Pesquisar este blog

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Depreciar a retidão é exaltar a iniquidade (um pouco sobre Diego Rox e os "isentões")

Abigail Pereira Aranha

Isso o Bolsonaro não conta! (Diego Rox, trechos)[1]

[08:11 a 08:47] Uns bolsopetistas foram me marcar, foram marcar meu nome numa foto que o Bolsonaro postou[2] um dia desses aí, deve ter uns 3, 4 dias, não sei, dizendo que sancionou a Lei Romeo, que é o nome do filho do [apresentador Marcos] Mion. [Mostra a captura de tela da postagem no Instagram] E o post diz o seguinte: "Lei Romeo Mion/Espectro Autista. Sancionada hoje a Lei" tal "que cria Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista". "A referida carteira é gratuita e garante prioridade nas áreas de saúde, educação e assistência social". Aí ele foi lá e marcou a Michele com o sorrisão ali e tal, nossa, que vitória do governo.

[08:47 a 09:22] [Mostra a captura de tela de artigo da página da Câmara dos Deputados][3] Agora, o que você não sabe sobre isso é que esse projeto é da deputada Rejane Dias, do PT. E por que que ela luta por isso? Por que o PT se preocupa com as minorias, nossa? Não. O PT nunca se preocupou com minorias. Só que ela se preocupa com minorias porque ela é mãe de autista. Então ela luta por isso. O mãe vem antes de qualquer partido. E só quem tem filhos com deficiência, seja qualquer outra, ou alguém próximo da família que acaba dedicando a vida pra lutar por isso. O resto não se importa, até porque desconhece. Né?

[09:22 a 10:11] O nome dela tá no post do presidente? Eu vou perguntar pra você. Não, não tá. Ela reclamou sobre isso? Ela fez... tal, não, o PT "exigimos que fale, que"...? Não. Sabe por quê? Porque notoriedade nisso não importa, o importante é ser feito. A luta dela é genuína. Então, se escreveu ou não escreveu, dane-se. Mas notoriedade essa que o presidente fez questão de querer ter, postando foto como se fosse algo criado por ele. Não, é exatamente isso! Porque quem não sabe, quem não entende, como... a maioria das pessoas acha que a coisa é do governo. Nossa, ele sancionou, caramba! Nossa, mas esse... é só você ler os comentários. Mas esse governo aí, nossa, se preocupa mesmo, tá incluindo, e tal. E fazem isso de propósito, é um marketing de propósito, enganam de propósito.

[11:14 a 11:23] O que o Bolsonaro fez foi oportunismo em cima de autistas, foi... foi coisa de político, aquele lance de atravessar velhinho na rua, fazer carinho em cachorro.

[11:37 a 11:45] Segundo, que não resolve os problemas. Então, tá fazendo um marketing ali, tal, como se estivesse ajudando de fato, né.

[11:52 a 12:16] E ele ter sancionado não é mais que a obrigação como político, como de quem vive do dinheiro público, e ele vive há 30 anos assim. OK? É obrigação dele como político e o mínimo a se fazer como ser humano. Quem não aprovar um negócio desse, uma... algo que seja pró-deficiente, né, não importa o que seja, no mínimo, né, ele não é gente.

[12:16 a 12:30] Então, coloca na sua cabeça, seja Bolsonaro ou qualquer político que seja, ou seja qualquer agente do Estado, se tratando de policial, bombeiro ou o que seja: obrigação não é mérito, é obrigação, tá ali exercendo a função pra isso.

Meus comentários

O ponto aqui não é só sobre Jair Bolsonaro, nem só sobre política, nem só sobre o Brasil. É sobre grandeza de espírito. Ou, mais ainda, sobre pobreza de espírito.

A antipatia aparentemente repentina e incondicional contra Jair Bolsonaro de vários vlogueiros brasileiros que o apoiavam parece bem ilustrada aqui. Por exemplo, o Diego Rox diz que Bolsonaro tinha obrigação, como político e como ser humano, de aprovar uma certa lei menos de um minuto depois de dizer que a mesma lei, aprovada, era ineficaz.

Os méritos do governo Jair Bolsonaro não são desprezíveis, mas o presidente continua de pé, com grandes chances de completar os 4 anos de mandato, por falta de uma oposição com capacidade para derrubá-lo. Essa oposição é uma legião de bandidos aloprados que age como quem perdeu um produto de crime, não uma eleição. Na parte de "bandidos aloprados", estou sendo literal: o crime menos grave é difamação por pessoas que usam o nome de jornalistas. Contra pessoas da família ou da equipe de Jair Bolsonaro, ou até eleitores mais entusiastas, nós tivemos difamação, calúnia, denunciação caluniosa, fraude processual, ataque de "hacker" e até agressão física. A mesma oposição também diz representar o povo, mas você que é uma pessoa do povo de verdade sabe quantas mulheres sequer mencionam os assuntos do movimento feminista, ou afrodescendentes do Movimento Negro, ou homossexuais do Movimento LGBT. Mesmo com domínio das universidades e da comunicação de massa fora da internet, essa oposição se mostra com uma notória pobreza intelectual e uma estupidez cada vez maior. Mas 8 anos antes, era Dilma Rousseff quem estava de pé por falta de uma oposição qualificada (Lula, 4 anos antes, mais ainda, mesmo com o escândalo do Mensalão). O que tínhamos contra uma "poste" do Lula era uma oposição liberal-conservadora cuja formação cultural, intelectual e acadêmica foi conseguida com muito estudo e com muitas viagens ao exterior pagos com a herança do avô. Essa oposição de antes é o apoio ao governo de hoje, e vice-versa.

Depois do fim do tempo do PT na Presidência da República, o Brasil mostrou a pobreza intelectual e de espírito nos dois lados. Ou melhor, três lados (já vou explicar). Vou pular o lado dos petistas. O lado liberal-conservador chegou ao governo Bolsonaro acreditando que ele foi eleito porque o povo aprecia as ideias que só são levadas a sério por mulheres provincianas sexofóbicas e herdeiros mal acostumados de coronéis latifundiários. Bastou a Rainha Louca perder o mandato para aparecerem, como vindos de uma Caixa de Pandora, os defensores de um novo golpe militar de 1964[4], os monarquistas e até o grupo da Terra Plana.

Depois de esquemas de corrupção inéditos na história do Brasil e de mandatos presidenciais cujos méritos reais foram de aproveitar heranças de antecessores, a própria sobrevivência política ou mesmo formal do PT vem de um pacto do Brasil praticamente inteiro em torno da pequenez de espírito e de intelecto. E aqui entra também o terceiro lado: o grupo que se diz acima da divisão entre esquerda e direita, ou mesmo da própria política. É o que chamamos hoje de "isentões" mais o que os marxistas sempre chamaram de "alienados". Aqui eu volto à fala do Diego Rox. Essas pessoas que se dizem contra a política ou contra uma coisa confusa que chamam de "o Estado", por que elas só se manifestaram publicamente depois da queda de popularidade da Dilma? Porque uma legião de eleitores da Dilma se deu mal e não conseguia assumir, pelo menos publicamente, sua culpa pessoal. Eram aquelas pessoas que viam as eleições como um ou dois domingos perdidos a cada dois anos, que seriam melhor aproveitados na frente de uma televisão ou numa mesa na calçada numa frente de bar. Quando o governo Dilma Rousseff trouxe o crescimento zero para suas vidas em 2014, essas pessoas começaram a se interessar por política. Ou melhor, se interessar em falar mal do PT.

Mas (não me lembro de onde eu ouvi isso) nenhuma ação é mais nobre do que a intenção que a gera. Assim, uma fala contra a falta de honradez na política que vem de um ex-cúmplice mal sucedido da corrupção do governo anterior não é mais do que inveja vinda de um hipócrita mal sucedido, e ainda pode ter por trás um certo ódio à virtude. Volto aqui à fala do Diego Rox: uma coisa boa foi feita, Jair Bolsonaro não passa de um político que não fez mais do que a obrigação, mas uma deputada do mesmo partido de Lula e Dilma Rousseff não é sequer uma política, é u'a mãe dedicada a uma boa causa e para quem "notoriedade nisso não importa, o importante é ser feito". Depreciar o justo é glorificar o ímpio. Não digo que é o caso da pessoa da deputada Rejane Dias, mesmo que eu acredite que ela estar no PT não é bom sinal. Mas você já ouviu alguém dizer que Lula ou Dilma Rousseff apenas cumpriram obrigações em serem honestos e cuidarem dos pobres em programas sociais?

Você pode descobrir neste blogue o elogio que eu fiz à então senadora pelo PCdoB do Amazonas Vanessa Grazziotin pelo projeto de lei PLS 652/2015 que "acrescenta dispositivos à Consolidação das Leis do Trabalho" "para estabelecer licença-paternidade de 120 dias". E à mesma senadora pelo projeto de lei PLS 514/2015 que "garante o direito à amamentação em público, transformando em crime a sua violação, que também ensejará indenização por danos morais à vítima". E ao então deputado pelo PSOL do Rio de Janeiro Jean Wyllys pelo projeto de lei PL 4211/2012 para regulamentação da prostituição. Você vai perceber que eu reconheci méritos de uma pessoa sem a intenção de depreciar uma outra.

Isso me lembrou um caso que um leitor compartilhou comigo no Facebook: "Estrela adulta é banida do Instagram por salvar Coalas"[5]. "A subsidiária do Facebook, Instagram, demonstrou seu compromisso de tornar o mundo um lugar melhor, proibindo uma camgirl que arrecadou US $ 1 milhão para instituições de caridade que combatem os efeitos dos recentes incêndios na Austrália, oferecendo fotos nuas para aqueles que doaram US $ 10". "A exibicionista on-line de 20 anos, cujo nome verdadeiro é Kaylen Ward e usa o apelido de 'The Naked Philanthropist', (...) relatou que ela foi deserdada por sua família e que sua conta foi banida por 'conteúdo sexualmente sugestivo', apesar de não publicar fotos nuas no próprio instagram". Leitores compartilham comigo com frequência no Facebook alguma notícia com algo relacionado a nudez ou sexo. Eles veem e se lembram de mim. Não só porque eu tenho um blogue com pornografia e eu digo a minha posição sobre sexualidade. Também é porque mesmo o que eu digo da minha vida de licenciosidade está dentro de uma proposta moral e intelectual. Mas o que isso tem a ver com o caso que eu estava comentando? A desqualificação de uma pessoa (ou das suas ideias ou das suas ações) por picuinhas; ou o contrário, a supervalorização por outras picuinhas. Por exemplo, a mulher é ou foi profissional do sexo, é razoável ela desde perder uma vaga de trabalho até ser assassinada. Ou o contrário, se a mulher dá sinais visíveis de que odeia sexo, é razoável ela ser vista, por exemplo, no ambiente de trabalho como melhor profissional que um homem ou uma mulher bonita. No meu caso, eu tenho sorte hoje de que ninguém ataca o que eu escrevo dizendo que o meu blogue tem pornografia e eu tive sexo com mais de 300 homens. Porque hoje, quem discorda de mim e vê as coisas "indecentes" não lê o que eu escrevo (em 2014, algumas feministas liam).

Eu escrevi em 2010 sobre a eleição da Dilma Rousseff.[6] Onde estavam aqueles "isentões", alienados e traidores em 2014?

A oposição a Jair Bolsonaro que diz também abominar o PT e parece dizer a verdade nos traz pelo menos duas lições, e não só para o Brasil. A primeira é que pessoas que não compreendem bem o que ouvem, leem, falam ou escrevem não podem ter atos de grandeza moral. A segunda é que pessoas que foram covardes para enfrentar um mal ou mesmo que colaboraram com ele pessoalmente também podem trabalhar contra ele ou os seus efeitos, mas precisam, como disse João Batista a alguns fariseus e saduceus, produzir frutos dignos de arrependimento (Mt 3: 8). Se foi possível em séculos distantes um analfabeto fazer um ato nobre, uma pessoa medíocre e analfabeta funcional de hoje com culpas não confessadas só pode fazer desastres em cima do uso de palavras nobres mal entendidas, contra quem tem a grandeza que lhe falta.

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[1] "Isso o Bolsonaro não conta!", Diego Rox Oficial, 12 de janeiro de 2020, https://www.youtube.com/watch?v=X3oDKfC7uxs.

[2] jairmessiasbolsonaro, 08 de janeiro de 2020, https://www.instagram.com/p/B7ExaqfBLII.

[3] "Lei que cria carteira de identificação da pessoa autista é sancionada", Portal da Câmara dos Deputados, 09 de janeiro de 2020, https://www.camara.leg.br/noticias/630372-lei-que-cria-carteira-de-identificacao-da-pessoa-autista-e-sancionada.

[4] "Defesa da Intervenção Militar é provincianismo mais burrice mais golpismo", 06 de fevereiro de 2018, http://avezdasmulheres.blogspot.com/2018/02/defesa-da-intervencao-militar-e.html.

[5] "Estrela adulta é banida do Instagram por salvar Coalas", Tokusatsu Mil Grau, 11 de janeiro de 2020, https://tokusatsumilgrau.blogspot.com/2020/01/estrela-adulta-e-banida-do-instagram.html.

[6] "Dilma Rousseff eleita presidente: em 2010, quem ganhou foi a gentalha", 18 de novembro de 2010, A Vez das Mulheres de Verdade, http://avezdasmulheres.blogspot.com/2010/11/dilma-rousseff-eleita-presidente-em.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2010/11/dilma-rousseff-eleita-presidente-em.html.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Rainhas montadas em cavaleiros brancos

Abigail Pereira Aranha

Quando a lei que dava à mulher os direitos de votar e de ter cargos políticos foi aprovada, quantas mulheres do Congresso votaram a favor? Que piada ruim! Está certo, se mulheres não podiam votar nem ter cargo político, não existiam mulheres no Congresso. Mas com isso, eu chamo a sua atenção para uma coisa um pouco menos óbvia: uma pessoa não pode chegar a uma posição de poder sem ter alguma forma de poder pessoal ou a ajuda de alguém que já está nesta posição ou acima.

Como começou o Feminismo? De acordo com as mulheres feministas, um grupo de mulheres se levantou contra a opressão de uma sociedade que por séculos colocava as mulheres em uma posição inferior. De acordo com os conservadores, um grupo de lésbicas malucas se levantou por um poder diabólico para destruir o Paraíso na Terra que existia por séculos. Os conservadores não sabem explicar como esse grupo de lésbicas malucas chegou a algum lugar (mas eu sei, e é o que eu vou fazer aqui), mas se as mulheres feministas lutassem, hoje ou no século XX, contra uma sociedade como elas dizem que é aquela em que elas vivem, a história do Feminismo seria a preparação para algum dia dos anos 1960 que terminou com algumas lésbicas com ossos quebrados.

Do outro lado, qual foi a oposição masculina que o Feminismo teve? No máximo, alguma reação burra de quem consegue dizer (e acreditar) que as mulheres feministas são lésbicas gordas repulsivas e elas têm vida promíscua com homens (nenhum homem teria interesse sexual por uma mulher feminista mesmo se ela quisesse homens, mas ela consegue vários homens, entendeu?). Os homens conservadores (e algumas mulheres) também tentam provar que o Feminismo é prejudicial para a mulher e o bom é o Conservadorismo, que oferece a ela tudo que o Feminismo promete e muito mais. Aqui eu chego ao ponto: entre os homens, tratar as mulheres de forma especial é a regra geral.

Várias mulheres feministas publicaram livros defendendo a redução da população masculina a algo como 10% da população total, mas nós nunca vimos um livro inteiro defendendo a violência contra a mulher. É isso o que chamam de machismo. Por sinal, quando a palavra "machismo" teve um significado positivo? E por que "machismo" é depreciação da mulher, mas "feminismo" é a defesa da igualdade entre homens e mulheres, incluindo, de acordo com algumas mulheres feministas, ações em favor dos homens? Como regra geral, quando os homens não dão às mulheres o respeito normal entre duas pessoas, eles depreciam a própria masculinidade. Hoje que "feminismo" não é mais uma coisa chique, nós podemos ouvir homens dizendo "eu sou contra o machismo e o feminismo". Mas enquanto o Feminismo é um movimento e uma ideia, o machismo não é. Portanto, este homem iguala o mau entendimento de o que são atitudes masculinas ao feminismo radical. O que ele defende é o Conservadorismo ou um feminismo de esquerda elegante. Nos dois casos, o ser homem só tem sentido e elegância quando está a serviço da mulher (a própria liderança masculina é para dar proteção ou conforto a ela).

Eu dizia que os homens em geral depreciam a própria masculinidade e você pode ter achado estranho. A primeira coisa que eu tinha em mente é a ideia da masculinidade que só tem sentido para servir à mulher, como expliquei há pouco. A segunda coisa é o desprezo da heterossexualidade masculina pelo próprio homem. O "autocontrole" desse homem na presença de alguma senhora feia e desagradável é uma imagem disso. Um crime de homem contra homem porque a vítima fez sexo com uma mulher da família do autor é uma outra imagem. E onde existe proibição ou censura contra seminudez, pornografia ou prostituição, quem faz as ações práticas, inclusive prisões, são homens. Mas eles não são apenas policiais que cumprem leis e ordens? Não é só a eles que eu me refiro. Os superiores hierárquicos também são homens. Se o que é relacionado a sexo é crime, quem fez a lei foi um homem e a maioria que aprovou também é de homens. Certo, isso é regra geral. As mulheres que estão nessas posições explicam a regra: é para isso que os homens existem, para ajudar que as mulheres cheguem aos céus quando elas acharem conveniente ir além do ambiente doméstico.

Pelo menos desde a implantação do Cristianismo, os homens também têm protegido as mulheres com aversão a sexo de qualquer sinal de sexo ou de mulheres que parecem não ter aversão a sexo. Por isso um homem que agride um homem que se aproxima de uma filha dele por supostas intenções sexuais pode agredir essa mesma filha se ela tiver um namorado. Eu já experimentei tentativas de agressão de mulheres porque eu conversei ou transei com o marido ou um filho adolescente dela, mas mais vezes eu experimentei homens que fizeram isso por alguma mulher. Mas quando um grupo de mulheres falou em liberdade sexual, alguns homens as apoiaram, nem sempre com a intenção ter a sua parte nisso; e os homens contrários a esse grupo queriam, em última análise, apoiar as mulheres que não gostam de sexo.

E se um homem vilipendia a própria masculinidade, ele deprecia a sua própria individualidade humana. Esse homem se contém pra não falar perto de mulheres (ou entidades bizarras que levam esse nome) qualquer coisa que seja ou possa ser entendida como relacionada a sexo; ele faz por uma mulher algo que não faria por um homem; ele atrapalha a sexualidade de todos os outros homens que puder e renuncia a sua própria. A troco de quê? De nada. Nada além de agradar o universo feminino.

Homens pelo fim da violência contra as mulheres. Fonte: Emerson Reis NL, 06 de dezembro de 2019 às 09:04, www.facebook.com/emersonreis2014/posts/10157116133382955

"Homens pelo fim da violência contra as mulheres", você pode ter visto essa campanha por aí. Assim como você também viu mulheres defendendo os Direitos Humanos dos Homens. E talvez você também tenha visto mulheres feministas tentando explicar como o Feminismo também pode ajudar os homens. As comunidades masculinas antifeministas usam o termo "cavaleiro branco" para o homem disposto a defender uma mulher só por ser mulher. Os "homens pelo fim da violência contra as mulheres" são "cavaleiros brancos", homens como eles tratam as mulheres como rainhas e, quando podem, até fazem que elas sejam algo perto disso literalmente. Eles fazem isso por nada, às vezes até pra receber o mal pelo bem. Mas as mulheres feministas e as mulheres conservadoras antifeministas não consideram que tomar no cu é princípio moral superior (para muitas, é degradante no sentido figurado e no sentido literal). É bom ganhar o próprio dinheiro, mas um bom marido que ganha mais pode fazer falta. É bom contar problemas para um marido ou um amigo homem, mas é preocupante saber que ele pode se suicidar antes pelos próprios problemas. Os homens conservadores seguem o caminho que sempre seguiram. As mulheres menos estúpidas querem voltar desse caminho novo, mesmo que não exatamente para a idealização que os homens conservadores fazem da época em que os pais nasceram.

Mais uma coisa que os homens e as mulheres antifeministas podem ter notado: por que tantas vezes um homem feminista faz uma bajulação vergonhosa ao universo feminino e ele não se corrige quando vê que as mulheres em geral não o veem como uma espécie de "amigo da mulher" e muitas delas até o reprovam? Melhor: por que esse homem nem sabe que foi essa a reação do universo feminino? Isso se aplica ao homem feminista militante que usa um vestido em u'a manifestação contra a violência contra a mulher, mas também é o caso de um vereador que cria uma lei para que todos os assentos dos ônibus urbanos sejam preferenciais para as mulheres (sim, isso aconteceu em Fortaleza). Mas isso não é só porque esse homem reverencia a mulher sem esperar nada em troca. Quando esse homem não observa o "feedback" dos seus atos nem que seja pra pensar "como eu posso me rebaixar mais?", o modelo mental de ginolatria é dogmático e automático o suficiente para não depender da resposta do mundo real externo, mesmo daquela coletividade feminina que ele quer agradar.

Mas se é verdade que a mulher típica de hoje tornou-se desinteressante, insalubre e até perigosa não para casamento, mas para contato próximo, mas tem uma autoestima tão grande quanto a pobreza de espírito; alguns homens só estão em comunidades antifeministas como Real, MGTOW ou Red Pill porque, por isso mesmo, não encontraram uma bela mulher frígida provinciana disposta a se casar virgem com um falso moralista de pau pequeno. Esses homens idolatram a época em que os pais nasceram. Eles de coração trocariam o que chamam de perdição moderna por um passado em que mulheres não saíam à rua desacompanhadas e em que qualquer foto de uma mulher que só mostra os braços e as pernas era tão clandestina quanto uma droga ilícita. Naquele tempo, era até mais provável um homem morrer por acidente de trabalho ou por falsa acusação de assédio sexual. Mas como eu já vi homens conservadores dizendo em 2019, a vida de um homem não pertence a ele e o casamento não é para um homem ser feliz. Quando alguns homens heterossexuais cristãos foram rejeitados pelas mulheres porque o seu tradicionalismo não lhes era atraente, eles perceberam que todos menos eles têm direito a alguma coisa; só então eles começaram a defender os seus próprios direitos.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

O Brasil não pode ser salvo, só superado

Abigail Pereira Aranha

Já é otimismo falar em "restauração da alta cultura", nas palavras de Olavo de Carvalho, em um país onde a maioria dos universitários é analfabeta funcional. Isso sem entrar na questão de quando essa "alta cultura" existiu e como ela era. E também sem entrar na questão de como o processo de destruição dessa coisa gloriosa pôde acontecer por 20 ou 30 anos sem protestos visíveis de quem a conheceu pessoalmente na adolescência.

Vamos admitir que um governo federal tenha um plano eficaz para erradicar o analfabetismo funcional. Vamos admitir que, neste caso, esse governo não tenha um único analfabeto funcional nos 3 níveis mais altos. O plano não será executável. Por exemplo: nas coordenações das secretarias de Educação dos estados ou nas reitorias das universidades, dirão "querem tirar os negros e as mulheres das universidades". Porque a avaliação de um candidato a vaga em universidade não terá outro critério além do conhecimento. Daí, para que um candidato analfabeto funcional não entre, acabam as políticas afirmativas no processo seletivo; para que este candidato, se entrar, não seja diplomado, acabam as políticas afirmativas também na assistência estudantil. Mas estes que protestam não são necessariamente militantes de esquerda em uma artimanha contra o governo. Eles podem ser apenas pessoas que acreditam de verdade no que estão dizendo.

Mas vamos admitir que seja formada uma elite intelectual para uma guerra cultural pela restauração da alta cultura. Estou misturando termos do Olavo de Carvalho com a "guerra cultural" dos "olavetes". E vamos admitir que essa elite intelectual participe da vida universitária e ganhe os debates em universidades cheias de esquerdistas e analfabetos funcionais. Temos um outro problema: a única plateia possível além da própria elite intelectual e além dos próprios professores, estudantes e ex-alunos das universidades é a parte da população num nível ainda mais baixo que a classe universitária pelo menos em escolaridade.

Se o analfabeto funcional é alguém que não entende bem o que lê e representa a maioria inclusive das pessoas de formação universitária, o Brasil já tem só na parte intelectual uma situação onde é quase inviável alguém entender ou explicar qualquer coisa, e não só em tópicos de política. Juntando a parte ética e a parte cultural que são medíocres, já é impraticável qualquer projeto de nação acima da pobreza de espírito.

Os governos Lula e Dilma Rousseff foram os de mais corrupção, estupidez e recompensa à mediocridade da história da República. O que tivemos depois disso? O fenômeno do "isentão", a pessoa que se diz acima da divisão entre esquerda e direita, ou até da própria política, mas nunca se manifestou naquela época e acredita que o problema do Brasil é que nem todos gostam do PT. Portanto, alguém que junta a amoralidade com a burrice. A autocrítica não só está acima da capacidade moral e mental do povo brasileiro como um todo, mas está acima do que ele poderia suportar mesmo se não estivesse.

O Brasil chegou ao ponto em que quem nasceu antes de 1985 vai ter de lutar não para ter um país melhor, mas para ter o país que conheceu no tempo em que não discutia política. Mas isso não pode ser feito com um movimento de volta ao passado, como o Brasil Império, o governo militar ou algum tempo em que as mulheres, mesmo quando pensavam que era pecado ter um orgasmo na vida, ainda tinham uma aparência civilizada. Não apenas porque aquele cenário é inviável hoje, é principalmente porque nada daquilo é impeditivo daquilo que temos hoje que queremos mudar. Se fosse, não teríamos ido de uma coisa à outra. Na esquerda, qualquer secundarista sabe que a História não dá saltos, ainda mais em visão de mundo de uma geração inteira em relação à anterior. Só os conservadores pensam que mudar o mundo pra pior é tão fácil quanto a vontade de um ou dois multimilionários patrocinando três ou quatro líderes revolucionários saídos do anonimato.

Ainda sobre os conservadores, nós ainda temos o problema de que mesmo que seja verdade que os progressistas são os culpados por uma degeneração moral sociopolítica do Brasil (e realmente é), os próprios conservadores não fazem mais do que representar uma outra forma de burrice. Em geral, eles não imaginam coisas como moral, inteligência e maturidade como compatíveis com uma vida sexual ativa ou com a manifestação de heterossexualidade. Bom, na parte da vida sexual ativa, eles até podem compartilhar vídeos e postagens de redes sociais de homossexuais de direita, mas vários leitores meus já me disseram que não se sentem à vontade para compartilhar textos meus com amigos conservadores "por causa da sacanagem". Aqueles homossexuais de direita "quebram a narrativa" do Movimento LGBT e defendem o "livre mercado", então eles ajudam a juntar os preconceitos de netos de condenados pela Justiça do Trabalho com a ideia de que essa é a única forma possível de enfrentamento ou mesmo de discordância do Socialismo. Os conservadores aceitam o risco de divulgar mulheres antifeministas bonitas e descobrir depois que elas eram pobres de conteúdo ou de caráter, e dizer que elas se aproveitaram da beleza e às vezes da sensualidade para ganhar notoriedade; mas eles não têm tanto entusiasmo para divulgar escritos antifeministas mais substanciosos de mulheres licenciosas como eu ou de profissionais do sexo como a Yasmin Mineira ou a Mercedes Carrera. O máximo que o eixo do PT tem de oposição é um grupo que quer "quebrar a narrativa" deles sem quebrar os erros da própria.

A burrice, o preconceito, a inveja ou a repressão sexual podem ser coletivos, de uma cidade ou de um país. A formação do grupo social pode até ser um instrumento para favorecer os vícios pessoais dos indivíduos. No lado contrário, a inteligência e a virtude, e mais ainda descobertas técnico-científicas ou intelectuais, são em boa parte méritos de indivíduos ou de pequenos grupos de pessoas. Por exemplo, um Louis Pasteur com uma pequena equipe pode descobrir microorganismos patogênicos e vacinas enquanto países inteiros acreditam que as doenças têm origem sobrenatural, mas não vice-versa.

Mesmo que o Brasil ainda seja melhor que dezenas de países, o patriotismo é uma atitude (ou um sentimento) dispensável. Mesmo antes de termos maioria de semianalfabetos sem caráter nos postos decisivos, o Brasil não tinha muito que mostrar de honroso como nação (pressuposto que uma nação possa dar motivo de orgulho ao cidadão em vez de vice-versa). Se mesmo assim precisarmos ver o Brasil como a nossa casa, nós não temos o dever de consertar as besteiras de quem elegeu o PT 4 vezes. Assim, as pessoas com alguma grandeza que nasceram no Brasil podem se ver como parte e representante não da nação brasileira, mas da decência humana.

sábado, 21 de dezembro de 2019

A Sociedade dos Garotos - parte 8: sou um homem antifeminista e não defendo mulher nenhuma, exceto as da minha família

Abigail Pereira Aranha

Eu vi alguns comentários de rapazes antifeministas nos últimos 3 meses como este: "Defendo sim. As mulheres da minha família: mãe, esposa, irmãs. As outras? Q se f...!". O problema em um comentário como esse é que boa parte do antifeminismo deste homem está perdida, e o que sobra é essencialmente revolta de um rapaz interiorano católico-protestante do século XIX contra a rejeição sexual das moças alfabetizadas da cidade grande do século XXI.

E o rapaz se acha um guerreiro contra o Feminismo quando defende apenas as mulheres da própria família. Rapaz, vamos à Bíblia. Por que Simeão e Levi exterminaram os siquemitas? Gn 34. Por que Potifar fez José do Egito ser preso? Gn 39: 7 a 20. Por que Absalão mandou matar Amnon? 2Sm 13: 1 a 29.

O Feminismo surgiu onde e porque ele foi viável, não porque ele tinha a necessidade que o movimento diz ter. O Ativismo de Direitos Humanos dos Homens e, recentemente, o antifeminismo conservador feminino (na verdade, um feminismo conservador contra o feminismo de esquerda), esses sim surgiram pelas necessidades que afirmam. Se estão certos o movimento dos homens sobre o ginocentrismo e o antifeminismo conservador feminino sobre a dominância do feminismo esquerdista anticristão, é coerente que a "mainstream media" só lhes dê espaços esporádicos a contragosto ou com más intenções. Do outro lado, o feminismo de esquerda está destruído como ideia sã quando uma senhora sem feminilidade fala que o Brasil é machista e assassino de mulheres em um programa de domingo à tarde na Rede Globo. Mas não é improvável para a maioria dos homens ter o pensamento de que uma prova de que os homens acham aceitável agredir mulheres sem motivo é uma mulher com pouca visibilidade no Facebook dizer que falsas denúncias de violência existem (isso aconteceu comigo). Assim como o pensamento de que um homem que reage fisicamente a uma agressão física de uma mulher fez uma agressão injustificável contra uma musa frágil e angelical. Assim como o pensamento de que campanhas governamentais e de organizações privadas contra a violência contra a mulher existem e são veiculadas nos maiores veículos de comunicação de massa do país porque a sociedade acha essa violência aceitável. Isso acontece porque os nossos padrões de pensamento podem sobrepujar as inferências lógicas dos dados da observação direta principalmente quando temos preguiça ou medo suficiente para entender uma projeção de burrice e preconceito sobre dados reais como se fosse a visão direta da própria realidade.

Um homem defender as mulheres da família é um homem fazer aquilo para o que a família foi feita. Mais: isso é, segundo o que ele aprendeu, um homem fazer aquilo para que O HOMEM existe. E onde ele aprendeu isso? A televisão é de meados do século XX. O movimento feminista e o movimento socialista são de meados do século XIX. Séculos antes disso, tivemos aqueles casos bíblicos que eu lembrei. Se você não crê na Bíblia (eu mesma sou ateia), você ainda crê que aqueles casos foram gravados no primeiro milênio antes de Cristo; e você crê que as ideias da Bíblia são a visão de mundo da época e do lugar em que a Bíblia foi escrita.

Você ouvirá por aí que a mulher só começou a ser respeitada depois do Cristianismo. Mas a própria Bíblia cita pelo menos duas divindades femininas pré-cristãs: a Rainha dos Céus, dos babilônios, em Jr 44: 15 a 19 e Diana, dos gregos, em At 19: 24 a 41. Mas isso é mais que uma lenda de provincianos ufanistas desinformados. Isso é um exemplo de que quando você acredita que nasceu para lutar contra um mal, como os homens criados em uma família cristã acreditam que nasceram para proteger as mulheres dos perigos e dos desconfortos, você pode lutar mesmo quando o mal não existe.

Por que muitos homens defendem a pena de morte ou mesmo a execução extralegal para crimes sexuais de homens contra mulheres se estes não são crimes contra a vida? E aquele homem antifeminista "só defendo uma mulher se ela for da minha família", ele seria prudente considerando a possibilidade de essa mulher estar fazendo uma falsa acusação? Ou ele iria atrás do acusado pronto para ser um novo Potifar ou um novo assassino de Emmett Till? Mas naquele tempo em que homens matavam ou morriam para defender esposas, mães ou meio-irmãs, a proteção se invertia quando elas tinham vida sexual fora do casamento por iniciativa própria: Lv 21: 9 e Dt 22: 13 a 24. Se eu tivesse nascido naquela época, eu não chegaria a 309 homens (que inclusive era mais que os homens da população de algumas cidades). Melhoramos muito, mas nos mesmos Estados Unidos onde nasceram tanto o Feminismo quanto as reações masculinas a ele, já houve proposta de que uma mulher que tenha camisinhas na bolsa seja presa por prostituição, que lá é crime. Por quê? A família judaico-cristã tradicional não foi criada apenas para proteger a integridade física das mulheres em perigos reais e para sustentá-las, também foi feita para protegê-las da heterossexualidade masculina. Por uma certa confusão mental induzida por este modelo, os homens encarregados desta proteção passaram a tratar sua própria heterossexualidade e a dos outros homens como desprezível, clandestina e criminosa.

Mas vários homens de comunidades antifeministas já cometeram um ato falho: eles disseram que não adianta ser um homem do estilo antigo para uma mulher moderna. Eles confessam que as mulheres mudam e rejeitam coisas arcaicas à medida em que a sociedade progride, enquanto eles mesmos só não continuam iguais porque isso é inviável hoje. Mas essa "mulher moderna" é apenas a jovem entre uns 14 e 30 anos com beleza pelo menos 6/10 que não é cristã tradicional fervorosa ou uma mulher mais velha ou mais feia, às vezes religiosa, que segue ideias lesbofeministas. Mulheres com rosto e corpo semimasculinos, desconfortáveis de presença, geralmente cristãs idosas ou de meia-idade, esses homens não as criticam e até mesmo têm um respeito moderado por elas, especialmente quando elas pregam contra uma não-castidade fictícia ou aumentada de alguma mulher que tem a beleza e o sucesso que elas gostariam de ter. Essa é a mulher-tipo das próprias mães ou avós desses homens.

O meio conservador não tem nem no seu círculo mais culto duas noções que, na esquerda, não faltam nem entre os secundaristas: a História não dá saltos e o futuro é resultado das ações (ou falta delas) do passado e do presente. Não é surpreendente encontrar um homem antifeminista conservador que pensa que o Feminismo começou com um alvoroço de lésbicas malucas na década de 1960. Não por acaso, os conservadores querem defender a família para combater o esquerdismo em geral e o Feminismo em particular sem saber por que este último explodiu quando a maioria da população do país ainda era católico-protestante. E sem associar as famílias tradicionais de antes do século XX ao chamado "cavaleiro branco", que é o homem que defende qualquer mulher só por ser mulher.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Três níveis abaixo da mentira

Abigail Pereira Aranha

Existe um nível intelectual e até de dignidade humana mais baixo que a vida em torno da defesa da mentira? Sim, e é um nível mais baixo que crer sinceramente na mentira como se fosse verdade.

Uma região de nível regular de desenvolvimento para os padrões de um país do Terceiro Mundo tem uma vantagem em termos intelectuais, culturais, morais e até psiquiátricos: deixar mais visíveis coisas desprezíveis que a feiura, a baixa escolaridade, a velhice, a doença ou o fracasso socioeconômico podem deixar mais feias. Vantagem se você tiver, além de integridade mental, as condições para não ser oprimido ou levado você mesmo para a miséria geral, como seu próprio dinheiro, sua própria casa ou contato físico com áreas geográficas melhores.

A defesa da mentira exige pelo menos três coisas: conhecimento da verdade, conhecimento das pessoas para quem a mentira vai ser dita e um resultado prático pretendido. Portanto, a defesa de uma mentira exige uma presença no mundo real com alguma inteligência.

Mas até a mentira organizada está acima do nível mental normal das populações dos países e das regiões de nível moral e cultural baixo (e onde os índices socioeconômicos pobres costumam ser apenas consequência), especialmente onde representantes da mediocridade geral já estiveram ou ainda estão nos cargos políticos formais. Nesses lugares, um sem-número de vigaristas deveram ou ainda devem a uma corrente espúria de política e pensamento específica não apenas um status social, mas até a possibilidade de ter um emprego. Mas um número muito maior de pessoas do povo devem a essa mentira desde alguma possibilidade para um dia-a-dia menos miserável (inclusive economicamente) até a fuga do encontro humilhante com algo superior mesmo quando a mentira que apoiam é causa notória da sua própria pobreza.

O primeiro nível abaixo da vida em torno da mentira é o ódio à verdade e à grandeza. Não é mentira compulsiva. É transformar o que é nobre, justo ou bonito em como se fosse um desafeto pessoal. Isso também não chega a ser inveja das pessoas com grandeza de espírito. O invejoso tem desejo ou apreciação pelo que o invejado tem, e a pessoa neste nível não chega ao ponto nem de considerar a verdade ou a grandeza de uma pessoa como algo respeitável.

O segundo nível abaixo da vida em torno da mentira é a guerra ao mundo real. Porque a guerra à grandeza foi perdida. Aqui, o próprio mundo real é um problema em si. Pelo que podemos ver na Bíblia, o próprio Diabo ainda estaria neste nível, já que ele quer mudar a criação de Deus para alguma outra coisa no seu próprio estilo. Mas para isso, ele ainda precisa agir dentro do mundo real. A parte má da militância socialista funcional está neste nível também. Mas ainda há um nível em que nem eles chegam.

O terceiro nível abaixo da vida em torno da mentira é a guerra à sanidade mental. A guerra contra o mundo real foi perdida. Resta a essa pessoa atacar a sensatez, a inteligência, o senso de proporções e o senso do ridículo. A pessoa pode tentar fazer isso em pessoas sob sua influência, em especial crianças dependentes, mas faz isso em primeiro lugar em si mesma. A pessoa se torna doente mental no sentido técnico. Mas isso não significa que seja uma pessoa inofensiva, porque essa pessoa, dentro da doença mental e moral, ataca o mundo real. Uma mulher desequilibrada que agride fisicamente e quebra objetos em uma discussão estúpida é um exemplo desse nível.

Por exemplo, uma lésbica começa com a mentira de uma injustiça contra a homossexualidade feminina, vai para o primeiro nível com uma aversão aos homens e às mulheres heterossexuais, para o segundo nível com a guerra contra a visão predominante da heterossexualidade como biologicamente normal (ela rebaixa o fato biológico a um fato sociocultural que, mesmo reconhecido, pode ser trabalhado) e para o terceiro nível com a declaração de que ela mesma, visualmente e comportamentalmente repulsiva, é uma mulher poderosa e sexualmente desejável.

A vida nacional brasileira em geral desde a eleição de Lula para a Presidência da República é um exemplo desses três níveis. Também é um sinal de que mesmo que a imagem do terceiro nível seja uma periferia deprimente de residências de pessoas feias e fracassadas, uma comunidade como essa tem uma importância sociopolítica que não pode ser ignorada. Especialmente quando políticas como o sistema de cotas sociorraciais e o voto dos analfabetos podem introduzir a pobreza de espírito onde é mais desejável que ela não esteja. Lula foi reeleito depois da denúncia do Mensalão com ainda mais votos que para o primeiro mandato e conquistou ainda mais votos para uma irrelevância chamada Dilma Rousseff porque naquela altura, milhões de pessoas passaram a dever suas vidas socioeconômicas, desde um bom cargo no serviço público até um benefício do Bolsa Família, ao sistema político-administrativo do governo PT. As universidades, a imprensa, a produção artística-cultural, o serviço público e mesmo grandes empresas privadas se aproximaram do povo no sentido pejorativo, no sentido da representatividade do medíocre. Isso realmente só podia ser feito por pessoas que já estavam em posições de poder ou decisão, para interesses pessoais, grupais ou ideológicos. Mas a base popular existiu e foi importante, o suficiente para fazer toda a tragédia, pelo menos no começo e por enquanto, através dos meios normais de uma democracia formal. E como comprovaram as vitórias eleitorais do PT depois das denúncias do Mensalão e do Petrolão (esquemas feitos, portanto, enquanto o partido não estava dedicado a fazer um governo formidável, como a crise posterior confirmou), uma nação que está nesses três níveis abaixo da mentira pode continuar ou se aprofundar nesse processo de degradação inclusive ou talvez principalmente quando paga caro pela guerra contra a verdade e a grandeza até mesmo nas partes, digamos, menos intelectuais do seu cotidiano.

O problema que eu descrevo aqui também acontece nas alas políticas liberal e conservadora. Também acontece na comunidade cristã tradicional. Também acontece no Primeiro Mundo. Mas a esquerda da década de 2010 especialmente no Brasil e nos Estados Unidos, e mais ainda as populações alienadas influenciadas ou favorecidas por essa esquerda, ajudam a nos mostrar esse problema de uma forma visual impressionante. Por exemplo, o perfil no Facebook de uma típica mulher feminista ou cristã de hoje mostra um não dar-se a obrigação de merecer respeito que uma mulher de meados do século XX ainda se dava, mesmo quando ela era semianalfabeta, psiquiatricamente instável e simpatizante da violência policial-jurídica contra ateus e mulheres profissionais do sexo.

Talvez você tenha notado, mas digo aqui mais diretamente: o Brasil em geral ainda tem que melhorar muito no sentido clínico (nem é no sentido intelectual) para que uma pessoa intelectualmente qualificada possa entrar em um debate intelectual e correr o risco de encontrar no mínimo um trapaceiro. Por sinal, foi um erro meu quando pensei, desde 2006, que qualquer exposição de ideias feita por uma garota desconhecida geraria debates ou pelo menos atrairia atenção de um número significativo de pessoas desde que fosse razoavelmente lúcida. O trabalho só não foi perdido porque eu o deixei na internet e ele foi achado por outros anônimos aqui e ali que estavam tão sedentos de ver manifestações de integridade mental quanto eu mesma. Bom, alguns rapazes procuravam putaria e me descobriram, mas gostar de licenciosidade (na teoria e na prática) também significa uma certa integridade moral e mental.

Eu ainda estou tentando entender como enfrentar este problema, mas quatro coisas eu entendi. 1) o nível a ser confrontado é sempre o último, porque a derrota em um nível leva ao nível mais baixo. 2) para cada pessoa com integridade moral e mental, confrontar pessoas no terceiro nível no contexto nacional, no contexto regional ou mesmo na internet é essencialmente o mesmo que confrontar pessoas no mesmo nível no ambiente próximo no mundo físico. 3) esse confronto envolve aumento de poder pessoal, em especial quando a pessoa em questão é da própria família (e lembro que poder pessoal é autonomia sobre a própria vida no sentido individual, e isso inclui a capacidade de se livrar do poder negativo de outras pessoas). 4) visto que fazer a própria presença desagradável faz parte do poder de ação limitado dessas pessoas, o confronto envolve bom humor e ridicularização dessas pessoas no nível rasteiro da presença delas no mundo físico, e não no nível de conversa sã e inteligente com pessoas mentalmente saudáveis.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

O fim de Jair Bolsonaro e Donald Trump

Abigail Pereira Aranha

1) Introdução

A disputa entre esquerdistas e conservadores no Brasil e nos Estados Unidos é entre sociopatas semianalfabetos que não sabem por que perderam a última eleição e provincianos não muito menos analfabetos que não sabem por que ganharam. Daí, me arrisco em uma previsão: Jair Bolsonaro não vai conseguir a reeleição em 2022 nem Donald Trump em 2020. Vou explicar por que começando com alguns tuítes do Rafinha Bastos[1].

Rafinha Bastos @rafinhabastos 27 de jul

“Se vc critica um, tá automaticamente do lado do outro”. Esse é o pensamento mais simplista e ignorante da discussão política atual. Cresce aí, caraio! (segue)

Rafinha Bastos @rafinhabastos 27 de jul

Exemplo: Concordo com muitas medidas econômicas do Bolsonaro. Acho importante a desburocratização do país e a reforma da previdência... mas ñ dá pra bater palminha pra uso indevido de helicóptero da FAB e nem pra nepotismo na embaixada em Washington. (segue)

Rafinha Bastos @rafinhabastos 27 de jul

Admirava a política social do governo do PT, mas tenho vergonha e raiva de toda corrupção que rolou durante os anos do partido no poder. (segue)

Rafinha Bastos

@rafinhabastos

Acho que uma boa parte do país pensa como eu. O problema é que a essa galera não tem saco pra discutir política, daí os radicais de ambos os lados dominam o debate. Fica parecendo que o país está em guerra, enquanto a verdade é que a maioria tá de boa.

21:11 - 27 de jul de 2019

Vou acrescentar um comentário dessa postagem[2]:

Luana

@luanaserra

Em resposta a @rafinhabastos

É igual nas universidades públicas. Acham que a galera toda lá gosta de gritar Lula Livre, fazer paralisação e cartaz de papel pardo. Mas, a maioria só quer se formar e vazar.

21:18 - 27 de jul de 2019

Sim, o Rafinha Bastos e a Luana estão certos na observação. Onde eles erraram foi na isenção. Ou melhor, no "isentismo".

2) O isentão

O "isentão" é alguém que viu o escândalo do Mensalão em 2005 e o do Petrolão em 2014 no Jornal Nacional pra dizer em 2017 ou 2018 que os problemas do Brasil são os apoiadores do Jair Bolsonaro e os leitores do Olavo de Carvalho. O isentão é, então, um eleitor do PT de 2002, 2006, 2010 e talvez 2014? Geralmente é. Então por que ele não defende o PT mais declaradamente ou de um jeito disfarçado menos burro? Primeiro: porque a imagem do único partido honesto não cola mais. Segundo: porque o isentão é um cidadão comum que vive de emprego de verdade; ele não escolheu ou não teve a oportunidade de ser um militante profissional ou ter um emprego convencional, através do movimento esquerdista, onde pode trabalhar pouco e ganhar muito (ou ganhar sem trabalhar). Terceiro: porque um cidadão comum não é militante de esquerda mesmo quando um grupo de esquerda se anuncia como defensor dos seus interesses de verdade ou, melhor ainda, consegue benefícios reais para a vida normal de pessoas do povo de verdade.

Jair Bolsonaro foi eleito com cerca de 58 milhões de votos, o que dá cerca de 40% do total geral de eleitores (142 milhões). Por coincidência, Lula e Dilma Rousseff já tiveram 60%, 70% de aprovação enquanto presidentes. Naqueles outros 60% que não votaram no Bolsonaro, estão aquela maioria que, como disse o Rafinha Bastos, "não tem saco pra discutir política". Sim, nós tivemos gente que votou no Lula e em 2018 votou no Bolsonaro, mas muito mais do que os que votaram contra o PT naquela época e em 2018 votaram em Fernando "Haddad É Lula".

Jair Bolsonaro pelo menos ganhou por maioria de votos. Donald Trump só é presidente dos Estados Unidos por causa do Colégio Eleitoral. Se a eleição lá fosse por maioria de votos, a presidente seria a Hillary Clinton, a Dilma Rousseff estadunidense. Então, o raciocínio que eu estou desenvolvendo aqui para o contexto brasileiro vale para os Estados Unidos também, a não ser quando o caso lá é ainda mais preocupante.

Quando o isentão tenta nivelar qualquer picuinha contra Jair Bolsonaro ou uma pessoa próxima a ele (que pode nem ser verdade) a um Mensalão ou um Petrolão, como fez o Rafinha Bastos nos tuítes citados, ele tenta acima de tudo esconder o seu próprio erro. O Mensalão foi denunciado e exposto na grande imprensa em 2005. Lula foi reeleito em 2006 com ainda mais votos que em 2002. Dilma Rousseff, a candidata do Lula que era uma burocrata obscura até o ano anterior, foi eleita em 2010 com ainda mais votos. A ideia do povo de maioria honesta tem algo errado. Por que as manifestações "contra a corrupção" só começaram em 2013, 2014? Porque só aí chegamos a uma crise econômica. Houve cidades onde funcionários públicos estáveis correram o risco de serem demitidos por falta de dinheiro pra pagá-los. E quem pensou que ia sair de um curso universitário onde entrou pelo sistema de cotas para um emprego fabuloso (ou que uma filha conseguiria isso) também estava lá nas manifestações porque "quebrou a cara". Faltou dinheiro até para o Bolsa Família e o FIES.

E essa parte da população é a maioria, ou a maioria inclui pessoas como essas. Alguns dessa maioria votaram no Bolsonaro porque, mesmo sendo alienados e amorais, foram um pouco mais espertos, perceberam que com o PT não podiam continuar.

3) Nem conservador nem progressista

Jair Bolsonaro é um bom homem, é honesto, parece ter sido um bom chefe de família e, mesmo um tanto atrapalhado e um pouco falastrão, é valente quando defende a verdade ou os valores cristãos. Se Dilma Rousseff pôde ser Presidente da República por dois mandatos, ele também pode. Apesar disso, ou por isso mesmo, ele não representa o povo brasileiro. O cidadão médio não é conservador, assim como não é "progressista".

Se você tem mais de 40 anos, você sabe por experiência que o que era regra em uma igreja católica, protestante ou evangélica na sua infância é quase inaceitável hoje. E vice-versa. Isso em termos de ideias e em termos de conduta. E também em termos de sexo. Antigamente, os cristãos tradicionais podiam ser criticados por confundir moral superior com dar as provas mais inequívocas possíveis de vida sexual precária. Mas especialmente os evangélicos eram reconhecidos como pessoas honradas até pelos maiores desafetos. Hoje, ou a igreja tolera mulheres com roupas provocantes no culto e mães solteiras e até homossexuais na membresia; ou encolhe e é vista como esquisita não no "mundo", mas no próprio meio cristão. Eu que já dei pra 309 homens daqui a pouco vou poder entrar em uma igreja evangélica, vou escolher uma das que já aceitam pastoras lésbicas. Pessoal, espero não ofender os meus leitores cristãos, mas eu precisava fazer essa piada. E o pastor evangélico que era visto como uma pessoa honrada hoje é visto como um vigarista semianalfabeto. E alguns pastores com pregações de pouquíssimo conteúdo bíblico, mas com uma vida nababesca, têm suas igrejas entre as maiores do Brasil com dezenas de milhares de pessoas em um só dos templos magníficos.

4) A esquerda, a direita e o cidadão

Mas os que pensam que os brasileiros são cristãos conservadores e querem o Liberalismo só são menos ingênuos, para dizer o mínimo, que os adversários deles, que pensam que os negros são latrocidas em potencial e que a mulher vê (ou deveria ver) o sexo hétero como violência contra a mulher. Eles já defenderam um governo com 7% de aprovação, o segundo mandato da Dilma, jurando que quem defendia a democracia eram eles. É só por isso que o Conservadorismo cristão não foi destruído não como corrente política expressiva, mas como ideia confessável. Por isso também Jair Bolsonaro foi eleito presidente: era ele ou a equipe de apoio da Marcha das Vadias. Antes, a esquerda tinha pensadores. O Conservadorismo e a direita nunca tiveram mais do que pregadores e "pin-ups"[3] que hoje conhecemos como "conservadias". Os conservadores cristãos e os "libertarians" só conseguiram alguma credibilidade quando os esquerdistas caíram a um nível intelectual ainda menor que o deles.

Outro problema é que os liberais-conservadores e os esquerdistas colocam do outro lado quem não pensa como eles mesmos, mesmo que não pense como o lado contrário. Eu compartilhei putaria no Facebook ou no Twitter, fui denunciada pela direita por nudez e pela esquerda... pela mesma coisa. A pornografia nos Estados Unidos é tratada pelos conservadores como problema de saúde pública (sério, eles juram que ver pornografia tem os mesmos efeitos de cheirar cocaína) e pelos esquerdistas como violência contra a mulher.

Portanto, a mera capacidade de observar a realidade está fora da disputa direita versus esquerda, pelo menos na parte dos discursos mais puros.

5) A esquerda vai voltar à Presidência?

Portanto, as eleições presidenciais de 2022 no Brasil e de 2020 nos Estados Unidos devem ser vencidas pelo mesmo grupo derrotado na eleição anterior ou, no máximo, pelo Centro. São três motivos principais.

1) Como vimos naqueles tuítes do Rafinha Bastos, o cidadão comum gostou do governo de esquerda pela parte social e do governo de direita (ou pechado como tal) pela parte econômica-administrativa. Se o governo Dilma Rousseff não tivesse somado "lacração" insana com administração desastrada, ela chegaria até 2018.

2) Nem a esquerda radical nem a direita têm a capacidade ou o interesse de ouvir ideias além das próprias, o que implica que o pensamento delas (ou o que tem o nome de pensamento) não vai gerar interesse em ninguém fora do grupo. Depois de uns 3 ou 4 anos sem uma esquerda louca na Presidência da República, ninguém vai garantir a eleição se dizendo de esquerda ou de direita.

3) Os direitistas e os conservadores não fizeram qualquer coisa funcional contra a esquerda, principalmente na área cultural. Eles fazem panfletagem, viralização de "hoaxes" sensacionalistas e alarmismo apocalíptico enquanto a esquerda tem ações e resultados de verdade, que eles explicam depois com conspirologia barata e mais panfletagem, tudo isso literalmente pregando a convertidos. O máximo que eles fazem é deboches contra os adversários que também são lidos praticamente só nos seus próprios espaços na internet.

6) Eu ia terminar aqui, mas...

E eu já tinha o que eu escrevi em mente antes da eleição presidencial na Argentina de 27 de outubro. Ganhou Alberto Fernández, que terá Cristina Kirchner como vice e já teve atritos com Jair Bolsonaro. A mesma Cristina Kirchner de esquerda que o atual presidente Mauricio Macri sucedeu e que deixou um estrago que ele tentou consertar.

Eu dizia que os brasileiros não são tão conservadores assim e eu ainda estava escrevendo quando vi esta matéria compartilhada por um amigo no Facebook[4]: "Pesquisa: evangélicos estão mais preocupados com dinheiro do que com questões morais"[5]. "O estudo foi publicado pela Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul, nos Estados Unidos, mas a sua realização foi do Instituto LifeWay Research. Os resultados chamaram atenção até mesmo de quem acompanha o debate público no meio religioso." Pra mim, confirmar o que eu digo em um texto enquanto estou escrevendo tem sido frequente. Qual o percentual de liberais ou cristãos conservadores que têm um índice de acertos coerente com a ideia de ser levado a sério?

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[1] Rafinha Bastos, 27 de julho de 2019 às 21:11, https://twitter.com/rafinhabastos/status/1155269557327683590.

[2] Luana, 27 de julho de 2019 às 21:18, https://twitter.com/luanaserra/status/1155271193026543616.

[3] pin-up

Um termo antiquado para material sexualmente excitante (embora muitas vezes não explícito), como mulheres caucasianas atraentes e sorridentes, olhando para trás e ligeiramente inclinadas, ou deitadas de costas arqueadas.

(Urban Dictionary, https://www.urbandictionary.com/define.php?term=pin%20up)

[4] Amarildo Cândido, 18 de novembro de 2019 às 22:28, https://www.facebook.com/amarildo.candido.52/posts/1487722234699026.

[5] "Pesquisa: evangélicos estão mais preocupados com dinheiro do que com questões morais", Notícias Gospel, 01 de outubro de 2019, https://noticias.gospelmais.com.br/pesquisa-evangelicos-preocupados-dinheiro-122597.html.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Por que ficamos menos felizes com as coisas boas que infelizes com as ruins?

Abigail Pereira Aranha

Você já teve a experiência, por exemplo, de ser mal atendido no comércio e ficar mal o resto do dia, mas quando você é atendido por uma pessoa simpática, isso não tem a mesma força?

As coisas boas simplesmente nos acontecem, mas as coisas desagradáveis fazem parte do nosso dia-a-dia, fazem parte das coisas das quais não conseguimos nos livrar; às vezes, têm a ver com algo que está em nós mesmos. As coisas boas são boas, mas não são coisas conquistadas, merecidas; as coisas más são. Bom, é assim que você pensa.

Se você pensa que merece as coisas más que lhe acontecem, é em parte por uma programação mental venenosa e em parte... porque é verdade. Vou dar um outro exemplo pra explicar isso melhor. Você tem um carro que usa no deslocamento casa-trabalho, toma uma série de cuidados com o carro e ele funciona maravilhosamente. E você também é um motorista muito bom, tem bons reflexos musculares, tem boa visão. Aí você tem uma quase batida que se o freio estivesse um pouco pior, aconteceria o acidente. Ou você quase bate com outro veículo que entra na contramão num trecho de rodovia sem canteiro central, e o acidente só não aconteceu porque você obedece os limites de velocidade e você, não o outro motorista, conseguiu desviar o carro. Você costuma se lembrar das coisas que você fez dar certo, ou mesmo se dar conta delas? E principalmente, você consegue gostar de você mesmo por isso? Mas se acontece o contrário, se a batida acontece (e você sai com a cabeça funcionando bem), você pensa que devia ter trocado os pneus no dia anterior, ou devia ter olhado com mais atenção pra frente naquele minuto errado, ou não devia estar a 90 km/h naquele trecho de velocidade máxima de 60. E é muito provável que você esteja certo (sobre o que estava errado). Mas mais do que ajudar você a corrigir as suas falhas e a valorizar os seus acertos, saber olhar pra dentro de si mesmo ajuda você a não admitir que outros lhe atribuam erros que não são seus.

Você não precisa ainda pensar em abandonar a fé religiosa, se você tiver alguma, mas coloque em mente que alguma coisa está errada se a religião não melhora esta vida. Nas religiões em geral (o Cristianismo não é o pior dos casos), o mundo material e visível é menos importante e até menos real que o mundo pós-morte que, na mais generosa das hipóteses, só é conhecido por revelações fragmentadas; e enquanto o Mal e os maus fazem o que querem inclusive porque têm recursos pra isso, o justo tem uma carga de regras sobre o que fazer (ou o que não fazer), regras cobradas por Deus e pelos homens, e toda a justiça acaba sendo um reles cumprimento de obrigação e um atestado de casta inferior. Bom, eu disse que o Mal faz o que quer e o cristão dirá que o Mal não faz o que Deus não permite. Mas é esse o ponto! O justo age por dever diante de Deus, do país, do rei, do patrão, da Igreja, das mulheres,... O que o justo não tem é permissão. O Mal tem. O que o Mal deixa de fazer é o que Deus quer que ele não faça. O Mal tem a permissão negada de fazer o que tem poder pra fazer. E tudo que o justo recebe de Deus, inclusive a justiça, é o que Deus decide, no tempo dele e na vontade dele. Você consegue ser fiel a Deus sem ser lixeira do Diabo, sem ser idiota e sem ter o nível de cultura de um camponês da Idade Média?

Eu estava explicando sobre como as coisas boas nos fazem felizes menos que as coisas más nos fazem nos sentir mal e entrei na questão da religião. Bom, só esse tema já mostra que tudo é questão das nossas reações e, por isso, do que temos na mente. A religião é o que está na mente da maioria da população de um país ou do mundo. E a crença religiosa vai determinar todos os fundamentos da visão que o religioso tem do mundo, inclusive porque a própria religião tem um princípio de que este mundo que conhecemos é menor que alguma outra coisa. No caso mais evidente e mais extremo, a própria Ciência deve estar submissa a alguma coisa superior, vinda de uma parte do Universo (ou de fora dele) que a intelectualidade humana não pode alcançar. Nem é questão de isso ser verdade (eu sou ateia, acredito que não é). A questão é que uma crença religiosa pode moldar o raciocínio de uma pessoa até com uma certa independência da experiência no mundo real. Portanto, mesmo quem não acredita na religião ou em divindades pode observar que existem coisas anteriores à experiência cotidiana que podem determinar como ela pode ser interpretada.

Ainda dentro da questão da religião, vamos pensar em alguns problemas terrenos dentro da questão das coisas boas. Qual a qualidade de vida que uma pessoa pode ter quando pensa que o trabalho é um castigo divino sobre a humanidade? Se essa pessoa tiver um bom emprego com um salário razoável, essa pessoa vai ver isso como uma condição amena pra cumprir u'a maldição? Qual será o seu nível de sucesso financeiro e pessoal se você acreditar que o rico vai pro Inferno ou só é rico porque Deus quis? Eu convido um homem que é meu colega de trabalho pra me visitar em casa e conhecer tudo que ele vai gostar de ver e pegar e eu não posso mostrar no expediente, mas ele acredita que o sexo é pecaminoso e isso pode trazer desgraças pra vida dele e pra humanidade. Como é a vida dele com a esposa dele (em geral) ou como será quando ele se casar? E quais outros prazeres ele procura evitar?

Bom, no caso em que eu tento... levar o meu colega de trabalho pra casa pra oferecer uma sobremesa sem contar que a taça é os meus seios, você pode alegar questões de segurança, como falsas denúncias de crime sexual, questões que eu mesma abordei aqui. Mas aqui ainda estamos dentro do assunto de coisas boas, mas dentro do aspecto da prudência: você pode evitar uma coisa que é ou parece ser boa e se sentir bem porque, por isso, você pôde conseguir coisas boas depois. Quem me conhece sabe da inclinação da minha boca pra receber esperma, mas eu entendo a rejeição.

A parte mais desconfortável das coisas desagradáveis, principalmente as vindas de outras pessoas, é o como não conseguimos reagir no tempo oportuno. Você pode receber um soco, mas se você dá outro e derruba a pose do outro, isso não abala você tanto quanto se você tivesse apenas recebido a agressão. E vou entrar nesta parte agora e vou concluir.

O que vai fazer as coisas boas deixarem de vir à sua vida apenas por acaso é criar poder pessoal para tê-las. Esse poder pessoal é a união do poder mental com o poder de ação. O poder mental pode vir da mudança de atitudes e de visão da vida. O poder de ação vem da aquisição de recursos. Você não precisa ser rico pra ter poder de ação (e até pode ser rico sem ter poder de ação), talvez seja suficiente só ter a sua casa (mesmo alugada) e ganhar o suficiente para pagar as suas contas. Saúde também é poder de ação. Se você conhece alguém com uma doença grave, você pode observar o que essa pessoa não pode fazer e você pode. Uma parte do aumento do seu poder de ação pode ser se livrar do poder de ação negativo de outra pessoa sobre você. Uma coisa importante pra ter em mente é que o poder mental é relacionado com o que você pensa e o poder de ação é relacionado com o que você faz. Por definição, poder de ação sem obras visíveis não existe.

As coisas boas que acontecem na sua vida e ao seu redor dependem do seu poder de ação e do seu poder de atração, e também da sua capacidade de ser atraído pelas coisas boas. A sua capacidade de se sentir feliz com essas coisas boas depende da sua mentalidade. E a sua mentalidade vai levar a um poder mental de atrair coisas boas e a uma capacidade de ser atraído por elas. A forma como você reage às coisas infelizes podem ser um sinal do que falta nessa atratividade, ou sinal da sua falta de força ou de habilidade para enfrentar o mal. E mais do que isso, por mais miserável que seja uma situação, nós só nos sentimos mal se pensamos que ela é menos que o melhor possível.

Texto original em português sem fotos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "Por que ficamos menos felizes com as coisas boas que infelizes com as ruins?", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2019/11/por-que-ficamos-menos-felizes-com-coisas-boas.html.
Texto original em português com fotos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "Por que ficamos menos felizes com as coisas boas que infelizes com as ruins?", https://avezdoshomens.blogspot.com/2019/11/por-que-ficamos-menos-felizes-com-coisas-boas.html.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

AddToAny