Pesquisar este blog

sábado, 9 de janeiro de 2021

Por que você precisa ter compostura nas palavras

Abigail Pereira Aranha

Estamos tendo uma certa tendência de palavrões e até um pouco de vulgaridade no meio antiesquerdista e antifeminista, inclusive por homens que se anunciam conservadores. A ideia deles é popularizar as ideias que eles compartilham com um formato que pode dar mais visibilidade para o próprio veículo (blogue, perfil de rede social, canal do YouTube). Isso é ruim e vou explicar por que. Já adianto que não é uma questão de hipersensibilidade.

Pra começar, o que você estaria DIZENDO com um palavrão ou um termo chulo? Seria um reforço de alguma outra palavra na mesma frase? A língua culta já tem opções "limpas": os advérbios de intensidade e as hipérboles. Seria uma metáfora? Como você compara "bosta" com uma música ou com um veículo de transporte público? Se você já fez esse tipo de coisa e nunca pensou nisso, você nunca pensou no que realmente estava dizendo, o que dá indício de que você na verdade não disse nada. O uso banalizado de uma palavra "forte" enfraquece a própria palavra.

Você CONSEGUE não usar uma palavra vulgar quando pensa em xingar? Há a possibilidade de você não estar pensando em dizer alguma coisa objetiva. Mas também há a possibilidade de você ter um baixo domínio da língua nativa ou um vocabulário deficiente. Considerando que você faz uso humano da linguagem, você teria de se desenvolver no domínio do seu idioma nativo. E se você mora em um lugar cujo idioma não é o mesmo de onde você aprendeu a falar? Você tende a pensar em seu idioma nativo. Se a associação de palavras a coisas na sua mente não for feita no seu idioma nativo, será feita no idioma de onde você reside. Ah, e existem palavras de um idioma que não têm uma tradução simples em outro, e uma dessas palavras pode lhe parecer melhor pra você expressar uma ideia mesmo que você nunca tenha saído do seu país de origem. Algumas dessas palavras são incorporadas até sem tradução no vocabulário do outro idioma, como palavras do latim no idioma inglês ou do árabe no idioma português. Mas não existem termos chulos sem tradução, porque esses termos se referem a partes do corpo humano, se referem a coisas que saem do corpo humano ou se referem a, digamos, uma obscenidade internacional.

O uso excessivo de palavrões e termos chulos pode ser entendido como desequilíbrio psicológico ou mesmo psiquiátrico? E em uma exposição, como falta de argumentos e de conteúdo? Em boa parte, o "preconceito" é justo, como procurei demonstrar aqui.

Agora, o que talvez seja a objeção principal: como abordar um assunto "feio" sem "nomes feios"? Na verdade, para pessoas que sabem se expressar, o problema nem existe. Como a espécie humana tem uma experiência geral com coisas desconfortáveis e desagradáveis, não existe idioma sem palavras "limpas" para essas coisas. A associação de "merda", "lixo" ou "porra" a alguma coisa tem uma aplicabilidade muito limitada, limitada às próprias características sensíveis (organolépticas) dos objetos a que essas palavras correspondem no seu sentido literal original. E quando a associação é usada para descrever algo, por exemplo, em Política, é uma inadequação que é irritante e contraproducente; a não ser que seja, por exemplo, para descrever a sujeira depois de um certo evento público em uma determinada cidade.

Mas é logo a Abigail Pereira Aranha, essa puta ateia que compartilha pornografia, quem vai escrever sobre compostura? Pessoal, só porque eu sou ateia, eu não tenho de ser boca-suja. Até porque isso não fica atraente para beijos e boquetes. Ops! Fui usar um termo que é uma figura de linguagem e saiu uma piadinha de licenciosidade. Usei um termo descritivo composto de duas palavras que levam a uma descrição de uma outra coisa, que me inspirou uma frase que descreve uma terceira coisa. Essa terceira coisa não agrada algumas pessoas, algumas das quais usam palavras chulas irrefletidamente. E eu encontro nas redes sociais, com certa frequência, quem diz que eu sou o "fake" de algum homem. A minha resposta tem sido "fake é a minha pica". O que é falso ou fictício é o pênis que essas pessoas dizem que eu tenho. Mas algumas dessas pessoas entendem que eu confessei que sou um "fake" e tenho uma pica. Aqui, e no caso da piadinha logo antes, aparece um problema do uso irrefreado de palavras chulas: a pessoa vê uma outra pessoa usar palavras "feias" (não apenas as palavras chulas) e pensa que o uso delas é igualmente oco e desnecessário. Bom, na verdade, são dois problemas, o segundo inclui o primeiro: a repulsa automática contra a simples menção de assuntos inteiros, entre os quais o mais comum e notório é a heterossexualidade. Daí, nem todos os conservadores dos palavrões me xingam de ateia ou vadia: a maioria sequer lê um simples comentário em rede social que eu escrevo, por falta de capacidade intelectual.

Não é preconceito ver um filme ou um livro que usa cenas soltas de seminudez, nudez, sexo e falas vulgares como uma obra com um enredo pobre que precisa "apelar". Geralmente, a própria obra confirma. Mas algo parecido aconteceu no discurso político-ideológico dos dois lados quando fizeram a mesma coisa. A esquerda parece que estava muito preocupada em atacar o Cristianismo (tradicional) e se perdeu no conteúdo da revolução, então fez a Marcha das Vadias e a Parada LGBT. Os liberais e os conservadores ainda estão tentando ganhar o espaço que a esquerda perdeu, então trouxeram alguns blogueiros, vlogueiros e tuiteiros que fazem um uso desmedido de termos vulgares pra protestar contra o "politicamente correto".

Questo testo in italiano senza fumetto, foto e video di dissolutezza in Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "Perché devi avere compostezza nelle parole", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2021/01/perche-devi-avere-compostezza-nelle-parole.html.
Questo testo in italiano con fumetto, foto e video di dissolutezza in Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "Perché devi avere compostezza nelle parole", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2021/01/perche-devi-avere-compostezza-nelle-parole.html.
Ce texte en français sans bande dessinée, photos et vidéos de libertinage au Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "Pourquoi vous devez avoir du sang-froid dans les mots", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2021/01/pourquoi-vous-devez-avoir-du-sang-froid-dans-les-mots.html.
Ce texte en français avec bande dessinée, photos et vidéos de libertinage au Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "Pourquoi vous devez avoir du sang-froid dans les mots", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2021/01/pourquoi-vous-devez-avoir-du-sang-froid-dans-les-mots.html.
Eso texto en español sin cómics, fotos y videos de putaría en Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "Por qué necesitas tener compostura en las palabras", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2021/01/por-que-necesitas-tener-compostura-en-las-palabras.html.
Eso texto en español con cómics, fotos y videos de putaría en Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "Por qué necesitas tener compostura en las palabras", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2021/01/por-que-necesitas-tener-compostura-en-las-palabras.html.
This text in English without licentiousness comics, photos and videos at Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "Why you need to have composure in words", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2021/01/why-you-need-to-have-composure-in-words.html.
This text in English with licentiousness comics, photos and videos at Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "Why you need to have composure in words", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2021/01/why-you-need-to-have-composure-in-words.html.
Texto original em português sem cartum, fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "Por que você precisa ter compostura nas palavras", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2021/01/por-que-voce-precisa-ter-compostura-nas-palavras.html.
Texto original em português com cartum, fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "Por que você precisa ter compostura nas palavras", https://avezdoshomens.blogspot.com/2021/01/por-que-voce-precisa-ter-compostura-nas-palavras.html.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Da realidade à teoria

Abigail Pereira Aranha

1) Teoria da Teoria

A qualidade de um ideário ou de um enunciado é medida em como descreve o mundo real. A autoridade de alguém está em quanto acerta em descrever ou prever o mundo real. Sem a concordância com o mundo real, livros inteiros perdem o valor mesmo quando dizem que representam a Ciência, a verdade ou o mundo como ele é. Sem a concordância com o mundo real, ninguém é especialista em qualquer assunto, a não ser talvez na mentira, mesmo que tenha algo que parece um currículo imponente. Vale aquele princípio de Deuteronômio 18: 22: "Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele". E a observação do mundo real é o chamado senso comum, que os mal intencionados que querem se passar como iluminados confundem com preconceito coletivo.

Tudo isso que eu disse soa estranho para o público geral, mesmo quando países como o Brasil têm um percentual irrisório de analfabetos e um aumento considerável de pessoas com formação universitária. Mas a desconexão entre corrente de ideias e realidade não é exclusividade do Brasil, nem é novidade trazida pelo movimento socialista. Aliás, sem essa desconexão, nenhuma religião existiu ou seria possível, como qualquer ateu ou agnóstico pode explicar se contar a sua experiência de como saiu do meio religioso.

Quando a pessoa percebe que o mundo real é externo a ela mesma e ao seu ideário, essa pessoa pode, se reconhecer valor no senso comum e no mundo real, abandonar a sua crença. É o caso que eu mencionei de passagem há pouco, dos ateus que eram religiosos. Essa pessoa também pode ter a mesma crença de forma mais moderada ou pode (por que não?) ter a mesma crença fortalecida. Para pessoas mentalmente íntegras, isso depende do contato com o mundo real e das crenças que a pessoa tinha antes. Mas a pessoa doutrinária sempre vai ao mundo real sem sair da sua crença. Porque a sua base mental (não só intelectual) é a própria crença, não o intercâmbio racional com o mundo real. Quando a pessoa doutrinária volta do mundo real, parece ter comprovado as suas ideias, mas como se o seu ideário fosse a base do mundo real, não vice-versa.

Não basta para a teoria ter uma previsão de um dado ou um acontecimento do mundo real, assim como não basta o crente (aquele que tem uma crença) expor as suas ideias no meio de muitas provas de coisas verdadeiras. A condicional "se p, então q" só é verdade se q acontece sempre que p acontece. Dizer que p aconteceu porque q aconteceu é a Falácia de Afirmar o Consequente. Mostrar supostas provas de q cuja conclusão lógica, em vez de p, é r é a Falácia da Conclusão Irrelevante. Também temos a Falácia da Equivocação, que é usar o mesmo termo com dois significados no mesmo argumento. Também temos a Falácia da Falsa Causa, que é afirmar que p é causa de q só porque p aconteceu primeiro. Eu dei aqui uma pequena revisão de Lógica pra explicar melhor.

2) Não entendeu?

Se isso tudo ficou muito abstrato, vou dar um exemplo rápido que vai esclarecer. Volto ao caso dos ateus que foram religiosos. Por que todo cristão que debate sobre Cristianismo ou Ateísmo com um ateu de verdade vira pó? Porque se você conversar com um cristão sobre os ateus, é possível você notar que o ateu desse cristão não é baseado em ateus de pesquisa de campo, mas na doutrina cristã mais alguns preconceitos generalizados no meio cristão. Mas com o cristão do ateu, acontece o contrário: este é baseado no Cristianismo em si, nos cristãos que ele conheceu e nele mesmo quando era cristão.

Um outro exemplo: por que o movimento antipornografia e o movimento abolicionista contra a prostituição não conseguem nada além de agitar uma bolha já existente? Na verdade, duas bolhas: uma do LGBT-Feminismo e uma conservadora. Porque a pornografia e a prostituição destes movimentos são os preconceitos de lésbicas psicóticas e de caipironas de beleza medíocre que não têm coragem de ter e dar uma relação sexual decente. Tudo que elas dizem é a crença de que sexo (heterossexual) é agressão contra a mulher ou pecado. Tudo que essas mulheres descobrem sobre a prostituição, a pornografia e até os "softcores" é exatamente o que elas sempre souberam desde quando começaram a se enturmar com lésbicas simiescas ou na classe de adolescentes da Escola Dominical da igreja da mãe. Ah, mais uma revisão de Lógica: admitir como premissa a própria conclusão a que se quer chegar é a falácia da Petição de Princípio.

Eu mesma sou ateia, licenciosa e defensora da pornografia e da prostituição; nenhum texto que eu escrevi pressupõe o Ateísmo ou a negação da castidade para ser válido. Mas nós vimos por aí textos e livros inteiros que podem ser fulminados se refutarmos ou não admitirmos algum postulado católico, ou liberal, ou feminista, ou evolucionista, etc.

Aproveito que eu mencionei o movimento antipornografia pra dar mais um exemplo da teoria fora da realidade. Na prática, no mundo real, as feministas e os conservadores contra o trabalho sexual são concordantes (com mesmo coração). Mas segundo eles mesmos, as lesbofeministas estão batendo de frente contra a sociedade baseada no Cristianismo e os conservadores estão denunciando, numa via indireta, o esquerdismo satânico e pedófilo.

3) Mais algumas notas

Volto ao meu caso pessoal pra deixar uma ilustração: eu já tive quem disse que eu defendo o Ateísmo e a prostituição pra legitimar a minha vida não-casta. Sim, eu levo pau na buceta, na boca e no cu, às vezes ao mesmo tempo. Mas eu não faço uma redação em formato filosófico da minha vida pessoal e do meu interior repreensível. É o contrário: é o meu dia-a-dia que representa o que eu mostro que penso, e também é a minha vida que justifica o Ateísmo. Fazer sexo "completo" com 4 homens hoje e com um homem casado e um filho dele amanhã demanda uma série de cuidados físicos, sanitários, jurídicos, de segurança e financeiros que eu não comento nos meus blogues; mas por causa desses cuidados eu posso dizer que putaria é algo bom. Isso vale para outras coisas que eu defendo e que eu digo. Mas é curioso que tanto religiosos (especialmente cristãos) quanto anticristãos pregadores de um mundo melhor pareçam não conceber que uma pessoa tenha uma visão do mundo além das conveniências e das mesquinharias pessoais, tenha uma vida de acordo com o que diz acreditar e pregue algo que dá certo se praticado.

Temos mais uma questão: quem vocifera as próprias ideias para responder uma ideia supostamente contrária faz pregação, não refutação. A refutação de uma afirmação é feita a partir da própria afirmação, não de uma crença contrária. Por exemplo, nós não refutamos o Criacionismo admitindo como princípio que a Teoria da Evolução é ciência, assim como não refutamos a Teoria da Evolução citando a Bíblia. Tanto a refutação do Criacionismo quanto a do Evolucionismo virão de algo externo aos dois. A comprovação também.

Bom, isso vem de outra questão: até que ponto os defensores de certas ideias têm palavras compreensíveis pra quem não concorda ou não é habituado com elas? Melhor: até que ponto eles mesmos entendem ideias externas ou o público externo? Uma área do conhecimento precisa de um vocabulário próprio para comunicação mais rápida entre os conhecedores, e o uso desse vocabulário por eles pode até cair num certo automatismo. Mas "tribos" também podem desenvolver um vocabulário próprio que cai no mesmo automatismo, mas, neste caso, isso combina sedentarismo intelectual com falta de costume com público externo ou, talvez, com o mundo externo. E isso é conhecido como "bolha". Vou dar alguns exemplos. O termo "Ativismo de Direitos Humanos dos Homens" não traz dificuldade de compreensão genérica pra quem nunca o viu antes, mas "ADHH" ou "ADH" sim. Leitora lésbica feminista, você já encontrou uma mulher normal perguntando o que é "cultura do estupro"? Leitor cristão conservador do Brasil ou de Portugal, você conseguiria explicar o que é a Bíblia ou quem é Jesus para, por exemplo, um tailandês que está no seu país há pouco tempo (mas que conheça bem o idioma)? Os exemplos que eu mostrei, chamo a sua atenção aqui, não são de exercícios de explicação oral ou escrita, são exercícios de associação de palavras próprias de uma comunidade a elementos reais que são externos a essa comunidade.

Tudo isso que eu disse não é sobre trapaceiros intelectuais ou doentes mentais tagarelas, é sobre pessoas de boa índole que não se deram conta das falhas das ideias em que acreditam. Tudo isso se aplica no grande problema que temos hoje na área sociopolítica pelo menos do Brasil e dos Estados Unidos, em que a oposição a esquerdistas psicopatas e progressistas esquizofrênicos é de, no máximo, conservadores que são de boa índole e corajosos, mas dogmáticos.

Questo testo in italiano senza foto e video di dissolutezza in Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "Dalla realtà alla teoria", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2020/12/dalla-realta-alla-teoria.html.
Questo testo in italiano con foto e video di dissolutezza in Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "Dalla realtà alla teoria", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2020/12/dalla-realta-alla-teoria.html.
Ce texte en français sans photos et vidéos de libertinage au Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "De la réalité à la théorie", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2020/12/de-la-realite-la-theorie.html.
Ce texte en français avec photos et vidéos de libertinage au Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "De la réalité à la théorie", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2020/12/de-la-realite-la-theorie.html.
Eso texto en español sin fotos y videos de putaría en Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "De la realidad a la teoría", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2020/12/de-la-realidad-la-teoria.html.
Eso texto en español con fotos y videos de putaría en Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "De la realidad a la teoría", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2020/12/de-la-realidad-la-teoria.html.
This text in English without licentiousness photos and videos at Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "From reality to theory", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2020/12/from-reality-to-theory.html.
This text in English with licentiousness photos and videos at Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "From reality to theory", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2020/12/from-reality-to-theory.html.
Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "Da realidade à teoria", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2020/12/da-realidade-teoria.html.
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "Da realidade à teoria", https://avezdoshomens.blogspot.com/2020/12/da-realidade-teoria.html.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Uma nação contra o Espírito Santo - parte 2: a pastora vadia

Abigail Pereira Aranha

1) A Bíblia diz… eu, porém, vos digo

A Bíblia diz em 1 Coríntios 1: 22 e 23: "Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos". Os cristãos atuais veem aqui uma exaltação da burrice e do analfabetismo.

A Bíblia diz em 2 Coríntios 3: 6 B: "Porque a letra mata e o espírito vivifica". O autor discute o Velho Testamento ("a letra") e o Novo Testamento ("o espírito"). Os cristãos atuais veem aqui a glorificação do analfabetismo funcional.

A Bíblia diz em João 10: 16 (Nova Almeida Atualizada): "Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco. Preciso trazer também estas. Elas ouvirão a minha voz e, então, haverá um só rebanho e um só pastor." Jesus falava dos judeus e gentios salvos na igreja dele mesmo. Os cristãos atuais veem aqui cristãos genuínos, cristãos relapsos e hereges sob a liderança do Falso Profeta.

A Bíblia diz em Romanos 3: 23: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Os cristãos atuais veem aqui o consolo divino de que o resto do mundo é tão cínico, imoral e calhorda quanto eles mesmos.

A Bíblia diz em Isaías 64: 6 A: "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia". O texto é sobre uma nação pecadora assumindo os próprios pecados. Os cristãos atuais veem aqui a licença da inveja de quem é e mostra ser melhor que eles.

A Bíblia diz em Efésios 2: 8 e 9: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." Os cristãos atuais veem aqui a licença da profissão de fé medíocre. Mas a própria Bíblia esclarece já no verso seguinte: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas". Para esclarecer, diz em Tiago 2: 20 (Almeida Revista e Atualizada): "Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?"

A Bíblia diz em Mateus 7: 1 e 2: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós." Ninguém que tenha uma vida de caráter e inteligência se preocupa em ser condenado pelos próprios padrões. Os cristãos atuais veem aqui uma ameaça celestial contra quem tem autoridade moral e mental para expor a eles mesmos em seus pecados.

A Bíblia diz em Provérbios 12: 10 (Almeida Revista e Atualizada): "O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel". O autor mostra que o justo tem integridade de pensamento e de conduta. Os cristãos atuais podem ver aqui uma pregação do ambientalismo misantropo ou do vegetarianismo (sim, eu já vi essa interpretação).

A Bíblia diz em Mateus 21: 31 B: "Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus". Os cristãos mais estridentes que me conhecem não dizem nada porque se lembram de mim, e eu nem acredito em Deus.

2) A pastora vadia

A Bíblia diz em Mateus 12:34 B: "Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca". Isso pode incluir a promoção de uma imagem falsa. Aí, a abundância não é de virtude, mas de aparência e de desejo de aparência. Por sinal, Jesus estava se dirigindo aos fariseus quando disse isso. Mas é curioso que para o cristão típico atual, isso não vale para a virtude ou para o zelo cristão. Quando a boca fala em honradez, este cristão entende que está diante ou de um farsante (quando a pessoa é verdadeira) ou de um semelhante (quando é mesmo um farsante).

Como eu expliquei na parte 1, o pecado contra o Espírito Santo não pode ser outra coisa além da rejeição da verdade em si, que acaba levando à incapacidade para percebê-la. Essa rejeição leva à desconexão entre a fala e a realidade, e isso leva à dificuldade pavorosa para entender a própria Bíblia.

Em lugares onde uma outra religião é (literalmente) dominante, os cristãos podem ser hostilizados ou perseguidos só por serem de outra crença. Mas os ateus atacam o Cristianismo não tanto pela questão da inteligência da fé, mas principalmente pela questão da conduta dos cristãos. Por exemplo, Gálatas 5: 22 e 23 (Almeida Revista e Atualizada): "Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei." Qual ateu vê mal nisso? Mas com que frequência um ateu vê isso na vida de um cristão? Aí, o ateu olha pro estilo de vida do cristão, vê falsidade, trejeitos, ignorância, falta de qualidade de vida, terrorismo pra vida dele e pra vida dos outros. Aí o ateu aplica o princípio bíblico em Mateus 7: 18: "não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons".

Com tudo isso, a igreja cristã como um todo é como uma igreja com uma pastora vadia. Antes, especialmente na Idade Média e na Idade Moderna, o pecado contra o Espírito Santo era tentar engolir o próprio mundo real. Hoje não dá mais. Mas ultimamente, a igreja mistura o pior dela mesma no passado, especialmente o aspecto antissexo, com a parte mais louca do que tem o nome de Progressismo. Aí, eu tinha uma "pastora vadia" como metáfora, nós temos literalmente pastoras pouco tradicionais. Pra começar, mulher não pode ser pastora nem apóstola. E algumas igrejas têm mulheres pastoras, bispas, apóstolas que são lésbicas ou bissexuais, e outras que são... sensuais. Essas são só imagens rápidas de como está hoje o Cristianismo como um todo. Na verdade, a nação como um todo.

Vou encerrar com uma profecia dirigida à nação de Israel que mostra como a desconexão com o mundo real pode produzir muita manifestação exterior acompanhada de pouca moral. Amós 5: 23 e 24 (Almeida Revista e Atualizada): "Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras. Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene."

Uma nação contra o Espírito Santo
parte 1 no A Vez das Mulheres de Verdade parte 1 no A Vez dos Homens que Prestam
parte 2 no A Vez das Mulheres de Verdade parte 2 no A Vez dos Homens que Prestam

sábado, 19 de setembro de 2020

O SARS-CoV-2 e o analfabeto do século XXI

Obrigada ao Jewish News Reporter pela imagem.[1]

Abigail Pereira Aranha

1) O analfabeto do século XXI, segundo Alvin Toffler

Uma frase famosa de Alvin Toffler é "o analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender". Pra mim, essa frase sempre foi no mínimo estranha, porque "desaprendizado" é como "desexperiência"; pelo menos se falamos da trajetória mental de pessoas com alguma decência cerebral, que, em vez de subtrair, soma verdades, conhecimentos e habilidades. É estranho que alguém que parece desconhecer o próprio conceito de aprendizado escreva um livro intitulado "Choque do Futuro" querendo ser levado a sério, e mais estranho ainda que o autor consiga.

2) Notas sobre a linguagem humana

Ironicamente, o analfabeto de Alvin Toffler existe no século XXI: é o que era conhecido como pessoa inteligente e não levada por modismos no século XX. Os não-analfabetos do século XXI, que sabem desaprender, são nossos estudantes e professores universitários, nossos políticos, nossos postos de comando da Administração Pública e das empresas privadas, nossos jornalistas, etc. Os leitores brasileiros vão se lembrar do Brasil, que entre os 10 maiores PIB's do mundo há mais de 30 anos, fica entre os piores resultados para o 1º e o 2º graus em avaliações internacionais, está praticamente fora da lista das 250 melhores universidades do mundo, não tem Prêmio Nobel e quase não tem pessoa ou empresa de relevância internacional. Mas o caso do "coronavírus" mostra que o Brasil não era o único país da América com um nível intelectual tão baixo; por sinal, mostra que o Primeiro Mundo não tinha tanta inteligência quanto imaginávamos. Pra começar, "coronavírus" é um termo errado. Vou explicar por que e aí entramos no ponto.

Ou melhor, vamos começar a entrar no ponto pelo que é a linguagem humana. Em linhas gerais, a linguagem humana é um conjunto de signos (como palavras, sons ou gestos) que isoladamente representam elementos do mundo real ou ligam outros signos. Não basta que os signos existam, a linguagem também precisa se associar ao mundo real. Daí, a linguagem escrita e a oral também têm, além dos significados dos signos, as regras para associar os signos. Bom, considerando o mundo real já conhecido, a linguagem humana escrita ou oral também pode descrever um objeto do mundo real ainda não existente (um material publicitário de uma obra pública que ainda não começou é um exemplo disso) ou uma ficção (por exemplo, para quem leu um romance que aconteceu em um lugar fictício, o nome deste lugar remete a alguma coisa que pode até ser comparada com lugares reais).

3) O novo coronavírus na linguagem humana

Agora eu volto ao termo "coronavírus". Pra começar, "coronavírus" não é um vírus[2]:

Os coronavírus são uma grande família de vírus comuns em muitas espécies diferentes de animais, incluindo camelos, gado, gatos e morcegos. Raramente, os coronavírus que infectam animais podem infectar pessoas, como exemplo do MERS-CoV e SARS-CoV. Recentemente, em dezembro de 2019, houve a transmissão de um novo coronavírus (SARS-CoV-2), o qual foi identificado em Wuhan na China e causou a COVID-19, sendo em seguida disseminada e transmitida pessoa a pessoa.

Então, "novo coronavírus" ainda é um termo descritivo, mas usar o termo "O coronavírus" denuncia que a pessoa não tem noção do que está dizendo. Ou melhor, isso mostra que a pessoa não está dizendo nada nem entende o que lê ou ouve sobre o SARS-CoV-2, ou "novo coronavírus". Pior: essa pessoa acha uma picuinha o que eu disse há pouco, sobre usar termos corretos para no mínimo parecer que está se referindo a alguma coisa no mundo real. Quem pensa isso desconhece a linguagem humana, naquilo que eu abordei e em outros pontos que eu vou explicar agora.

4) Mais notas sobre a linguagem humana e o novo coronavírus

O uso da linguagem humana tem um emissor, um destinatário, uma mensagem e um canal. E a mensagem na linguagem falada ou escrita usa signos da linguagem usada (o idioma) para se referir a um objeto que pode ser da própria linguagem, de outra linguagem (por exemplo, uma palavra em uma tradução para outro idioma) ou externo às linguagens (frequentemente do mundo físico).

Eu expliquei algumas coisas sobre a linguagem humana até aqui, e vou explicar outras mais adiante, dentro da linguagem oral e da linguagem escrita, mas tudo isso vale também para as artes visuais, como desenhos, pinturas, esculturas, bonecos e fotografias. Nessas artes visuais, nós não temos exatamente um dicionário de signos e significados, mas elas podem transmitir uma mensagem pelo menos dentro da cultura local.

No que eu disse sobre o "novo coronavírus", eu não entrei nas questões de o que é a doença CoViD-19, de qual a diferença entre CoViD-19 e gripe comum ou pneumonia comum, de como é feita a onda de pânico da chamada pandemia, de qual o interesse político na chamada pandemia e de por que o vírus ganhou merecidamente o apelido de "vírus chinês". Não vou entrar nesses aspectos aqui para não confundir os leitores e não sair muito do ponto.

O analfabeto de Alvin Toffler não desaprendeu que "quarentena" é pra isolar os doentes das pessoas sem a doença; nem que máscaras faciais servem para pessoas com doenças respiratórias não transmitirem a doença a outras pessoas. O caso das máscaras faciais não é de signos, mas é um exemplo da consequência da desconexão entre linguagem e mundo real. Quando as palavras de uma pessoa perdem ligação com o mundo real, primeiro as palavras podem perder ligação até entre elas mesmas. Já não é raro e é cada vez mais comum um artigo jornalístico que prova em um parágrafo o contrário do que disse em outro. Depois, o que se perde é a própria ideia de conexão entre os objetos conexos do mundo real. Por exemplo, o confinamento social (não "quarentena"), o fechamento de comércios e o uso de máscaras não diminuíram em nada o avanço do tal "o coronavírus" e quase ninguém percebeu, e mais ainda, muitas pessoas passaram 3, 4, 5 meses no isolamento social de suas casas esperando o "pico da pandemia" no mês seguinte, de uma doença cujo período de incubação é até 14 dias. Em outro exemplo, essa chamada pandemia é observável por mais atrocidades políticas e policiais, empresas falidas, pessoas desempregadas e atendimentos adiados (inclusive atendimentos médicos para outras doenças) do que casos da doença em questão, e quase todos ainda tratam isso como uma pandemia de verdade. A doença dessa pandemia mortal, aliás, tem 5% de mortalidade. Mas ninguém vê algo errado nisso se não for um analfabeto de Alvin Toffler.

5) Mais notas sobre a linguagem humana

A questão aqui não é se o público geral tem leituras erradas ou se informa pelos noticiários errados, é a desconexão entre linguagem e realidade para a maioria da população. Agora vou usar um exemplo fora do caso da CoViD-19: existe a palavra "Nazismo", existiu um sistema sociopolítico no mundo real ao qual foi associado este signo, existe a definição de Nazismo (a definição não é o objeto, é a intermediação entre o objeto e o signo), existem informações escritas além da definição que esclarecem o que foi o Nazismo; mas a maior parte do uso da palavra "Nazismo" hoje não tem relação com os elementos do mundo real e sequer com a definição. Se dissermos a alguém que faz esse uso dessa palavra que o Nazismo acabou nos anos 1940 quando Adolf Hitler perdeu uma guerra e se suicidou com a sua esposa, isso causa estranheza, pra dizer o mínimo.

Um outro exemplo: "crime de ódio" ou "discurso de ódio". "Odiar" é um verbo transitivo, portanto um verbo que requer um complemento, um objeto. O mesmo se aplica ao substantivo "ódio". Mas quem fala em "crime de ódio" ou "discurso de ódio" não diz qual é esse objeto e parece pensar que nem existe essa pergunta. Mais um exemplo: as mesmas pessoas dirão que não existe racismo contra brancos como conceito, mesmo que a palavra "racismo" signifique discriminação de uma etnia (ah, também existe racismo a favor). Esses dois exemplos não são distração nem pressuposição de um consenso geral (ou pelo menos consenso entre os progressistas), são exemplos de uma fala tão desconectada da realidade que tem desconexão dentro da própria linguagem.

6) Notas sobre aqueles que deviam viver do conhecimento da linguagem humana

E mais um exemplo prático do desaprendizado da linguagem humana é o que acontece com o setor de publicidade e propaganda no Brasil, que chegou ao ponto de ter o governo (nas três esferas) como principal cliente no governo PT. Isso afetou também o jornalismo, porque os periódicos tinham os anúncios como sustento. Mas na publicidade, na propaganda e no jornalismo, volto àquela revisão sobre os elementos da linguagem. Quem era o destinatário? Qual era a mensagem? E se a mensagem publicitária está dirigida ao destinatário errado? Por exemplo, uma campanha contra "a violência contra a mulher" feita para homens honrados. E se a mensagem chega ao destinatário certo, mas não tem o efeito pretendido? Por exemplo, uma reportagem tendenciosa contra ou a favor de uma pessoa ou de um grupo. Veja bem, não são mentiras. Uma mentira apenas tem um conteúdo contrário a uma verdade específica, mas é um uso correto da linguagem humana (correto no sentido funcional). Também não são manipulações. A manipulação também é um uso correto da linguagem humana, a verbal e a não-verbal (correto no sentido funcional). Nem isso eles fazem, o setor de publicidade e propaganda e o jornalismo se reduziram, pelo menos desde o tempo do Petrolão, a um canal sem destinatários usado pra desviar dinheiro público; fora isso, eles não sabem como falar. Eles não sabem como aumentar a venda de um produto, eles não sabem convencer alguém de alguma ideia, eles não sabem convencer alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Pior que isso: como consequência dessa perda do domínio da linguagem humana e dessa perda da integração com a realidade, eles em geral nem percebem isso. Eles também não percebem que mesmo quando eles falam em uníssono, eles têm (juntos) um número de leitores irrisório e uma credibilidade menor ainda pra quem devia estar sendo ouvido pela população inteira.

7) As bases da "panicodemia"

Tudo isso não veio no golpe do vírus chinês, nem mesmo com a esquerda no poder político formal. Mas aqui temos novamente a lição de que a História não dá saltos. Um conservador pode fazer um retrato quase paradisíaco do próprio país de 60, 80 anos atrás. Mas isso não é História, menos ainda memória, visto que a época é de quando os pais ou os avós deles nasceram. Aí voltamos ao assunto da linguagem, da ligação da linguagem com o mundo real: quando a linguagem perde a ligação com o mundo real, pode existir lenda nostálgica, mas não História. Mas aí, e também no dado de que a História não dá saltos, um esquerdista também pode observar que uma atuação da esquerda pode ser no sentido de preservar um erro que ela diz combater. Por exemplo, no caso do Feminismo, os conservadores desconhecem que a Primeira Onda era conservadora e os progressistas não acreditam que combater a prostituição os iguala aos conservadores do começo do século XX.

Eu escrevi em 2016 sobre a confusão que os conservadores fazem de pedofilia com sexo com adolescentes, e os problemas que isso vai trazer pra todo mundo[3]. Descobri há quase um mês um artigo de 2011 do periódico da Academia Estadunidense de Psiquiatria e Direito sobre por que a ebefilia não deveria ser incluída no conceito de pedofilia[4]. Ebefilia é a atração por adolescentes no início da adolescência (até uns 14 anos). Existe também a efebofilia, que é a atração por adolescentes do meio pro final da adolescência. Mas se a efebofilia não está dentro do conceito de pedofilia, está dentro do conceito de MAP, "minor-atracted person", pessoa atraída por menores. Aqui temos mais um exemplo de linguagem confusa. Menor de idade é um conceito jurídico-policial, então temos um conceito jurídico-policial introduzido nas Ciências Médicas. E mais do que isso, temos pessoas que dizem que os "MAP" deveriam receber pena de morte, então temos um caso de Ciências Médicas introduzido no Direito Penal, se assumirmos que o termo é realmente uma questão de parafilia desde o começo. Para essas pessoas, ter atração por uma garota de 14 anos é o mesmo que estuprar uma criança. Porque a linguagem delas mostra uma visão do mundo real que é confusa.

Também houve um tempo em que as pessoas precisaram desaprender que moral não tem relação com falta de sexo para reaprender que o sexo é inominável e que os povos que não têm horror à nudez feminina são povos amaldiçoados. Mas esse foi um reaprendizado tão consolidado e que aconteceu há tanto tempo que os descendentes dessas pessoas não acham humano pensar diferente.

Vou contar um caso que aconteceu comigo quando eu tinha 14 anos. Eu estava com o meu pai e um dos meus irmãos em uma lanchonete, e um rapaz de 22 anos estava olhando pra mim (eu sei a idade dele porque ele me comeu algumas semanas depois e ele me disse). Eu nunca usei roupas provocantes na rua, eu estava com um vestido comprido, mas os meus seios já tinham um bom volume. Eu sinalizei pro rapaz que eu percebi que ele estava olhando pra mim, mas que ele podia ficar tranquilo, e fui até ele. Eu comecei a conversar com ele: "Oi. Gostou de ver?". Quase ao mesmo tempo em que o meu pai e o meu irmão perceberam que o rapaz olhava pra mim, e eles não gostaram. E quando eu tentei tranquilizar os três, eu disse pro rapaz: "Se você não pode falar de sexo comigo, como você vai me comer?". Os três se assustaram, e também a mulher que estava no atendimento no balcão. A mulher no balcão me olhou com aquela cara "vai embora logo porque aqui não é ponto de puta", mas o meu pai e o meu irmão não sabiam o que dizer. A pergunta tinha uma obviedade, mas dizer aquilo parecia absurdo. Mas eu e aquele rapaz conversamos um pouco, depois o meu pai e o meu irmão conversaram um pouco com ele também. Eu conto esse caso pra ilustrar como uma coisa que uma comunidade inteira aprendeu como certo pode não ter nem coerência interna.

Pessoal, eu tentei fazer um texto curto, mas desisti. Um problema de escrever um texto para o não-analfabeto de Alvin Toffler, ou que possa ser encontrado por ele, é precisar reexplicar o que ele desaprendeu pra ele reaprender o que ele antes sabia e dessoube. Eu dei uma revisão rápida sobre a linguagem humana! E um leitor com diploma universitário pode nunca ter visto isso antes e pode não entender.

NOTAS E REFERÊNCIAS:

[1] "Future Shock author Alvin Toffler dies at 87", Jewish News Reporter, 30 de junho de 2016, https://jewishnews.timesofisrael.com/future-shock-author-alvin-toffler-dies-at-87.

[2] "Sobre a doença", Ministério da Saúde, 13 de março de 2020, https://coronavirus.saude.gov.br/sobre-a-doenca.

[3] "Seis e dezesseis (Ou: direita cristã, acabou! - parte 10)", 08 de janeiro de 2016, A Vez das Mulheres de Verdade, http://avezdasmulheres.blogspot.com/2016/01/seis-e-dezesseis-ou-direita-crista.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2016/01/seis-e-dezesseis-ou-direita-crista.html.

[4] "Hebephilia Is Not a Mental Disorder in DSM-IV-TR and Should Not Become One in DSM-5" (Ebefilia não é uma doença mental no DSM-IV-TR e não deveria se tornar uma no DSM-5), Allen Frances e Michael B. First, Journal of the American Academy of Psychiatry and the Law, nº 39, fevereiro de 2011, http://jaapl.org/content/39/1/78.

Questo testo in italiano senza foto e video di dissolutezza in Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "Il SARS-CoV-2 e l'analfabeta del 21° secolo", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-analfabeta-del-21-secolo.html.
Questo testo in italiano con foto e video di dissolutezza in Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "Il SARS-CoV-2 e l'analfabeta del 21° secolo", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-analfabeta-del-21-secolo.html.
Ce texte en français sans photos et vidéos de libertinage au Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "Le SARS-CoV-2 et l'analphabète du 21e siècle", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-analphabete-du-21e-siecle.html.
Ce texte en français avec photos et vidéos de libertinage au Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "Le SARS-CoV-2 et l'analphabète du 21e siècle", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-analphabete-du-21e-siecle.html.
Eso texto en español sin fotos y videos de putaría en Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "El SARS-CoV-2 y el analfabeto del siglo XXI", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-analfabeto-del-siglo-xxi.html.
Eso texto en español con fotos y videos de putaría en Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "El SARS-CoV-2 y el analfabeto del siglo XXI", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-analfabeto-del-siglo-xxi.html.
This text in English without licentiousness photos and videos at Réflexion et Temps Libre avec Abigail: "The SARS-CoV-2 and the 21st century illiterate", https://avezdasmulheres2.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-21st-century-illiterate.html.
This text in English with licentiousness photos and videos at Amélioration et Amusement des Hommes avec Abigail: "The SARS-CoV-2 and the 21st century illiterate", https://avezdoshomens2.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-21st-century-illiterate.html.
Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "O SARS-CoV-2 e o analfabeto do século XXI", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-analfabeto-do-seculo-xxi.html.
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "O SARS-CoV-2 e o analfabeto do século XXI", https://avezdoshomens.blogspot.com/2020/09/sars-cov-2-analfabeto-do-seculo-xxi.html.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

AddToAny