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terça-feira, 30 de junho de 2009
Sexo e amizade
sexta-feira, 5 de junho de 2009
O mito do poder masculino
Warren Farrel
Você nunca leu nada como isto:
Como o feminismo distorceu e diminuiu o que há de melhor nos homens. Como a guerra dos sexos tornou-se um combate de mão única contra nós. Como as feministas se fazem de "vítimas" para conseguir o que querem. Como você pode morrer apenas por ser homem, Há muitas ocasiões em que uma mulher se sente mais indefesa que um homem. Por exemplo: ela teme a gravidez, o envelhecimento, o estupro, o desrespeito, a cantada grossa. Costuma sentir uma urgência maior de casar e, com isso, às vezes é obrigada a interromper sua carreira por causa dos filhos. E tem menos liberdade de entrar sozinha num bar sem ser incomodada.
Felizmente, os países civilizados perceberam esses problemas femininos. Mas, infelizmente, perceberam apenas os problemas femininos - e concluíram que, enquanto as mulheres tem esses problemas, os homens são a causa deles.
O homem, é claro, tem uma experiência diferente. Se seu casamento transforma-se em divorcio, ele descobre que os encargos financeiros que compartilhava com sua mulher tornaram-se agora uma pensão de alimentos que ele tem que pagar; e seus filhos, que ele precisa continuar sustentando, foram ensinados a voltarem-se contra ele. Um homem nessa situação sente-se como se tivesse passado a tem medo de que um novo casamento acabe deixando-o com uma dívida enorme, novos filhos que vida trabalhando para pessoas que agora o detestam. Quer desesperadamente amar outra mulher, mas também poderão voltar-se contra ele e um desespero ainda mais profundo.
Aos olhos das mulheres disponíveis, no entanto, esse homem "tem medo de se envolver" ou de "assumir um compromisso". Quem não teria?
A contribuição do feminismo para a liberação da mulher deve ser aplaudida. Mas, quando as feministas dizem que as mulheres são umas eternas oprimidas - e escondem o fato de que elas também são opressoras - não dá para apoiá-las. As feministas oficializaram o lado sombrio do homem e o lado iluminado da mulher, mas esqueceram-se do lado sombrio da mulher e do lado iluminado do homem.
O feminismo deu à mulher o "poder de vítima", convencendo o mundo de que vivemos num planeta machista. Mas o papel do homem - de prover e proteger - levou a um cruel desperdício de homens na guerra e no trabalho (em "profissões da morte", como a de peão de obra, mineiro de carvão, bombeiro, etc.). Enquanto reconhecemos as barreiras que impediram a mulher de ascender ao topo, esquecemos as correntes que prenderam o homem ao chão. Uma pesquisa feita nos EUA revela que, entre os 25 piores empregos de mundo, quase todos são, "por acaso", destinados aos homens.
Durante o julgamento de Mike Tyson por estupro, por exemplo, o hotel onde o júri estava hospedado pegou fogo. Dois bombeiros morreram tentando salvar os ocupantes do prédio. O julgamento de Tyson nos tornou conscientes a respeito do homem estuprador, mas a morte dos dois bombeiros não nos tornou mais conscientes do homem como um salvador de vidas. Prestamos mais atenção num homem que praticou o mal do que em dois que praticaram o bem; no homem que ameaçou uma mulher (a qual não morreu) do que nas dezenas de homens que salvaram centenas de homens e mulheres (para não falar nos dois que morreram).
E por que? Porque reconhecer a verdade inteira sobre os papéis sexuais - a de que tanto homens quanto mulheres sofrem e se beneficiam com eles - passou a ser considerado reacionário ou "machista". Pior ainda: não vende. São as mulheres que compram livros e revistas, e os editores dirigem-se demagogicamente a elas, assim como os políticos fazem com o eleitorado. As mulheres se tornaram "as mulheres que amam" e os homens viraram "aqueles que as odeiam". Nos últimos 25 anos, o feminismo tem sido para a imprensa diária o que as bactérias são para a água. Nós o consumimos sem perceber, a ponto de muitos de nós aceitarmos como verdade indiscutível "as provas" da discriminação contra a mulher - as mulheres são a principal vítima da violência; sua saúde é mais negligenciada que a dos homens; elas sempre ganham menos pelo mesmo tipo de trabalho; mais maridos espancam mulheres do que vice-versa; os homens tem mais poder; o mundo é dominado pelos homens etc. etc.. Donde a maioria dos governos tem uma extensa série de programas, comissões e ":estudos" para "proteger" a mulher.
Para os homens, o feminismo tornou-se uma guerra dos sexos - com a diferença de que apenas um sexo, o feminismo, apresentou-se para lutar. Nos EUA, a maioria dos postos de recrutamento militar exibe pôsteres dizendo coisas como "um homem tem de cumprir o seu dever". Imagine a gritaria se esses pôsteres dissessem "um judeu tem de cumprir seu dever", ou, exibindo a foto de uma mulher grávida, dissessem "uma mulher tem de cumprir seu dever".
E que dever! As diversas guerras que formaram (e continuam formando) a maioria dos países são exemplo de que os homens são considerados menos importante do que a propriedade. Os homens morreram pela propriedade, ao passo que as mulheres viveram na propriedade que serviu de túmulo para seus maridos.
Costuma-se dizer que as mulheres são um contraponto civilizatório ao guerreiro inato que existe no homem. Mas pode-se dizer também que, ao se encarregarem de matar no lugar das mulheres, os homens as civilizaram. Quando se tratava de garantir a sobrevivência, os homens mataram para proteger os filhos que suas mulheres geraram. Seja matando na guerra ou num pregão da Bolsa, os homens estão protegendo os frutos das mulheres e elas próprias.
Todos condenamos a violência contra a mulher. Mas nos divertimos com a violência contra o homem. Pense no boxe, na luta livre, no futebol americano, no hóquei sobre o gelo, nos rodeios e na Fórmula l. Através da História, os jogos e esportes prepararam os homens para a batalha - para morrer em combate. E quanto mais efetivamente estivermos preparados, mais protegidas estarão nossas mulheres e crianças.
Morrer em combate não é o único preço que os homens pagam por ser homens. Em l920, as mulheres americanas viviam um ano a mais que os homens. Hoje, vivem sete anos a mais. Quando lemos que os negros nos EUA vivem seis anos a menos que os brancos, interpretamos esse dado como uma prova da falta de poder do negro na sociedade americana. Mas, quando ficamos sabendo que os homens morrem sete anos mais cedo que as mulheres, isso raramente é interpretado como falta de poder dos homens nessa mesma sociedade.
Essa diferença de sete anos não seria biológica? Não, porque, se fosse, ela não seria de apenas um ano em 1920.
Imagine agora se fossem os homens que vivessem sete anos a mais que as mulheres. As feministas fariam comícios dizendo que isso é uma prova de falta de poder das mulheres. E teriam toda a razão - porque o poder é a capacidade de controlar a vida. Veja esta estatística do Serviço Nacional de Saúde dos EUA em relação ä expectativa de vida dos americanos: mulheres brancas - 79 anos; mulheres negras - 74 anos; homens brancos - 72 anos - homens negros - 65 anos. As mulheres brancas sobrevivem aos homens negros por quatorze anos. Pode-se calcular a revolta das feministas se uma mulher de 48 anos estivesse tão perto da morte quanto um homem de 62 anos.
Os homens correm outros riscos relacionados ao seu papel sexual. Veja o caso de um jornalista amigo meu. Todos os dias ele ia almoçar em casa com sua mulher. Um dia, ao abrir a porta de casa, ouviu a mulher gritando. Ela estava sendo atacada. Ele fez o que a maioria dos homens faria: lutou com o assaltante. Sua mulher correu para chamar a polícia. O assaltante o matou. Outro amigo meu perguntou: "Quanto você pagaria a alguém para ficar permanentemente do seu lado, de modo que, se você fosse atacado, ele entraria em ação e daria um jeito de ser morto lentamente para que você tivesse tempo de escapar? Quanto custaria a hora de um guarda-costas que trabalhasse full-time? Pois, como homem, esse é o nosso trabalho quando estamos com uma mulher - qualquer mulher, não apenas nossas esposas". O que tem em comum os homens que funcionam como guarda-costas das mulheres e os voluntários que combatem incêndios, além do fato de serem homens? É que nenhum deles recebe por isso. As feministas fazem grande alarde a respeito das funções não-remuneradas da mulher - cozinheira, dona de casa, motorista, etc. Mas os homens ainda não começaram a prestar atenção nas suas funções não remuneradas.
Outra maneira de saber quem detém as rédeas é investigar o poder de compra dos dois grupos. Nos EUA, descobriu-se que as mulheres que são chefes de família tem um poder de compra 41% maior que o dos homens chefes de família. Como? Pois esse é o número referente ao rendimento líquido, ao qual se chega verificando o que restou depois que as despesas foram subtraídas dos rendimentos de cada um. O rendimento líquido anual da mulher americana é de US$ 13.885,00. O do homem é de US4 9.883,00. E não apenas isso. Entre os l,6% mais ricos da população americana (fatuamente a partir de US$ 500.000 por ano), o rendimento líquido das mulheres também é maior do que o do homem.
Como é possível que as mulheres sejam mais ricas se elas detém poucos dos principais cargos nas empresas? Em parte, casando-se com os homens que detêm esses cargos - e sobrevivendo a eles.
Mas não é só nos EUA. Uma espiada num shopping de qualquer grande cidade em qualquer lugar do mundo mostra essa diferença de poder. Um shopping normal (incluindo lojas masculinas e de artigos esportivos) dedica sete vezes mais espaço a artigos pessoais da mulher que a artigos pessoais do homem. E ambos os sexos compram mais para as mulheres. A chave da riqueza não está em quanto ganhamos, mas em quanto gastamos em nós mesmos.
O poder de compra traz outras formas de poder. O controle da mulher sobre os gastos permite que ela controle também os programas de TV, já que estes são dependentes dos patrocinadores. Quando se constata que as mulheres assistem muito mais TV que os homens em qualquer horário, conclui-se que nenhum programa pode morder a mão que o alimenta. As mulheres estão para a TV assim como o patrão está para os empregados. O resultado? Quase metade dos 250 filmes feitos para a TV em l992 mostra mulheres como vítimas, sujeitas a alguma forma de maus-tratos físicos ou psicológicos.
Os homens aprendem desde cedo a aceitar empregos que detestam, pelo simples fato de que esses empregos pagam mais. Em todas as salas de aula do fim do segundo grau, tanto nos EUA quanto em todo o mundo, você encontrará garotos reprimindo seu interesse por línguas estrangeiras, literatura, história da arte, antropologia e sociologia, porque sabem que um diploma de história da arte os remunerará menos que um de engenharia. Um pouco porque esse garoto sabe o que o espera ele provavelmente terá que sustentar uma mulher, (mas não pode esperar que uma mulher o sustente), mais de 85% dos formados em engenharia são homens - e mais de 80% dos formandos de história da arte são mulheres. Se um homem é obrigado a escolher uma profissão de que goste menos, apenas porque ela paga melhor, é um sinal de não poder, mas de falta de poder.
Então não são os homens que detêm toda a influencia e o poder? Nos negócios e na política, sim. Mas costumamos ignorar a influencia de uma mãe sobre seus filhos. Poucos homens têm influência comparável. Se, tradicionalmente, o homem era o dono da casa, hoje ele não passa de um visitante no castelo de sua mulher. É ela que domina a estrutura familiar, ao passo que apenas uma minoria de homens domina as estruturas profissionais e políticas. Muitas mães são em certo sentido "preesidentes" de pequenas empreesas - suas famílias. Já a maioria dos homens está condenada ä linha de montagem - física ou psicológica - de seus patrões. Quando um homem pede demissão, perde o direito à indenização. Mas, quando uma mulher pede o divórcio ao marido, leva com ela metade dos bens de sua "empresa".
Influencia, no entanto, não significa necessariamente poder. Muitas mães ririam se lhes disséssemos que, quanto mais filhos tiverem, mais poderosas serão. Ririam porque sabem que isso só lhes acrescentaria pressão, não poder. Mas, quando dizemos a um homem, "quanto mais pessoas você supervisionar, mais poder você terá", ele acredita. O verdadeiro poder consiste em controlar a própria vida, e não a dos outros. E, historicamente, os homens tiveram controle sobre suas vidas? Historicamente, um marido passa o dia sendo vigiado pelo patrão. Já uma mulher de prendas domésticas não passa o dia sendo vigiada pelo marido. E quem pode garantir que a mulher passa mais horas por dia trabalhando em casa do que o marido fora de casa? (sem contar o tempo que ele perde para se deslocar ao trabalho e vice-versa).
Uma frase dita há alguns anos faz sucesso até hoje: "A mulher é o negro do mundo". Compara a situação dos escravos à condição feminina e pinta os homens como opressores, feitores, escravagistas. Mas, se os homens pensarem no seu próprio caso, terão uma resposta à altura a dar para as feministas.
Os homens, como os escravos negros, foram forçados a arriscar suas vidas. Os escravos arriscaram a vida para que os brancos se beneficiassem economicamente. Os homens arriscam a vida para que todos, inclusive as mulheres, se beneficiem economicamente. Os escravos tiveram seus filhos usurpados. Os homens ainda têm seus filhos usurpados, e, se os quiserem de volta, precisam lutar nos tribunais contra a guarda da mãe. Os escravos foram forçados aos piores trabalhos. Os homens ainda são forcados aos piores trabalhos - os mais desprezíveis, insignificantes e mal pagos. Pergunte a qualquer cozinheiro de lanchonete, lavador de carros, motorista de ônibus, lixeiro ou vigia noturno. Sem citar de novo as "profissões da morte".
Nos EUA, menos negros concluem o 2º. grau ou curso universitário do que brancos. Menos homens concluem o 2º. grau (46% contra 54%) ou o curso universitário (45% contra 55%) do que mulheres.
Chefes de família negros têm um rendimento liquido menor que chefes de família mulheres. Jamais um grupo oprimido teve um rendimento líquido maior que o do opressor.
Seria difícil encontrar outro exemplo na História em que um grupo que detém mais de 50% dos votos atreve-se a se chamar de vítima. Ou um exemplo de grupo oprimido que prefere votar nos seus opressores, em vez de ter os seus próprios representantes. As mulheres são a única minoria que é uma maioria; o único grupo que se diz oprimido e, ao mesmo tempo, pode decidir quem é eleito em qualquer cargo de qualquer comunidade. O poder não está no ocupante da cadeira, mas em quem o põe lá.
As mulheres são o único grupo "oprimido" que partilha os mesmos pais com o opressor; o único a nascer na mesma classe social do opressor; o único a deter mais bens culturais de luxo que o opressor. As mulheres são, também, o único grupo oprimido que pode gastar uma fortuna por ano em cosméticos e consumir mais roupas com grife do que o opressor.
A diferença entre os escravos e os homens é a de que os escravos nunca se consideraram ou foram considerados opressores. E o resultado disso é que, enquanto ajudaram a liberar as mulheres, os homens se esqueceram de libertar a si mesmos.
Colaborou Ernesto Olivier Dutra
Extraído de http://www.casadobruxo.com.br/textos/mito.htm
domingo, 17 de maio de 2009
As fodonas
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Relações conjugais
"Sou casada há 12 anos e vivo infeliz. Meu marido é violento, grosseiro, autoritário, me trata muito mal. Sou infeliz, mas não consigo me separar. Por quê?"
Lídia, de Belo Horizonte
O grande objetivo de nossa vida é ser feliz. Isso significa estar em paz, em estado de prazer na maior parte do tempo. Nossas relações só fazem sentido se nos ajudarem nesse caminho. E o casamento, principalmente, tem um papel essencial na construção de nossa alegria. Afinal de contas, é com o companheiro que passamos a maior parte do tempo, dividimos com ele nossas intimidades boas ou ruins, partilhamos com ele nossas virtudes e defeitos. Porém, o casamento deve nos proporcionar um espaço de folga para crescermos, desenvolver nossas aptidões, sobretudo emocionais, e facilitar nossa travessia para as dificuldades da vida.
Infelizmente, tem sido, na maioria, lugar de sofrimento, competição, hostilidade, violências físicas e psicológicas. Tem estado mais para um ringue do que para um salão de festa. Mais para a luta do que para a dança. Essa é a queixa da leitora.
Quando, portanto, a relação conjugal se torna fonte de sofrimentos contínuos é hora de repensá-la. Muitas pessoas não sabem quando é tempo de desistir de uma relação. Outros não sabem se a relação ainda tem futuro. Muitas mensagens gravadas no inconsciente coletivo favorecem essas dúvidas: "O casamento é para sempre", "Mas vocês eram tão felizes no início", "Até que a morte os separe".
Neste caso, a leitora quer se separar, mas afirma não conseguir. Na verdade, não consigo é sinônimo de não quero. Racionalmente, ela quer. Ela está dividida e, com isso, ainda aumenta mais sua dor e angústia. Ela ainda pergunta. Por quê? Diante de uma situação semelhante, temos duas possibilidades. Tentar salvar o casamento ou então desistir dele. Acredito que sempre é importante tentar reconstruir uma relação que, em um momento anterior, foi escolhida pelos dois. Por pior que seja, qualquer relação tem a possibilidade de ser revista, analisada e melhorada. Para isso, existem algumas condições. Que o desejo de salvar o casamento seja dos dois. E que ambos aceitem buscar alternativas reais para superar os comportamentos de ambos, responsáveis pelo que foi feito da relação.
Um processo de terapia do casal seria uma alternativa, por exemplo. Se não houver mudanças significativas em cada um e, por consequência, na relação, continuar o casamento, além de perda de tempo, é também uma perda de vida emocional, pois o sofrimento e a violência tendem a aumentar cada vez mais. E por que é tão difícil se separar de relações infelizes? Medo. Medo de sofrerem mais ainda ao desistir do casamento. Medo das críticas, principalmente dos familiares, que, quase sempre, não estão nem aí se o casal está feliz ou não, interessando-lhes apenas a manutenção quantitativa do matrimônio. Medo de se sentirem culpados, e, sobretudo, medo da solidão.
A maioria de nós aprendeu que, se tiver alguém como parceiro, será automaticamente feliz. Que o namoro, o casamento em si nos levará necessariamente à felicidade. E isso não é verdade. O que nos ajuda a sermos felizes são relações alegres, motivadoras, respeitosas, na base da admiração e companheirismo. Partindo de um pressuposto falso, a maioria dos casais gasta muita energia para conservar e manter o casamento, ainda que infeliz. Daí o medo da solidão. Preservar a relação a qualquer preço passa a ser o único propósito, acompanhado da fantasia de que, com o tempo, mudará o parceiro, por meio de brigas, ameaças e exigências.
Já vimos que a separação não é a primeira nem a única saída para relações sofridas e infelizes. Se ainda há afeto e admiração, apesar das dificuldades e inadequações, a relação pode e deve ser tratada, vale a pena tentar caminhos novos de aprendizado e mudança. O quenão vale é acostumar-se com o sofrimento e, a partir de uma excessiva autoproteção, perpetuar-se em relações adoecidas e neuróticas.
Há uma grande diferença entre a paciência e a persistência. Sermos pacientes com um casamento infeliz significa colocarmos o tempo como aliado, não nos precipitarmos, mas estarmos profundamente ativos na busca de soluções, aprendendo com os próprios erros, pedindo ajuda externa, querendo, na prática, desenvolver mudanças. A persistência, ao contrário, é uma forma de teimosia. Por medo do desconhecido, insistimos na crença de que o tempo se encarregará de resolver relações esgotadas, mesmo mantendo formas fracassadas para se relacionar. Nesse caso, é muito comum o casal apelar para fatores externos, mudar de casa, ter um filho, fazer regime, comprar um carro novo, viajar, em vez de mudar a própria relação. É a onipotência de querer mudar o casamento sem mudar nada.
Toda tentativa de salvar o casamento é válida. Só não vale viver morrendo em nome de um amor que acabou e fechar o coração para novas oportunidades de vida. Estamos na vida para sermos felizes ou para estarmos casados?
Antônio Roberto. "Relações conjugais", Estado de Minas, Belo Horizonte, 01 de fevereiro de 2009, caderno Bem Viver, pág. 2.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Alexandre Vogler: obras de arte difíceis de mostrar ao povo (mesmo que questionem o "sistema")
Abigail Pereira Aranha
Discute-se, neste trabalho, a utilização do corpo feminino como grande fetiche para vender marcas diversas. Um exemplo bem definido por todos são da maioria das marcas de cerveja, onde as expõem em maior grau.Segundo Vogler, "se a mulher é usada por todas as campanhas, eu ponho o conteúdo sexista dessas mensagens no grau mais avançado. Poderia usar uma imagem mais tolerável, mas seria chover no molhado". Ele, ao mesmo tempo em que esconde, deixa à mostra partes de um órgão que, segundo as regras da moral e da boa conduta, não devem ser mostradas. (Pedro Alonso, "A intermedialidade no trabalho de Alexandre Vogler e a arte da performance", Ensaio crítico, 4 de julho de 2008, http://ensaioscriticos.blogspot.com/2008/07/intermedialidade-no-trabalho-de_04.html)
No momento em que posava para fotos em frente à sua criação, uma senhora – que mora num apartamento em frente ao malfadado muro – aparece à janela do prédio e reclama daquela imagem profana a qual terá que se deparar todos os dias. Em discussão com Alexandre – este tenta em vão convencer à moradora de que a provocação faz parte do processo de sua obra – ela sentencia e afirma categoricamente que ele precisava estudar arte, abominando sua criação. (Pedro Alonso. Texto citado)Segundo Alexandre Vogler, a interferência do público à sua obra se faz sentir pela negatividade de sua recepção, pois as imagens das vaginas coladas e espalhadas pela cidade são rasgadas e, segundo a matéria, alguns profissionais que colavam nos muros os cartazes já foram ameaçados pela polícia. (idem)
domingo, 29 de março de 2009
Noam Chomsky: "É muito natural para os intelectuais fazerem as coisas simples parecerem difíceis"
Em Language and Responsibility você chama a atenção para o papel do intelectual na manutenção da ordem social e na defesa dos interesses da elite e, em seguida, critica a idéia de que o conhecimento social (a História, a política internacional etc.) requer ferramentas especiais (teoria, metodologia) que o homem comum não tem e não pode ter. Ao mesmo tempo, a crítica que denuncia essa especialização perversa do conhecimento social é ela mesma especializada (no sentido em que requer tanto empenho, que apenas o “intelectual” ou o diletante esforçado podem fazê-la). Como o intelectual crítico pode escapar do dilema de criticar a especialização e ser ele próprio um especialista?
Eu acho que você deve ser honesto. Se você me pedisse para explicar-lhe a matéria que eu ensino nos meus cursos de pós-graduação em cinco minutos, eu diria que é impossível, porque ela requer muita fundamentação, muito entendimento e requer também conhecimento técnico etc. Mas se você me pedisse para explicar a crise da dívida brasileira em cinco minutos eu diria que sim, porque é elementar. Na verdade, virtualmente tudo relativo à política e à sociedade está na superfície. Ninguém entende as coisas muito bem e até mesmo nas ciências; uma vez além das grandes moléculas, tudo se torna bastante descritivo. As áreas nas quais há um conhecimento significativo e não superficial são raras. Se existe, você respeita; eu não vou falar de Física Quântica porque eu não entendo nada.
Por outro lado, essas outras questões são acessíveis a todo mundo. Uma das coisas que os intelectuais fazem é justamente tornar essas questões inacessíveis, por várias razões, inclusive razões de dominação e de interesse pessoal. É muito natural para os intelectuais fazerem as coisas simples parecerem difíceis. É o mesmo motivo que levava a Igreja medieval a criar mistérios. Aquilo era importante. Leia o grande inquisidor de Dostoievsky, ele diz de uma forma magnífica. O grande inquisidor explica que você deve criar mistérios porque de outra forma as pessoas comuns vão entender as coisas e elas devem ficar subordinadas, então você tem que fazer as coisas parecerem misteriosas e complicadas. Esse é o teste do intelectual. É também bom para eles. De repente, eles são pessoas importantes falando de coisas que ninguém entende... Às vezes, as coisas ficam meio cômicas, como no discurso pós-moderno. Principalmente em Paris, aquilo virou uma caricatura, é tudo jargão. Mas é muito arrogante, há muitas câmeras de televisão, muita pose, todos tentando decodificar e descobrir o significado por detrás das coisas, coisas que você pode explicar para uma criança de oito anos. Não há nada lá.
Essas são formas pelas quais os intelectuais contemporâneos, inclusive aqueles na esquerda, criam grandes carreiras, conseguem poder, marginalizam as pessoas, intimidam etc. Nos Estados Unidos, por exemplo, e, na verdade, em boa parte do terceiro mundo, muitos jovens militantes se sentem simplesmente intimidados pelo jargão incompreensível que vêm dos movimentos intelectuais de esquerda, que é impossível de entender, e faz com que as pessoas sintam que não podem fazer nada porque, a não ser que de algum modo entendam a última versão pós-moderna disso e daquilo, não podem sair às ruas e organizar as pessoas pois não são suficientemente inteligentes. Pode ser que a intenção não seja essa, mas o efeito é uma técnica de marginalização, controle e interesse próprio. As pessoas ganham prestígio, viajam bastante, vivem em altos círculos etc. Paris é talvez a versão mais extrema disso. Lá virou quase uma caricatura, mas você encontra também em outros lugares. Por outro lado, a pergunta que você deve fazer em relação a esse ponto é a seguinte: se há uma teoria ou conjunto de princípios ou doutrinas que são muito complicados e você tem que estuda-los, peça que lhe expliquem com palavras simples. Se alguém puder fazê-lo, então leve a sério. Peça para um físico, ele pode fazê-lo. Se há algo sobre uma experiência em Física que eu não compreendo (o que acontece com freqüência) eu posso procurar meus amigos no departamento de Física e pedir para que eles me expliquem, eu digo o nível no qual eu quero entender e eles podem fazê-lo. Da mesma forma que eu posso explicar para eles algo que esteja acontecendo num seminário de pós-graduação em Linquística, nos termos e com os detalhes que eles queiram entender - eles terão uma idéia.
Tente perguntar para alguém lhe explicar o último artigo de Derrida1 ou outro qualquer em termos que sejam compreensíveis. Eles não podem fazê-lo. Pelo menos não puderam fazer para mim, eu não entendo. E eu acho que as pessoas devem se perguntar que grande salto na evolução ocorreu que capacita as pessoas a terem essas percepções fantásticas sobre tópicos que ninguém entende muito bem e que elas não conseguem repartir com as pessoas comuns. As pessoas devem ser muito céticas quanto a isso. Na minha opinião, é apenas mais uma técnica pela qual os intelectuais dominam as pessoas.
CHOMSKY, Noam. Notas sobre o anarquismo. Tradução de Felipe Corrêa, Bruna Mantese, Rodrigo Rosa e Pablo Ortellado. São Paulo: Editora Imaginário e Sedição Editorial, pág. 135 - 7. O capítulo, “Anarquismo, Intelectuais e o Estado”, é parte da entrevista “Os Intelectuais, o Estado e os Meios de Comunicação”,conduzida por André Ryoki Inoue e Pablo Ortellado em novembro de 1996 e publicada na edição “Democracia e Autogestão” da revista Temporaes em 1999 pela Editora Humanitas de São Paulo.
1 Jacques Derrida, “filósofo da escola do desconstrutivismo, uma metodologia analítica que vem sendo aplicada na Lingüística, no Direito, Literatura e Arquitetura” (pág. 210)
quarta-feira, 25 de março de 2009
Alimentos para o bom humor
Especialista dá dicas de uma dieta alto astral e gostosa para o dia-a-dia
Você está se sentindo irritado, cansado, desvitalizado, estressado e com insônia? Hora de tomar consciência do seu ritmo de vida, de trabalho, rever suas opções, de parar de fazer coisas por obrigação e mudar o seu estilo de vida.
É o que propõe Conceição Trucom, química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida. Segundo ela, nos alimentamos mal "porque a indústria alimentícia lava nossas mentes para viver de fast food, alimentos processados e industrializados". "O melhor seria dizer a indústria das doenças", afirma.
A cientista diz que é preciso ficar atento para introduzir na dieta alimentos que têm o poder de estimular o bom funcionamento do sistema nervoso, desintoxicar o fígado e intestinos, acabar com a irritação e espantar a tristeza. "Valorize e tenha uma boa cumplicidade com os alimentos que facilitam a limpeza das impurezas do organismo como o excesso de adrenalina que causa estresse e ansiedade, ou dos cortisóis que causam melancolia e depressão."
Alguns alimentos, ensina ela, conseguem prevenir as complicações da ansiedade acumulada porque batem de frente com sua química nociva. "Eles se opõem, por exemplo, aos radicais livres, que minam nossa energia e resistência sem dó."
Além da introdução desses alimentos para lá de alto astral, a especialista recomenda a prática de exercícios ao ar livre, caminhadas, alongamentos, dançar, fazer ioga, meditar e respeito ao corpo.

Publicado em: 22/02/2009
O Tempo, http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=104059