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terça-feira, 11 de agosto de 2026

A Sociedade dos Garotos - parte 12: Mãe de Deus, nossa e do LGBT-Feminismo

Abigail Pereira Aranha

1) Introdução

Vou dedicar uma exposição específica a duas teses que eu já comentei aqui e ali ao longo de anos, em outros textos ou em comentários de vídeos antifeministas no YouTube: a primeira é a existência de um Marianismo na Igreja Católica Apostólica Romana que distorce o Cristianismo original e leva a uma veneração da figura feminina; a segunda é a tese de que o Catolicismo antigo ou o Cristianismo tradicional é a solução contra o Feminismo. Uma coisa é a Maria dos Evangelhos ser diferente da Virgem Maria ou Nossa Senhora do Catolicismo Romano, e nisso os críticos acertam. Outra coisa é o Marianismo ser um desvio da doutrina original do Cristianismo ou mesmo do Catolicismo Romano, o que parece uma tese razoável se você estudar a Bíblia ou mesmo a história dos concílios católicos. Uma terceira coisa, e este é o ponto, é se o Cristianismo original é aquilo que a Bíblia que temos hoje mostra e se mesmo o Cristianismo puro é contrário ao Ginocentrismo e, particularmente, ao que chamam de Marianismo.

Mesmo quando parecer que eu estou abordando a fração católica, eu sempre vou analisar o Cristianismo como um todo nesta exposição. Pelo menos porque nenhum ramo expressivo do Cristianismo é substancialmente diferente do Catolicismo Romano nestas partes que serão analisadas: o Ginocentrismo e a tolerância com a pobreza de espírito feminina.

Se a Terceira Onda e a Quarta Onda do Feminismo produziram bizarrices, elas são sequências e consequências da Segunda Onda, e esta da Primeira Onda que começou em igrejas no meio do século XIX. Jesus Cristo disse em Lc 6: 44: "porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos". Coincidentemente, o discurso de que o Feminismo começou como uma causa nobre de direitos das mulheres e se transformou em uma insanidade anti-homem não existia até fóruns de anônimos na internet exporem no começo dos anos 2000 a porcaria que já existia até a época, à margem da televisão, do rádio, da imprensa e das igrejas. Se algumas pessoas estão dizendo agora "olha, existem mulheres que denunciam homens por crimes sexuais que eles não cometeram", ou "olha, existem mulheres que são más esposas" ou "olha, existem mulheres que maltratam os filhos", é porque eles não conseguiram nos matar por dizer isso 10 ou 20 anos antes deles. Eu não estou exagerando em dizer que os moderados tentaram nos matar. Todos os ativistas de Direitos Humanos dos Homens e todas as comunidades masculinas que defenderam a "marriage strike" (greve de casamentos) foram associados pela "mainstream media", através de perfis de redes sociais e páginas forjados, a assassinatos de mulheres, abuso sexual de menores e maus tratos a animais. Eles queriam que os homens que falam o que uma vaca lésbica não gosta fossem assassinados por alienados nas ruas. Se a coisa acabou menos parecida com um ardil de gênios do mal do que com um episódio de Pinky e Cérebro, é porque os propagadores da narrativa não tinham nem a credibilidade nem o público de que precisavam.

Como alguns cristãos não-católicos nos disseram, a Nossa Senhora católica é uma adaptação da deusa babilônica Semíramis[01]. Como eles nos contam, Semíramis era a esposa do líder político Ninrode mencionado em Gn 10: 8 e 9, que foi quem chefiou a construção da Torre de Babel em Gn 11: 1-9 (o nome dele não aparece aqui). Ele morreu com a esposa grávida e ela espalhou a lenda de que o filho, Tamuz, era a reencarnação do pai. Percebeu aqui de onde veio a Mãe de Deus? A Trindade divina é Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, o mesmo Deus em três pessoas. Ninrode, Semíramis e Tamuz eram uma outra trindade que aparece em outras religiões, o pai, a mãe e o filho. Os cristãos que não creem na Trindade às vezes citam esta outra trindade como se aí estivesse a origem da doutrina. Quando o Cristianismo foi feito a religião oficial do Império Romano, alguns deuses já populares foram encaixados no Catolicismo, como santos. A Semíramis entrou como Nossa Senhora ou Virgem Maria.

Mas se você crê que o Cristianismo ou mesmo a Igreja Católica Apostólica Romana começou com aquele grupo de plebeus da Judéia comandado pelo Filho de Deus encarnado nos anos 30 (século I), você ainda pode notar que o Feminismo mais insano pode se espalhar não apenas dentro de um país de maioria cristã, mas também dentro das próprias igrejas.

Até a missão de ser a mãe do Messias, Maria era uma mulher mediana da província romana da Judéia (que seria talvez uma Angola ou uma Guatemala hoje), e ela continuou sendo depois de ele nascer. Vamos desconsiderar a lenda católica de Joaquim e Ana, que seriam os pais de Maria (lenda que a própria Igreja Católica reconhece que não tem base na Bíblia, só na tradição), e o dogma da Imaculada Conceição de Maria no ventre da mãe estéril. Ou melhor, vamos manter isso em mente, não como uma heresia que eu vou refutar (modestamente, até vou), mas como uma figura do que demanda a peça em si.

2) Vamos começar com quem é Maria

Todas as menções a Maria na Bíblia: Mt 1: 16-23, 2: 11 e 13-16, 12: 46-50 e 13: 55; Mc 3: 31-35 e 6: 3; Lc 1: 26-56, 2: 1-7, 16-20, 27-35 e 41-51 e 8: 19-21; Jo 2: 1-5, 6: 42 e 19: 26-27 e At 1: 14; e também, segundo alguns comentaristas, Lc 3: 23, porque a genealogia em Lc 3: 23-38 é a de Maria - Jesus era "(como se cuidava) filho de José". Curiosidade: o nome da "mãe de Jesus" não aparece no Evangelho de João. Isso parece ter relação com o dado de que enquanto Mateus e Lucas dão a árvore genealógica de Jesus como Filho de Davi e Marcos mostra Jesus como servo de Deus (Mc 10: 45), João diz que Jesus nasceu "no princípio" (Jo 1: 1) e "sem ele nada do que foi feito se fez" (Jo 1: 3).

Mas eu não disse há pouco que Maria era uma judia mediana? O Messias seria descendente do rei Davi, e Maria era. Mas se a genealogia em Lc 3: 23-38 é mesmo a de Maria, foram 40 ancestrais entre ela e o rei Davi. Então, só este ramo da árvore genealógica de Davi a partir de Natã (Lc 3: 31) devia ter metade da população da Judéia na época.

Maria teve a visita de um anjo não porque ela era uma pessoa especial, mas porque ela receberia uma missão especial, a de ser a mãe do Messias prometido. Ah, o Messias que estava pra vir não era o Messias que os judeus e os samaritanos esperavam, eles esperavam um rei que os tiraria do Império Romano e recriaria o império de Davi e Salomão. E alguns agentes políticos do Império Romano entenderam ou entenderiam que Jesus era este Messias. Por isso os pais dele precisaram fugir do Herodes com ele quando ele era bebê, ou o próprio Jesus precisou instruir os discípulos para não dizerem publicamente que ele era o Cristo. Mas assim como José e Maria, outras pessoas já receberam visitas de um anjo ou do Anjo do Senhor antes de terem bebês destinados a grandes missões: os pais de Sansão (Jz 13) e Zacarias pai de João Batista (Lc 1: 11-13). Então, o encontro de Maria com a dimensão celestial estava à altura da missão do seu filho e até da carga que viria sobre ela mesma por causa da missão dele.

Em todos estes pontos, eu mostro que Maria não foi uma pessoa tão extraordinária comparada com uma mulher judia comum, o que foi extraordinário foi ela ser a mãe do Messias. E aqui eu esbocei uma refutação do dogma da Imaculada Concepção de Maria: como o próprio Novo Testamento destaca em vários trechos, o Filho de Deus veio ao mundo como homem, não como super-homem. Por sinal, a oferta dos pais de Jesus Cristo quando ele foi apresentado ao Senhor no templo de Jerusalém, como um recém-nascido judeu comum, foi uma oferta de pobre: um par de rolinhas ou dois pombinhos (Lc 2: 24, Lv 12: 7). Se Jesus Cristo no meio do seu ministério ainda era conhecido como o filho do carpinteiro José (Mt 13: 55 e Lc 4: 22), por que a mãe dele teria uma concepção especial?

Ah, e a mulher em Ap 12: 1-6 e 12-17 é o povo de Israel, não é Maria. Muito menos é a "mulher eterna" descrita pelo Dom Estêvão Bettencourt, o mosaico que "representa a primeira Eva, a filha de Sião (povo do Antigo Testamento), Maria Santíssima (a segunda Eva ou a mãe dos viventes por excelência), a Santa Mãe Igreja (nossa geradora para a vida divina pelo santo Batismo) e, por fim, a Jerusalém celeste"[02].

3) A Virgem Maria foi feita para ser a musa da mulher medíocre

Você entendeu que a Maria da Bíblia não é a Maria da Igreja Católica Apostólica Romana? Você entendeu também que a Nossa Senhora foi um encaixe forçado de uma deusa babilônica em uma personagem bíblica que era uma plebeia anônima da Judéia? Mas isso nos leva a um outro problema: como a divinização de Maria foi não digo possível, mas sequer aceitável, primeiro para o clero como tramoia e segundo para os fiéis como fé? Aqui eu me dirijo a quem acredita no Deus cristão; ou a quem (como eu) não acredita, pedindo para que pressuponha que existiu uma igreja nos anos 30 em torno daquelas doutrinas da Bíblia que conhecemos. O Trono de Pedro não foi feito para preservar o ensino que os apóstolos receberam de Jesus Cristo? Ah, o próprio Pedro apóstolo é, segundo a tradição, coautor do Evangelho de Marcos, que cita o nome de Maria apenas uma vez (Mc 6: 3). Tanto no cenário em que o Cristianismo já existia três séculos antes de ser a religião oficial do Império Romano quanto no cenário em que o Cristianismo foi criado ali mesmo: a Virgem Maria foi uma artimanha política? Sim. Não foi para o imperador ganhar votos do eleitorado feminino, mas sim, foi um truque político.

A Virgem Maria (não a Maria bíblica, eu destaco) é o sonho da mulher medíocre: uma plebeia que se tornou a mãe do Rei dos Reis sem precisar de sexo, porque o Todo-Poderoso quis. Ah, e essa parte do sexo é importante. Ops! Os leitores que me conhecem sabem que eu dou boas aberturas nas minhas amizades com homens fora da internet, e nós sabemos que uma boa vida sexual faz bem pra saúde mental e física, mas o que eu disse que a parte do sexo é importante é dentro da reflexão mesmo. A Virgem Maria (não a Maria bíblica) é, portanto, a materialização da fantasia megalomaníaca delirante de uma mulher que é medíocre em todos os sentidos, inclusive e principalmente no sentido socioeconômico. Ao mesmo tempo em que ela era uma mulher mediana de uma província sem destaque, a Nossa Senhora que é na verdade Semíramis é a imagem da Deusa, do sagrado feminino que já era crido em outras religiões. Assim como na Bíblia o Verbo se fez um de nós em Jesus Cristo, o sagrado feminino e a deusa mãe se fizeram carne na Maria do Catolicismo Romano (não a Maria bíblica). Não é exatamente esta a imagem que a mulher católica tem quando pensa em Nossa Senhora, mas é este o apelo sociopolítico do Império Romano que ficou. E isto não é tão óbvio, mas é esta segunda pessoa da trindade pseudocristã, totalmente deusa e totalmente mulher mediana, que leva aquela pouco mais da metade feminina de 1,4 bilhões de pessoas no mundo à Igreja Católica Apostólica Romana. E um número próximo disso é o de mulheres muçulmanas, o Alcorão menciona Maria na sura 19.

No que eu disse que a Maria da Bíblia não é a Nossa Senhora dos católicos, está incluído o próprio perfil pessoal de Maria. Ela era uma serva e discípula do Filho de Deus (não dela) sem destaque na igreja. E qual é o problema em ouvir e servir no reino do bem, ó lesbofeminista iracunda? Ao mesmo tempo, Maria foi uma pessoa que tinha grandeza. Quando ela disse ao anjo Gabriel "eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1: 38), não havia espaço pra falsa modéstia ou pra passividade alienada; inclusive porque ela nem podia dizer que era a mãe do Messias, porque isso era perigoso para ele e para ela.

4) Porque a falta de sexo é importante na Virgem Maria

Entre os muitos deuses pagãos que foram absorvidos pelo Império Romano com sua igreja católica (universal), não está Afrodite ou Vênus, deusa que simbolizava a beleza e a fertilidade. A informação que eu tenho[03] é que Afrodite e Eros eram as versões de Semíramis e Tamuz na Grécia, assim como Vênus e Cupido em Roma; mas se realmente eram, a parte do amor (digamos assim) não veio na importação católica. Mas o Carnaval e a Quaresma vieram. O Carnaval foi uma concessão aos pagãos que tinham suas festas. A Quaresma foi uma homenagem à deusa mãe Semíramis, que juntou as amigas depois de Tamuz ser morto por um porco selvagem numa vez em que ele foi pra caça, elas oraram por 40 dias e ele ressuscitou.[04] Vênus era do Império Romano, ela era homenageada na Venerália, em que as mulheres em geral se juntavam, mas se separavam depois: as "matronae" (mulheres casadas, como dizem, respeitáveis) iam para o templo de Vênus, que era deusa do amor, mas também do matrimônio e das mulheres casadas; as prostitutas tomavam um banho coletivo em água com murta num ritual para Fortuna Virilis, uma deusa relacionada com Vênus que era protetora das meretrizes.[05] Afrodite era da Grécia Antiga, ela era homenageada nas Afrodísias, que tinham concursos de beleza e em Chipre tinham ofertas de pães em formato fálico a Afrodite.[06] Uma outra deusa romana que ficou fora do Catolicismo Romano é Flora, deusa das flores, que era homenageada na Florália, que tinha apresentações artísticas com mulheres nuas.[07]

Ah, e não temos indícios bíblicos de que Maria era bonita. Isso é importante, já vou explicar por que. Seria ela mediana também fisicamente, algo como uma mulher parda clara anônima (talvez de beleza razoável) de algum bairro pobre e feio do Brasil? Talvez seja uma extrapolação minha, mas arrisco: os indícios bíblicos apontam que Maria não era bonita. No Velho Testamento, sempre que um homem encontrou uma mulher bonita pela frente (e ela não era a esposa separada pra ele) aconteceu alguma... coisa infeliz, como os casos de Davi e Bate-Seba (2Sm 11: 1 a 12: 23), o homem incauto e a mulher adúltera de Provérbios (Pv 6: 24-35) ou, na Bíblia católica em Dn 13, os dois anciãos que, digamos, se apaixonaram por Suzana. E no Novo Testamento, a única mulher bonita é a noiva do Cordeiro (Ap 19: 7-8). A questão de se a Maria bíblica era bonita, ou melhor, se ela era mediana ou mesmo feia é parte da questão de quanto a mulher medíocre inclusive em beleza se vê nela. Mais precisamente, o ponto está na Virgem Maria, mas a base dela mistura a Maria bíblica com uma outra personalidade. Uma mulher ser bonita se relaciona com o quanto ela atrai os homens sexualmente. Uma mulher não vai morrer virgem e solteira só porque ela é feia, e, do outro lado, uma mulher bonita nem sempre é mais positiva para o sexo que a maioria das mulheres, às vezes nem mesmo mais atraente no comportamento ou na mentalidade. Mas uma mulher medíocre na sua aparência física e no seu lugar na comunidade tem uma tentação no princípio de que falta de sexo é superioridade moral para a mulher, e, simetricamente, no princípio de que é mancha moral e ponto mais baixo pra uma mulher se ela tem vida sexual decente ou mesmo se ela não se incomoda em ser sexualmente interessante para os homens.

Assim, uma mulher medíocre pode ser virtuosa se ela tem pouca atratividade física e ainda menos atratividade intelectual e comportamental, desde que ela tenha uma vida sexual pobre e ofereça esta pobreza sexual apenas para o seu marido se ela tiver um. Bom, a Virgem Maria tem uma cara europeia, talvez uma cara da nobreza romana do século IV. Assim, ela tem uma imagem mais bonita que a tipicidade das mulheres da América Latina que foi colonizada por reis católicos ou mesmo da Europa do Império Romano. Mas isso traz outro problema: dentro de um sistema moral em que falta de sexo é virtude superior para uma mulher, uma mulher bonita ganha um valor especial pela falta de sexo, porque ela rejeita as oportunidades sexuais que ela teria por ser mais visualmente interessante para os homens. Ah, e naquela época (aliás, ainda no começo do século XX em países decentes), os homens não conheciam suas futuras esposas por aí, conversavam, se apaixonavam e se casavam. Os pais escolhiam as esposas dos filhos. Do outro lado também, os pais da garota escolhiam o marido dela, mas o destaque aqui é que José recebeu Maria como noiva em mais um arranjo da época. Nisso, a bela Nossa Senhora que foi virgem como virtude é mais próxima que contrária daquela mulher de beleza medíocre que não conseguiria ser libertina nem se tentasse.

Se um homem me diz que eu sou bonita e que gostaria de se casar comigo, o pensamento dele é me f%$€§ todo dia. Tudo bem, a maioria das mulheres não gosta muito da cena e elas requerem que o homem se aproxime com muito não-me-toque (literalmente), mas eu não vejo problema em princípio. Alguns homens e algumas mulheres dirão que eu tenho prazer em me submeter à concupiscência heterossexual dos homens, mas... em boa parte, eu tenho mesmo.

5) Mãe de Deus, nossa e da mediocridade

O plano da elite romana do começo do século IV deu certo até hoje mesmo quando o Império Romano não existe mais: a mulher vê em Nossa Senhora menos divergência que sintonia com a sua própria mediocridade, enquanto o homem vê a imagem de Nossa Senhora na própria mãe. Aliás, parece que, ao final, o Império Romano oficializar o Cristianismo só serviu para criar o império católico, de uma elite que comandava queimadores de livros que morriam de doenças de veiculação hídrica.

E talvez venha daqueles tempos antigos um tabu que existe até hoje: nós não conseguimos ver as nossas mães ou uma outra mulher que é mãe como pessoas que têm interesse sexual. Mais longe até: quando vemos uma mulher de 30, 40, 50, 60 anos e não a achamos muito esdrúxula, nós dificilmente a imaginamos como uma pessoa que até mesmo possa olhar para homens sexualmente; mas nós ainda conseguimos imaginar algum homem comum de 50 ou 60 anos como um tarado. Na parte das mulheres, a impressão é muito próxima da verdade, porque mesmo o Feminismo produziu uma pregação de que a sociedade ocidental reprime a sexualidade feminina ao mesmo tempo em que produziu uma demonização (ou cristianização) da heterossexualidade masculina. Então, quando a liberação sexual feminista das mulheres finalmente aconteceu, parece que aconteceu entre elas mesmas. Na parte dos homens, é normal que eles sejam vistos como heterossexuais, as mulheres feministas podem até condená-los por serem isso, e pode até existir uma visão exagerada sobre a libido masculina. Mas isso tudo vem da visão da deusa mãe virgem não como uma personalidade celestial, mas como representação de cada mulher.

6) Qual a ligação de Nossa Senhora com o LGBT-Feminismo?

Existe alguma relação: os socialistas e a cristandade (incluindo os católicos romanos) estavam unidos contra a heterossexualidade, hoje estão em conflito em torno da homossexualidade e do transexualismo. Há apenas 20 anos, os cristãos conservadores protestavam contra a Educação Sexual para adolescentes nas escolas, educação que era majoritariamente heterossexual; hoje, eles precisam agir contra uma educação LGBT para crianças nas escolas, que inclui a ideia de que é um preconceito o pensamento de que a heterossexualidade é normal. Não faz muito tempo, os cristãos conservadores e tradicionalistas defendiam a censura contra o sexo heterossexual e a sensualidade na internet, e no que conseguiram sucesso, tiveram apoio de feministas de esquerda (ou o contrário, o feminismo de esquerda conseguiu alguma coisa e estes cristãos apoiavam); hoje, os cristãos conservadores protestam contra a exclusão de alguns dos seus vídeos e dos seus escritos na internet por, na prática, desagradar a esquerda militante, às vezes especificamente o Movimento LGBTQIA+ ou o Feminismo.

Mas o homossexualismo não é pecado tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento? Sim, mas a heterossexualidade é um pecado que se não é maior, ganha mais atenção. Não! A Bíblia não diz que o sexo hétero é pecado! Certo, se não for antes do casamento, fora do casamento, com a esposa e outra mulher ou com o marido e outro homem e se você nem pensar em sexo com alguém do sexo oposto que não é o seu cônjuge.

A mulher que trata a heterossexualidade como pecaminosa abre um caminho para a perversão sexual e para o estrago do relacionamento entre homens e mulheres, como existem (ambos) no Movimento LGBT e no Feminismo. A Virgem Maria foi perpetuamente virgem, mesmo casada. A Maria bíblica não foi, ela inclusive teve outros filhos, 4 homens (com nomes citados em Mt 13: 55 e Mc 6: 3) e pelo menos 2 mulheres. Mesmo Nossa Senhora não sendo lésbica, quem trouxe uma deusa mãe disfarçada de Maria trouxe alguma coisa do sagrado feminino. E com uma crença no sagrado feminino, mesmo numa cópia mal adaptada e mal compreendida, por que uma mulher não veria os homens como inferiores e a relação sexual com mulheres como experiência sublime? E por que um homem filho desta mulher e criado em um lugar de mulheres com esta mentalidade não pensaria o mesmo? E por que ambos, especialmente a mulher, não veriam a heterossexualidade não como relação entre os dois sexos da espécie humana, mas como uma relação entre deusas e seres inferiores?

Existe um pouco de femismo (não só feminismo) até na Maria bíblica, mesmo se for acidental: a mãe do Cristo não precisou de um homem nem pra engravidar, mas até Deus precisou de uma mulher.

Mas você não disse há poucas semanas, Abigail, que a maioria das mulheres que se declaram ateias são feministas de esquerda, muitas delas lésbicas ou bissexuais[08]? Se o Cristianismo tem mesmo ligações com o Lesbofeminismo, por que uma mulher que era casta ou estava em um casamento convencional quando era cristã só manifestou o lesbianismo quando saiu do meio cristão? O motivo é o que eu também expliquei na ocasião: uma boa parte dos que se dizem ateus são cristãos ao contrário, e estes rejeitam uma parte da parte boa do meio cristão e às vezes da Bíblia. Estes não saíram da igreja porque se tornaram ateus, mas porque não tinham capacidade pra serem cristãos.

7) Sem Deus e sem deusa, eu vi mais longe

Mesmo que você creia que Deus existe e que os santos existiram (porque não só Jesus Cristo é de historicidade duvidosa, os apóstolos também são), você ainda pode acreditar que o Deus professado por aí foi criado à imagem e semelhança de pessoas medíocres, talvez como um resto das tramas políticas demagógicas[09] de elites dos dois milênios passados que não eram tão superiores assim, moralmente e intelectualmente, à população governada. Quando o deus dos cristãos que vemos por aí faz uma pessoa ser mais inteligente e culta que antes, se você conhece alguma, isto é exceção.

Não é por acaso que eu que sou ateia e nunca me converti à castidade publiquei em 2011 ou antes uma série de coisas contra o Feminismo que muitos youtubers masculinistas só sinalizaram anos depois, alguns deles ainda estavam procurando mulher honrada na igreja quando eu publiquei algum texto com aquilo que eles disseram.

E também não é coincidência que eu, que sou ateia, não considero a castidade como bom princípio moral, e também tenho ideias e estilo de vida contra a castidade que não são como se o contrário da castidade fosse a imaturidade, a indisciplina, o vício, a imprudência e o homossexualismo. E também não é coincidência que eu, que sou ateia e não considero a castidade como bom princípio moral, não veja como se o olhar sexual dos homens para uma mulher fosse uma degradação da pessoa humana dela (inclusive quando a mulher sou eu), visão que os conservadores e os lesbofeministas têm em comum. Aliás, os cristãos (inclusive os católicos) têm uma visão de que Deus não faz nada sem propósito ou sem sentido, mas parecem acreditar que Deus fez o homem e a mulher com diferenças físicas (mesmo com roupas dá pra perceber algumas) e com interesse natural de um pelo outro para eles viverem na castidade. E logo nisso onde eu concordo com eles (na parte do sentido), eu sou uma... amante dos prazeres e as feministas cristãs (sim, elas existem) ainda me chamam de homofóbica.

8) No final, a filha feia não tem mãe

Se houvesse algum obstáculo real contra o Feminismo dentro do Cristianismo em geral e da Igreja Católica em particular, o movimento feminista não existiria. Porque a coisa começou em alguns países católicos e protestantes, e até hoje só existiu essencialmente nos países mais desenvolvidos de maioria cristã.

Mesmo hoje, muitos dos antifeministas cristãos atacam o LGBT-Feminismo porque ele prejudica a produção de casamentos tradicionais e famílias com filhos, e eles veem nisso o problema essencial do LGBT-Feminismo. Ou melhor, do LGBT-Feminismo a partir da Terceira Onda (começo dos anos 1990 a 2012), quando a insanidade ficou mais notória, e especialmente na Quarta Onda. Alguns dos "red pill" já disseram especificamente que o casamento é impraticável com a atual geração de mulheres, eles não repetem a crítica com as gerações anteriores. E alguns militantes antifeministas, homens e mulheres, inclusive defensores de Direitos Humanos dos Homens e Meninos, atacam a Red Pill e a comunidade MGTOW por quererem uma certa distância das mulheres, assim como atacavam, os mais velhos, comunidades masculinas antifeministas anteriores que rejeitavam o casamento, como a Real no Brasil.

E os antifeministas cristãos e até alguns "red pill" também veem como um dos grandes problemas do Feminismo uma liberalidade sexual heterossexual feminina que nem existe na prática. É verdade que as mulheres do século XXI dos países decentes têm muito mais heterossexualidade que as trisavós deles, mas daí a uma libido de uma personagem de filme pornográfico ainda há uma distância enorme. Atenção para que eu disse "personagem", não "atriz", porque muitas atrizes são mulheres "comuns" que não conseguiram emprego "comum". E falando nesses vídeos, estes antifeministas puritanos falam como se a pornografia representasse a tipicidade das mulheres modernas entre 18 e 40 anos, não o exato oposto (o que, pra começar, gera a própria demanda masculina pra esta arte).

Então, mesmo agora quando os frutos do Feminismo mais louco estão destruindo a comunidade, a preocupação que ainda existe entre os que têm certa noção de o que está acontecendo é salvar as mulheres e os idosos, mais exatamente desencalhar mulheres frígidas com mais de 25 anos que conseguiram sucesso profissional (ou não) e salvar as aposentadorias das mulheres idosas que simpatizaram com a Segunda Onda do Feminismo na juventude. Virgem Maria, Nossa Senhora, eis aí os teus filhos![10]

NOTAS E REFERÊNCIAS

[01] [03] [04] Por exemplo: "Início das raças e nações. Nimrod - Semiramis - Mariolatria - Babel - Babilônia. Confusão das línguas." Cláudio Trois, Sola Scriptura TT. https://www.solascriptura-tt.org/Seitas/Romanismo/Nacoes-NimrodeSemiramisMariaBabelBabilonia-Trois.htm

[02] "A misteriosa Mulher de Apocalipse 12". Vanderlei de Lima, Aleteia, 26 de junho de 2022. https://pt.aleteia.org/2022/06/26/a-misteriosa-mulher-de-apocalipse-12

[03] Nota 01.

[04] Nota 01.

[05] "The Veneralia: Rome's Festival of Venus Verticordia". RomanMythology.com. https://www.romanmythology.com/roman-religion/veneralia

[06] "Aphrodisia Festival in Ancient Greece". Greek Myths & Greek Mythology, 04 de fevereiro de 2025. https://www.greekmyths-greekmythology.com/aphrodisia-festival

[07] "The Roman Festival of Floralia". N. S. Gill, ThoughtCo, 29 de abril de 2025. https://www.thoughtco.com/floralia-112636

[08] "Da grandeza mental para o Ateísmo, uma reflexão de 20 anos (e um pouco sobre o jornalista José Carlos Magdalena)", 23 de maio de 2026, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/05/da-grandeza-mental-para-o-ateismo.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/05/da-grandeza-mental-para-o-ateismo.html

[09] "Demagogo" vem do grego "dēmagōgós", de "dêmos" (povo) e "agōgos" (condutor, impulsionador). O dicionário Merriam-Webster define "demagogo" por um lado como "um líder político que apela aos preconceitos populares e que faz falsas alegações e promessas para obter poder" e por outro como "um líder da antiguidade" (da Grécia Antiga, acrescento aqui) "que defendeu a causa do povo comum".

[10] Jo 19: 26-27: "Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa." Jesus, como filho mais velho, era quem cuidava da mãe, que a tradição diz que já era viúva (na velhice de quase 50 anos). Ele estava na cruz e entregou Maria aos cuidados do "discípulo a quem ele amava", que a tradição diz que era o próprio evangelista João; não a igreja a Maria, como dizem os católicos.

Texto original em português sem vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "A Sociedade dos Garotos - parte 12: Mãe de Deus, nossa e do LGBT-Feminismo", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/08/a-sociedade-dos-garotos-parte-12.html
Texto original em português com vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "A Sociedade dos Garotos - parte 12: Mãe de Deus, nossa e do LGBT-Feminismo", https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/08/a-sociedade-dos-garotos-parte-12.html

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