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terça-feira, 30 de junho de 2026

As classes de zumbis inconscientes (ou: O provincianismo da burrice louca 2)

Abigail Pereira Aranha

1) Introdução

Um leitor anônimo (ou uma leitora anônima) fez este comentário no texto "O provincianismo da burrice louca" no A Vez das Mulheres de Verdade[01]:

Abigail, eu adoraria que você escrevesse um texto sobre "consciência social", o termo que os esquerdistas tanto usam. Sim, ele é ridículo, mas eu gostaria de saber o que você pensa.

Um outro comentário[02]:

Perdão, não é "consciência social", mas sim "consciência de classe".

Na verdade, a coisa não é tão ridícula assim. Aliás, a gente só consegue dar risada dos esquerdopatas neste século XXI porque temos internet popularizada, smartphones e desktops com programas formidáveis que são acessíveis (quem é do tempo em que celular tinha no máximo mensagem de texto e jogo da cobrinha sabe o que eu estou dizendo). Eles ocuparam quase todo o resto, mas a internet não pode ser dominada, só censurada no máximo. Ironicamente, os esquerdistas diziam que existem algumas instituições, os Aparelhos Ideológicos de Estado, que ensinam certas ideias erradas, que induzem comportamentos, que produzem padrões de aparência, que impõem uma certa visão de mundo, etc. Ao final, eles próprios assumiram estes Aparelhos Ideológicos de Estado (como imprensa, televisão, escolas e, em menor grau, igrejas), mas em vez de controlar as ideias e os comportamentos de cada pé-rapado[03], os doutrinados e alienados foram eles mesmos.

2) "Vendedor de balas sofre racismo e reage: 'Se me chamasse de petista...'" (Área VIP, 01 de janeiro de 2026)[04]

Abordado enquanto trabalhava, ambulante descreveu insultos e comentou posicionamento político

Lívia Cout

1 janeiro 2026, 19:33

Pedro
Pedro. (Foto: Reprodução/X)

Nos últimos dias, um vídeo polêmico viralizou no “X”, antigo “Twitter”. Em suma, as imagens mostram Pedro, vendedor de balas, durante o expediente na areia do Leblon, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o trabalhador se aproxima de um casal, se senta por alguns minutos com eles e o bate-papo chama a atenção.

Vendedor ambulante relata episódio de racismo e faz declaração política

Uma mulher filma tudo e conta: “Olha só, a gente esta aqui no Leblon e o Pedro estava aqui, no corre dele. Elison ouviu e falou o quê? Que já viu vídeo de Pedro [na Internet]. Como é seu vídeo?“, questionou ela logo a princípio.

Em seguida, Pedro responde, dizendo que foi vítima de racismo: “Um senhor tinha me chamado de preto, e depois ele falou que eu tinha caro de macaco.“, contou. Na sequência, porém, o jovem vendedor disparou: “Eu não tinha me ofendido com isso, até porque não faz parte da minha identidade…, mas se ele me chamasse de petista, eu não ia gostar de jeito nenhum.“, afirmou.

Após relato, conversa avança para críticas a benefícios vinculados ao PT

Na sequência, o trabalhador continuou: “Ia ser uma ofensa que nenhum ser humano é capaz de aguentar. Pelo amor de Deus! Eu quero é muita prosperidade para trabalhar de forma honesta. Assim, a gente vence de verdade. O Brasil merece coisa melhor.“, destacou.

Ao ouvir o relato do trabalhador, Elison, marido da autora do vídeo, ri e aplaude Pedro. Logo depois, ele comentou: “Isso aqui ó, não veio de bolsa, veio de trabalho.“, pontuou, em uma crítica os auxílios sociais do Partido dos Trabalhadores (PT). Sua esposa, então, acrescenta: “Todo mundo aqui é trabalhador e venceu por isso.“.

Assista:

Vídeo gera críticas sobre consciência social e naturalização do racismo

Nos comentários, diversos internautas expressaram indignação com a atitude do rapaz: “Isso aqui é muito triste, a ausência de consciência de classe é o maior problema do nosso país.”, reagiu uma internauta. “O pior nem é a consciência de classe o pior é aceitar o racismo.”, lamentou outra por fim.

3) Consciência de classe e consciência social, as definições

Trechos de um artigo do Mundo Educação[05] (negrito no original):

Consciência de classe, para Marx e Engels, é a percepção do próprio papel no sistema produtivo, seja como produtor de riqueza, seja como proprietário dos meios de gerar riqueza. (...)

Marx estabeleceu uma distinção entre condição de classe e consciência de classe: classe em si e classe para si. A condição de classe é uma situação objetiva, isto é, possuir ou não o controle dos meios de produção. Porém, a consciência de classe é uma questão subjetiva, requer conhecer a própria posição no processo produtivo e organizar-se politicamente para uma defesa consciente dos interesses de sua classe.

Ainda sobre consciência de classe, um trecho de um artigo do professor de Sociologia Francisco Porfírio publicado no Brasil Escola[06] (negrito no original):

Para Marx, assim que o proletariado percebe a sua força e começa a lutar contra o sistema de exploração e opressão, ele se une em torno de uma revolução que visa a derrubar o capitalismo e implantar um novo sistema econômico e político. Toda a propriedade privada é estatizada, e a velha mídia e o governo são afastados para dar lugar a novos sistemas. A Igreja, como parte fundamental para a manutenção da exploração no sistema capitalista, também deve ser afastada.

Há a necessidade de um governo forte em prol do proletariado que elimine gradativamente a propriedade e, portanto, a burguesia. O governo forte deve agir de maneira ditatorial no início (ditadura do proletariado) e, no momento em que não existir mais propriedade privada e nem classe social, deve ceder lugar a um governo comunista.

"Consciência social" é[07]

Estar ciente das tendências e desenvolvimentos sociais, políticos e profissionais relevantes e usar estas informações em prol da organização.

Um artigo explica que[08]

Na história da Índia, a "Consciência Social" manifesta-se como um reconhecimento profundo e sensibilidade em relação aos problemas e realidades sociais. Esta consciência é um fator crucial nas tomadas de decisão difíceis, especialmente quando confrontadas com o desemprego e a pressão da competição.

Você conseguiu entender a diferença entre consciência de classe e consciência social? Se não, está tudo bem, ela não existe em um país dominado culturalmente pela esquerda (nem digo um país socialista marxista). Vou explicar isso melhor mais adiante. Antes, vou pegar um trecho de um artigo da página da Bigfral[09]:

A Bigfral, marca líder no Brasil em produtos para incontinência urinária, acredita fortemente na importância da sociedade ter uma consciência social sólida. A Bigfral se importa com seus clientes e compreende que, além de fornecer produtos de alta qualidade, é preciso também que cada um faça sua parte para ajudar a construir uma sociedade melhor e mais justa.

E um trecho de um artigo da página do colégio Objetivo de Sorocaba[10] (negrito no original):

Consciência social é a habilidade que uma pessoa precisa ter para compreender o seu papel na sociedade, agindo com empatia, identificando as emoções do outro e respeitando diferenças, diversidades e pluralidades.

Este artigo apresenta

6 maneiras de ensinar consciência social aos filhos

1. Incentive o pensamento crítico (...)

2. Forneça um ambiente seguro para falar sobre sentimentos (...)

3. Participar de projetos sociais (...)

4. Brincadeiras criativas (...)

5. Exemplo pessoal (...)

6. Um trabalho em conjunto (...)

Mais adiante, o artigo tenta explicar a diferença entre consciência social e consciência de classe (negrito no original):

Apesar de terem nomes semelhantes, a consciência social é totalmente diferente da consciência de classe.

A primeira é focada em entender sua identidade, seu papel no mundo e suas relações, além de ter como objetivo as mudanças em comportamentos individuais que refletem no coletivo.

A segunda é um termo cunhado por Karl Marx e Friedrich Engels na teoria política Marxista, que é focada na revolução atrelada ao capitalismo.

Mas num país que tem a vida social influenciada por ideias socialistas (não só do socialismo marxista), consciência de classe e consciência social são a mesma coisa. Pela consciência de classe, você percebe que é desta classe oprimida ou daquela classe opressora. E isto vai ser levado para a vida social, incluindo relacionamentos interpessoais. E esta aplicação é, como foi definida, a consciência social. Mas na verdade, uma pessoa não é definida pela classe, incluindo a classe operária ou a classe burguesa do Marxismo original. Eu, por exemplo, sou uma mulher trabalhadora brasileira. Eu tenho uma afinidade de ideias, de interesses e de gostos com vários leitores homens, talvez você, que não corresponde a uma grande parte das mulheres, ou a uma grande parte dos trabalhadores pobres (existem trabalhadores ricos), ou você é um homem português com quem eu tenho mais visão de mundo em comum que com a maioria dos brasileiros. A ideia contrária, de que as pessoas de uma classe são e podem ser analisadas como um homem-tipo (ou uma mulher-tipo), é a base de uma ideologia feita pra dar resultados errados pra quem a segue e resultados certos inconfessáveis pra quem está manejando a coisa. Esta chamada consciência social, muitas pessoas como os autores dos artigos citados pensam que é o caminho do Paraíso, porque seguem as palavras da esquerda do discurso e talvez a parte mais bonita das obras dos intelectuais comunistas. Na prática da esquerda recente, a consciência social é as atrocidades que vemos hoje, como africanistas que ofendem a mulher negra que ama e é casada com um homem branco[11], ou as mulheres que usam o ônibus rosa ou o Uber com mulheres motoristas.

4) Um pouco sobre "homeschooling"

Eu demorei para escrever e no meio-tempo, aconteceu aquele caso do casal de Jales, SP, que foi condenado a 50 dias de prisão sob alegação de abandono intelectual por educar as duas filhas em casa, no "homeschooling". Vou pegar um trecho de uma reportagem do G1[12] (negrito no original):

Os pais das alunas, no entanto, argumentaram que elas tiveram um desenvolvimento intelectual melhor do que o observado em sala de aula. Apresentaram 3.000 páginas de laudos e documentos para mostrar, por exemplo, que elas aprenderam latim, canto e piano e que leram, só em 2025, centenas de livros (6 mil páginas, no caso da mais velha, e 2.500, no da mais nova).

Após analisar o caso, o juiz afirmou que houve abandono intelectual, já que as duas irmãs estavam fora da escola, e decidiu pela condenação dos pais a 50 dias de prisão em regime semiaberto.

E o caso piora[13]:

Segundo a advogada Isabelle Monteiro, que representa a família, o juiz da 2ª Vara Criminal de Jales citou em sua decisão que as meninas não gostam de estilos musicais como funk e sertanejo, o que demonstraria, na visão do magistrado, “suposta discriminação e preconceito na educação” domiciliar ministrada pelos pais.

Aí, um daqueles esquerdopatas anticristãos que se anunciam como ateus, Paulo Lopes, vem confirmar que o episódio é mesmo de perseguição religiosa transformada em narrativa de decisão técnica[14]:

O caso virou bandeira da imprensa evangélica e de parlamentares bolsonaristas, que transformaram uma decisão técnica sobre descumprimento da Lei de Diretrizes e Bases em narrativa de perseguição religiosa.

(...) A família condenada tem perfil religioso explícito. As filhas frequentam catequese, fazem canto coral em paróquia e estudam arte sacra como atividade artística principal.

(...) Após a sentença, veículos como Pleno.News, Revista Oeste e Jornal da Cidade Online passaram a explorar o fato de o magistrado se identificar nas redes como "LGBTQIA+ | TEA | Juiz de Direito PR/SP".

Eu imaginava que o casal era conservador, mas não que era católico. Eu já disse e mantenho que a Igreja Católica Apostólica Romana é o atraso do Ocidente que enquanto teve poder, emperrou o mundo em um milênio e meio; eu disse e mantenho que o católico devoto típico é um semianalfabeto ufanista. Mas eu também já disse e mantenho que perto de um esquerdista declarado dos anos 2020, uma beata católica de cidade pequena do interior do Brasil é um monumento de sensatez e até sexualmente atraente (para os homens, porque eu sou hétero).

No mesmo texto, o Paulo Lopes morde a língua.

Pais acreditam que leitura de livros selecionados substitui a escola. No futuro, quais são as chances das estudantes passarem em bom vestibular e concurso de emprego?

Um caso noticiado na "velha mídia": "Estudante de Sorocaba que adotou 'homeschooling' e foi aprovada na USP é proibida pela Justiça de iniciar curso"[15]. Ela ficou em 5º lugar no curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da USP. Depois disso, ela recebeu propostas de emprego[16] e recebeu uma bolsa para um curso e uma proposta de estágio nos Estados Unidos[17].

E enquanto eu pesquisava o primeiro caso, eu descobri mais dois casos. Um de março do ano passado: "TJPR condena pais por praticarem ensino domiciliar"[18].

Lei estadual que permitia a prática foi considerada inconstitucional

A 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) condenou os pais de três crianças de Curitiba (PR) a pagar uma multa porque não cumpriram a obrigação de matricular seus filhos em uma escola regular, como exige a lei, e porque as crianças não foram imunizadas contra a COVID-19.

O outro é de julho do ano passado: "Mãe adepta do homeschooling é condenada a matricular filho em escola regular sob pena de perder a guarda, em Santa Catarina"[19].

A assessora jurídica Regiane Cichelero Werlang, adepta da educação domiciliar, o chamado "homeschooling", foi condenada pela Justiça de Santa Catarina a rematricular em escola regular o filho, de 15 anos, sob pena de multa de até R$ 100 mil. Caso a ordem não seja cumprida, foi determinada ainda a perda da guarda do adolescente. (...)

Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade do homeschooling no Brasil, mas o considerou ilegal até que seja regulamentado. A prática consiste em os próprios pais darem aulas para as crianças em casa, ou contratam professores particulares, chamados de tutores.

(...) A decisão da Justiça ocorreu após a escola acionar o Conselho Tutelar, que, por sua vez, encaminhou o caso ao Ministério Público. Segundo ela, provas de que o filho está sendo alfabetizado corretamente foram anexadas nos autos, mas em nenhum momento o adolescente foi ouvido pelas autoridades.

Agora eu percebi uma coisa pra que eu chamo a sua atenção, entrando no assunto da consciência de classe: ao contrário do que os esquerdistas repetem, em todos os casos de punição judicial do "homeschooling", os réus são brancos ricos, e a maioria deles, se não todos, cristãos. Aliás, por que a classe dominante pensaria em afastar os filhos da rede de educação oficial (aqui eu incluo a rede privada), onde segundo os esquerdopatas, são ensinados o machismo, o racismo, a homofobia, o colonialismo, etc? Ah, não são mais? O ponto a que eu chamo a sua atenção é pra fala confusa dos esquerdopatas: o Poder Judiciário condenou vários pais brancos ricos por darem uma educação cristã (e decente) aos filhos, e são eles a classe dominante, e quem diz que eles são a classe dominante são pessoas oprimidas e invisibilizadas pela cor, pelo gênero, pela orientação sexual, pela religião não-cristã, pela origem regional que conseguiram um espacinho num corpo docente de grande universidade pública ou na mídia velha.

5) O meu estilo de vida de putaria é consciência de classe e social

Para os esquerdistas, eu não tenho consciência de classe: eu devia ser uma lesbofeminista ateia, mas eu sou uma ateia que além de dar alegrias pros homens (em vários sentidos), sou eleitora do Jair Bolsonaro, sou admiradora do Olavo de Carvalho e tenho amigos conservadores dentro e fora da internet. Em condições normais, eles diriam que eu devia ser estuprada para dar valor ao Feminismo, como eu já os vi dizerem para várias mulheres. Mas pra mim, eles não dizem que eu devia ser estuprada porque eu não mereço.

Qualquer mulher que pense que uma mulher ser agradável aos homens é degradante é feminista. Qualquer mulher que veja a falta de sexo como dignidade e virtude moral superior para a mulher é conservadora. Eu não sou feminista nem conservadora. E eu tenho a consciência de que uma mulher dessexualizada não é mulher no sentido de indivíduo humano do sexo feminino.

6) O símbolo da consciência de classe: Zumbi dos Palmares

Os tempos, a vida no Brasil e a minha habilidade modesta pra piadinhas me deram a chance de fazer um trocadilho: com zumbi, o morto-vivo, e Zumbi dos Palmares. Antes de explicar, vou pegar alguns trechos do artigo do Lucas Pereira publicado no portal Toda Matéria[20]. Lucas Pereira é "Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2013), com mestrado em Ensino de História pela mesma instituição (2020). Atua como professor de História na educação básica".

Em 1695, no dia 20 de Novembro, Zumbi é delatado por um de seus capitães, Antônio Soares, e morto pelo capitão Furtado de Mendonça. O líder de Palmares tinha 40 anos de idade.

(...) Sua cabeça foi cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Foi exposta em praça pública de modo a acabar com o mito da imortalidade de Zumbi dos Palmares.

Apesar disso, sua morte não apagou sua importância histórica. Ao contrário, Zumbi se tornou um símbolo ainda mais forte da resistência negra contra a escravidão.

A data de sua morte, 20 de novembro, foi adotada como o Dia da Consciência Negra, em homenagem à luta dos negros escravizados e de seus descendentes no Brasil.

(...) A importância de Zumbi dos Palmares é amplamente reconhecida pelo movimento negro e pela sociedade brasileira. Em sua homenagem, diversas instituições e espaços públicos receberam seu nome.

(...) O Aeroporto Internacional de Maceió, inaugurado em 2005, também leva seu nome, por estar localizado próximo à região onde existiu o Quilombo dos Palmares.

No mesmo artigo, ele disse que

Recentemente, alguns autores passaram a questionar a figura de Zumbi, defendendo a existência de formas de trabalho forçado dentro do próprio Quilombo dos Palmares. No entanto, não há fontes sólidas que comprovem essa interpretação.

Vocês já conhecem o truque dos esquerdopatas acadêmicos ou pseudointelectuais, certo? Para o que é do discurso pronto, a ciência diz; para o que está fora e eles não conseguem refutar, não há comprovação. O "trainee" aprendeu os jargões da chefia direitinho.

Antes de prosseguir, eu chamo a atenção pra que eu percebi que o leitor observou que eu usei várias vezes o termo "esquerdopata", mistura de "esquerdista" com "psicopata", ou alguém que sofre de "esquerdopatologia". Aí sou eu inventando um neologismo. O primeiro, "esquerdopata", foi criado ou popularizado pelo jornalista Reinaldo Azevedo enquanto ele estava do lado direito da força. Nesta exposição, usar o termo "esquerdista" em vez de "esquerdopata" não vai dar uma boa visão do objeto. E aqui entram duas questões. A primeira é do uso humano da linguagem, que é principalmente descrever elementos da realidade, não induzir ou excretar emoções irracionais. A segunda é, neste uso humano e descritivo da linguagem, descrever o estado cerebral de quase qualquer pessoa que não seja antiesquerdista no mundo (o Brasil é o meu estudo de caso).

Zumbi dos Palmares morreu em 1695, cerca de um século antes do começo do movimento abolicionista... na Europa. E 116 anos antes da primeira lei antiescravidão... no Chile. E o último país do mundo a abolir a escravidão foi o Brasil do Zumbi, 192 anos e meio depois da morte dele[21]. Como Zumbi foi "símbolo ainda mais forte da resistência negra contra a escravidão"? A única preocupação dos poderosos, da elite branca com essa pessoa foi acabar com a lenda de que o Zumbi era imortal, daí cortaram a cabeça dele e penduraram em praça pública. Aliás, Zumbi nem era o nome dele, era o título. Foram vários zumbis, o Quilombo dos Palmares durou mais de 100 anos.

Mas se esses progressistas despertos ("wokes") precisam combater racismo estrutural até hoje, por que esta sociedade homenagearia Zumbi dos Palmares?

E qual a estranheza de haver escravidão dentro do Quilombo dos Palmares? Até os esquerdopatas que, como eles dizem, estudaram História sabem que muitos escravos negros que vieram pras Américas foram comprados de outros negros no litoral da África. E muitos negros perto do Quilombo dos Palmares tinham familiares escravizados lá dentro. Isso é contado no artigo da Brasil Paralelo que eu vou deixar no apêndice. Brasil Paralelo?! A fonte que o historiador cita pra dizer o contrário é um artigo publicado no Brasil de Fato. Mas até nisso os esquerdopatas se inspiram no ídolo Zumbi dos Palmares: ninguém fora do espaço seguro gosta deles.

As pessoas mais atentas percebem de uns 20 anos pra cá como até os especialistas (ou aqueles assim apresentados) repetem certos discursos que não correspondem aos fatos ou sequer às consequências lógicas deles mesmos, quase como zumbis. O caso da narrativa sobre o Zumbi dos Palmares é um deles.

7) Conclusão

O brasileiro, até prova em contrário, é um doente mental semianalfabeto. As pessoas mentalmente íntegras têm uma comunhão entre a linguagem, o universo emocional e a realidade externa. Ao contrário, o doente mental confunde a realidade externa objetiva com o próprio universo emocional subjetivo, dele mesmo ou induzido por manipulação externa; e o semianalfabeto transforma o universo verbal próprio num mundo paralelo e o universo verbal alheio numa mistura de má interpretação com autoprojeção. Um país quase inteiro de doentes mentais semianalfabetos e, pra piorar, preguiçosos de mau caráter tende a ter uma elite nacional assim ou talvez um pouco melhor, e não o contrário. Inclusive porque as poucas pessoas cerebralmente íntegras, com boa habilidade na linguagem nativa e de bom caráter tenderão a ser zombadas ou coisa pior pela massa popular medíocre ou pela elite invejosa.

Eu expliquei no texto "O provincianismo da burrice louca (e um pouco sobre Erika Hilton e Dani Brandi)"[22] que um país que tem uma elite estúpida, especialmente uma elite esquerdopata, aplica um produto manufaturado de alguma inteligência exterior. E aí eu volto à imagem do zumbi, ainda mais no caso do Brasil que várias vezes importou como solução ou como grande ideia o que já deu errado em outros países.

E sobre os casos de punição judicial do "homeschooling", eu deixei pra fazer aqui uma observação: um dos casos juntou a educação em casa com a não aplicação nas crianças do placebo pra gripe chinesa. Eu nem conto os casos de crianças e adolescentes injetados que morreram de doença cardíaca. Também nem conto a imagem que eu vi de uma escola em que as crianças estavam em cabines isoladas e com distanciamento social. Eu vou só voltar à imagem dos zumbis. Já vimos gente defender que pessoas sem a picadura do vírus chinês perdessem o emprego, fossem impedidas de usar o transporte público e até de entrar no supermercado. Você que era um destes, onde está você agora? Você pensava que iria no enterro do bolsonarista que não tomou a vaChina, mas foi no da sua sobrinha que tomou e morreu de repente de problema cardíaco. Mas o pior: o que o você mesmo ou a você mesma de 2018 diria se alguém falasse sobre a população não sair de casa por causa da epidemia de uma doença que ninguém sabe a diferença entre ela e a gripe comum e que só mata quem já tinha doenças graves?

Nós vimos, numa pesquisa que eu fiz no Google por consciência social, um artigo de uma fábrica de fraldas e um de um colégio privado. Isso leva a duas interrogações. A primeira é quem é o inimigo capitalista se as empresas privadas estão do lado da esquerda ou pelo menos não lutam contra. A segunda é qual a noção da realidade da classe endinheirada, culta e com poder de decisão.

Os esquerdopatas tentaram criar uma luta de classes de negros contra brancos, mulheres contra homens, homossexuais contra heterossexuais, empregados contra patrões, pobres contra ricos. Eles ocuparam, para isso, todos os meios de formação e de informação além da internet: escolas, universidades, os antigos meios de comunicação de massa, até igrejas. Mas quando, no caso do Brasil, eles pensaram que iam eleger a Manuela d'Ávila presidente, elegeram o Bolsonaro. Ao final, a única divisão de classes que a esquerda conseguiu foi entre quem tem e quem não tem bom caráter, disposição para o trabalho honesto e algum amor ao senso da realidade.

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[01] Comentário no texto "O provincianismo da burrice louca (e um pouco sobre Erika Hilton e Dani Brandi)", A Vez das Mulheres de Verdade, 05 de novembro de 2025 às 21:00. https://avezdasmulheres.blogspot.com/2025/10/o-provincianismo-da-burrice-louca.html?showComment=1762387254846#c1748475471716527325

[02] Comentário no texto "O provincianismo da burrice louca (e um pouco sobre Erika Hilton e Dani Brandi)", A Vez das Mulheres de Verdade, 05 de novembro de 2025 às 21:01. https://avezdasmulheres.blogspot.com/2025/10/o-provincianismo-da-burrice-louca.html?showComment=1762387304182#c5859200963134837676

[03] "Pé-rapado" é um sinônimo de pobre que faz referência a um episódio do Brasil antigo: na época, havia uma grade que era colocada nas entradas das igrejas (católicas) para os pobres limparem os calçados antes de entrar, os ricos chegavam de carruagem na escada da igreja. A época era antes da invenção do automóvel e antes da popularização da pavimentação das ruas, então quem vinha pela rua a pé pisava em poeira, barro e cocô de boi e de cavalo.

[04] "Vendedor de balas sofre racismo e reage: 'Se me chamasse de petista...'". Área VIP, 01 de janeiro de 2026. https://www.areavip.com.br/famosos/vendedor-de-balas-sofre-racismo-e-reage-se-me-chamasse-de-petista

[05] "Consciência de classe". Mundo Educação, UOL. https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/consciencia-de-classe.htm

[06] "Consciência de classe". Francisco Porfírio, Brasil Escola. https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/consciencia-de-classe.htm

[07] "Consciência Social". TMA. https://www.listadecompetencias.com/en/Competency/Social%20Awareness

[08] "Significado de Consciência social". Wisdomlib. https://www.wisdomlib.org/pt/concept/consci%C3%AAncia-social

[09] "O que é consciência social?". Bigfral, 26 de abril de 2023. https://www.bigfral.com.br/o-que-e-consciencia-social

[10] "Consciência Social: a importância de desenvolver na infância". Objetivo Sorocaba, 22 de abril de 2025. https://blog.objetivosorocaba.com.br/consciencia-social

[11] "Filha recém-nascida de Iza sofre ataque pesados: 'Nasceu branca? Que mico'". UAI, 15 de outubro de 2024. https://www.uai.com.br/app/entretenimento/famosos/2024/10/15/not-famosos,346738/filha-recem-nascida-de-iza-sofre-ataque-pesados-nasceu-branca-que-mico.shtml

[12] "'Homeschooling': por que pais foram condenados por educar filhas em casa? Entenda o que diz a lei e como funciona o ensino domiciliar". G1, 27 de maio de 2026. https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/05/27/homeschooling-por-que-pais-foram-condenados-por-educar-filhas-em-casa-entenda-o-que-diz-a-lei-e-como-funciona-o-ensino-domiciliar.ghtml

[13] "Pais condenados por ensinarem suas filhas em casa: 'não gostam funk', relatou Juiz em decisão". Portal do Holanda, 26 de maio de 2026. https://www.portaldoholanda.com.br/brasil/pais-condenados-por-ensinarem-suas-filhas-em-casa-nao-gostam-funk-relatou-juiz-em-decisao

[14] "Sites evangélicos distorcem caso de homeschooling em SP". Paulopes, 25 de maio de 2026. https://www.paulopes.com.br/2026/05/homeschooling-jales-condenacao-imprensa-evangelica-distorce.html

[15] "Estudante de Sorocaba que adotou 'homeschooling' e foi aprovada na USP é proibida pela Justiça de iniciar curso". G1, 23 de abril de 2021. https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2021/04/23/estudante-de-sorocaba-que-adotou-homeschooling-e-foi-aprovada-na-usp-e-proibida-pela-justica-de-iniciar-curso.ghtml

[16] "Estudante proibida pela Justiça de cursar faculdade após fazer 'homeschooling' recebe propostas de emprego". G1, 27 de abril de 2021. https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2021/04/27/estudante-proibida-pela-justica-de-cursar-faculdade-apos-fazer-homeschooling-recebe-propostas-de-emprego.ghtml

[17] "Garota impedida de entrar na USP ganha bolsa para Vale do Silício". EuEstudante, Correio Braziliense, 04 de maio de 2021. https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/ensino-superior/2021/05/4922255-garota-impedida-de-entrar-na-usp-ganha-bolsa-para-vale-do-silicio.html

[18] "TJPR condena pais por praticarem ensino domiciliar". Tribunal de Justiça do Paraná, 31 de março de 2025. https://www.tjpr.jus.br/destaques/-/asset_publisher/1lKI/content/tjpr-condena-pais-por-praticarem-ensino-domiciliar/18319

[19] "Mãe adepta do homeschooling é condenada a matricular filho em escola regular sob pena de perder a guarda, em SC". O Globo, 02 de julho de 2025. https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/07/02/mae-adepta-do-homeschooling-e-condenada-a-matricular-filho-em-escola-regular-sob-pena-de-perder-a-guarda-em-sc.ghtml

[20] "Zumbi dos Palmares". Lucas Pereira, Toda Matéria. https://www.todamateria.com.br/zumbi-dos-palmares

[21] "Abolitionism Timeline". Encyclopædia Britannica. https://www.britannica.com/summary/Abolitionism-Timeline

[22] "O provincianismo da burrice louca (e um pouco sobre Erika Hilton e Dani Brandi)", 09 de outubro de 2025, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2025/10/o-provincianismo-da-burrice-louca.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2025/10/o-provincianismo-da-burrice-louca.html

Apêndice

"Dia Da Consciência Negra e sua relação com Zumbi dos Palmares - veja algumas das principais controvérsias". Brasil Paralelo, 20 de novembro de 2023. Disponível em https://www.brasilparalelo.com.br/noticias/dia-da-consciencia-negra-e-sua-relacao-com-zumbi-dos-palmares-veja-algumas-das-principais-controversias

Dia Da Consciência Negra e sua relação com Zumbi dos Palmares - veja algumas das principais controvérsias

Zumbi dos Palmares tinha escravos? A teoria do racismo estrutural explica os problemas atuais do país? Entenda a história do feriado de 20 de novembro.

Por Redação Brasil Paralelo

Publicado em 20/11/2023 16:12

Em 2003, a lei federal 10.639 instituiu o Dia da Consciência Negra no calendário escolar, tornando obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas. Em 2011, a presidente Dilma Rousseff oficializou o 20 de novembro como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Um dos objetivos da medida da presidente é exaltar Zumbi dos Palmares como símbolo da luta pelos direitos dos negros no Brasil, já que dia 20 de novembro é o dia da morte de Zumbi.

Diante da medida de Dilma, ainda em vigor, pesquisadores brasileiros criticaram a iniciativa, afirmando que não se pode homenagear um homem que escravizava outros negros e cometia outros crimes.

Entenda as críticas à visão de Zumbi dos Palmares como herói e as críticas à teoria do racismo estrutural.

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Fontes históricas apontam para uma realidade: Zumbi dos Palmares escravizava negros, afirma Leandro Narloch, um dos entrevistados no documentário Brasil: A Última Cruzada.

O livro Quilombo dos Palmares, de Edison Carneiro, mostra que:

  • Zumbi e os quilombolos assaltavam fazendas ao redor do quilombo e roubavam escravos negros para serem escravos do Quilombo dos Palmares;
  • mulheres brancas eram sequestradas e obrigadas a se casarem com quilombolas, afirma o jurista Marcelo Andrade;
  • crimes graves e fuga de escravos eram punidas com a pena de morte no Quilombo dos Palmares;
  • feiticeiros eram proibidos no quilombo.

Segundo Marcelo Andrade, jurista, historiador e professor do Núcleo de Formação da Brasil Paralelo:

"Muitos negros vizinhos do Quilombo dos Palmares os odiavam, já que eles também eram assaltados e tiveram parentes escravizados pelos quilombolas".

Diversos negros lutaram contra o Quilombo dos Palmares, um deles foi Henrique Dias, homem negro e oficial superior do exército português. Uma de suas campanhas militares teve como alvo o quilombo de Zumbi.

Henrique Dias foi considerado herói pela coroa portuguesa após sua atuação na Insurreição Pernambucana, recebendo os títulos de fidalgo e membro da Ordem de Cristo.

Mas mesmo com tantas controvérsias envolvendo Zumbi e o Quilombo dos Palmares, como eles passaram a ser exaltados por parte dos brasileiros? A difusão da teoria do "Racismo Estrutural" pode explicar parte desse fenômeno.

A teoria do Racismo Estrutural

De acordo com o professor Guilherme Diniz, a teoria do racismo estrutural foi desenvolvida no Brasil através do livro “Racismo Estrutural”, lançado em 2018 com autoria de Sílvio Luiz de Almeida.

Para o autor do livro, o racismo possui diversos tipos, sendo o racismo estrutural aquele que se manifesta tanto nas instituições quanto nos indivíduos.

Ao analisar a teoria de Sílvio, o professor Guilherme levanta algumas questões em um texto publicado em suas redes sociais:

"Como teoria, o racismo estrutural é quase intuitivo em uma sociedade como a brasileira calcada em séculos de escravidão e exclusão social ao negro. Mas um cientista social não pode se pautar pela intuição, mas por dados concretos.

Primeiro, Silvio Almeida jamais define o que ele entende por racismo estrutural. Ele inicia suas análises a partir do pressuposto de que a realidade social brasileira está estruturada nessa forma de racismo, e que o Direito, a economia, a ideologia e a política brasileiras são estruturalmente racistas.

O racismo estrutural é mais um recurso retórico do que uma análise científica concreta. Aliás, em seu livro não há um único embasamento empírico. De toda a bibliografia utilizada, apenas dois trabalhos do IPEA são citados e nenhuma fonte extraída do IGBE.

Em segundo lugar, a teoria do racismo estrutural consegue identificar apenas manifestações de atos tipificados como racistas, mas não é capaz de identificar a fonte estrutural desse racismo. O que é, no mínimo, suspeito, já que esse deveria ser seu objetivo".

Guilherme continua afirmando que sua argumentação não afirma que o racismo não existe, mas que a visão de racismo estrutural é reducionista, mostrando outras perspectivas de análise da história do Brasil:

"Essas fragilidades na teoria indicam que não existe racismo no Brasil? Evidentemente que não.

Essa complexidade aponta que, para pensarmos o racismo e as práticas racistas no Brasil, estamos obrigados, necessariamente, a pensar nossa história e o processo de formação étnica do brasileiro.

Quando Gilberto Freyre concluiu que a sociedade colonial brasileira nasceu a partir da miscigenação entre negros, índios e brancos, ele também identificou complexidades sociais ainda presentes em nossa sociedade, sobretudo quanto ao desequilíbrio de poder presente na sociedade.

No primeiro episódio de Brasil Raiz, o Rasta foi até a casa de Gilberto Freyre e conversou com a família do sociólogo brasileiro. A entrevista trouxe pontos essenciais de seu pensamento, inclusive suas análises da união entre a população negra e sua relação com as demais etnias presentes no Brasil.

História do Brasil de forma inédita

Em Brasil: A Última Cruzada, a Brasil Paralelo conta a história do nosso país de maneira única e inédita. Para o professor Percival Puggina, arquiteto, empresário, escritor e membro da academia de letras do Rio Grande do Sul:

"O orgulho de ser brasileiro tinha sido escondido, a série o devolveu a todos nós. É impressionante a série ter se difundido tanto mesmo com tanta gente sendo contrária a ela. Houve um renascimento em nosso país", disse Percival sobre esse Original BP.
Texto original em português sem vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "As classes de zumbis inconscientes (ou: O provincianismo da burrice louca 2)", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/06/as-classes-de-zumbis-inconscientes.html
Texto original em português com vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "As classes de zumbis inconscientes (ou: O provincianismo da burrice louca 2)", https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/06/as-classes-de-zumbis-inconscientes.html

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Abigail Pereira Aranha no VK: vk.com/abigail.pereira.aranha
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