Pesquisar este blog

domingo, 19 de janeiro de 2025

Introdução à psicanálise textual de brasileiros - parte 1

Abigail Pereira Aranha

01) Introdução - parte 1: notas sobre a linguagem humana

A introdução é repetida em toda a série. A numeração dos subtítulos é sequência desde a parte 1. Os atalhos diretos dos subtítulos estão nos números.

Com as honrosas exceções de nível mental humano, o que um brasileiro fala ou escreve não deve ser ouvido ou lido, mas examinado. Na linguagem humana, o mundo real é a referência e o assunto principal. Um dos casos em que isso pode ser diferente é a função metalinguística da linguagem, em que a linguagem se refere a elementos dela mesma. Um outro caso é de objetos em ciências abstratas, como Lógica e Matemática. Um outro caso é o de objetos ainda não existentes, mas previstos, como em projetos de engenharia. Mas em geral, o mundo real não é apenas referência da linguagem, também é referência do universo interior do ser humano. A partir do mundo real externo, o homem molda o que pensa, o que sente e o que faz (eu usei a palavra "homem" no sentido de ser humano, para incomodar alguma lesbofeminista que está lendo, hua, hua, hua, hua, hua). No Brasil, a linguagem humana é exceção. Não são só as falas que têm grande limitação intelectual, limitação de vocabulário ou até limitação geográfica. A própria ideia de que a linguagem usada por seres humanos possa ser mais abrangente e mais elevada que isso parece uma ideia alienígena no Brasil. Eu tenho uma tese para explicar por que isso acontece no Brasil de uma forma particular mais horrorosa, mas vou deixar essa minha parte para o final porque eu vou tentar evitar que essa explicação comprometa o entendimento da minha descrição do fenômeno em si, e também porque o assunto principal aqui não é essa origem histórica (ops!).

Para o leitor estrangeiro, eu desenvolvo a exposição a partir da experiência do Brasil não só porque eu sou brasileira e nunca saí do Brasil, também faço isso como uma espécie de alerta. Se o leitor é de um país desenvolvido, talvez eu mostre um aspecto insano da vida nacional brasileira que está menos longe de se reproduzir no seu país do que se imagina. Se o leitor é de um país ainda mais pobre economicamente que o Brasil, eu vou deixar mais claro que ter um dos 10 maiores PIB's do mundo pode não ser um reflexo da grandeza do país.

Dado que os brasileiros comuns não dominam a linguagem humana no sentido de linguagem associada com o mundo real, eles dão um status superior ao próprio universo interior subjetivo, especialmente o universo emocional, e ao universo verbal próprio. Estes universos interior e verbal podem ser moldados por aqueles a quem esses brasileiros comuns atribuem autoridade, como "a ciência" ou o governo de esquerda. Então, se você é uma pessoa normal e vai interagir com uma pessoa brasileira, você precisa verificar primeiro que essa pessoa não é doente mental; segundo, que essa pessoa não é semianalfabeta; terceiro, que essa pessoa não é de mau caráter. Tentar interagir com essa pessoa sem verificar isso é um risco de conversar com uma pessoa com um destes defeitos ou um risco de cair numa armadilha de manipulação psicológica. Uma interação semelhante a uma conversa com um intercâmbio de ideias ou de informações será a disputa da fala de um ser humano de mente normal contra a logorreia de um desequilibrado mental semianalfabeto (ou, com sorte, contra uma pessoa farsante).

Apesar de esta exposição ser sobre falas e escritos (e um tanto sobre comunicação de outras formas), a abordagem não é sobre debate de ideias, não é sobre a vida universitária, não é um rascunho de observatório de imprensa e nem mesmo sobre a vida em cidades grandes. A questão é a linguagem oral e escrita do brasileiro comum. Mais exatamente, a manifestação de algo que está acima (ou melhor, abaixo) da expressão de ideias mesmo no que devia ser conversa sobre assuntos grandes.

A diferença de raciocínio e de habilidade de expressão em língua culta que existiu no passado entre o brasileiro médio e a, digamos, elite falante diminuiu muito e está cada vez menor. Não porque o nível do povão está aumentando, e nem tanto por causa da popularização da internet que traz mais popularização da expressão de ideias e da circulação de informações e conhecimentos; mas principalmente porque essa elite falante e a elite em geral está ela mesma se aproximando do povo medíocre quando não está recebendo alguns indivíduos desta parte da população. Sim, eu me refiro às cotas sociorraciais e as cotas para mulheres. Ah, mulheres de verdade! Também existe aqui e ali uma cota LGBT ou alguma preferência de seleção para LGBT para cargos públicos, mas essa parte da população é minoria. Em qualquer país da América, as mulheres são cerca de metade da população e os não-brancos são, se não maioria, uma parte considerável. Portanto, em um país destes (não só no Brasil), a simples preferência por uma mulher ou um não-branco para uma vaga em posição de destaque é a promoção da mediocridade. Mas isso é uma particularidade recente, e até isso mostra, hoje com mais clareza, que uma coletividade não pode ter uma elite virtuosa e um povo néscio, ou uma elite inteligente e amante da sabedoria ao lado de um povo inculto e animalesco.

E isso que eu disse pode levar alguns leitores a me encaixarem na "extrema direita" e na "elite branca". E até isso tem a ver com o assunto que eu estou introduzindo aqui. Sim, eu sou uma mulher branca, sem vergonha. Ops, sem vergonha de ser branca, mas também me chamam de sem vergonha com razão.

02) Introdução - parte 2: notas sobre o analfabetismo

Analfabetismo é o desconhecimento da associação dos signos da linguagem humana entre si e com a realidade. Signo é a "ligação associativa entre o significado e o significante: signo linguístico" (Dicio Dicionário Online de Português). Significante é a "imagem acústica ou manifestação fônica do signo linguístico" (Dicio Dicionário Online de Português). Não saber ler ou escrever na língua nativa é só a imagem caricata do analfabetismo. Outro aspecto caricato é essa situação na língua nativa (fora os idiomas que não têm escrita). Chamo a sua atenção para que eu mencionei a linguagem humana, não a língua nativa, porque um imigrante que desconhece o idioma do país onde está não é considerado analfabeto, exatamente porque este imigrante pode, a partir do conhecimento do idioma nativo, aprender o idioma local. O aprendizado é mais difícil se o idioma local e o idioma nativo do imigrante usam alfabetos diferentes, como o latino e o grego, ou se um deles ou ambos são ideográficos, como o mandarim. Mas os idiomas em geral são aplicações da linguagem humana, que associa signos e significantes a objetos do mundo real. Por isso é possível o dicionário bilíngue, porque os signos de cada idioma se associam a um mesmo objeto extralinguístico, ou, numa função metaliguística, têm funções equivalentes em seus respectivos idiomas. E isso não desaparece quando uma palavra não tem uma palavra ou uma expressão correspondente no outro idioma, e é incorreto dizer que a palavra não tem tradução: a palavra tem significado, e o significado é traduzível.

Mas o analfabetismo não é exatamente o resultado da opressão socioeconômica. No máximo, foi uma obra repressiva de reinos passados (incluído o reino da Igreja Católica Apostólica Romana) da qual algumas pessoas amantes da verdade tiveram dificuldades para escapar. O analfabetismo é em primeiro lugar, mesmo nestes contextos, uma deficiência mental e moral, o desprezo ao que é superior, ao que é grande, ao que é duradouro, à comunhão com a verdade. Como consequência, desprezo à linguagem humana. Não é por acaso que a divisão entre Pré-História e História foi a invenção da escrita, nem que os primeiros usos da escrita foram feitos por povos desenvolvidos (a escrita foi um meio para o desenvolvimento intelectual e cultural, do qual uma das consequências foi a prosperidade econômica e outra foi mais aplicação da escrita). Para produzir o esquecimento disso, corre este discurso de que o analfabetismo é obra maligna dos ricos, em vez de pequenez de outros pobres que estes impõem aos outros sempre que podem. Nós tivemos no passado analfabetos denunciando alfabetizados à Inquisição, nós temos no Brasil do século XXI moradores de favelas tratando outros moradores que lêem livros como esquisitos.

Para os analfabetos e os semianalfabetos, o universo verbal pode ganhar uma vida própria independente da realidade ou pode ser o próprio mundo real. Para estes, a parte mais sofisticada da linguagem fica reduzida a gatilhos emocionais e extravasões emocionadas. Ah, e os analfabetos e os semianalfabetos entendem a linguagem animal, que é a linguagem como voz de comando ou como produtora de impacto no receptor, como o máximo da linguagem humana, porque esta linguagem tem efeitos "rápidos" e "práticos". A frase "as palavras têm poder" é uma ideia de analfabetos e semianalfabetos, porque as palavras foram feitas para serem SOBRE a realidade, não PARA ela. A magia é analfabetismo aplicado. Eu até poderia demonstrar essa frase com dados conhecidos, mas eu posso ser presa.

Dois efeitos comuns do analfabetismo e do semianalfabetismo são confundir aspectos da realidade muito diferentes só porque lhes foram dados nomes parecidos ou o mesmo e o contrário, não perceber semelhanças entre aspectos da realidade semelhantes ou interligados só porque lhes foram dados nomes diferentes. E aqui eu usei a voz passiva. Os nomes "foram dados" por quem? Quem tem ideias de esquerda tem uma lista de quem domina a comunicação de massa, a cultura, a política e a educação; quem tem ideias cristãs conservadoras tem outra lista. Mas no geral, cada indivíduo desta lista tem as mesmas características essenciais, como dominar o idioma (no sentido de conhecimento), ter recursos materiais para conseguir seus objetivos, ter habilidades para usar estes recursos e ter um conhecimento do indivíduo médio do público-alvo. E na linguagem, podemos adaptar aquela frase de Arnold Toynbee sobre política: os que não se interessam pela linguagem serão governados pelos que se interessam. Mas aqui, o desinteresse pela humanidade da linguagem é uma tentativa de domínio político pelo semianalfabeto comum, que serve ao poder de quem o governa.

E visto que o analfabetismo e o semianalfabetismo são a conexão precária entre a fala e a realidade, não apenas o analfabeto e o semianalfabeto têm uma barreira para entender o que é falado a eles, eles também descrevem muito mal a eles mesmos pelo que eles falam, se as palavras forem interpretadas pelo uso de pessoas mentalmente normais. Porque o objeto mais feio que o analfabeto e o semianalfabeto têm para descrever pela linguagem é a sua própria pessoa, feio demais para ser descrito pela linguagem saudável sem comprometer a autoestima. Daí a proposta desta exposição é examinar as falas do brasileiro típico, que geralmente é semianalfabeto mesmo quando tem um nível de instrução superior, pelo que elas manifestam, não pelo que as palavras deles dizem se forem interpretadas no uso culto do idioma.

03) Psicanálise verbal e textual - parte 01: Do que há em abundância no coração, disso fala a boca

Mt 12: 34 b. Mesmo quem não crê em Deus (como é o meu caso) pode reconhecer que essa foi uma frase sábia de Jesus Cristo (ou de quem o inventou, para quem não crê que ele existiu, como também é o meu caso).

Quem fala em pecado viveu em pecado. Quem fala em fracasso vive no fracasso. Quem fala contra os ricos é pobre. Toda pessoa que fala contra a humanidade (que todos são pecadores, que os filhos não amam os pais, etc) está generalizando as canalhices das pessoas com quem conviveu (e a pessoa que fala geralmente é mulher).

Então, a Abigail P. Aranha fala de sexo e compartilha pornografia na internet porque é uma ímpia pervertida ninfomaníaca. Não, é quem pensa assim que tem uma mentalidade não-saudável, a sexofobia. E as boas relações entre homem e mulher que eu cultivo no trabalho e em outros ambientes que eu comento aqui rapidamente, a pessoa não vê. Até isso eu vou abordar nesta série.

Por que alguém atribui um monte de pecados a alguém que não os tem? Porque está tentando encontrar os seus próprios pecados em outros para não ver os seus próprios. Neste sentido, a confissão bíblica dos pecados (Sl 32: 5, Tg 5: 16) pode ser libertadora.

Numa ilustração rápida (mais ou menos rápida), podemos meditar sobre as palavras de Jesus contra os fariseus (p. ex.: Mt 23).

04) Psicanálise verbal e textual - parte 02: Linguagem excretora

A linguagem do brasileiro típico é uma linguagem excretora: um canal que manda pro meio externo algo que vem do interior. O brasileiro típico, especialmente a mulher brasileira típica, não apenas usa a fala ou a escrita essencialmente para manifestar oscilações emocionais, ignorância, vaidade, opiniões superficiais, confissão de pecados (de como é semianalfabeto, pobre de espírito e de mau caráter) ou para tratar de assuntos de muito baixa abrangência, relevância ou duração. Essa pessoa também não tem capacidade cerebral para conceber uma linguagem acima disso.

A linguagem excretora é uma aplicação má daquele princípio de que "do que há em abundância no coração, disso fala a boca". Porque isso nem sempre é algo negativo, mesmo quando uma boa parte do que sai da boca é emocional. Porque mesmo no Brasil, ainda há uma minoria visível de pessoas que não são de quociente de inteligência baixo e inteligência emocional menor ainda. As pessoas que têm inteligência emocional e têm integridade mental sabem teoricamente ou empiricamente que as emoções negativas têm importância orgânica, e sabem que as emoções no geral não precisam ser isoladas da razão. E pessoas mentalmente saudáveis moldam o universo emocional a partir do mundo real externo, não o contrário, como o brasileiro típico faz (principalmente a mulher brasileira típica). Por isso a Bíblia tem um livro chamado "Lamentações de Jeremias", do mesmo profeta do livro de Jeremias, que nós podemos aproveitar (uma dica que eu dou é ter lido antes o livro de Jeremias). Quem não acredita em Deus (como é o meu caso) também pode ter proveito com a leitura. Por exemplo, a linha geral do livro é aquela frase famosa do Capitão Nascimento no filme "Tropa de Elite": "eu avisei que ia dar m£%#@".

05) Psicanálise verbal e textual - parte 03: A falta de princípio de não-contradição

Até talvez cerca de 1990, quem tinha acesso à imprensa ou ao meio acadêmico podia defender mentiras ou abominações, mas dificilmente mostrava contradição interna em um artigo ou em um livro inteiro. Hoje, essa contradição é no mínimo pouco espantosa, embora ainda não seja comum, em desde trabalhos técnicos até uma série de postagens de um popular em rede social equivalente a 3 ou 4 parágrafos médios.

Quando nós discordamos de certas falas ou certos escritos, o emissor ou alguém que concorda com ele nos atribui um certo conjunto de ideias ou atitudes, sempre uma coisa muito feia. Mas por que não seria a própria pessoa que diz aquilo quem tem ideias feias que nem são dela mesma e atitudes feias? Aí voltamos àquela situação em que a pessoa fala de alguém segundo o que ela mesma é. Neste caso, vemos desde profissionais que ganham dinheiro ou garantem um emprego bem pago repetindo um discurso pronto até semianalfabetos que recebem este discurso pronto reproduzido pelos primeiros e o reproduzem também (geralmente mal) por falta de conhecer e de se interessar por outra fala.

O desprezo à não-contradição e à coerência entre os que deviam ser a parte culta e pensante da população pode ser explicado em parte pela reverência ao dinheiro e à vaidade somada aos ganhos pessoais em dizer certas coisas ou evitar dizer outras. A outra parte da explicação é a mesma do mesmo tipo de atitude entre os cidadãos comuns: a esperança de vitória na luta contra a estrutura da realidade. Porque a realidade é coerente e não-contraditória por implicação lógica.

Introdução à psicanálise textual de brasileiros
No A Vez das Mulheres de Verdade No A Vez dos Homens que Prestam

parte 1 SEM PUTARIA:

https://avezdasmulheres.blogspot.com/2025/01/introducao-psicanalise-textual-parte-1.html

parte 1 COM PUTARIA:

https://avezdoshomens.blogspot.com/2025/01/introducao-psicanalise-textual-parte-1.html

parte 2 SEM PUTARIA:

https://avezdasmulheres.blogspot.com/2025/01/introducao-psicanalise-textual-parte-2.html

parte 2 COM PUTARIA:

https://avezdoshomens.blogspot.com/2025/01/introducao-psicanalise-textual-parte-2.html

parte 3 SEM PUTARIA:

https://avezdasmulheres.blogspot.com/2025/02/introducao-psicanalise-textual-parte-3.html

parte 3 COM PUTARIA:

https://avezdoshomens.blogspot.com/2025/02/introducao-psicanalise-textual-parte-3.html

parte 4 SEM PUTARIA:

https://avezdasmulheres.blogspot.com/2025/04/introducao-psicanalise-textual-parte-4.html

parte 4 COM PUTARIA:

https://avezdoshomens.blogspot.com/2025/04/introducao-psicanalise-textual-parte-4.html

parte 5 SEM PUTARIA:

https://avezdasmulheres.blogspot.com/2025/05/introducao-psicanalise-textual-parte-5.html

parte 5 COM PUTARIA:

https://avezdoshomens.blogspot.com/2025/05/introducao-psicanalise-textual-parte-5.html

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

As variantes 8 de Janeiro e Dengue 2024 da CoViD-19 (e um pouco sobre as enchentes no Rio Grande do Sul)

Abigail Pereira Aranha

1) Depois da pandemia, vimos as verdadeiras crises

O que chamam de pandemia nos deixou 6 coisas: 1) mais doença mental e burrice do que o normal; 2) preparação para a repressão jurídico-policial contra o cidadão honesto; 3) desenvolvimento do que, na falta de um nome mais descritivo, vamos chamar de Inteligência Artificial; 4) crime contra a economia popular em todo o mundo com exceção da China; 5) formação do crime de opinião e quase formalização do politicamente correto; 6) aceitação popular da punição do crime de opinião. Talvez tenha parecido, nos países desenvolvidos, que a distribuição em massa em 2021 de seis vacinas contra um vírus descoberto 2 anos antes era uma grande ação da Ciência associada com o Estado, que inaugurava uma revolução cultural... ops!, uma reviravolta na indústria, nos serviços públicos, no setor de serviços, no comércio, na arquitetura das casas[01] e até na inclusão dos LGBT (não é piada[02]). Mas no Brasil, onde nas maiores cidades, uma batida de carros em uma avenida pode causar um congestionamento ou uma chuva moderada alaga uma avenida, aconteceu a mesma... reviravolta cultural.

Quando a pandemia estava decretada, nós tivemos decreto do uso de máscaras faciais contra a CoViD-19. Depois de o fim da pandemia ser decretado, nós vemos com certa frequência uma pessoa usando máscara pra gripe. Isso foi ou não uma panicodemia? Isso para ficarmos num exemplo literalmente à nossa frente. O terror das campanhas publicitárias e do jornalismo da Rede Globo acabou porque o presidente agora é Lula no Brasil e Joe Biden nos Estados Unidos (ou Kamala Harris, segundo alguns, ou Barack Obama, segundo outros). Fica mal falar da gripe chinesa que foi usada como Adélio Bispo contra o então presidente Jair Bolsonaro, e o jornalismo também não tem mais casos de pneumonia comum e dengue contados como CoViD-19. Mesmo assim, se fala na necessidade da vaChinação, que agora é anual. Nas campanhas em 2021, eram duas doses para a imunização, ou uma única da Janssen; terceira dose era "fake news" e teoria da conspiração. E ainda temos brasileiros distraídos o suficiente para acreditar que o Sistema Único de Saúde em que eles não conseguem uma consulta com cardiologista no mesmo trimestre controlou uma gripe mortal.

2) A variante Dengue 2024

E eu citei a dengue e nós tivemos uma epidemia de dengue este ano. Em torno de maio de 2024, "Brasil ultrapassa 5 milhões de casos prováveis de dengue"[03]. "O Brasil já contabiliza 5.100.766 casos prováveis de dengue em 2024". "Dados do painel de monitoramento de arbovirose mostram que o país registra ainda 2.827 mortes por dengue e 2.712 óbitos em investigação". Se o presidente fosse o que foi chamado de genocida (e tudo que há de prova disso é um número adulterado de mortes e a suposta não distribuição do antivírus milagroso), a culpa seria dele. Mas visto que o presidente agora é o adversário, a explicação da Agência Senado de notícias em 16 de fevereiro é "Dengue: clima, água parada e falhas do poder público causaram explosão de casos".[04] O Senado Federal falando em falhas do poder público! E outra das "razões mais evidentes da explosão da doença" foi... o crescimento das cidades.

Mas quem teve dengue, quem mora com alguém que teve ou teve colega de trabalho ou vizinho que teve pode ter notado o que é uma emergência sanitária de verdade e não deve ter observado que não existe dengue assintomática e que #FiqueEmCasa não é tão bom e seguro assim. Mas pode ter notado que o Sistema Único de Saúde continua as-SUS-tador. A culpa das mortes foi do clima.

3) As enchentes no Rio Grande do Sul

E eu citava mortes associadas ao clima e avenidas que alagavam com chuva, tivemos enchentes em maio em várias cidades do Rio Grande do Sul, por causa do transbordamento de barragens com falta de manutenção e de rios assoreados. Alexandre Garcia fez uma boa observação sobre isso[05]:

E temos de parar de usar chavões. Não falam mais de “enchente” no meu Rio Grande do Sul; dizem “tragédia climática”. Mas como assim? Foi uma enchente. Claro que ela é causada pela chuva, que é consequência do clima; e é uma tragédia, mas uma tragédia administrativa, do Estado brasileiro, porque não limparam as calhas dos rios. Eu nasci em 1940 e tivemos enchentes muito grandes em 1940 e 1941; foram muito maiores, mas a calha dos rios estava mais livre. A cada enchente anual essa calha vai enchendo; não limpam, e depois chamam as novas enchentes de “tragédia”.

E depois de vários vídeos circulando na internet mostrando a ajuda de voluntários que chegaram aos atingidos antes do Exército e da Administração Pública, houve gente na imprensa e no governo Lula preocupada em combater "fake news". Mario Sabino comenta isso no portal Metrópoles: "Por que tentam transformar fake news em problema maior do que enchente"[06]. Nós aqui (eu, os teóricos da conspiração e os nossos leitores) já sabemos. Para o leitor do Metrópoles, pode ser uma reflexão nova, se o artigo não for o próprio autor tentando entender o que está acontecendo.

4) A variante 8 de Janeiro de 2023

A "false flag"[07] do atentado de alguns milhares de idosos desarmados contra os prédios dos Três Poderes em 08 de Janeiro de 2023 foi uma variante da CoViD-19. Isso não é uma metáfora. A única parte de saúde no que chamam de pandemia é uma espécie de gripe que os pandeminions até hoje não sabem distinguir da gripe comum. O socialismo chinês era o grosso deste negócio (apesar de o negócio ser oriental). O caso 8 de Janeiro é um laboratório de crime de opinião.

Uma lista rápida de casos listados pela jornalista Cristina Graeml, do jornal Gazeta do Povo:

  • "Pastor preso no 8/1 segue na cadeia por causa de um homônimo"[08]
  • "Pilhas de colchões novos na Colmeia reforçam suspeita de emboscada no 8/1"[09] (Colmeia é o presídio feminino do Distrito Federal)
  • "Presa no Paraguai revela como manifestantes foram incriminados"[10]
  • "Casal preso no 8 de Janeiro sequer foi à Praça dos Três Poderes"[11]

Soma-se o erro ao processo ilegal, somado à falsa acusação de crime impossível. Outras pessoas tiveram bloqueio de contas bancárias e de uso de redes sociais acusadas de apoiar esta "false flag" fajuta. O bloqueio de postagens e a suspensão de perfis no Twitter aconteceram, dentro da própria rede social, pelo que chamaram de desinformação sobre a CoViD-19.

5) Explicando mais um pouco

Depois do decreto do fim da pandemia da gripe chinesa, a crise pode ser reclassificada para endemia, ou seja, uma doença que vai estar no meio de nós. Quem é doente mental semianalfabeto vai dizer que iaso é porque os outros que não têm Síndrome do Pânico, não gostam do PT ou apenas dependem de trabalhar de verdade para pagar aa próprias contas não puderam ficar 15 dias fechados em casa para achatar a curva. As pessoas medianas com raciocínio humano normal podem pensar que foram feitas de trouxas. Foi pra isso, pensarão elas, que nós passamos meses sufocados com as máscaras faciais, que nós denunciamos confraternização de vizinhos, que nós tivemos confisco de mercadoria de vendedores ambulantes, que empresas faliram ou tiveram porta fechada, que nós tivemos pessoas algemadas por andar na rua e bandidos soltos da cadeia.

Mas é verdade, a CoViD-19 está se tornando uma endemia. A variante 8 de Janeiro é a da truculência jurídico-policial e da censura extrajudicial por crime de opinião. A variante enchente do Rio Grande do Sul é a da burocracia estatal que quer saber onde você anda e o que você pensa (ou só quer trabalhar pouco e ganhar um bom salário longe do contato com o povo de verdade), mas se surpreende todo ano com as chuvas. Chamo a sua atenção para que o que aconteceu lá aconteceria em quase qualquer município do Brasil se tivesse um rio grande passando por ele. A variante Dengue 2024 é a dos serviços públicos depois da crise sanitária (essencialmente a mesma coisa precária de antes). Temos outras variantes a caminho, como a variante DREX, ou Real Digital, que tem potencial de crédito social chinês.

2050 é uma previsão de a população mundial começar a diminuir. Já imaginou a vergonha que você vai sentir, leitora mulher, quando souberem que você fez mais denúncias de crime sexual que sexo? (Com homem) Já imaginou a vergonha que você vai sentir, leitora mulher, quando souberem que você aproveitou tanto a igualdade de gênero que se tornou menos feminina que os homens com quem conviveu? Eu mesma já tenho coisas boas pra contar com orgulho pras meninas adolescentes de 2050: um sem-número de histórias de sexo e amizade, e com centenas de homens (e alguns rapazes adolescentes). Vergonha seria se alguém descobrisse que a vovó Abigail (59 anos) era petista quando jovem. Já é um clichê anacrônico falar em deixar um mundo melhor para as novas gerações. O que vamos precisar é lutar para voltar às coisas boas do passado e nos fazermos dignos de que os nossos netos ou sobrinhos-netos não nos odeiem quando descobrirem como era o mundo que recebemos.

6) Eu ia encerrar aqui, mas…

Jornal Nacional, G1, 12 de novembro: "Chefes de Estado incluem pela primeira vez o tema desinformação nos debates do G20"[12]. Mas esses encontros não eram para discutir sobre meio ambiente e igualdade social? Quando dizemos que os gases do gado bovino não têm relação com enchentes, secas e furacões, quem espalha "fake news" somos nós. E quando dissermos que a desigualdade salarial de gênero é falácia de lésbica semianalfabeta, será desinformação também?

A primeira conferência do G20 depois do fim do que chamam de pandemia.

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[01] Por exemplo:

"Como as epidemias da história moldaram o design atual da casa". Casa.com.br, 30 de dezembro de 2021, atualizado em 19 de maio de 2023. https://casa.abril.com.br/arquitetura/como-as-epidemias-da-historia-moldaram-o-design-atual-da-casa

"Como as pandemias moldaram a arquitetura: entendendo o passado para projetar o futuro". Vobi, 03 de maio de 2023. https://www.vobi.com.br/blog/como-as-pandemias-moldaram-a-arquitetura

[02] "Great Reset: Why LGBT+ inclusion is the secret to cities' post-pandemic success". World Economic Forum, 03 de junho de 2020. https://www.weforum.org/agenda/2020/06/lgbt-inclusion-cities-post-covid-reset-recovery

[03] "Brasil ultrapassa 5 milhões de casos prováveis de dengue". Agência Brasil, 21 de maio de 2024. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2024-05/brasil-ultrapassa-5-milhoes-de-casos-provaveis-de-dengue

[04] "Dengue: clima, água parada e falhas do poder público causaram explosão de casos". Agência Senado, 16 de fevereiro de 2024. https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2024/02/dengue-clima-agua-parada-e-falhas-do-poder-publico-causaram-explosao-de-casos

[05] "Reunião do G20 deve terminar com mais conversa e nada de prático". Alexandre Garcia, Gazeta do Povo, 18 de novembro de 2024. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/reuniao-do-g20-conversa-nada-de-pratico

[06] "Por que tentam transformar fake news em problema maior do que enchente". Mario Sabino, Metrópoles, 13 de maio de 2024. https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/por-que-tentam-transformar-fake-news-em-problema-maior-do-que-enchente

[07] "False flag" é uma estratégia de guerra em que agentes de um exército se fazem passar por agentes do outro lado para dar pretexto para uma ação contra o inimigo.

[08] "Pastor preso no 8/1 segue na cadeia por causa de um homônimo". Cristina Graeml, Gazeta do Povo, 28 de janeiro de 2024, atualizado em 31 de janeiro de 2024. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/cristina-graeml/pastor-preso-no-8-1-segue-na-cadeia-por-causa-de-um-homonimo

[09] "Pilhas de colchões novos na Colmeia reforçam suspeita de emboscada no 8/1". Cristina Graeml, Gazeta do Povo, 18 de fevereiro de 2024, atualizado em 28 de março de 2024. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/cristina-graeml/pilhas-colchoes-colmeia-reforcam-suspeita-emboscada-8-1

[10] "Presa no Paraguai revela como manifestantes foram incriminados". Cristina Graeml, Gazeta do Povo, 03 de março de 2024, atualizado em 04 de março de 2024. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/cristina-graeml/presa-no-paraguai-revela-como-manifestantes-foram-incriminados

[11] "Casal preso no 8 de Janeiro sequer foi à Praça dos Três Poderes". Cristina Graeml, Gazeta do Povo, 14 de abril de 2024. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/cristina-graeml/casal-preso-8-janeiro-sequer-foi-praca-tres-poderes

[12] "Chefes de Estado incluem pela primeira vez o tema desinformação nos debates do G20". Jornal Nacional, G1, 12 de novembro de 2024. https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2024/11/12/chefes-de-estado-incluem-pela-primeira-vez-o-tema-desinformacao-nos-debates-do-g20.ghtml

Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "As variantes 8 de Janeiro e Dengue 2024 da CoViD-19 (e um pouco sobre as enchentes no Rio Grande do Sul)", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2024/12/as-variantes-8-de-janeiro-e-dengue-2024.html
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "As variantes 8 de Janeiro e Dengue 2024 da CoViD-19 (e um pouco sobre as enchentes no Rio Grande do Sul)", https://avezdoshomens.blogspot.com/2024/12/as-variantes-8-de-janeiro-e-dengue-2024.html

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Os homens que não querem relacionamento com o sal insípido

Abigail Pereira Aranha

1) "Por que os homens não querem se relacionar?" (Marcella Malvar)[01]

@marcella.malvar Por que os homens não quererm se relacionar??? 🚨🚨🚨 #fyppppppppppppppppppppppp #FYP #viral #foryoupage #foryou #relacionamento ♬ som original - Marcella Malvar

[00:00 a 00:19] Por que que os homens estão com medo de se relacionar? Gente, eu quis muito abordar este assunto neste vídeo, porque eu vejo que não é muito falado. Eu vejo as mulheres solteiras falando "nossa, tá muito difícil arrumar um cara bacana", e de fato tá mesmo. Eu sou casada, mas a gente vê que isso é uma reclamação geral. Mas, assim, se a gente for a fundo, dá pra entender a cabeça dos homens.

[00:19 a 00:40] Você sabia que hoje muitos homens de fato estão muito resistentes a ter uma relação por medo de golpe? Pasme, gente, tem mulher que faz uma falsa acusação na Lei Maria da Penha com a finalidade somente de obter algum benefício financeiro. E que fique claro, eu não tou aqui pra passar pano pra homem abusador, mas eu também não passo pano pra mulher interesseira.

[00:40 a 01:10] Vou dar um exemplo aqui pra vocês. Você começa a namorar um cara e começa a morar com ele, você vai pra casa dele, começa a morar com ele. Aí vocês têm alguma discussão e você abre uma queixa contra ele na Lei Maria da Penha, porém é uma falsa queixa. Até o cara provar que a sua queixa é falsa, o cara pode simplesmente ser expulso da casa dele, a mulher ficar lá e acontecer o famoso golpe de patrimônio, ela simplesmente limpa a casa do cara. Isso não é estória de filme, não, gente. Tá cheio de caso assim, é só vocês procurarem na internet.

[01:10 a 01:28] Da mesma forma também que eles têm muita resistência da tal pensão socioafetiva. Inclusive eu já fiz vídeo falando aqui que é quando o cara começa a namorar uma mulher que tem filho e quando eles se separam, se essa mulher comprovar na Justiça que ele tinha algum elo com o filho dela, ele simplesmente tem que pagar pensão pra um filho que não é dele.

[01:28 a 02:03] E não para por aí não. Eles têm um outro medo também desbloqueado na cabeça deles, sabe qual que é? Os caras hoje, eles estão com medo de qualquer atitude deles ser confundida com assédio. E eu não tô aqui pra passar pano pra macho não, porque tem sim homem violento, homem que abusa, e pra esses homens, gente, já existem as devidas punições e eles têm, sim, que ser punidos. Mas aqui eu estou falando é da atitude de má fé, de má índole de algumas mulheres, e isso precisa ser falado. Sabe por quê? Porque por causa de uma ou outra eles acabam, assim, generalizando, criando esse bloqueio e não querendo mais se relacionar com ninguém.

2) Meus comentários segurando os palavrões cabeludos

Obrigada ao Felipe do canal Liga dos Homens no YouTube por ter compartilhado[02] (mas, poxa, faltou você ter dado a fonte).

Talvez pareça estranho pra quem conhece o meu trabalho que eu não estou nem um pouco alegre por ver uma mulher aleatória falando isso. Ao contrário, tive aqueles pensamentos que a gente expressa com palavrões cabeludos. Porque como quem conheceu o meu trabalho na década passada sabe, se eu mostrasse a minha cara e desse um mínimo de informações sobre onde eu moro e onde eu trabalho, eu podia ser presa em 2012 por escrever exatamente isso. Os homens que seguem seu próprio caminho (MGTOW) que nós já vemos há uns 10 anos parecem que nunca ouviram falar do Silvio Koerich (talvez não ouviram falar mesmo). Eu passei pela forja feita para incriminá-lo. Se o leitor não sabe quem é ele, pode ir na tag "silvio-koerich" deste blogue mesmo para conhecer um pouco do que ele escreveu (se estiver no celular, você pode mudar para a versão desktop e ir na lista de etiquetas lá embaixo, ou ir na barra de endereços e colar "/search/label/silvio-koerich" depois do ".com" do endereço da página inicial). Mas ainda antes disto, eu já passei pelo tempo em que a mulher que discordava do Lesbofeminismo era fake de homem que apoiava a violência contra a mulher, ou era mulher mesmo que merecia ser estuprada para dar valor ao movimento.

Em 2009, em 2011, eu já era até hostilizada pelos fóruns da Real (que era tipo os MGTOW, ou a autodenominação que eles usavam na época), só porque além de ser mulher, eu era, como disse o moderador de um grupo no Facebook em 2011, "ateia, anarquista, contra a família e promíscua confessa". Agora, de uns 5 anos pra cá, nós vemos com uma certa frequência um "red pill" compartilhar um vídeo de alguma mulher de 25 ou 35 anos em rede social onde ela confirma o que ele dizia no canal dele no YouTube. O que ele dizia e o que eu dizia antes dele. Eu nunca quis ser influenciadora da machosfera... bom, influenciar um pouquinho os homens no caminho da virtude e da inteligência usando a lascívia, eu queria sim; mas eu não deixo de me aborrecer por ter produção escrita demais para os "red pill" babarem por qualquer garota baladeira em fim de carreira que disse um rascunho do que eu disse 10 anos depois de mim.

Eu já disse algumas vezes, fazendo uma certa caricatura, que os "red pill", os MGTOW, os homens despertos fora da Matrix, eles são uma espécie de puritanos do interior frustrados porque não conseguiram uma jovem sexofóbica semianalfabeta para se casar como os bisavôs deles conseguiram, porque as moças da localidade rural deles puderam e foram tentar ser "alguém na vida", então eles entram nas fantasias difamatórias da avó contra as mulheres bonitas e alfabetizadas da cidade grande. Mas pelas mulheres que eu já vi deslumbrando esses rapazes, parece que a caricatura não é tão distorcida assim. Numa lista rápida, eu abordei o que eu chamo de fundamentalismo sertanejo em alguns textos:

  • "O lado rural do antifeminismo", 09 de abril de 2016[03];
  • "72 virgens e 30 moedas de prata", 02 de setembro de 2016[04];
  • "Os MGTOW e o Ativismo de Direitos Humanos dos Homens são um ramo da direita cristã?", parte 1, 07 de maio de 2021[05], e parte 2, 11 de maio de 2021[06]

E eu não pude deixar de observar que a moça diz no começo que é casada. Assim, ela deixou escapar: ainda bem que eu consegui o meu otário antes de a merda feder, e que ele está percebendo o que está acontecendo menos do que eu. Nos comentários de vários vídeos de pastores sobre os males do Feminismo, eu também vi várias mulheres dando graças a Deus por estarem casadas. Mas isso leva a um outro problema.

3) Um quarto motivo para os homens não quererem relacionamento

O que uma esposa tem a acrescentar na vida de um homem? Se uma esposa de meados do século XX ou antes tinha pouco a oferecer, por que um homem se ofereceria hoje em abstinência e sacrifício em um casamento tradicional, como esperam pregadores "cringes" que ignoram que todos terão direitos menos ele? Eu até já expliquei um pouco este problema em outra ocasião, no texto "Castidade é ódio aos homens - parte 3"[07], mas vou abordar novamente aqui tentando acrescentar outros pontos.

Começo a meditar sobre a esposa média citando Mt 5: 11: "Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens." A namorada ou ex-esposa que faz falsa acusação de violência doméstica, a mãe solteira que dá golpe de pensão socioafetiva, a mulher que faz falsa acusação de crime sexual, nenhuma delas é a lesbofeminista de cabelo curto laranja com argola no nariz e falas de supremacia feminina. Destas, um homem mediano nem se aproxima, talvez nem ela dele. Aquelas mulheres tinham (às vezes, ainda têm) uma aparência de mulher normal; talvez sejam realmente mulheres normais (sem entrar na questão de o que isso significa). Sim, aquele texto é uma fala de Jesus Cristo sobre e para os seus discípulos, sobre eles serem melhores que o resto do mundo. Mas até isso entra no contexto aqui. A esposa cristã é mais um modelo de neurótica freudiana que um modelo de mulher admirável.

Assim, o problema não é, como as mulheres que só há pouco tempo criticam o universo feminino dizem, que poucas mulheres de um mau carater excepcional sujam a imagem do universo feminino como um todo; o problema é que as mulheres comuns não parecem diferentes delas. Não é que os homens estão com medo de o que mulheres malucas e sórdidas fizeram, esses homens simplesmente não encontram no universo feminino algo melhor que isso o suficiente para animá-los a terem um relacionamento amoroso. E aqui eu não usei a palavra "amoroso" como uma forma polida para "sexual" (já chego nesta parte). E antes que alguém diga que é nobreza ou até mandamento divino um homem amar a sua esposa, este alguém deveria falar com uma mulher sobre como ser uma boa esposa. Ele (porque geralmente é um homem) pode escolher mostrar os mandamentos bíblicos para as esposas. Já vi notícias de pregadores que fizeram isso e tiveram problemas no Judiciário e na igreja.

O que salvou a espécie humana foi a insistência histórica dos homens heterossexuais em se casarem e se reproduzirem com mocreias rústicas. Talvez não fosse insistência, mas falta de autoestima e uma visão pobre da vida, o suficiente para não ter um projeto de vida muito melhor. Mas as mulheres com menos de 45 anos hoje, num contexto de progresso geral mundial, acreditaram que ainda podiam aproveitar isso como suas avós faziam para oferecer ainda menos e receber mais. Se deram mal, e menos do que deviam, aí meia dúzia delas começaram a "acordar".

4) E onde está a mulher virtuosa?

E quando uma mulher tenta mostrar um diferencial, ela apela para o mais fácil: falta de sexo. Sim, o pecado original é a sexualidade. O seu pastor, se você for evangélico, ou o seu padre, se você for católico, vai explicar que não, mas vai mostrar na prática e na contradição que sim. Então, uma mulher bonita com um corpo minimamente feminino que demonstra desinteresse ou até desprezo pelo sexo tenta se mostrar e é vista como digna, elegante e atraente (como dizem, sexy sem ser vulgar). Ah, e uma mulher se mostrar "gostosa" ou um tanto assanhada em redes sociais ou na rua não significa que ela tem uma vida sexual muito boa, ou mesmo ânimo para ter. E até a forma física e o rosto minimamente femininos em uma mulher são um luxo mesmo hoje em dia. O que um homem maduro e honrado deve aceitar é uma esposa que tem beleza medíocre e ideias medíocres, que oferece uma vida sexual pobre e que reparte as tarefas e as contas da casa. E se um homem consegue uma esposa assim e que lhe dá um nível razoável de paz de espírito, ele dá graças a Deus (às vezes literalmente).

E depois de não ter ajudado nada trombetear que homem que gosta de pornografia e softcore é imaturo e que a prostituição e a pornografia são atividades criminosas de violência contra a mulher, as igrejas começaram a discutir Educação Sexual com os adolescentes. Naquela linha de que sexo é pecado antes ou fora do casamento, mas já foi uma coisa que os avós deles se casaram sem ver. Depois disso, algumas mulheres começaram a falar com outras mulheres sobre como dar uma boa vida sexual pro marido. Mas essas mulheres, tanto as que falam quanto o público-alvo, são mulheres casadas com homens ricos. Se o leitor for um homem de pelo menos uns 45 anos hoje, pode se lembrar da revista Cláudia ou da revista Nova Cosmopolitan, que trazia alguma reportagem sobre sexo entre outras reportagens sobre carreira profissional, Feminismo, celebridades, etc; no tempo em que ser uma pessoa com cultura acima da média no Brasil era assinar certas revistas impressas e ler jornais impressos como a Folha de São Paulo.

Hoje em dia, mais homens estão atentos aos problemas do casamento porque, por exemplo, já existem vídeos nas redes sociais sobre o "estupro marital": se a esposa recusar sexo ao marido e ele insistir, ele pode ser preso. Mas isso é só um sinal de um problema que não é recente: um homem precisa ser no mínimo de classe média para conseguir de uma eventual esposa qualquer parte do mínimo que uma mulher poderia oferecer, inclusive sexo razoável. Sim, negar sexo a todos os homens com a possível exceção de um não é demonstração de dignidade ou de moral superior. E sim, eu já tive muitos amigos fazendo visitas no meu templo nas três entradas, às vezes lambuzando a entrada de cima. Mas com uma série de progressos sociais mundiais, cada vez mais mulheres vão ser obrigadas a perceber que os homens não precisam e cada vez mais homens não querem entrar numa relação onde oferecer tudo é o mínimo e receber o mínimo é o máximo; e elas vão perceber então que oferecer o mínimo será o mínimo, não o máximo, que elas vão precisar para ter de quem receber o máximo.

5) Eu ia encerrar aqui, mas…

Enquanto eu organizava as ideias, eu vi estas matérias na sugestão do meu navegador Opera: "Ministra defende regulação das redes após aumento de vídeos na 'machosfera' do YouTube", da agência Pública[08]; e "Influenciadores faturam alto com vídeos misóginos no YouTube", da Agência Brasil[09]. Uma pequena onda de matérias com títulos semelhantes, daquelas que não são incomuns na imprensa brasileira recente.

Realmente não é a primeira vez que um governo petista tenta censurar a Real, foi o que aconteceu na falsificação do blogue do Silvio Koerich no primeiro mandato da Dilma Rousseff, mas o que é diferente aqui é que o progressismo e a extrema esquerda tentam censurar, falado por homens, o que até uma mulher está percebendo. Esta mulher nunca viu o termo "machosfera" e nunca viu qualquer conteúdo "red pill", mas ela é casada com um homem que sofreu acusação falsa de violência doméstica da ex-mulher; ou tem amigas que já se perceberam evitadas pelos homens nas diversões noturnas e fez uma associação disso ao que é chamado de combate à importunação sexual.

Houve um tempo em que era plausível acreditar que o Feminismo era um movimento por direitos legítimos para as mulheres, em que a visão dos homens como agressores reais ou potenciais e a visão do sexo heterossexual como degradação da mulher pareciam erros secundários de algumas frações que não prejudicavam a essência de um movimento nobre. Agora, está cada vez mais claro que o movimento feminista (ou LGBT-feminista) é parte da esquerda, e a esquerda não luta contra o Capitalismo, mas contra a noção da normalidade; e que as mulheres feministas são só a fração feminina da malta psicótica e semianalfabeta que se imagina parte da elite de uma futura ditadura, e que vai chegar a ser isso se distanciando do povo de verdade ou mesmo lutando contra ele. Aí nós temos, para ficarmos só no universo feminino e no universo feminista, um movimento lesbofeminista movido por uma demanda própria, as mulheres do povo de verdade com as suas demandas próprias e as intersecções entre as duas coisas, produzindo geralmente coisas que as mulheres em geral nem notam a diferença ou sentem que as prejudicam. Hoje, uma mulher honesta do povo percebe que as leis contra a "violência contra a mulher" e contra os crimes sexuais só servem para os homens se afastarem dela como de uma cobra e para dar dinheiro fácil para a ex-mulher do marido. No futuro, essa mulher pode notar, se ela tiver cultura suficiente, que a internet se transformou na televisão aberta dos anos 2000 com tanta censura, que começou com exclusão de material sexual, regulação contra conteúdo misógino, combate à desinformação sobre a gripe chinesa (CoViD-19), exclusão de conteúdo que põe em dúvida a credibilidade das eleições[10],... a lista vai só crescendo.

Sim, nós estamos, homens e mulheres, heterossexuais e não-heterossexuais, brancos e não-brancos, ricos e pobres, no caminho para conseguirmos os direitos iguais e a igualdade social. Igualdade numa miséria com direitos iguais a zero.

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[01] Marcella Malvar, 04 de agosto de 2024. https://www.tiktok.com/@marcella.malvar/video/7399279070728457477

[02] "Palmas pra quem já entendeu a nossa situação - colocou os argumentos irrefutáveis na mesa". Liga dos Homens, 04 de dezembro de 2024. https://www.youtube.com/watch?v=ChExI6olOW8

[03] "O lado rural do antifeminismo", 09 de abril de 2016, A Vez das Mulheres de Verdade, http://avezdasmulheres.blogspot.com/2016/04/o-lado-rural-do-antifeminismo.html; e A Vez dos Homens que Prestam, http://avezdoshomens.blogspot.com.br/2016/04/o-lado-rural-do-anti-feminismo.html

[04] "72 virgens e 30 moedas de prata", 02 de setembro de 2016, A Vez das Mulheres de Verdade, http://avezdasmulheres.blogspot.com/2016/09/72-virgens-e-30-moedas-de-prata.html; e A Vez dos Homens que Prestam, http://avezdoshomens.blogspot.com/2016/09/72-virgens-e-30-moedas-de-prata.html

[05] "Os MGTOW e o Ativismo de Direitos Humanos dos Homens são um ramo da direita cristã? - parte 1", 07 de maio de 2021, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2021/05/mgtow-direitos-humanos-dos-homens-direita-crista-1.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2021/05/mgtow-direitos-humanos-dos-homens-direita-crista-1.html

[06] "Os MGTOW e o Ativismo de Direitos Humanos dos Homens são um ramo da direita cristã? - parte 2", 11 de maio de 2021, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2021/05/mgtow-direitos-humanos-dos-homens-direita-crista-2.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2021/05/mgtow-direitos-humanos-dos-homens-direita-crista-2.html

[07] "A Peituda, isca de ladrões, morreu em confronto com a polícia (Ou: Castidade é ódio aos homens - parte 3)", 05 de janeiro de 2017, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2017/01/a-peituda-isca-de-ladroes-morreu-em.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com.br/2017/01/castidade-e-odio-aos-homens-parte-3.html

[08] "Ministra defende regulação das redes após aumento de vídeos na 'machosfera' do YouTube". Pública, 13 de dezembro de 2024. https://apublica.org/nota/machismo-no-youtube-ministra-da-mulher-defende-regulacao-das-redes

[09] "Influenciadores faturam alto com vídeos misóginos no YouTube". Agência Brasil, 13 de dezembro de 2024 às 17:59, atualizado às 21:01. https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024-12/influenciadores-faturam-alto-com-videos-misoginos-no-youtube

[10] Trechos da "Política de conteúdo do Blogger":

Conteúdo enganoso

Não distribua conteúdo que engane ou confunda os usuários. Isso inclui o seguinte:

Conteúdo enganoso relacionado a processos cívicos e democráticos: conteúdo que seja comprovadamente falso e possa comprometer, de forma significativa, a participação ou a confiança em processos cívicos e democráticos. Essa categoria abrange informações sobre procedimentos eleitorais públicos, qualificação de candidato político com base em idade ou local de nascimento, resultados de eleições ou participação em censo contrárias aos registros federais oficiais. Isso também inclui declarações incorretas de que uma figura política ou um agente do governo tenha morrido, se envolvido em um acidente ou esteja gravemente doente.

(...) Conteúdo enganoso relacionado a práticas de saúde prejudiciais: conteúdo médico ou de saúde enganoso que promova ou incentive práticas que podem causar danos graves físicos ou emocionais a indivíduos ou grande risco à saúde pública.

"Política de conteúdo do Blogger", https://www.blogger.com/content-policy?hl=pt-BR

Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "Os homens que não querem relacionamento com o sal insípido", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2024/12/os-homens-que-nao-querem-relacionamento.html
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "Os homens que não querem relacionamento com o sal insípido", https://avezdoshomens.blogspot.com/2024/12/os-homens-que-nao-querem-relacionamento.html

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Notas sobre o Bitcoin, o Real Digital e a burrice liberal-conservadora

Abigail Pereira Aranha

Olá, meus amigos e minhxs inimigxs! Eu devia ter feito um texto especial sobre o Bitcoin antes das notícias sobre a implantação do DREX, o Real Digital. Eu talvez só comentei aqui e ali nas redes sociais e em seção de comentários de vídeos do YouTube, porque o Bitcoin me pareceu, desde o começo do alvoroço dos ultraliberais (que se denominam "anarcocapitalistas") em torno dele, uma fantasia de neto de réu da Justiça do Trabalho, um sonho de sonegação de impostos e de multas trabalhistas; portanto, uma fantasia que não valeria a pena comentar muito a respeito. Eu estava certa, mas também estava certa em algo que eu devia ter dito: o Bitcoin é a CBDC (Moeda Digital do Banco Central). Alguns liberais já estão avisando (ou melhor, estão dizendo só agora) que a CBDC é rastreável, pode ter uso limitado, pode ter prazo de validade e pode ter vinculação com, por exemplo, uso das redes sociais; e aí um ultraliberal vai dizer que o Bitcoin é o contrário da CBDC.

Uma coisa que os liberais não percebem é que não há o que um cidadão privado, um grupo de populares ou uma empresa privada pode fazer que o Estado não pode também. A recíproca é verdade. Por isso o Bitcoin só podia ser um protótipo para uma moeda digital mundial ou, mais longe, para um crédito social chinês de alcance mundial. Se não foi feito pra isso, foi aproveitado pra isso.

Se o Bitcoin tem um valor em dólares (que tem um valor equivalente, por exemplo, em reais), é porque ele tem alguma ligação com a economia mundial e com as moedas oficiais. Isso é o contrário do que os entusiastas dizem, que o Bitcoin é um refúgio para se proteger do que eles chamam de Estado. Quando e onde uma CBDC for implantada, o Bitcoin vai ser regulamentado, rastreado, desassociado da nova moeda ou proibido.

Eu não vi os argumentos a favor da eliminação do dinheiro físico, mas alguém deve ter pegado aquele do combate ao crime organizado, que usa dinheiro físico. Aí nós podemos ter a piada de que vão liberar as drogas e vão soltar chefes do crime organizado enquanto debitam dinheiro de quem fez piada com lésbica. Isso se parece, aliás, com uma coisa que os conservadores defendiam há cerca de 20 anos: a regulamentação da internet no geral e das redes sociais no geral. Eu já estava ativa na blogosfera e via conservadores dizendo que as redes sociais eram redutos de adúlteros e pedófilos e que crianças de 10 anos encontravam pornografia na internet com facilidade. Hoje, os mesmos conservadores reclamam de que eles são censurados no Facebook e no YouTube enquanto as crianças da família vêem militância LGBT na escola.

E agora que o DREX está sendo anunciado pra valer, alguns youtubers ultraliberais publicaram vídeos sobre como tentar escapar do DREX... com o Bitcoin. A crença liberal os atrapalha de entender do que estão falando só agora. Repito: no Brasil, o Bitcoin é o Real Digital.

O amor dos ultraliberais ao Bitcoin é mais um exemplo da burrice e do analfabetismo político-administrativo deles e dos conservadores, e mais um exemplo do que eu, uma garota do povo do Brasil, já vi que vai acabar mal. Eu já dizia que a China ser o principal parceiro comercial do Brasil ia acabar com o Brasil antes de os ultraliberais menos burros apoiarem, com resignação, José Serra para presidente em 2010 ou Aécio Neves em 2014. Eu já dizia no começo dos anos 2010 que o virgem provinciano que apoiasse o Islamismo para combater o Feminismo ia acabar tendo os dois. Eu provei desde 2014 que a intervenção militar constitucional não existe e se acontecesse mesmo uma ação militar, ela seria para apoiar o PT contra o povo, não vice-versa. Quando aconteceu o 8 de Janeiro, já havia 8 anos que tinha gente ganhando visualização no YouTube e dinheiro em live no YouTube anunciando sinais da intervenção militar iminente; todo mundo sumiu (os youtubers). Ah, e eu já sabia que os acampamentos de patriotas nas portas de quarteis no final de 2022 tinham gente da esquerda na organização (porque era muita abrangência de uma mobilização com uma linha errada), coisa que só foi descoberta depois da encrenca do 8 de Janeiro. O entusiasmo pelo Bitcoin vai se demonstrar em breve como mais uma ideia errada que foi onda no meio liberal-conservador. Mas eu não digo isso tudo para mostrar que eu prevejo o futuro, eu digo isso pra mostrar que até eu vejo que a direita cristã tem mais emoção e doutrina que intelectualidade.

Mas dirão alguns conservadores que a minha intelectualidade é compartilhar pornografia na internet e contar que eu vivo na putaria, além de pregar o Ateísmo. Mas isso tem uma filosofia por trás (ops!), que me levou inclusive a perceber como o horror ao sexo pode ser usado para justificar tudo de ruim, inclusive algumas coisas que os liberais estão percebendo só agora: 1) software de censura; 2) discriminação legal, ilegal ou extralegal contra um perfil de cidadão (no caso, o homem heterossexual); 3) aceitação de denúncia sem prova ou assassinato por falsa acusação, como aconteceu com vários homens acusados de crime sexual contra mulher ou criança. E, como estamos abordando o Bitcoin e o Real Digital, 4) penalização financeira ou bloqueio comercial por condutas não-criminosas, como aconteceu com várias profissionais do sexo que tiveram contas bancárias ou pagamentos por cartão de crédito bloqueados só porque elas são isso. Tudo isso pode ser aproveitado para o novo mundo, o que primeiro foi contra o sexo será contra o crime de opinião.

O mais preocupante que eu vejo é que a direita cristã conservadora teve esse tempo todo de 18 anos que eu tenho na blogosfera para errar, colocar o dinheiro e a falta de sexo como valores superiores, desprezar a inteligência, vilificar a política, patrocinar aproveitadores e levantar inimigos; tentando fazer a coisa certa quando percebe com atraso de anos e comemorando quando consegue pouco mais do que sobrevivência. O que, por sinal, refuta as falácias de que o dinheiro move o mundo e de que a Igreja Católica construiu o Ocidente. Não vou dizer que a CBDC é o fim da oposição ao Socialismo, mas será um tempo desafiador para a integridade mental, a busca da verdade, o senso de sanidade mental e a dignidade de vida.

Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "Notas sobre o Bitcoin, o Real Digital e a burrice liberal-conservadora", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2024/11/notas-sobre-bitcoin-real-digital.html
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "Notas sobre o Bitcoin, o Real Digital e a burrice liberal-conservadora", https://avezdoshomens.blogspot.com/2024/11/notas-sobre-bitcoin-real-digital.html

domingo, 17 de novembro de 2024

A jornada de 36 horas semanais no Brasil e a disputa entre a burrice e a loucura

Abigail Pereira Aranha

1) "Proposta de redução da jornada de trabalho e fim da escala 6x1 gera debates no Plenário da Câmara" (Agência Câmara de Notícias, 12 de novembro de 2024, trecho)[1]

O texto, que estabelece jornada de quatro dias por semana e três de descanso, precisa do apoio de 171 deputados para começar a tramitar

12/11/2024 - 18:38

O fim da jornada de seis dias de trabalho para um dia de descanso (6x1) foi defendido em Plenário por deputados da base do governo, mas criticada por parlamentares da oposição, que defenderam a negociação direta entre empregado e empregador.

A deputada Erika Hilton (SP), líder do Psol, busca conseguir 171 assinaturas para poder apresentar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece a duração do trabalho de até oito horas diárias e 36 semanais, com jornada de quatro dias por semana e três de descanso.

Outra proposta já em tramitação na Câmara (PEC 221/19), do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz de 44 para 36 horas a jornada semanal do trabalhador brasileiro. Essa redução terá prazo de dez anos para se concretizar. O texto do deputado está na Comissão de Constituição e Justiça à espera de um relator desde março.

Atualmente, a Constituição estabelece que a jornada deva ser de até 8 horas diárias e até 44 horas semanais, o que viabiliza o trabalho por seis dias com um dia de descanso.

2) Alguns pontos importantes que os liberais não comentaram

Primeiro ponto: o traveco do PSOL claramente não teve a ideia sozinho. Segundo ponto: a notícia é de uma semana depois da eleição do Donald Trump para presidente dos Estados Unidos, com mais votos também no voto popular (em 2016, ele ganhou só no Colégio Eleitoral). Terceiro ponto: por que a "mainstream media" quis saber o que o deputado Nikolas Ferreira tinha a dizer sobre isso?[2] Vou explicar daqui a pouco qual a ligação.

Isso foi o que eu percebi logo no começo, mas vi mais coisas estranhas quando pesquisei mais. Quarto ponto: a PEC de Erika Hilton não apareceu nem na lista das atividades parlamentares na página da Câmara dos Deputados[3]; a que podemos ver (e parece que a direita não leu) é a n° 221/2019 do deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais[4], de 11 de dezembro de 2019. Quinto ponto: a trans representante do povo (se sente representante, mas é do PSOL) ganhou publicidade apoiando o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) de um certo Rick Azevedo, ex-balconista de farmácia do Rio de Janeiro (Erika Hilton é do estado de São Paulo). Sexto ponto: a origem do Vida Além do Trabalho é curiosa. O Rick Azevedo era balconista de farmácia e produtor de conteúdo no Tik Tok; um dia (13 de setembro de 2023), ele fez um desabafo despretensioso sobre a rotina de trabalho dele ainda no caminho para o trabalho e recebeu milhares de comentários no mesmo dia[5]; e o movimento que ele criou ficou tão grande que tem grupos no WhatsApp por estado[6] (se o Rick fosse da "extrema direita" e fizesse algo com muito menos sucesso, a imprensa tradicional já estaria perguntando quem está financiando, perguntando de onde vem o dinheiro e dizendo por que ele deveria estar preso). Sétimo ponto: a matéria da revista Exame de onde eu tive essas informações está datada de 11 de novembro de 2024, mas diz no final que "esta matéria foi publicada originalmente em janeiro de 2024".

3) A ligação dos pontos e um pouco sobre o debate que já foi feito

Como eu disse há pouco, esse debate nas redes e na imprensa do Brasil veio na semana seguinte à da eleição do Donald Trump para presidente dos Estados Unidos. Para o primeiro mandato, ele só ganhou no Colégio Eleitoral; dessa vez, ele ganhou também no voto popular. O que aconteceu no meio-tempo? O governo Joe Biden, do qual a concorrente na eleição deste ano foi a vice-presidente. Ou, segundo alguns, foi a governante mesmo, porque o titular não está muito bem da cabeça. A esquerda brasileira está tentando, então, se aproximar do povo de verdade? Sim, mas dentro do roteiro do Great Reset. Daqui a pouco, eu vou mostrar um sinal.

Oferecer um dia a menos de trabalho por semana para o cidadão comum é a grande oportunidade política para a esquerda ganhar aprovação deste cidadão comum enquanto expõe o outro lado. Oportunidade política, não eleitoral. Porque, como os mais espertos perceberam no isolamento social da CoViD-19, a preparação para a Agenda 2030 e o Great Reset são para separar o povo da classe política e dos funcionários dos Aparelhos Ideológicos de Estado, além de fechar o país quando o regime julgar necessário. A eleição pode ser fraudada de forma notória para pessoas inteligentes como aconteceu no Brasil e nos Estados Unidos, inclusive na eleição deste ano, em que a Kamala Harris perdeu por pouco demais. O brasileiro mediano ainda não percebeu como o venezuelano este ano que o voto dele não é considerado na eleição. Então, o debate não é para a esquerda ganhar votos nas eleições de 2026 (talvez alguns da esquerda aproveitem para isso), é para a esquerda ter ganho político. Um governo ditatorial repressor não faz exploração e atrocidades contra a população inteira o tempo todo, também distribui bondades de vez em quando. É assim hoje em áreas dominadas pelo crime organizado no Brasil, também foi assim em um governo muito elogiado pela esquerda brasileira até hoje, que foi o de Getúlio Vargas.

Mas eu disse há pouco que a esquerda está expondo o lado adversário. E foi bem nisso. Os liberais-conservadores em geral argumentam que o trabalhador ter 4 dias de trabalho semanais em vez de 6 vai provocar aumento de gastos com impostos, falências de pequenas empresas e desemprego. Aí eles mostram que são herdeiros pregadores de doutrina distante da prática. Por exemplo, a justificativa do projeto de emenda constitucional dá uma previsão de meio milhão de novos empregos no curto prazo só nas regiões metropolitanas.[7] Mas a questão nem é se a previsão está certa, é que a oposição nem sabe desta parte. Mas isso não significa que a esquerda ganhou o debate. Vou explicar mais ao final. Antes, preciso explicar o que a esquerda pode ganhar.

4) A jornada de 36 horas semanais é um oferecimento do vírus chinês?

Trecho daquela reportagem da revista Exame sobre o movimento Vida Além do Trabalho[8]:

Assim como o VAT (Vida Além do Trabalho) outros movimentos surgiram questionando as condições atuais do trabalho, com a pandemia sendo a linha de partida para muitas tendências. "O impacto da pandemia trouxe a reorganização e o reposicionamento de valores individuais e sociais no mercado de trabalho, afinal mostrou a fragilidade da vida e trouxe para muitos a reflexão e a necessidade de ter mais tempo para viver, além de trabalhar", afirma Andrea Deis, especialista em carreira e neurociência há mais de 20 anos e professora autônoma da FGV, Mackenzie, FIA e Dom Cabral.

Foi neste período de crise sanitária global que surgiram movimentos como a "grande renúncia" nos EUA, em que milhares de funcionários deixaram seus empregos em 2021. Esse movimento chegou no Brasil e desencadeou outras tendências no mercado de trabalho, como o "quiet quitting" em 2022, que ficou conhecido no Tik Tok por vídeos de profissionais americanos que defendiam limites bem estabelecidos entre trabalho e vida pessoal, correspondendo às obrigações, mas não fazendo mais ou menos do que o acordado no contrato.

Muita gente já esqueceu as empresas quebradas, os prejuízos econômicos que os ambulantes tiveram e as pessoas demitidas porque não aceitaram a picadura que veio da China. Afinal, histeria e semianalfabetismo não precisam de memória histórica. Então, se a "mainstream media" insistir em ligar o futuro e o presente ao que chama de pandemia, o povo pode ler o que ela escreve e se lembrar do passado, e pensar se uma gripe com coágulos justificou mesmo aquilo tudo.

Mas uma coisa que parece boa, mesmo na sociedade do Great Reset, é que podemos ver em breve o cumprimento de uma promessa de mais de um século: jornadas de trabalho menores com ferramentas mais produtivas, e ainda com menos desemprego. A jornada de 44 horas por semana pode ser mesmo acima do necessário. E por acaso, aquele texto do Fórum Econômico Mundial sobre o Great Reset (aquele que foi tirado do portal, mas para o qual o próprio Klaus Schwab deixou atalho em um artigo dele[9]) dizia que o Capitalismo é meio malvado.

5) A minha opinião

A ideia da jornada de 36 horas semanais é boa e tem como dar certo. A geração de empregos é uma certeza inclusive em pequenas empresas, mesmo que não sejam cerca de 20% (44 ÷ 36 = 1,22). Porque serão menos desempregados e empregados com mais tempo semanal para vida econômica. Você que tem jornada de 6 dias por semana pode ter notado quantos estabelecimentos só vê fechados, porque eles ainda não abriram quando você passa por eles no caminho pro trabalho e eles já fecharam quando você está voltando pra casa. Mesmo quem trabalha 40 horas por semana em 5 dias já notou o quanto precisa do favor da chefia para uma consulta médica ou para procurar um serviço público. Essa jornada menor pode ajudar nos projetos de Cidade 24 Horas e também no trânsito urbano.

Os liberais, descrevendo o projeto de lei como um holocausto nuclear da economia brasileira, mostram que são analfabetos políticos e desconhecedores até daquilo que eles mais badalam, que é a Economia. É a caricatura que eu faço de que ultraliberal (que se denomina anarcocapitalista) é herdeiro de latifundiário réu da Justiça do Trabalho e encara um governo de esquerda como o primeiro limite que encontrou na vida. Mas isso não exclui as teses de que muitos liberais são pessoas de boa índole e de que eles são melhores que os esquerdistas no sentido moral, mesmo se confundirmos moral com falta de sexo.

E por falar em sexo, a jornada de 4 ou 5 dias de trabalho por semana vai ajudar os casais a ficarem mais juntos, e, consequentemente, se separarem. Hua, hua, hua, hua, hua! Os homens solteiros terão mais tempo para a prostituição. Olha só, mais oportunidades de emprego ou de receita! Vai lá, garota! Eu também vou ter mais oportunidades para a pros... o lazer com os amigos.

6) É verdade, este não é um debate de esquerda versus direita

A esquerda recente não é adversária do Liberalismo, é adversária do povo de verdade e da inteligência humana no sentido da integração com o mundo real. Então, nós não temos oposição política entre esquerda e direita, temos oposição política entre loucura (no sentido bíblico e no sentido clinico) e sanidade mental. Não é por acaso que o movimento do ano passado e o projeto de emenda constitucional de quase 5 anos atrás foram associados há cerca de uma semana a uma deputada transexual do PSOL: não tenho como provar, mas é claro que o traveco foi escolhido pro palco. Por sinal, você percebeu como o Movimento LGBTQIA+ dá menos destaque para o G de gay? Porque esse movimento é a cara da esquerda: o homossexual masculino é mais saudável que as outras letrinhas da sopa. Como eu já disse em outras ocasiões, o transexualismo não é disforia sexual, é transtorno psiquiátrico. A esquerda brasileira quer associar o seu projeto mais conectado ao povo de verdade dos últimos cerca de 20 anos, a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais em 4 ou 5 dias, a um dos seus militantes que não tem conexão mental nem com o próprio corpo.

Então, ser contra a esquerda não é ser contra o Marxismo, porque a esquerda deixou de ser ideologia intelectual, nem ser de direita. O contrário de ser de esquerda é ser uma pessoa normal do povo de verdade. Na falta de uma identificação formal melhor, chamamos o antiesquerdismo de direita. E na falta de uma referência melhor pra gente procurar um candidato pra votar, nós procuramos entre os candidatos que se identificam como de direita, ou os que a esquerda identifica como extrema direita, machistas, misóginos, racistas, homofóbicos, nazifascistas. Por isso, mesmo que a ideia da esquerda seja piorar a imagem da direita, e mesmo que a própria direita mostre muita burrice, a esquerda não vai ganhar votos do povo de verdade; no máximo, vai tirar alguns votos da direita para o Centro (que também é esquerda, mas parece menos maluco).

Dado que a esquerda recente é notória na distância da vida normal do povo de verdade, temos a coisa que parece curiosa de que pessoas que não se identificam com o Liberalismo e o Conservadorismo apoiam candidatos da direita. Ou, desde 2018, Jair Bolsonaro. Eu mesma, ateia e não muito afeita ao patriotismo, apoiei o candidato e o presidente que tinha o slogan "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". E mesmo vivendo a licenciosidade, votei neste candidato que se anunciava conservador e defensor da família. Porque para mim (e, por exemplo, alguns homossexuais), ele parecia mais perto da normalidade que os concorrentes da esquerda. E assim podemos ter milhões de trabalhadores trabalhando um dia a menos por uma emenda constitucional de deputados da esquerda elegendo deputados da direita porque eles percebem que estes os representam melhor.

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[1] "Proposta de redução da jornada de trabalho e fim da escala 6x1 gera debates no Plenário da Câmara". Agência Câmara de Notícias, Câmara dos Deputados, 12 de novembro de 2024. https://www.camara.leg.br/noticias/1110526-proposta-de-reducao-da-jornada-de-trabalho-e-fim-da-escala-6x1-gera-debates-no-plenario-da-camara

[2] "Fim da escala 6x1: Nikolas Ferreira é cobrado nas redes por não ter assinado PEC". Sonar - A Escuta das Redes, O Globo, 10 de novembro de 2024. https://oglobo.globo.com/blogs/sonar-a-escuta-das-redes/post/2024/11/fim-da-escala-6x1-nikolas-ferreira-e-cobrado-nas-redes-por-nao-ter-assinado-pec.ghtml

[3] https://www.camara.leg.br/busca-portal?contextoBusca=BuscaProposicoes&pagina=1&order=data&abaEspecifica=true&q=Erika%20Hilton

[4] [7] PEC 221/2019, https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2233802

[5] [8] "'Minha missão é acabar com a escala 6x1', diz criador do Movimento VAT (Vida Além do Trabalho)". Exame, 11 de novembro de 2024. https://exame.com/carreira/escala-6x1-movimento-vat-vida-alem-do-trabalho

[6] VAT Pela Vida Além do Trabalho, https://linktr.ee/movimento_vat

[7] Nota 4.

[8] Nota 5.

[9] "Now is the time for a 'great reset'". Klaus Schwab, World Economic Forum, 03 de junho de 2020. https://www.weforum.org/agenda/2020/06/now-is-the-time-for-a-great-reset

Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "A jornada de 36 horas semanais no Brasil e a disputa entre a burrice e a loucura", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2024/11/jornada-de-36-horas-semanais.html
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "A jornada de 36 horas semanais no Brasil e a disputa entre a burrice e a loucura", https://avezdoshomens.blogspot.com/2024/11/jornada-de-36-horas-semanais.html
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

AddToAny