1) A árvore da antissexualidade se conhece pelo seu próprio fruto
Você já observou que tudo que foi feito pra defender a castidade, ou pra defender a moral e os bons costumes, ou, mais recentemente, pra defender as crianças e os adolescentes de conteúdos eróticos e sexuais e dos que são chamados de pedófilos; nada teve resultado além de apenas isso, censurar a sexualidade ou impedir crime sexual, ou nem isso? Lc 6: 43, 44:
Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto. Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.
Vou explicar melhor. Quando, por exemplo, o governo faz coisas práticas contra furtos e roubos e eles diminuem mesmo, mais pessoas de fora vão à área governada a passeio, mais pessoas já residentes também saem mais de casa para lazer, menos pessoas têm gasto imprevisto de repor as coisas roubadas (isso é qualidade de vida que vai até pra economia), até pessoas honestas podem ter suas vidas salvas. Mas quando alguém tenta dizer algo a favor desta ou daquela ação para restringir o acesso à pornografia (não só na internet), combater a prostituição, punir qualquer homem acusado de importunação sexual a mulher ou para controlar a interação de adolescentes com outras pessoas na internet (pode ser até um encontro sexual do adolescente com outro adolescente do sexo oposto); o argumento é teórico, muitas vezes teológico, sempre no conjunto universo da finalidade alegada, do moralismo antissexual puritano-católico e da campanha publicitária (incluindo jornalismo e trabalho acadêmico) de quem produziu a coisa.
Por exemplo, qual é o ganho de impedir um adolescente de 15 anos de abrir um perfil numa rede social, ou de vincular o perfil dele ao de um dos pais? Quem defende essa restrição diz que isso evita o encontro com pedófilos. Pedófilo com interesse em adolescentes, vamos pular esta parte. Evitou mesmo? É complicado medir o que não aconteceu. Poderíamos comparar, então, o número de adolescentes vítimas de pedófilos (digamos assim) antes desta precaução e depois desta precaução. Onde estão os números? Quem defende essa restrição diz que isso evita o contato deste adolescente com... conteúdos inadequados. E nisso este argumentador está certo. Ou será que não? Mas mesmo que sim, vemos aí os frutos que só alimentam a própria árvore. E por falar em menores, como uma pessoa emancipada conseguiria criar um perfil? Emancipação é a maioridade legal antecipada e documentada. A pessoa pode ser uma garota dona de empresa aos 16 anos, e foi emancipada pra isso porque mostrou ser capaz, e aí vai criar uma página pra empresa no Facebook. Ela vai ser tratada como uma desmiolada que precisa ser protegida de tarados? E como ela vai provar que não é? E para quem? Eu nem sei se as grandes redes sociais têm solução pra isso já implantada pro caso do Brasil, mas mesmo se tiverem, percebeu quantos problemas reais foram criados para resolver um problema imaginário?
Vou dar uma revisão rápida sobre os frutos da árvore da repressão sexual. O combate ao sexo fora do casamento produziu prisões e execuções em todo o mundo. O combate a obras eróticas ou de sexo explícito produziu censura, inclusive censura política. A restrição de idade para ver imagens de nudez ou sexo também produziu censura, inclusive censura política, além de uma onda de ignorância. Ah, a falta e a proibição da Educação Sexual provocaram (e isso não tem dados para ser provado) um sem-número de casos de doenças sexualmente transmissíveis, doenças psiquiátricas, gravidez indesejada e de infelicidade conjugal. E tudo que foi feito em nome da repressão sexual (às vezes, foi repressão sexual em nome de outra coisa) foi uma série de males necessários para... a dessexualização da vida em sociedade.
Ei, me lembrei agora: os defensores da castidade argumentam (os que ainda tentam ser pessoas mentalmente saudáveis e pensantes) que a sublimação leva uma pessoa a ser mais disciplinada, estudiosa, trabalhadora, produtiva e coisas assim. Em primeiro lugar, você quer dizer que a repressão sexual é importante para produzir escravos ou "workaholics" (viciados em trabalho)? Ou pior, você está dizendo que a castidade é virtude PORQUE viver para o reino é o máximo da vida? Ah, o "reino" aqui não é o Reino de Deus, é o da elite dos homens mesmo. Em segundo lugar, disciplina de cu é rola. Ops, é o contrário! Em terceiro lugar, só raríssimas pessoas sexualmente compulsivas (no sentido médico) não conseguem, ao mesmo tempo, ter vida sexual, produtividade e prudência de pessoas normais. Bom, na verdade, só gente muito habilidosa consegue fazer sexo enquanto faz uma tarefa de trabalho (trabalho não-sexual), como eu já fiz faxina numa loja pelada com alguns colegas já lá dentro desfrutando as minhas posições (antes de abrir a loja), e deu mais ou menos certo. Mas voltando da piada, vamos nos lembrar de que reis e imperadores do passado também tinham seus bacanais, no sentido original (festa para o deus romano Baco) e no sentido que veio deste. Então, de onde vem a ideia de que seriedade e sexo de vez em quando não combinam? (Se eu disser, vão dizer que é preconceito contra a Igreja Católica Apostólica Romana e as igrejas protestantes)
2) O fruto da antissexualidade gerou uma outra árvore ruim: o combate à pedofilia
Eu preciso explicar que sexo com crianças é inverossímil? O pior é que eu preciso. Mas sexo com adolescentes não é inverossímil. Eu preciso explicar que o limite entre infância e adolescência é, por definição, a preparação do corpo para a vida sexual, a puberdade? O pior é que eu preciso. Mas o que é a pedofilia? Na definição médica, é atração sexual por crianças. Na definição jurídico-policial,... não existe. O conceito que existe é abuso sexual de menores, mas é isso que é chamado de pedofilia. E menor de idade é tanto criança quanto adolescente, e, conforme o lugar, adulto jovem antes dos 21 anos. Aí temos a confusão de menor de idade com criança quando se fala em pedofilia.
A pedofilia se transformou numa grande preocupação desde quando as mulheres pararam de se casar aos 14 anos. Bom, na verdade, isso é bem mais recente, e o combate à pedofilia é assédio moral e policial contra o homem heterossexual. Hoje, o homem casado quer sexo com a própria esposa, ele pode ser preso (estupro marital). O homem casado quer que a esposa faça serviços domésticos, ele é opressor e a mulher não é a mãe dele. Muitas mulheres pensam, e algumas lesbofeministas dizem, que a mulher que procura ser agradável é vítima de opressão machista. Um homem diz bom dia pra uma mulher e ela entende como assédio sexual. Como dizer que as mulheres são mais vítimas de estupro ou assédio sexual (por homens)? Aí entra a pedofilia. Porque as leis e as práticas em nome da proteção da mulher não vieram para serem soluções dos problemas alegados, vieram para serem repressão ao homem heterossexual e, talvez os conservadores estejam certos, para inviabilizar os casamentos heterossexuais e o a possibilidade de filhos mesmo sem casamento. Então, se for muito ridículo dizer que as mulheres estão sendo assediadas nos ônibus ou estupradas nas ruas, ou correndo risco real disso, eles dirão que os homens estão praticando seus instintos heterossexuais malignos em menores de idade, que é o mesmo que crianças.
Alguns dos maus frutos da luta contra o que ganhou o nome de pedofilia são uma série de mentiras inverossímeis. Uma das mentiras é a pornografia infantil, que é uma rede inviável de material que não pode sequer ser acessado (ainda mais mantido) feita só pra satisfazer meia dúzia de pervertidos. Outra das mentiras é a prostituição infantil. Preciso explicar que o sexo de um homem adulto com uma criança é impraticável? (O pior é que eu preciso) Uma outra mentira, que não é inverossímil, é a prostituição de meninas adolescentes. O esquema iria à falência pela baixa procura (porque muitos possíveis clientes teriam medo de serem presos), mal se sustentaria porque só atende pobres (porque só regiões miseráveis teriam isso) ou seria tão pouco divulgado que seria quase desconhecido. Tudo isso desconsiderando a alternativa de o negócio ser simplesmente descoberto pela polícia e ter os responsáveis presos. Você conhece o "puteiro" da sua cidade ou de uma cidade próxima por ouvir falar, mas nunca ouviu falar de um ponto de prostituição infantil ou adolescente.
A raiz da assim chamada proteção às crianças e aos adolescentes, além da difamação do homem heterossexual, é a avidez de controle dos pais sobre os filhos menores de idade, no que talvez seja a única oportunidade de poder que esses pais terão na vida. Educação e cuidado de criança é uma coisa, que realmente exige autonomia e poder. Outra coisa é o desfrute do poder sem cumprir a missão que o justifica, que é o que muitos pais fazem.
Um exemplo: recentemente, foi aprovada na Austrália uma lei para proibir acesso a redes sociais para menores de 16 anos[01]. Não um controle parental no computador da casa, é um bloqueio pela própria rede social com ameaça de multa. Sabemos os mais atentos que hoje é rede social para adolescente, amanhã é o acesso à própria internet para opositor político. Mas eu gostaria de chamar a atenção para dois pontos. O primeiro ponto é que se o meu filho não compartilha comigo o que vê ou diz na internet, é porque ele não confia em mim e eu também não sou referência pra ele. O segundo ponto é que a menoridade legal é tempo de formação, não de repressão. A falta de compreensão de muitos pais desses dois pontos é o que faz muitos filhos só começarem a se educar, se informar e se construir depois de saírem do cuidado dos pais, ou no mínimo a partir do fim da adolescência. No caso das redes sociais só a partir dos 16 anos, você imaginou a cena do rapaz ou da garota entrando no Facebook parecendo a avó "baby boomer" na primeira semana depois de ganhar o primeiro smartphone? E com quem ele ou ela vai aprender a navegar, e também vai ter dicas de comunidades e de influenciadores? Com um amigo mais velho da escola, por exemplo, não com a mãe ou a tia. Tudo isso pressupondo que o rapaz ou a garota realmente vai descobrir a internet aos 16 anos, não antes e sem o conhecimento dos pais. Ah, e a decisão na Austrália foi celebrada, no Brasil, pela Carta Capital[02]. Por muitos conservadores também, o que comprova que conservadores e progressistas não discordam em tudo. Mas se a esquerda comemora esta nova lei, é necessária a atenção. E isso leva a um outro ponto.
3) Princípios morais e... de Moraes
De tudo que levou o nome de proteção das mulheres (não só no sentido sexual), de defesa dos bons costumes e de proteção de crianças e adolescentes contra exposição a "conteúdos impróprios", o que NÃO foi ou podia ser usado como repressão sociopolítica, intriga contra pessoas honestas ou bisbilhotagem comunitária? Eu deixo esta pergunta no nível de história da humanidade. E os tempos e a vida no Brasil me deram a chance do trocadilho de "princípios morais" com o sobrenome de um dos ministros e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Alexandre de Moraes, que desde a "ditadura viral"[03] perseguiu, seguindo leis erradas e descumprindo leis certas, o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Numa outra coincidência simbólica, o Bolsonaro tem Messias no nome, e Jesus Cristo foi perseguido e preso e seus seguidores foram reprimidos por uma elite que não exatamente governava a Judeia, era como gerente regional de um império. "Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação" (Jo 11: 48, Almeida Revista e Atualizada). Aquele império era o romano, o esboço de império atual é uma combinação que inclui o socialismo chinês, o Fórum Econômico Mundial e a Organização das Nações Unidas; e este império, sim, se manifestou e se aprofundou um pouco no isolamento social da gripe chinesa, que os incautos chamam de pandemia da CoViD-19.
Então, os antiesquerdistas em geral, incluindo conservadores e liberais, só não estão na cruzada contra mulheres de biquíni na televisão à tarde (mulheres com um corpo pelo menos razoável) porque eles entenderam agora, sentindo na pele, o que eu explico desde o fim dos anos 2000: que quem louvava a Inquisição contra os protestantes e as prostitutas um dia veria as bruxas queimarem os padres.
E eu ainda estava organizando as ideias até aqui quando nos vieram dois grandes acontecimentos que eu vou comentar rapidamente, mas dentro daquilo que eu abordei até aqui.
4) Lei Felca entra em vigor
"Lei Felca entra em vigor: redes sociais passam a exigir comprovação de idade", comemorou a Revista Fórum no último dia 17[04]. A lei é a nº 15.211, de 17 de setembro de 2025[05]. "Esta Lei entra em vigor em 17 de março de 2026", artigo 41-A modificado pela lei nº 15.352, de 25 de fevereiro de 2026. Antes, este artigo dizia "esta Lei entra em vigor seis meses após a data de sua publicação" (17 de março de 2026 é 6 meses depois da data da lei). Eu vou dar uma visão rápida com alguns trechos de uma reportagem da BBC News Brasil, "O que muda na sua vida e na de seus filhos com o ECA Digital — e o que ainda não se sabe"[06].
O ECA Digital — que não substitui o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990 — foi aprovado depois que o influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca, publicou um vídeo, em agosto do ano passado, denunciando perfis em redes sociais que usavam crianças e adolescentes para promover a sexualização desse público.
Eu comentei na época que o engajamento foi artificial. Não tenho provas, mas é plausível que a publicidade tenha começado com visualizações "fake" (digamos, os primeiros 2 milhões) e depois a coisa correu com recomendações e comentários naturais. E eu já comentei antes em algum lugar, como alguns conservadores já disseram, que existe um consórcio entre os esquerdistas na política formal, a militância de esquerda (incluindo a esquerda maluca) e os veículos de comunicação de massa. A imprensa, em vez de sair pra conhecer a realidade, publica um discurso pronto como se fosse notícias do dia-a-dia. O consórcio mente pra si mesmo e si mesmo acredita.
Para entrar em plataformas, sites ou redes sociais que disponibilizam conteúdo considerado impróprio, inadequado ou proibido para menores de 18 anos, será necessário um mecanismo efetivo de comprovação de idade — o método específico de confirmação ainda não está definido e deverá fazer parte da fase de regulamentação da legislação.
Sim, como o próprio Felca disse em um vídeo posterior (eu vi cortes aqui e ali), o reconhecimento facial que já está sendo usado não está na lei. Mas digamos que a adultização é o SARS-CoV-2, o reconhecimento facial é o #FiqueEmCasa e o perfil no Gov.br pode ser a vaChina. Pode ser o Gov.br ou pode ser o Facebook, ou o TikTok, ou todos juntos.
Todas as previsões do ECA Digital valem não só para as plataformas e serviços voltados às crianças e adolescentes, como também aqueles cujo "acesso é provável" por esse público.
Percebeu que essa lei é pra controlar a internet inteira? Já viu algum dos "baby boomers" ou dos da Geração X passando o smartphone pro netinho pra acessar alguma coisa? É, o Meu INSS é um portal de acesso provável por crianças e adolescentes. Estou fazendo uma piada de humor negro, mas é mais ou menos isso. E já estou cometendo crime, porque eu sou branca.
A legislação prevê que toda empresa de serviços digitais que opere no Brasil terá que manter representante legal no país para receber citações, intimações ou notificações das autoridades.
E a empresa nem foi condenada ainda.
E o próprio Felca entrega o espírito da proposta: "se você conhece alguém contra, desconfie"[07]. É insinuação ou você pode provar na polícia, palhaço? Ou não querer censura agora é crime?
Agora que os conservadores brasileiros estão sob o governo PT-STF que trata "bolsonaristas" pior que bandidos (isso não é exagero), eles começaram a entender o que é esse truque de censura em nome de proteger as crianças e os adolescentes, que antes eles aplaudiam e pediam, e que eu avisava em janeiro de 2009.
5) Senado aprova projeto de lei contra a misoginia
O Senado aprovou a criminalização da misoginia, com pena de até cinco anos de prisão[08]. É o PL 896/2023[09]. O projeto de lei, que veio do Senado, vai para a Câmara dos Deputados.
E enquanto eu procurava notícias sobre este projeto de lei, vi esta outra notícia do dia 19 da Agência Senado: "Vai para a Câmara projeto que combate violência contra mulher no turismo"[10]. Aqui está mais um fruto da proteção das mulheres contra os homens: a loucura. Há um "trade-off"[11] entre a violência contra a mulher, políticas eficazes contra a violência contra a mulher e a demanda destas ou de mais políticas contra a violência contra a mulher.
Uma reportagem do Estadão: "Interromper ou esbarrar em mulheres vai virar crime? Postagens distorcem projeto que pune misoginia"[12]. Lead: "Especialistas explicam que texto aprovado no Senado criminaliza expressão de ódio contra mulheres; atitudes cotidianas como flertar ou discutir com mulheres não são passíveis de punição". Quer dizer que se uma mulher discursar a narrativa esquerdopata contra o governo militar e um homem discordar nas ideias, está tudo bem? Ou ele vai ser acusado de misoginia? Isso aconteceu no Superior Tribunal Militar, a mulher era a presidente[13]. E ainda era novembro do ano passado.
O projeto da Lei Antimisoginia recebeu o sim de todos os 67 senadores presentes[14]. Incluídos aí os da direita, como foram mais notados Flávio Bolsonaro e Damares Alves. Nós que somos a favor dos direitos dos homens já notamos há anos que direita e esquerda, conservadores e progressistas anticristãos se unem no que é política contra os homens. Mas desta vez, se os cavaleiros brancos[15] pensavam que iam ser vistos como defensores das mulheres, eles ficaram feios na foto. Porque até mulheres já perceberam e expuseram a encrenca. Aí, o Flávio Bolsonaro disse que foi uma armadilha do PT contra ele[16] e a Damares Alves disse que era contra igualar criticar mulher a racismo[17].
O contexto da discussão desta lei (daquelas discussões em que só uma visão é dizível) é a campanha de criminalização da "red pill", a filosofia masculina antifeminista que inclui a greve de casamento ("marriage strike"). Nesta campanha, fizeram até reportagens na imprensa tradicional associando a comunidade (ou o movimento) Red Pill a casos de violência contra mulheres. Antes, o "red pill" era um homem bobo, chato e feio que tinha ódio a mulher porque não conseguia nenhuma. Aí fica mais visível a falácia, e também a histeria lesbofeminista em ser contrariada. E fica mais visível, como até algumas mulheres já perceberam, que a trama é pra censurar postagem e vídeo na internet que diz o que lésbica esquerdopata não gosta. E nas minhas pesquisas, descobri duas pérolas. A primeira pérola foi o texto "O que é red pill?" publicado na página do Instituto Claro em novembro de 2023[18]. Pois é, a empresa de telefonia celular tem um instituto que não gosta de homem que fala mal de mulher. Então onde essa gente louca vê tantos agressores? A segunda pérola foi da Revista Fórum: "Flávio Bolsonaro vota a favor da Lei da Misoginia e é poupado pela tropa Red Pill comandada pelo irmão Eduardo"[19]. Lead: "Com foco nos dividendos eleitorais, Flávio Bolsonaro e outros bolsonaristas votaram a favor da Lei da Misoginia no Senado. Eduardo incitou reação da machosfera, comandada por Nikolas Ferreira que classificou como 'aberração' PL que fortalece combate ao feminicídio e violência contra a mulher." Já aposentaram o Thiago Schutz ("Calvo do Campari") e os anônimos que fizeram a comunidade do Orkut que o rapaz do Massacre do Realengo acessava. Agora, a liderança da Red Pill é Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira... que são casados (com mulher).
Eu não vou tão longe quanto alguns influenciadores antiesquerdistas disseram, que com essa lei, homem não vai sentar ao lado de mulher no ônibus, homem não vai conversar com mulher no trabalho e empresa não vai mais contratar mulher, porque uma discordância com uma mulher pode dar cadeia. O que eu prevejo, e aposto, é que a coisa vai continuar no caminho em que já está: homens inteligentes vão evitar relacionamentos de união estável com mulheres, talvez também sexo casual e, em menor grau, de amizade; e os homens ao lado de alguma mulher serão, cada vez mais, amigos gays, colegas de trabalho que ganham menos que elas e, com sorte, um namorado emasculado.
6) Os frutos da não-castidade também mostram a árvore
O blogue Contraditorium tem uma história que mostra como a revista Playboy foi importante em lutas contra o racismo e, como os que conhecem sabem, contra a antissexualidade[20]. Eu fiz um esquema rápido em novembro de 2014 sobre como a liberação sexual (heterossexual) tem ligação direta com o desenvolvimento social e com as liberdades democráticas[21]. Quando há um sistema sociopolítico opressivo, sempre há uma cultura negativa contra a sexualidade. Festas de liberação sexual grotesca só confirmam a regra, inclusive por serem restritas no espaço e no calendário. Lugares específicos de serviços sexuais, não raro administrados por criminosos, também só confirmam a regra. Também sempre existe uma cultura negativa contra a sexualidade nos lugares subdesenvolvidos. A existência de prostituição nestes lugares só confirma a regra (afinal, o sexo é um serviço degradante para sobreviver). Ah, e para os puritanos, sempre existe um lugar de turismo sexual na terra dos outros (para as beatas camponesas brasileiras é nos Estados Unidos, para as dos Estados Unidos é no Rio de Janeiro). O inverso é verdadeiro: países mais desenvolvidos e mais livres têm uma cultura mais positiva sobre a sexualidade. Quando o povo não se mobiliza pra reprimir a sexualidade do próximo em nome de alguma questão da vida nacional, os problemas reais tendem a serem resolvidos enquanto a sexualidade tende a ser não-clandestina, mas sem exageros, e, do outro lado, a falta de sexo ou a psicose sexual não é máscara de virtude superior ou forma de afirmação social.
7) Pra encerrar, um momento nosso
Eu atrasei um pouco esta reflexão porque eu não queria publicar antes de terminar a minha nova bonequinha. A imagem de fundo é de Diamantina, MG, de uma série de imagens históricas do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)[22]. Está na página 14, a descrição é "Drogaria e Farmácia Central Motta e Prado, na esquina, entre a Rua das Mercês e a Rua Direita. Fotografia: s/d. (década de 1930)."
Este desenho novo é uma homenagem ao potencial de alegria da amizade entre homem e mulher. Eu sei que vocês não pensam em maldade comigo. Quem pensa em me colocar na cadeia são as lesbofeministas e as mães e as esposas dos meus amigos do mundo físico, vocês rapazes só pensam em me comer mesmo. Esta é uma homenagem simples a vocês leitores que me acompanharam.
NOTAS E REFERÊNCIAS
[01] "Austrália proíbe redes sociais para menores de 16 anos". Deutsche Welle, 28 de novembro de 2024. https://www.dw.com/pt-br/austr%C3%A1lia-aprova-proibi%C3%A7%C3%A3o-das-redes-sociais-para-menores-de-16-anos/a-70912603
[02] "Austrália proíbe acesso de menores de 16 anos às redes sociais". AFP, via CartaCapital, 28 de novembro de 2024. https://www.cartacapital.com.br/mundo/australia-proibe-acesso-de-menores-de-16-anos-as-redes-sociais
[03] Crédito do termo para o jornalista brasileiro Guilherme Fiúza: "A ditadura viral", Guilherme Fiuza, 09 de abril de 2020. https://www.youtube.com/watch?v=S_lAFYrmtTg.
[04] "Lei Felca entra em vigor: redes sociais passam a exigir comprovação de idade". Revista Fórum, 17 de março de 2026. https://revistaforum.com.br/tecnologia/lei-felca-entenda-o-que-e
[05] "Lei nº 15.211, de 17 de setembro de 2025". Presidência da República, https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/L15211.htm
[06] "O que muda na sua vida e na de seus filhos com o ECA Digital — e o que ainda não se sabe". BBC News Brasil, 18 de março de 2026. https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn8z875n0x9o
[07] "ECA Digital: 'Se você conhece alguém contra, desconfie', diz Felca sobre lei que agora obriga plataformas digitais a checarem idades". G1, 20 de março de 2026. https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/03/20/felca-comentar-lei-eca-digital.ghtml
[08] "Senado aprova criminalização da misoginia, com pena de até cinco anos de prisão". O Tempo, 25 de março de 2026. https://www.otempo.com.br/politica/congresso/2026/3/25/senado-aprova-inclusao-da-misoginia-como-crime-de-preconceito-com-pena-de-ate-cinco-anos-de-prisao
[09] "Projeto de Lei n° 896, de 2023". Senado Federal, https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/156025
[10] "Vai para a Câmara projeto que combate violência contra mulher no turismo". Agência Senado, 19 de março de 2026. https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/03/19/vai-para-a-camara-projeto-que-combate-violencia-a-mulher-em-areas-turisticas
[11] Trade-off: um equilíbrio de fatores que não são todos alcançáveis ao mesmo tempo (Dicionário Merriam-Webster).
[12] "Interromper ou esbarrar em mulheres vai virar crime? Postagens distorcem projeto que pune misoginia". Estadão Verifica, 27 de março de 2026. https://www.estadao.com.br/estadao-verifica/interromper-esbarrar-discutir-mulheres-crime-misoginia
[13] "Criticada por declaração, presidente do STM acusa colega de misoginia". Metrópoles, 04 de novembro de 2025. https://www.metropoles.com/brasil/criticada-por-declaracao-presidente-do-stm-acusa-colega-de-misoginia
[14] "Aprovado por unanimidade no Senado, PL da misoginia divide Câmara". CNN Brasil, 26 de março de 2026. https://www.cnnbrasil.com.br/politica/aprovado-por-unanimidade-no-senado-pl-da-misoginia-divide-a-camara
[15] "Cavaleiro branco" é uma gíria da comunidade Red Pill e de outros grupos masculinos antifeministas, é um homem que se dispõe a defender uma mulher cegamente só por ser mulher.
[16] "Flávio diz que PL da Misoginia foi uma armadilha do PT contra ele". Poder360, 29 de março de 2026. https://www.poder360.com.br/poder-congresso/flavio-diz-que-pl-da-misoginia-foi-uma-armadilha-do-pt-contra-ele
[17] "Após votar a favor, Damares questiona equiparação da misoginia a crime de preconceito". Veja, 25 de março de 2026. https://veja.abril.com.br/politica/o-argumento-da-senadora-damares-alves-contra-a-criminalizacao-da-misoginia
[18] "O que é red pill?" Instituto Claro, 14 de novembro de 2023. https://www.institutoclaro.org.br/cidadania/nossas-novidades/reportagens/o-que-e-red-pill
[19] "Flávio Bolsonaro vota a favor da Lei da Misoginia e é poupado pela tropa Red Pill comandada pelo irmão Eduardo". Revista Fórum, 25 de março de 2026. https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-lei-da-misoginia-red-pill-eduardo
[20] "Você acha Hugh Hefner Ruim? Ele fez um funcionário negro se sentar com um nazista". Contraditorium, 28 de setembro de 2017. https://contraditorium.com/2017/09/28/voce-acha-hugh-hefner-ruim-ele-fez-um-funcionario-negro-se-sentar-um-nazista
[21] "Viva a prostituição, a pornografia e... as liberdades civis", 20 de novembro de 2014, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2014/11/viva-prostituicao-pornografia-e-as.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2014/11/viva-prostituicao-pornografia-e-as.html
[22] http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/ColImg3_Diamantina_m.pdf
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Texto original em português sem vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "A árvore má do combate ao sexo e os princípios Moraes (e um pouco sobre a Lei Felca e a Lei Antimisoginia)", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/03/combate-ao-s-e-principios-moraes.html Texto original em português com vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "A árvore má do combate ao sexo e os princípios Moraes (e um pouco sobre a Lei Felca e a Lei Antimisoginia)", https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/03/combate-ao-s-e-principios-moraes.html

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