam na moral de vadias ou são vítimas cativas de pessoas manipuladoras. Nos dois casos, elas incorporam a ideia de que o mundo é mau e perigoso, todos estão contra nós e somos nós por nós. Aqui eu não estou apontando para a esquerda, mas a militância de esquerda em particular tem muito destes esquemas mentais. É daí que vem, por exemplo, o perfil da mulher feminista que hoje é visto popularmente (porque é verdade) como de uma mulher meio louca, com jargões esquisitos, com falta de sexo e indesejável (não digo só no sentido sexual pra homens heterossexuais).

No caso da Tigresa, ela não parece má pessoa, mas caiu neste esquema. Ela insistiu na candidatura pelo PT porque ela creu que a tribo da esquerda a representava e, por esta tribo, ela poderia representar e atuar por pessoas como ela. Mas no mundo real fora da tribo, na mesma eleição de 2022 que ela tentou participar, duas outras profissionais do sexo concorreram como deputadas federais pelo Rio de Janeiro: Bianca Naldy pelo AGIR (em 2026, ela concorreu pelo Mobiliza) e Elisa Sanches pelo extinto Patriota. E o Patriota era o mesmo partido que quase recebeu Jair Bolsonaro em 2018 e até mudou de nome pra isso (era o PEN, Partido Ecológico Nacional).

Aliás, como eu já contei pra vocês, as mulheres feministas de esquerda me chamam de objeto sexual dos homens há quase duas décadas, só porque eu tenho boas relações com centenas deles (alerta de duplo sentido). Elas atacam as mulheres que não aceitam ser pobres de espírito como elas. Elas não dizem que eu devia ser estuprada porque acreditam que eu não mereço.

A discordância entre ideias e dados do mundo real pode ocorrer até na mente de cientistas e pensadores mentalmente sãos e comprometidos com a verdade. O que eu abordei aqui e que é a regra no Brasil (não só na esquerda) não são divergências de ideias políticas, erros de análise ou mesmo uma ideologia errada. É a dificuldade mental de apreensão da realidade e da verdade, no que seria um nível de burrice demoníaco. E por falar em coisa demoníaca, nós vimos satanistas devotos de Nossa Senhora Aparecida.

4) Uma nota de utilidade pública

Esta pesquisa que vocês viram foi feita na página Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais, divulgacandcontas.tse.jus.br. Lá, temos a lista de todos os candidatos do Brasil por unidade da federação e, nas eleições municipais, por município. Também podemos achar um candidato pelo nome e até pelo CPF, se a gente não souber de onde é, na seção "Candidaturas por Dados Pessoais". Para cada candidato, podemos ver dados como o nome completo, o nome na urna, as eleições que concorreu e a verba de campanha. A seção "Estatísticas de Candidaturas" pode ter algumas curiosidades que vocês procuram.

Como disse o pensador, o castigo de quem não se interessa por política é eleger a Erika Hilton.

5) O Great Reset pode estar entrando em uma nova onda… ou pode parar

Como eu já estou dizendo há alguns meses, e não digo que eu vi isso primeiro, nada que é relevante na vida social do Brasil nesta década tem sua explicação no Brasil. Já há algumas décadas que não só as ideias, até o palavrório dos esquerdistas do Brasil são importação da esquerda estadunidense, da esquerda canadense, da esquerda inglesa e da esquerda francesa pelo menos.

Este é o primeiro ponto. O segundo ponto: como diziam os histéricos, a pandemia não acabou. E nem digo que vão trazer o Adélio-19 de volta pra derrubar Flávio Bolsonaro e Donald Trump, porque isso seria mais ridículo que a primeira vez e encontraria um povo vacinado (no duplo sentido). O problema é que a panicodemia deixou algumas coisinhas nas nossas sociedades até hoje que são preparações pra coisas que são parte do projeto. Por exemplo, a Inteligência Artificial, que gera até algumas diversões pro cidadão comum. Mas vocês viram o vídeo em que seria o Flávio Bolsonaro anunciando que vai cortar aposentadorias, Bolsa Família e outros benefícios sociais se ele for eleito?[12] Neste caso, é notório que isso é obra de Inteligência Artificial pra espalhar coisa que só militante petista e semianalfabeto dependente de bolsa-esmola acredita. Já imaginaram se não existisse uma internet popularizada e aquilo passasse na Rede Globo?

Com isso em mente, a questão nem é se o Flávio Bolsonaro vai ganhar a eleição pra presidente e vai ser empossado se ganhar. O problema é que o esquema que começou com a panicodemia e passou pelo Alexandre de Moraes é muito elaborado pra cair só porque o filho do Jair Bolsonaro ganhou a eleição e vai ter dezenas de apoiadores do pai no Congresso Nacional.

Impedir o adversário de assumir a presidência é mais perigoso que o próprio isolamento social que chamam de pandemia. Então, a esquerda está aterrorizada? Bom, o que chamamos de esquerda? Se for os políticos do eixo do PT, eles estão um pouco aterrorizados. Se for a militância sem cargos políticos, esta estava literalmente aos prantos já no dia seguinte ao primeiro turno (lembro que ninguém ganhou no primeiro turno, por isso vamos ter o segundo; o Flávio Bolsonaro só terminou em primeiro lugar). Se for a gerência brasileira da esquerda internacional, mais notoriamente o Lex Luthor, está tão preocupada quanto os políticos do eixo do PT. Se for a esquerda internacional, esta pode ter tudo sob controle. Este é o ponto.

Vou copiar um trecho do que eu publiquei no VK em 25 de agosto[13]:

O Poder Judiciário é a gerência brasileira do governo chinês e da Gaystapo. Os poderes executivos nas três esferas vão gerenciar cartões de benefícios sociais, serviços públicos de empresas terceirizadas e obras de vias públicas, e também vão aprovar o que o STF e as bancadas de esquerda no Legislativo permitirem ou decidirem. Os poderes legislativos nas três esferas vão fazer agrados para os semianalfabetos alienados das suas bases eleitorais ou, na melhor das hipóteses, a direita conservadora que ainda existe vai lutar para que a esquerda e os do Centro não deixem a nossa vida pior do que já está.

Parece aos eleitores do Lula que a política brasileira está boa, só não está perfeita porque os opositores ao Lula, à picadura da China e à ideia de que trans é mulher ainda estão com os mesmos direitos de todo mundo, como votar e ser votado, usar redes sociais e continuar vivo. Mas a eleição presidencial de 2022 foi a primeira independente do povo de verdade. Quem não votou no candidato supostamente derrotado que nem pode usar a internet mas viu o apoio popular a ele poderia desconfiar disso. Os que fizeram o coronavírus de Adélio estão pra descobrir que o Bolsonaro era eles mesmos.

O caso dos reféns do 8 de Janeiro é um laboratório do socialismo chinês no Brasil. Por exemplo, um dos reféns assassinados foi descoberto porque contribuiu via Pix pra um ônibus pra levou três ou quatro dúzias de idosos pra u'a manifestação pacífica em Brasília. As manifestações da esquerda que acabam com pixações, de onde vem o dinheiro? Do imposto sindical? O problema não é só libertar os reféns e prender o Lex Luthor e os ex-presidentes do Senado Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre. Flávio Bolsonaro e os seus aliados no Congresso Nacional precisam expor nacionalmente o que aconteceu, pelo menos dando divulgação a quem já publicou algo sobre isso, como a Cristina Graeml já fez[14]. Se eles processarem as Organizações Globo como cúmplices, até o Fantástico pode ajudar nisso (como sentença condenatória ou pra tirar "o deles" da reta).

Ah, também é possível "o sistema" estar saindo da fase truculenta e entrando numa fase "soft", e tudo isso ser projeto do "novo normal". Aí, o Alexandre de Moraes e o Flávio Dino são depostos do STF e presos; o Lula volta pra cadeia; o Rodrigo Pacheco, o Davi Alcolumbre e os ex-presidentes da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia ("Nhonho"), Arthur Lira e Hugo Motta dão graças a Deus por voltarem pro anonimato pra nunca mais saírem; tudo isso enquanto, por exemplo, entra o Real Digital (DREX).

O Brasil realmente pode entrar ainda no próximo ano de 2027 numa posição importante da luta do bem contra o mal no mundo. Podemos ter bombas atômicas caindo em Minas Gerais e Goiás pra cortar a cadeia de suprimentos da China, assim como intervenções militares dos Estados Unidos no Ceará contra terroristas islâmicos. Mas também podemos, talvez ao mesmo tempo, ter um aprimoramento moral, cultural e político do Brasil, mesmo se tivermos muito mais a receber de fora do que a ensinar. E tudo isso está acima da percepção do brasileiro médio ou mesmo da percepção da classe política liberal-conservadora que foi eleita.

NOTAS E REFERÊNCIAS

[01] "Deputada quer punição para quem a chamou de 'gostosa' no plenário". Catraca Livre, 07 de agosto de 2017. https://catracalivre.com.br/cidadania/deputada-quer-punicao-para-quem-chamou-de-gostosa-no-plenario

[02] "Hitler: 'Se falarem que sou nazista, não poderei me defender'". Paulo Polzonoff Jr., Gazeta do Povo, 23 de outubro de 2024. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/entrevista-hitler

[03] "Estatísticas de votação". Tribunal Superior Eleitoral. https://sig.tse.jus.br/ords/dwapr/r/seai/sig-eleicao-resultados/home-estatisticas-de-votacao?session=312317751179711

[04] "Cruzamentos perfil de votação". Tribunal Superior Eleitoral. https://sig.tse.jus.br/ords/dwapr/r/seai/sig-eleicao-resultados/cruzamento-de-perfil-dos-candidatos?p0_cargo=Deputado%20Federal&session=312939780012897

[05] "Em tempos de conservadorismo, decote de deputada é assunto mais comentado da posse em SC". NSC Total, 02 de fevereiro de 2019. https://www.nsctotal.com.br/colunistas/dagmara-spautz/em-tempos-de-conservadorismo-decote-de-deputada-e-assunto-mais-comentado

[06] "MP Eleitoral pede que TRE-RJ rejeite candidatura de 'Negona do Bolsonaro'". Metrópoles, 27 de agosto de 2026. https://www.metropoles.com/brasil/mp-eleitoral-pede-que-tre-rj-rejeite-candidatura-de-negona-do-bolsonaro

[07] "Candidata bolsonarista usa o X para protestar contra TRE do Rio que a impediu de usar o nome 'Negona do Bolsonaro'". O Globo, 19 de setembro de 2024. https://oglobo.globo.com/blogs/sonar-a-escuta-das-redes/noticia/2024/09/19/candidata-bolsonarista-usa-o-x-para-protestar-contra-tre-do-rio-que-a-impediu-de-usar-o-nome-negona-do-bolsonaro.ghtml

[08] "Mandato de Renato Freitas é cassado na Câmara Municipal de Curitiba". Tribuna do Paraná, 05 de agosto de 2022. https://www.tribunapr.com.br/noticias/curitiba-regiao/mandato-de-renato-freitas-e-cassado-na-camara-municipal-de-curitiba

[09] Uma propaganda e homenagem do colega Paulo Souza: "Seja um inconformado também #BismarkFugazza". PodPaulo - o Podcast do Paulo Souza, YouTube, 01 de setembro de 2026. https://www.youtube.com/watch?v=99p2IUfcczU

[10] "O Brasil e as palavras que tentam chegar ao poder: o que está por trás da cartilha do PT pra virar voto na eleição de 2026", 17 de outubro de 2026, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/10/o-brasil-e-as-palavras-que-tentam.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/10/o-brasil-e-as-palavras-que-tentam.html

[11] "Após repercussão negativa, PT expulsa Ester Tigresa e ela reage". Lupa1, 25 de abril de 2022. https://lupa1.com.br/blogs/gustavo-almeida/apos-repercussao-negativa-pt-expulsa-ester-tigresa-e-ela-reage-12947.html

[12] "Vídeo em que Flávio Bolsonaro fala em cortar aposentadorias e outros benefícios foi gerado por IA". AFP Brasil, 16 de outubro de 2026. https://checamos.afp.com/doc.afp.com.D3HE2WE

[13] Abigail Pereira Aranha, VK, 25 de agosto de 2026 às 19:31. https://vk.com/wall546824903_4178

[14] "8 de janeiro – Histórias que precisam ser conhecidas: Cristina Graeml lança e-book pela Gazeta do Povo". Gazeta do Povo, 05 de janeiro de 2024. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/cristina-graeml/8-de-janeiro-historias-que-precisam-ser-conhecidas-cristina-graeml-lanca-e-book-pela-gazeta-do-povo. "Prefácio de Alexandre Garcia".

Texto original em português sem vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "O primeiro turno das eleições 2026 e a democracia do novo normal", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/10/o-primeiro-turno-das-eleicoes-2026.html
Texto original em português com vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "O primeiro turno das eleições 2026 e a democracia do novo normal", https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/10/o-primeiro-turno-das-eleicoes-2026.html

sábado, 17 de outubro de 2026

O Brasil e as palavras que tentam chegar ao poder: o que está por trás da cartilha do PT pra virar voto na eleição de 2026

Abigail Pereira Aranha

1) O tribalismo do universo verbal-emocional do brasileiro comum

Para uma pessoa analfabeta ou semianalfabeta como o brasileiro típico, o seu próprio universo verbal ou emocional tem vida própria com certa independência da realidade. E o desprezo pela inteligência, o ódio à realidade ou apenas a preguiça intelectual levam ao semianalfabetismo ou mesmo ao analfabetismo. Para o semianalfabeto, que também tem baixa inteligência emocional, a linguagem serve essencialmente para expressar ou induzir emoções, e também para reconhecimento tribal. Para o semianalfabeto, é atípico que a linguagem humana seja sobre a realidade em vez de para ela ou mesmo contra ela.

Também vem do analfabetismo a frase "as palavras têm poder". O único poder que as palavras têm é o poder de descrição entre pessoas que conhecem o idioma, e, com ele, o poder de transmissão de ideias e de dados sobre o mundo real (ou mesmo sobre um mundo abstrato das ciências puras). Determinar os acontecimentos do mundo físico pelo universo verbal, ou tentar isso, é manipulação sociopolítica ou bruxaria, e bruxaria é analfabetismo aplicado.

Mas isso não significa que o semianalfabeto, mesmo confundindo o próprio universo verbal-emocional com o mundo real em si, não tenha uma visão clara, mesmo errada, sobre qualquer aspecto do mundo real externo. Mas também não estou dizendo que esta visão seja dele mesmo. E digo mais: desconhecer a razão de existir da linguagem humana, desprezar a verdade especialmente sobre si mesmo e estar despreparado contra manipulação psicológica abre o caminho da mente deste semianalfabeto e de uma comunidade inteira como ele para as ideias e a forma mental criadas por qualquer pequeno grupo que tenha organização e recursos. Pode ser o grupo que molda a cultura geral, e pode não ser uma organização secreta maligna; mas pode ser o exato contrário. Curiosamente, naquilo que é individual do semianalfabeto, a visão errada ou manipulada não é substancialmente diferente da de outro semianalfabeto da mesma comunidade.

Vou introduzir uma lista de erros que o brasileiro típico, histérico e semianalfabeto, comete sem a referência do mundo externo e sem a integridade da própria linguagem. Aliás, eu já posso induzir a manifestação de pelo menos três erros dizendo "brasileiro típico, histérico e semianalfabeto". O primeiro é a resistência ao crescimento que pode começar com o encontro com a verdade. O segundo é a confusão do universo verbal-emocional subjetivo com o mundo real em si (me refiro ao universo verbal-emocional da própria pessoa, porque essa mesma pessoa recebe a fala de outra pessoa com raciocínio humano como o contrário, como opinião ou sentimento pessoal). O terceiro é a convivência paradoxal da consciência da própria mediocridade e da inversão delirante desta autoconsciência, a colocação de si próprio como centro do universo, como referência, como régua e como assunto de Deus e o mundo (e não digo "Deus" como figura de linguagem). Agora sim vou àquela lista (esta primeira fica como bônus). O primeiro da lista: o semianalfabeto (ou brasileiro típico) se guia pela sonoridade em vez de pelos significados. Por isso pessoas com o conhecimento básico do assunto, qualquer conversa sobre qualquer assunto de gente grande, precisam perder tempo explicando a ele ou a outros interlocutores a diferença enorme entre um termo que foi usado e outro termo foneticamente semelhante; ou, quando se refere a uma obra de manipulação intencional (por uma inteligência externa), a diferença entre o significado de um termo e uma outra coisa a que foi dado o mesmo termo. Dentro deste caso, acontece também o contrário: o semianalfabeto não reconhece a similaridade ou até igualdade entre dois elementos da realidade que ganharam nomes que nem se parecem. Um exemplo pra entender: você nunca viu uma pessoa receber 4 doses de vacina contra sarampo ou tuberculose em um ano e ter ataque de síndrome do pânico porque uma pessoa saudável meramente chegou perto dela, como nós vimos (literalmente, eu já vi) no caso da assim chamada vacina da gripe chinesa; ao mesmo tempo, essa mesma pessoa vai se impressionar quando me vir chamando a CoViD-19 de "gripe chinesa", mesmo que ela própria não saiba a diferença entre esta e a gripe comum. Saindo um pouco deste item, aquela pessoa pode mencionar as 700.000 mortes da pandemia no Brasil que incluem gripe comum, pneumonia comum, dengue, apendicite, AVC e outras causas de morte. Falar "pandemia" já é atestado de analfabetismo, expliquei muito rapidamente por quê. Aquela pessoa que não sabe disso que eu mencionei aqui rapidamente não é apenas desinformada (desinformação é o que hoje é chamado oficialmente de "fake news"), tem um certo grau de analfabetismo, porque tem uma falha da associação da linguagem com a realidade.

Segundo item da lista: o emocionalismo irracional como superioridade ética. Aqui voltamos àquele exemplo que eu citei, que saiu do primeiro item. E este emocionalismo irracional não é de origem individual, mesmo que o universo emocional do semianalfabeto tenha vida própria; é algo induzido, e esta indução dá até uma uniformidade a milhões de semianalfabetos. Por exemplo, no caso específico deste exemplo, as 700.000 mortes da suposta pandemia são atribuídas ao então presidente a que as pessoas que falam já se opunham antes, Jair Bolsonaro, e estas pessoas foram defensoras do #StayHome no Brasil. Mas isso não é coisa nova nem coisa do Brasil: antes da criação da escola pública, os analfabetos da Europa eram notoriamente isolados da realidade e podiam aplicar pena de morte a uma mulher que teve um sexo prazeroso com um homem (às vezes o próprio marido) porque eles associavam isso a um castigo divino (ou algo entendido como tal) ou às imagens aterrorizantes do Inferno. Ainda tentaram induzir a mesma onda no mundo decente do século XXI, aqui juntando os restos da Igreja Romana com o movimento comunista internacional, associando a heterossexualidade masculina a redes de exploração de mulheres, mudanças na estrutura cerebral provocadas pela pornografia, abuso sexual de crianças e até tiroteios em escolas.

Terceiro item da lista: a interação com uma realidade virtual. Uma tribo ter uma fala essencialmente para dentro de si mesma não significa que esta não tenha uma visão sobre as pessoas de fora. Ah, e onde eu usei ou vou usar o termo "tribo" nesta exposição, eu não me refiro a um grupo isolado geograficamente, eu me refiro ao fechamento mental de pessoas da nossa comunidade (sim, eu sei que você não mora em favela). Às vezes, um membro ou um líder da tribo produz uma peça de reafirmação do pensamento tribal para consumo interno como se fosse uma peça voltada ao público externo, às vezes até para a tribo inimiga. Quais as diferenças entre uma peça de histeria sectária e uma peça realmente feita pra alguém de fora do grupo que pensa diferente? Uma delas: uma peça de histeria tribal se baseia no pensamento tribal, uma peça de um membro da tribo para fora da tribo se baseia em ideias ou dados conhecidos pelo público-alvo. Explicando melhor: uma obra de um membro de uma tribo feita para fora da tribo tem base no conhecimento real do exterior da tribo. Outra: uma obra de dentro para fora da tribo se torna ou tenta se tornar conhecida fora da tribo por um trabalho externo que possibilita isso, combinando meios efetivos e a ação. Quem se delicia com a pregação pra convertido é o semianalfabeto.

2) O exemplo da cartilha do PT

Mal aconteceu o primeiro turno da eleição presidencial de 2026, o PT já tinha uma cartilha, em formato PDF, pros militantes convencerem outros eleitores a votarem no Lula no segundo turno. O primeiro turno foi no dia 04 de outubro, no dia 07 já havia uma cópia desta cartilha com atalho em uma notícia do Poder360[1]. Vou deixar o texto da cartilha no apêndice.

A produção e a divulgação da peça foram muito rápidas pra quem tinha pesquisas eleitorais dizendo que estaria em primeiro lugar no primeiro turno. Mas nem entro nesta questão aqui. E os argumentos contra o adversário, como você já viu lá ou vai ver comigo aqui, são falácias, calúnias e difamações já refutadas nos canais da "extrema direita". É também por isso que eu não vou abordar nenhuma delas. O ponto a que eu chamo a sua atenção é o que chamou a minha mais do que as mentiras: a estrutura mental que eu descrevi há pouco e que está por trás da estrutura do documento.

A obra não é um "vira-voto", é claramente, para uma pessoa do povo de verdade, uma repetição interna do pensamento tribal da tribo petralha, não a tribo petista. O petralha é o que defende os vícios do eixo do PT. O petista pode votar no Lula por pensar que ele foi um bom presidente (sim, ainda existe gente honesta que cai nisso), o petralha quer quantos mandatos de Lula e seus sucessores forem possíveis pra não perder o Bolsa Família, ou pra poder denunciar um homem sem provas só por ser mulher, ou pra ter aumento no salário de funcionário público (talvez com algumas vantagens lícitas e ilícitas a mais). Até a pessoa intelectualmente medíocre do povo brasileiro de verdade já percebeu que é diferente da militância petralha, mesmo que também vote no PT; até o vocabulário tem umas palavras esquisitas. A faxineira parda, mesmo que receba algum benefício social e vote no PT, não fala "genocídio da juventude negra", "transfobia" ou "sororidade" (sério, já vi uma mulher do povo de verdade enrolar a língua tentando falar esta palavra); talvez fale "feminicídio" porque o termo foi enxertado na imprensa e no meio jurídico.

E aí eu entro num outro problema que é uma peculiaridade da tribo da esquerda: como resultado da natureza da ideologia e do sucesso do movimento, a tribo fez ocupações no que seria a vida normal geral. Imprensa velha, escolas, universidades, empresas privadas e até algumas igrejas foram ocupadas pela militância comunista. Assim, a pessoa da tribo da esquerda não percebe o próprio tribalismo (que hoje chamamos de "bolha"), e pode dizer "não é conversa de esquerdista, passou na Globo", ou "não é coisa da minha cabeça, é o que os estudos dizem". Foi assim que quando essa tribo pensou que ia eleger a Manuela d'Ávila presidente do Brasil, elegeu o Jair Bolsonaro; e agora está lutando para que o filho, o Flávio, não seja eleito também para a presidência. Como disse o então vice-presidente General Hamilton Mourão, comentando um escândalo petralha em 2019 contra o então senador e filho do então titular Flávio Bolsonaro, se o sobrenome dele fosse Silva, ninguém falaria dele[2]. A tribo petralha está atordoada desde 2018. "Como pode uma mulher negra pobre votar no Bolsonaro?".

3) Pra encerrar

Ei, lésbica feia da atitude mais feia ainda, vamos ver se você consegue converter mais votos nulos pro Lula do que eu pro Flávio? Eu já estou na rua mostrando o que eu tenho de poder de convencimento.

Piadinha: Abigail Pereira Aranha na campanha de apoio a Flávio Bolsonaro 2026 com adesivo nos peitos, pelo bem do Brasil

Eu estou aqui fazendo uma piadinha, com uma estratégia eleitoral que a lei de Deus e as leis dos homens não permitem, mas sem sair do assunto principal que é a "bolha" de pensamento. Sim, os esquerdistas podem apontar "bolhas ideológicas" na direita e no meio cristão conservador. No caso da piadinha, uma coisa eu sei do público geral: os homens gostam dos meus peitos e da minha bunda, os que não conhecem vão gostar se conhecerem, e existe uma certa reciprocidade da minha parte. Outra coisa que eu sei: os homens sabem que as mulheres do outro lado político-ideológico não têm o que eu tenho de bom pra oferecer. Bom, não é só isso que você está pensando, e isso elas até têm (a maioria), mas elas acreditam que oferecer isso é opressão do patriarcado. Ah, uma coisa que você pode não estar pensando que elas também pensam que é opressão do patriarcado: ser uma pessoa agradável que pode oferecer uma boa convivência e até uma presença boa para um homem bom do povo de verdade.

A esquerda atual não está apenas afastada do povo que diz representar, e envolvida em uma trama internacional que é até mesmo antipovo; a esquerda atual está notoriamente divorciada do cotidiano do cidadão honesto, notoriamente para este cidadão honesto e até para pessoas mais atentas da própria esquerda. Ao mesmo tempo, a linguagem usada por quase toda a população, inclusive a parte mais culta, quase não tem capacidade para ir além do cotidiano conhecido de trabalhadores com poucas expectativas da vida ou das ideias e das emoções de uma pequena comunidade um tanto pré-definida. Então, nós temos a maioria da população dividida entre os que elegem a esquerda por benefícios famélicos pagos com dinheiro público e esta esquerda eleita e seus camaradas que se não vivem de dinheiro público (às vezes ganho com atividades produtivas honestas), vivem de outro benefício da máquina esquerdista. Um dia, o bem e o normal começaram a fazer falta, mas o caminho da normalização do normal é imperativo e possível. Falando nisso, você não viu como anormal ou como algo que não é do seu estilo uma mulher gostar de trazer alegrias pros homens, certo?

NOTAS E REFERÊNCIAS

[1] https://static.poder360.com.br/uploads/2026/10/como-vencer-2turno-lula-7out26.pdf, em "Como vencer Lula ou Flávio? Material não oficial circula nas redes". Poder360, 07 de outubro de 2026. https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/como-vencer-lula-ou-flavio-material-nao-oficial-circula-nas-redes

[2] "'O problema é o sobrenome', diz Mourão sobre caso Flávio Bolsonaro". Poder360, 22 de janeiro de 2019. https://www.poder360.com.br/governo/o-problema-e-o-sobrenome-diz-mourao-sobre-caso-flavio-bolsonaro

Apêndice

"Como vencer o 2º turno: Versão estendida". Disponível em https://static.poder360.com.br/uploads/2026/10/como-vencer-2turno-lula-7out26.pdf

Como vencer o 2º turno

Versão estendida

Se você quer que o Flávio Bolsonaro não ganhe, faça as 2 coisas a seguir

Um guia prático para ganharmos as eleições com base em muita pesquisa

Agora a disputa é por cada voto e, para isso, cada conversa importa.

Precisamos entender este novo momento, acompanhar como o eleitorado está se reorganizando e recalibrar nossa estratégia para esta etapa da eleição.

1. Entender o contexto do 2º turno

2. Ganhar votos para o Lula

3. Desmobilizar votos para o Flávio

1 Contexto

O resultado do 1o turno não pode nos imobilizar. Temos 3 semanas para virar esse jogo.

Foram 2.224.965 votos de diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula.

No 1o turno, 33,4 milhões de brasileiros ficaram em casa. E 9,4 milhões de brasileiros escolheram outros candidatos e podem não apoiar Flávio Bolsonaro no 2o turno.

Temos que ganhar votos para o Lula dessas pessoas e desmobilizar votos do Flávio

Cada um desses grupos exige uma abordagem diferente:

Quem pode se abster

O que precisamos fazer: MOBILIZAR

Entre eleitores que já demonstram preferência por Lula, o desafio é mobilizar: reforçar motivação, reduzir barreiras e transformar intenção de voto em comparecimento às urnas.

Aqui, dois públicos merecem atenção especial:

• Pessoas com 70 anos ou mais

• Beneficiários de programas sociais

Quem votou na terceira via

O que precisamos fazer: DESMOBILIZAR

Para o eleitor que não gosta do Lula, mas não votou no Flávio, o desafio é apresentar argumentos sobre o Flávio que os levem a votar branco, nulo ou simplesmente não comparecer.

Para chegar nessas pessoas, pense especialmente em:

• Pessoas que você sabe que votaram em Caiado, Cury, Renan ou Zema

• Eleitores antipetistas ou descrentes com a política que não parecem estar no campo bolsonarista

Se você quer que um Bolsonaro não volte ao poder, faça as 2 coisas a seguir

2 Ganhe votos para o Lula

Um dos desafios desta eleição é a abstenção.

Há pessoas que gostam do Lula e poderiam participar do segundo turno, mas estão desanimadas, não acreditam que seu voto faça diferença ou enfrentam dificuldades práticas para chegar às urnas.

Dois públicos merecem atenção especial:

PESSOAS COM 70 ANOS OU MAIS

O Brasil tem mais de 17 milhões de eleitores com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo. Em 2022, mais da metade desse eleitorado não compareceu às urnas.

Comece pela sua rede: pais, avós, tios, vizinhos ou conhecidos. Pergunte se pretendem votar, escute os motivos caso estejam pensando em não ir e ajude a resolver eventuais dificuldades práticas para chegar às urnas.

Assuntos que podem aparecer nessa conversa:

Diga para elas que o voto 70+ pode decidir essas eleições. São mais de 8 milhões de 70+ que não votaram em 2022, numa eleição decidida por 2 milhões de votos. Se elas se mobilizarem, podem garantir que o Lula ganhe.

Diga que o Bolsonaro desmontou o Farmácia Popular, que foi resgatado pelo Lula. Além disso, o Lula voltou a reajustar o salário mínimo acima da inflação, impactando positivamente nas aposentadorias.

Relembre como foi o governo Bolsonaro, especialmente a fase da pandemia. Lembre do atraso das vacinas e incentivo a tratamentos ineficazes. E relembre que os idosos foram as principais vítimas do descaso do Bolsonaro com a Covid.

Se essa pessoa quiser votar no Lula, ajude no que for prático:

Consultar o local de votação, separar o documento, planejar o deslocamento, acompanhá-la ou encontrar companhia para ela ir votar.

Beneficiários de programas sociais

Para quem enfrenta dificuldades econômicas no dia a dia, a eleição pode competir com uma série de outras preocupações e necessidades.

Comece também pelas pessoas que você conhece.

Assuntos que podem aparecer nessa conversa:

A vida dessas pessoas é muito difícil, então reconheça isso e não tente falar para elas que está tudo bem.

Converse com elas sobre os benefícios a que elas têm acesso, e como eles são importantes para a vida dela.

Muitas pessoas dizem que as beneficiárias “votam errado”. Reconheça que ela entende da vida dela e sabe o que é melhor pra ela.

Pergunte se elas acreditam que o Flávio Bolsonaro entende a situação de vida delas e de fato vai defender esses programas.

Lembre quanto o Lula defende e expande esses programas, e como essas pessoas e suas famílias já se beneficiaram disso.

Além da conversa, ajude a eliminar barreiras práticas: local de votação, documentos, horário e planejamento para chegar às urnas.

Pautas que deveriam estar constantemente em nossos conteúdos & falas

Para contrastar com o bolsonarismo, devemos focar a artilharia em pautas de alto consenso popular e mostrar as diferenças de visão entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre esses temas.

Não estamos falando apenas de medo do retrocesso.

O PONTO CENTRAL SÃO AS AMEAÇAS AOS NOSSOS PROJETOS DE FUTURO.

FIM DA ESCALA 6X1

Essa pauta tem 71% de aprovação popular, escancarando a omissão de Flávio e da direita sobre o tema.

Ela foi abraçada pelo presidente Lula, que segue dependendo do Senado para que seja finalmente aprovada. Porém, Flávio articula nos bastidores para adiar a votação.

PROTEÇÃO ÀS FAMÍLIAS

Do ECA Digital ao Pacote Antifeminicídio, o governo Lula tem atuado com força nesses temas.

Enquanto isso, o grupo político dos Bolsonaro atua para dificultar medidas importantes, como a própria Lei do Feminicídio e regulação das redes.

BETS

Lula acabou com as bets no Brasil por meio de uma medida provisória.

Flávio é a favor das bets e até mesmo de cassinos. Ele pode autorizar a volta das bets ao Brasil e permitir a instalação de cassinos.

3 Desmobilize votos para o Flávio

Quem votou na terceira via não gosta do Lula nem do Flávio, e dificilmente vai passar a gostar do Lula. Não gaste energia tentando convertê-lo.

O objetivo é que o Flávio deixe de parecer uma alternativa aceitável. Quanto mais essa pessoa olha para o Flávio, pior ele fica – então fale do Flávio, não do Lula.

Essa pessoa não gosta de política e foge de militante: de quem lacra, aterroriza, ou idolatra político. Reconheça que a terceira via é legítima e que a polarização faz mal ao país. Depois, apresente fatos sobre o Flávio e faça perguntas. Deixe que ela chegue sozinha à conclusão.

Segundo pesquisas, os 3 ataques que melhor funcionam contra o Flávio são:

Ele nunca entregou nada. Puxe conversa falando o seguinte: Flávio tem quase 30 anos de atuação como deputado e senador. Você sabe dizer uma coisa relevante que ele fez pelo país? Ele chegou até aqui por mérito próprio ou por ser filho do pai? Se não fez nada até hoje, vai fazer agora?

Para aprofundar a conversa com exemplos concretos:

Aos 20 anos, Flávio teve seu primeiro cargo público com um emprego em tempo integral em Brasília – mas na época ele morava no Rio de Janeiro, onde estudava direito e fazia estágio num escritório de advocacia. Como ele podia estar em dois lugares ao mesmo tempo?

Em 8 anos como senador, Flávio não teve nenhuma proposta própria que virou lei. Tantos debates aconteceram nos últimos anos, você se lembra de alguma ideia que ele apresentou que virou uma lei?

Flávio não tem mérito próprio, só se tornou candidato porque o pai é ex-presidente. Ele tem capacidade para ser algo além de filho do pai dele?

Flávio ocupa cargos eletivos há mais de duas décadas, vive de dinheiro público e ninguém consegue dizer algo de relevante que entregou para o Brasil – o que ele fez, durante todo esse tempo, que teve impacto na sua vida?

Ele vai entregar o Brasil para o Trump. Puxe conversa falando o seguinte: O Trump taxou produtos brasileiros, ameaçou o Pix e disse que quer nossos recursos naturais. Você já viu o Flávio defender o Brasil do Trump? Dá pra contar com ele para defender os nossos interesses?

Para aprofundar a conversa com exemplos concretos:

Trump criticou o Pix, Eduardo Bolsonaro defendeu a ideia de trocá-lo por um sistema de pagamentos americano e Flávio não falou nada. Com Flávio, será que o Pix está seguro?

Ano passado, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, e Flávio disse que o Brasil deveria aceitar a tarifa em vez de reagir e defender os brasileiros com a Lei da Reciprocidade. Com Flávio teremos mais impostos se Trump quiser?

Ao encontrar Trump nos Estados Unidos, Flávio colocou uma grande riqueza nossa na conversa: ofereceu nossos minerais estratégicos e terras raras, desejados por empresas americanas. Ele vai dar nossas riquezas para os Estados Unidos?

Flávio Bolsonaro coloca as relações com Donald Trump e os Estados Unidos acima dos interesses do Brasil e dos brasileiros. Ele é capaz de fazer frente ao Trump para defender o Brasil?

Ele não é confiável. Puxe conversa falando o seguinte: Flávio disse que não conhecia o Vorcaro, mas depois vazou um áudio em que chama o banqueiro de "irmãozão" e pede dinheiro. Dá pra acreditar no que ele fala? Você já reparou com quem mais ele anda?

Para aprofundar a conversa com exemplos concretos:

Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme de seu pai. Como pode um filme custar tanto, mais caro do que filmes brasileiros premiados no Oscar? E para onde foi esse dinheiro?

Flávio Bolsonaro homenageou, com uma medalha de honra, Adriano da Nóbrega, líder do maior grupo de matadores de aluguel do Rio de Janeiro. Qual a relação de Flávio com esses matadores? Por que ele quis homenagear um matador famoso?

Flávio Bolsonaro garantiu que escolheria uma mulher para ser sua candidata a vice. No fim, ele escolheu o deputado Alfredo Gaspar, que tem uma acusação de estupro de vulnerável contra si. Por que ele não conseguiu achar uma mulher para ser sua vice? Por que escolher alguém com um currículo tão problemático?

Flávio Bolsonaro enviou R$ 200 mil em emendas parlamentares para um miliciano condenado pela morte da vereadora Marielle Franco. Qual é a relação dele com as milícias?

Lembre-se, em vez de fazer acusações agressivas ou tentar impor seu ponto de vista, levante perguntas:

Em vez de falar...

"Ele é mentiroso"

Pergunte...

"Dá pra confiar no que ele fala?"

Em vez de falar...

"Ele é miliciano"

Pergunte...

"Você já viu com quem ele anda?"

Em vez de falar...

"Ele é incompetente"

Pergunte...

"Você lembra de alguma coisa que ele fez?"

Em vez de falar...

"Ele é capacho do Trump"

Pergunte...

"Você já viu ele defender o Brasil dos ataques do Trump?"

Para achar essas pessoas, poste nos stories ou no status:

Ainda não decidiu seu voto no 2o turno?

Responde aqui, quero conversar com você.

O que propomos aqui está ao seu alcance:

Comece pela sua própria rede: parentes, amigos, colegas, vizinhos, gente com quem você não fala há algum tempo.

Priorize conversas de verdade: ao vivo ou por telefone. Mensagem encaminhada não convence ninguém.

Vá de coração aberto: escute e acolha o que a pessoa tem a dizer e não tente ganhar a discussão.

Use sua influência: se você é uma pessoa pública, comece a se posicionar desde já.

Faltam poucos dias para o segundo turno.

Agora é eu, você, e Nossa Senhora.

Texto original em português sem vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "O Brasil e as palavras que tentam chegar ao poder: o que está por trás da cartilha do PT pra virar voto na eleição de 2026", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/10/o-brasil-e-as-palavras-que-tentam.html
Texto original em português com vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "O Brasil e as palavras que tentam chegar ao poder: o que está por trás da cartilha do PT pra virar voto na eleição de 2026", https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/10/o-brasil-e-as-palavras-que-tentam.html

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O mapa-múndi mental dos analfabetos

Abigail Pereira Aranha

1) O mundo dos analfabetos

O brasileiro típico é semianalfabeto, e para o analfabeto ou o semianalfabeto, o seu próprio universo verbal e o seu próprio universo emocional têm vida própria. A fala neste caso é verborragia de observações superficiais, expressão de sensações, gatilhos emocionais, signos de identificações tribais (jargões de feministas, pentecostais, moradores de favelas, etc) e repelência a outras tribos. A própria ideia de que a linguagem humana é associada ao mundo real e que este mundo real é externo é uma ideia alienígena para esta pessoa.

Preciso esclarecer que quando eu disse que o analfabeto e o semianalfabeto consideram o próprio universo verbal e o próprio universo emocional como universos com uma existência independente da realidade, eu não disse que estes universos são criações deles. Este universo verbal e este universo emocional têm algumas referências externas, que foram mal intrerpretadas e produziram palavras mal entendidas e emoções desorganizadas na mente do analfabeto ou do semianalfabeto, às vezes por uma distorção induzida e modelada por uma inteligência externa. Portanto, o universo verbal e o universo emocional do analfabeto e do semianalfabeto são produzidos em parte por um universo verbal externo, em parte por um universo não-verbal também externo que serve para comunicação de ideias ou produção de sentimentos. Estes produzidos por alguém que, este sim, conhece a linguagem geral. Não por acaso, os universos verbais e os universos emocionais de uma comunidade ou uma nação inteira de analfabetos e semianalfabetos são muito parecidos, mesmo sendo individuais e aparentemente impenetráveis para argumentos sólidos contrários.

Isso não significa que o analfabeto ou o semianalfabeto não tenha uma visão sobre a humanidade, a vida ou o mundo (tanto no sentido físico quanto no sentido da Geografia Humana). Mas esta visão, em vez de tentar ser uma visão do próprio objeto, é uma entrada em redemoinho pra dentro do próprio universo verbal-emocional. Um erro comum é a pessoa ignorar conceitos básicos do assunto em questão. Outro erro comum é confundir elementos da realidade muito diferentes só porque foram dados a eles nomes semelhantes (às vezes foram dados pela inteligência externa interessada nesta confusão). Às vezes acontece um exemplo grosseiro da Falácia do Apelo à Emoção ou do Argumentum Ad Hominem (apelo pessoal).

Então, o que se pareceria com um debate com este analfabeto ou semianalfabeto está abaixo de uma discussão de ideias divergentes. A pessoa plenamente alfabetizada usa e considera a linguagem como um meio descritivo de objetos extralinguísticos e geralmente externos. Isso sem contar o eventual domínio do assunto, que é conseguido pelo conhecimento do objeto, não pelo aprofundamento em um universo verbal ou emocional aparentemente referente a ele. A pessoa analfabeta ou semianalfabeta usando os mesmos elementos linguísticos aponta para outra coisa, não o mesmo objeto real a que o debatedor se refere. Aqui não está a ignorância do assunto, que é consequência, mas o desconhecimento da realidade pelo desconhecimento da própria razão de existir da linguagem humana.

E ainda existe um perigo possível numa nação de semianalfabetos que compromete até a inteligência de pessoas plenamente alfabetizadas, não apenas o conhecimento delas: a nação ser aparentemente dominada por semianalfabetos, estúpidos e incompetentes mesmo e principalmente nas áreas de atuação e decisão onde é desejável e necessário que as pessoas mais inteligentes e qualificadas estejam. Digo que a nação é "aparentemente dominada" por esta classe porque, na prática, é uma elite exterior com um plano definido que dá suporte pra esta elite nacional desqualificada existir em troca de esta cumprir o seu papel no plano. Eu poderia dar exemplos recentes, não vou dar para que o leitor que tem ideias divergentes não perca a linha: uma pessoa semianalfabeta do povo tem a visão de um assunto específico que aquela elite estrangeira ou mesmo a nacional quer que esta pessoa tenha, aí esta pessoa semianalfabeta ouve alguém sinalizar pra uma visão verdadeira e diz "não sou eu, a Ciência diz isso", ou "o órgão oficial diz isso", ou "saiu no jornal". E aí pode acontecer o fenômeno curioso, sinal da desconexão com o mundo real observável e da linguagem sem integridade, de uma pessoa se sentir "fora da caixa" repetindo o que diz a militância esquerdista dos corpos docentes das universidades e a imprensa velha.

Ops! Eu mencionei a militância esquerdista, eu precisei mencionar pra dar o exemplo recente. Quem é anticristão de esquerda pode apontar, se for esperto e um tanto culto, um fenômeno parecido com o que eu descrevi até aqui em cidadelas católicas ou protestantes dos séculos passados, em países islâmicos "fundamentalistas", talvez em "think tanks" da direita conservadora atual. O grande demérito da esquerda internacional aqui é só apontar o mal em toda parte ao redor e atrás no passado para, no final, praticar este mal sozinha ela mesma. Ao mesmo tempo, este mesmo movimento fez algo bom, por que talvez caiba um agradecimento, exatamente de apontar a iniquidade do que antes era sagrado.

Aliás, como você reconhece que alguém sabe do que está falando? Quando esta pessoa consegue apontar aquilo de que fala no objeto em questão, ou quando consegue formar este objeto na imaginação de quem ouve. Se você teve e se lembra até hoje de um bom professor no Ensino Fundamental ou no Ensino Médio, era isso que ele fazia.

Tudo isso tem relação com as notícias que eu vou comentar a seguir.

2) "ONU aprova correção do mapa-múndi; apenas os EUA votam contra" (Diário do Centro do Mundo, 04 de setembro de 2026)[1]

Divulgação/Tom Patterson/Equal Earth

Foto: Divulgação/Tom Patterson/Equal Earth

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou nesta sexta-feira (4), por 164 votos a favor, uma resolução contra as distorções provocadas pela projeção de Mercator, ainda amplamente utilizada em mapas escolares, plataformas digitais e documentos oficiais. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a proposta.

O texto levado à votação recebeu o título “Corrija o mapa” e foi apresentado por países do Grupo Africano. A resolução incentiva governos, organizações internacionais e outras instituições a adotar e difundir a projeção Equal Earth e outros modelos de área equivalente quando a comparação do tamanho dos territórios for relevante.

Criada no século 16 para auxiliar a navegação marítima, a projeção de Mercator preserva direções, mas amplia visualmente regiões distantes da linha do Equador. Áreas próximas aos polos parecem muito maiores, enquanto territórios equatoriais ficam proporcionalmente reduzidos.

O efeito é particularmente visível na representação da África, da América Latina e do sul da Ásia. Europa, América do Norte e Groenlândia ganham uma dimensão visual desproporcional quando comparadas com regiões que, no globo, ocupam áreas muito maiores.

A resolução afirma que essas distorções não produzem apenas erros de percepção geográfica. Segundo o documento, elas têm efeitos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos, além de contribuírem para uma “minimização simbólica” da África no imaginário coletivo.

A Equal Earth, chamada de Terra Igual em português, preserva a proporção relativa das áreas continentais. Isso não significa que o modelo elimine todas as deformações: o próprio documento reconhece que nenhuma projeção consegue representar perfeitamente uma superfície curva em um plano. Cada modelo atende a uma finalidade diferente.

A decisão também não aposenta imediatamente a projeção de Mercator. O texto não estabelece proibição nem prazo para sua retirada e preserva seu emprego na navegação. A resolução recomenda que escolas, meios de comunicação, instituições públicas e plataformas digitais utilizem representações mais precisas quando o tamanho dos territórios for parte essencial da informação.

A votação transforma em posição majoritária da Assembleia Geral uma campanha que já contava com o apoio da União Africana. Em 2025, o DCM mostrou que países africanos pressionavam pela revisão do mapa-múndi[2]. O documento aprovado agora pede que o secretário-geral acompanhe sua implementação e determina que o tema volte à agenda da ONU na 83ª sessão da Assembleia.

Laura Jordão

Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!

3) "Novo mapa-múndi é importante para a percepção global, diz especialista" (CNN Brasil, 05 de setembro de 2026)[3]

Resolução adotada pela Assembleia Geral reflete com mais precisão o tamanho real dos países, após demanda de nações africanas

Da CNN Brasil

05/09/26 às 19:02 | Atualizado 05/09/26 às 19:02

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, nesta sexta-feira (4), uma resolução que adota um novo mapa-múndi com o objetivo de representar com maior precisão o tamanho relativo dos países.

A mudança atende a uma reivindicação histórica de nações africanas, que pediram à ONU a correção de distorções presentes na cartografia tradicional.

O mapa até então amplamente utilizado é baseado na projeção de Mercator, desenvolvida em 1569 e adotada originalmente para fins de navegação. Segundo a geógrafa e professora titular da USP Ligia Vizeu Barrozo, essa projeção foi criada para resolver um problema muito específico da época.

"O objetivo era preservar os ângulos de forma que não se perdesse a rota correta para se chegar de um lugar a outro", explicou. "Não havia preocupação com essa representação cartográfica do ponto de vista de manter a proporção das áreas."

A especialista destacou a importância da mudança para a educação e para a percepção global. "A gente vai educar as pessoas a entenderem o tamanho e a importância da África e também do próprio continente sul-americano", afirmou Ligia Vizeu Barrozo.

Distorções geográficas e impacto na percepção

Uma das distorções mais evidentes do mapa de Mercator diz respeito à comparação entre o tamanho da Groenlândia e o do continente africano. No mapa antigo, a Groenlândia aparece com dimensões desproporcionalmente maiores do que as reais, enquanto a África e a América do Sul são representadas de forma reduzida.

Ligia Vizeu Barrozo explicou que isso ocorre porque, "à medida que a gente vai indo para as altas latitudes, tanto em direção aos polos, acontece uma deformação maior". No novo mapa aprovado pela ONU, a Groenlândia aparece significativamente menor, ao passo que o continente africano e a América do Sul ganham representações mais fiéis à sua extensão real.

Para a especialista, a questão vai além da precisão técnica e envolve também uma dimensão política e cognitiva. "O que a África reivindicava era uma questão de justiça cartográfica, justiça cognitiva, porque as pessoas, quando olham para o mapa da projeção de Mercator, têm uma ideia de que a Groenlândia e as terras emersas que estão mais próximas do polo, principalmente no hemisfério norte, são muito maiores do que o sul global", afirmou.

Ligia Vizeu Barrozo ressaltou ainda que "nenhum mapa é neutro" e que "todo mapa tem a sua escolha, construída a partir de concepções históricas".

Usos do novo mapa e continuidade da projeção de Mercator

A adoção do novo mapa-múndi não significa o abandono completo da projeção de Mercator. De acordo com Ligia Vizeu Barrozo, essa projeção continuará sendo utilizada em escalas de detalhes, como em aplicativos de navegação, a exemplo do Google Maps e do Waze.

No entanto, para fins institucionais, educacionais e políticos — como as representações que a ONU utiliza para mapear epidemias, tamanho de populações e emissões de carbono —, o novo mapa, que preserva as áreas de forma equivalente, será adotado.

4) Meus comentários e um pouco sobre a projeção de Mercator

Demorei pra escrever, mas quando eu vi notícias como essas de que a ONU vai mudar o mapa-múndi, o discurso africanista e quem estava comemorando, eu pensei sobre como gente estúpida ocupa postos de gente grande no Brasil e no mundo, e sobre quem educa a parte ainda mais estúpida, alienada e preguiçosa da população. Eles dizem que o nosso mapa do mundo mais popular é uma ferramenta pra nos levar à visão eurocêntrica, mas nisso eles veem os próprios desejos e a própria agenda socialista. Pode parecer um tanto ridículo (e é mesmo) tentar mudar a visão que o povo tem do mundo e mesmo o próprio mundo mudando o mapa, mas algum efeito neste sentido existe mesmo. A coisa só não funciona do jeito que eles querem porque a internet popularizada existe na parte do mundo que interessa. E esta campanha da Terra Igual usando a ONU que não tem tanta credibilidade e artigos na imprensa velha também mostra o mapa-múndi mental de quem faz.

Por que os EUA foram o único país a votar contra o novo mapa-múndi da ONU? Esse é o título de um artigo do Gazeta do Povo[4]. E esta é uma parte da resposta:

Em nota divulgada na véspera da votação, Yaryna Ferencevych, vice-representante dos Estados Unidos no Conselho Econômico e Social da ONU, pediu que outros países votassem contra a resolução, alegando que ela tinha teor ideológico e que havia temas mais importantes a serem discutidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

"Esta resolução ridiculariza o trabalho e o propósito desta instituição. Embora a iniciativa seja apresentada como um esforço inócuo para atualizar proporções cartográficas, os Estados Unidos veem claramente que ela não pode ser dissociada do projeto ideológico muito maior e mais radical ao qual pertence — como seus defensores mais vocais e comprometidos declaram aberta e explicitamente".

Pra uma explicação mais técnica, vocês podem ler "Projeção Mercator: Como Funciona e Suas Distorções", no portal Prisma Pedagógico[5]. O texto também aborda mais rapidamente outras projeções, como a de Robinson que é a deste mapa novo. Mas preciso me arriscar a fazer as minhas próprias notas sobre isso.

Projeção de Mercator. Encyclopaedia Britannica, www.britannica.com/biography/Gerardus-Mercator

A projeção de Mercator é uma projeção cilíndrica, uma projeção como se a Terra estivesse enrolada em um cilindro fictício. A superfície terrestre é uma figura de duas dimensões imersa em um espaço de três dimensões. Para representarmos esta superfície em um objeto plano como uma folha de papel ou uma tela de computador, sempre vamos fazer uma projeção, que sempre vai distorcer alguma coisa pra manter uma outra. A figura acima[6] não mostra o cilindro, mas dá uma ideia melhor da projeção. A projeção de Mercator mostra os meridianos e os paralelos como linhas retas perpendiculares. Um meridiano de uma esfera é um semicírculo cujo centro é o mesmo centro da esfera. Neste caso, os dois extremos do eixo de rotação da Terra (os dois extremos na superfície terrestre) sempre são os extremos de um meridiano. Um paralelo é uma seção de uma esfera por um plano, que sempre vai dar um círculo. Neste caso, todo plano que produz um paralelo é perpendicular ao eixo de rotação da Terra. E todo paralelo vai ter todos os pontos com a mesma latitude. Aliás, o que é a latitude? Em qualquer ponto da superfície terrestre, a linha vertical é a que passa pelo centro da Terra. O ângulo entre esta linha e o plano do Equador é a latitude. O Equador é o círculo máximo da esfera terrestre que é perpendicular ao eixo de rotação. Esta linha também tem a particularidade dos dias iguais e das noites iguais o ano todo. Em qualquer outro ponto da superfície terrestre, os dias são maiores no verão e as noites são maiores no inverno. Todos os meridianos têm a mesma medida, que é igual a pi vezes o raio da Terra, que é 6.371 km. Mas os paralelos não. O Equador tem a medida do círculo máximo, que é 2 pi vezes o raio, que dá cerca de 40.000 km. Os outros paralelos medem 2 pi vezes o seu respectivo raio, que é o raio da Terra vezes o cosseno da latitude. E nós podemos localizar um ponto na Terra pela latitude e pela longitude (as duas juntas). Cada meridiano pode ser visto como uma seção da esfera terrestre por um semiplano cuja origem é a reta onde está o eixo de rotação da Terra. O ângulo entre o semiplano de um meridiano e o semiplano do meridiano de referência, que é o Meridiano de Greenwich, é a longitude dos pontos deste meridiano. A projeção de Mercator aumenta as medidas para latitudes mais altas (números maiores) e deixa todos os paralelos com a medida da linha do Equador. A projeção foi feita pra navegação no mar, não preserva as proporções nem nas distâncias nem nas áreas.

Uma projeção da Terra que mantem a proporção das áreas é uma projeção equivalente. São várias projeções equivalentes. Uma delas é a de Gall-Peters, às vezes chamada só de projeção de Peters. E nem é uma obra tão nova assim, foi feita por James Gall em 1885 e reapresentada (alguns disseram que foi plagiada) por Arno Peters em 1973. A projeção também é cilíndrica, também tem u'a malha ortogonal de meridianos e paralelos de tamanhos iguais. As áreas são proporcionais, mas o mapa fica meio esquisito (as distâncias não são preservadas)[7].

Projeção de Gall-Peters. Maptorian. www.maptorian.com/peters-projection-vector-world-map

Uma outra projeção equivalente é a de Mollweide. Também não é uma obra nova, foi apresentada pela primeira vez por Karl Brandan Mollweide em 1805. Os meridianos são semielipses, exceto o central que é reto, e os paralelos são segmentos de retas de tamanhos diferentes. Achei um mapa com a divisão de países, e eu pessoalmente achei mais bonitinho[8].

Mapa político na projeção de Mollweide. Geographic Guide, www.geographicguide.net/mapa-mundi.htm

Eu fiz essa explicação toda sem sair do assunto, que aparece aqui em três pontos. O primeiro ponto é o exercício de adquirir o conhecimento dos conceitos fundamentais do assunto sobre o que se fala. O segundo ponto é a desconexão entre o discurso e a realidade que em vários casos como este gera a situação quase humorística de achar uma problemática cuja solução já existe. A ação sobre o mundo é o resultado de uma espécie de estudo que mergulhou no universo verbal-emocional do agente que foi pré-elaborado por uma inteligência externa, onde está um substituto do objeto real; e a ação será sobre o correspondente no mundo real daquele objeto mal definido. E o terceiro ponto é o problema da rede de ensino básico, de que a massa de uma militância como essa que defende o aumento do tamanho da África ou a diminuição do tamanho da Europa no mapa-múndi tem gente que vai dar aula no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Aliás, o que vocês acharam das minhas explicações de Cartografia, que é um ramo da Geografia? A sua professora de Geografia deu aula sobre isso? Se você leitor homem se imaginou sendo meu aluno na sua adolescência, tendo aula extra comigo numa pequena turma com um recreio de 30 minutos a portas fechadas, eu agradeço o carinho.

5) Notas pra encerrar

Uma pérola do ano passado: "Brasil no centro do mapa-múndi invertido? Entenda a nova carta do IBGE"[9].

"Brasil no centro do mapa-múndi invertido? Entenda a nova carta do IBGE". Correio Braziliense, 08 de maio de 2025. www.correiobraziliense.com.br/brasil/2025/05/7140229-ibge-coloca-brasil-no-centro-do-mapa-mundi-invertido-entenda.html

Na verdade, não é um mapa invertido, é um mapa com o Sul pra cima. Nós temos hoje a convenção de fazer mapas com o Norte pra cima, como já foram com o Leste pra cima séculos atrás. É mais ou menos daí que vieram as palavras "nortear" e "orientar". O problema neste outro mapa é a ideia por trás dele de desnortear ou desorientar o país. Porque a mente da pessoa pobre de espírito muitas vezes acaba em um estado de autoimagem exagerada pela negação da realidade.

Não por acaso, as pessoas que admiram o mapa do Brasil no centro e virado pra cima são o mesmo grupo que tem mulheres semimasculinas de mais de 35 anos que pensam que estão sozinhas porque são gostosas, assim como pardos que creem que as elites nacionais e as maiores economias do mundo tramam dia e noite como tirar as cotas deles nas políticas afirmativas. É o mesmo grupo que chama de síndrome de vira-lata um brasileiro ter senso da realidade e do lugar do seu Brasil no mundo.

NOTAS E REFERÊNCIAS

[1] "ONU aprova correção do mapa-múndi; apenas os EUA votam contra". Laura Jordão, Diário do Centro do Mundo, 04 de setembro de 2026. https://www.diariodocentrodomundo.com.br/onu-aprova-correcao-do-mapa-mundi-apenas-os-eua-votam-contra

[2] "África quer mudança no mapa-múndi; saiba qual". O Essencial, Diário do Centro do Mundo, 20 de agosto de 2025. https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/africa-quer-mudanca-no-mapa-mundi-saiba-qual

[3] "Novo mapa-múndi é importante para a percepção global, diz especialista". CNN Brasil, 05 de setembro de 2026. https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/novo-mapa-mundi-e-importante-para-a-percepcao-global-diz-especialista

[4] "Por que os EUA foram o único país a votar contra o novo mapa-múndi da ONU". Fábio Galão, Gazeta do Povo, 05 de setembro de 2026. https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/por-que-eua-foram-unico-pais-votar-contra-novo-mapa-mundi-onu

[5] "Projeção Mercator: Como Funciona e Suas Distorções". Stéfano Barcellos, Prisma Pedagógico, 03 de agosto de 2026. https://pp.cidesp.com.br/projecao-mercator

[6] "Gerardus Mercator". Encyclopaedia Britannica, 08 de setembro de 2026. https://www.britannica.com/biography/Gerardus-Mercator

[7] "Gall-Peters projection". Maptorian, 04 de novembro de 2018. https://www.maptorian.com/peters-projection-vector-world-map

[8] Geographic Guide. http://www.geographicguide.net/mapa-mundi.htm

[9] "Brasil no centro do mapa-múndi invertido? Entenda a nova carta do IBGE". Correio Braziliense, 08 de maio de 2025. https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2025/05/7140229-ibge-coloca-brasil-no-centro-do-mapa-mundi-invertido-entenda.html

Texto original em português sem vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "O mapa-múndi mental dos analfabetos", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/09/o-mapa-mundi-mental-dos-analfabetos.html
Texto original em português com vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "O mapa-múndi mental dos analfabetos", https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/09/o-mapa-mundi-mental-dos-analfabetos.html
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