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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A ex-prostituta e ex-atriz pornô Amanda Rola com seus netos

Abigail Pereira Aranha

É uma tarde normal com tempo ameno, uma senhora de 69 anos está em uma visita de família no ano 2060. Ela ainda é saudável, lúcida, inteligente e forte, as quatro coisas juntas são algo excepcional para a idade dela nesta época. Mais excepcional ainda, ela tem poucas rugas, ainda tem muitos cabelos pretos e tem uma voz que já seria bonita se ela só tivesse 25 anos.

Ali ela está com o marido, também de 69 anos, um dos dois filhos e a esposa dele, os 5 netos, 7 amigos deles e o pai e a mãe de dois deles. O neto mais velho tem 20 anos, depois vem a neta de 18. Dos 5 netos e 7 amigos deles, estes são os únicos que não são adolescentes.

Eles estavam vendo alguns vídeos e fotos de família e recordações diversas em um álbum digital em uma televisão digital de 50 polegadas. Quando a anciã está acessado o gerenciador de arquivos entre uma foto e outra, um dos rapazes, Benedito, observa uma pasta e pergunta o que é. Ela responde:

- Minhas coisas de putaria. Quer ver?

O rapaz, a irmã e os pais deles não sabiam e achavam que fosse mais uma brincadeira, já que ela era muito simpática e brincalhona. Os outros já sabiam e estavam habituados.

- Essa aqui foi uma das fotos da minha primeira vez tirada com telefone celular. Eu tinha 14 anos, foi com esse rapaz e o que tirou a foto.

Ela passa para outra foto.

- Esse aqui foi o que tirou a outra foto, e quem tirou essa foi o que apareceu na outra.

Ela passou para um vídeo.

- Com dois de uma vez eu tenho este filme aqui, hehehehe. Este é profissional, foi o meu primeiro, eu já tinha feito 18 anos no mês anterior.

Ela passou o começo, a parte das legendas. Ela pausa.

- Eu aqui.

Ela apontou para o nome: Amanda Rola. Os quatro que ainda não sabiam que era ela não disseram nada. Benedito estava querendo saber mais, mas não sabia nem o que perguntar. Ele já tinha ouvido falar dela e tinha uma lembrança razoável de uma foto dela de biquíni, mas não imaginava que ela fosse a dona Amanda esposa do Vitório engenheiro (ou melhor, até pensou, mas se censurou por isso). Os pais e a garota acharam aquilo tudo um cinismo tão grande que não tiveram reação.

- Essa pasta aqui é misturada. Tem fotos minhas com amigos, minhas pelada amadoras, minhas pelada profissionais como essa aqui...

Ela mostra uma com três homens. Enquanto o rapaz estava pensando "que louco, véi!", a irmã e os pais se sentiam em uma alucinação.

- ... tem vídeos meus feitos com telefone celular, tem vídeos meus profissionais. Alguns desses arquivos foram clientes meus que fizeram, como essa foto aqui.

Ela vai rapidamente para uma foto caracterizada de Chapeuzinho Vermelho. Não aparece "nada", mas ela usa um vestido com um decote de que os seios enormes ameaçam sair e que mal cobre os quadris, mostrando a bunda ainda maior.

- Ah, sim, eu fiz o primeiro vídeo com 18, virei prostituta aos 19, comecei a trabalhar (trabalhar com outra coisa) aos 20. Mas quando eu fui procurar trabalho e fui entrevistada, eu nunca escondi nada. Eu usava o meu nome nos filmes e na zona, eu falei que era prostituta, falei do filme, pelos dois anos do meu primeiro trabalho, digamos, normal eu trabalhei como prostituta também.

O caso que Amanda vai contar, a família já conhece.

- Uma vez teve um babaquinha que me descobriu, ele era amigo de uma colega minha. Ela era feia, mal humorada pra caramba. Aí esse velho contou pra essa minha colega, ela fez fofoquinha dentro da escola onde eu trabalhava (eu trabalhava na secretaria), poucos dias depois ela arrumou uma picuinha no trabalho e o assunto saiu do nada. Aí eu falei: "Ih, o diretor já sabe. Vai fazer ele me mandar embora pra eu ganhar mais que você e dar pro seu marido o que ele não tem em casa?". Depois eu fui saber que um aluno que já viu o meu filme ouviu a conversa e comentou com os colegas, todo mundo rindo da cara dela pelas costas. Três semanas depois, o marido dessa colega descobriu que o filho que ela estava grávida quando se casou não era dele e foi esperá-la no portão da escola. Ele largou ela, humilhou a distinta na frente de todo mundo, e ela se mudou da cidade. Depois que o diretor que era meu amigo saiu da escola, entrou uma velhota que não foi com a minha cara, eu saí e ela chamou a outra de volta. Ah, sim, falando nisso...

Amanda volta à pasta de vídeos e se prepara para abrir um.

- Eu tinha um fan clube nessa escola (só de rapazes). Esse aqui foi uma brincadeira que eu fiz com uns amigos. Aula de educação sexual com modelo real. Um dos rapazes falou de gravar e eu deixei. Mostrei tudo. Mas eu era boa em Biologia e a aula também foi sobre sistema muscular, os cinco sentidos, e outras coisas. Mas aí não foi gravada. Eu comecei pela educação sexual para relaxar a turma, mas o resto eu também explicando nuazinha. Um dos rapazes ia fazer prova de Biologia de coisa que eu estava explicando, tirou até quase total na prova. A turma tinha quatro adolescentes e dois maiores de 18 anos, a sorte é que quem aparece no vídeo comigo são só os dois maiores. Quando o vídeo vazou e foi um grupo de pais querendo que eu saísse da escola, eu já tinha saído no dia anterior. Se eles me achassem lá, iam querer me queimar com vestido comprido, porque me ver nua e pendurada podia ter gente gostando.

À essa altura, todos os homens e a nora de Amanda estão esboçando um riso, mas os pais e a irmã de Benedito nem notam, porque já não estão sabendo se estão num pesadelo, numa alucinação ou numa visão das previsões de alguns pregadores provincianos famosos. Eles estavam pensando em sair dali com Benedito e cortar qualquer contato com a família logo quando ela começou a falar do conteúdo, mas Amanda era tão agradável e já tinha dito tantas coisas envolventes em outras ocasiões que isso só ia desmoralizá-los ainda mais.

Ela mostra rapidamente um outro vídeo. A cena dela é com quatro rapazes.

- Esse aqui foi o meu segundo filme. Eu tinha 22 anos, eu estava só como prostituta e apareceu a proposta. Quando acabamos o filme, eu tinha 23 anos, fiz o vestibular para Química, passei e no mês em que eu entrei na universidade foi lançado o filme. O pessoal que viu o filme e estudava na universidade viu Amanda Rola no filme, viu a Amanda na universidade e começou o falatório pro resto do curso. Teve até uma vez que uma professora do segundo período falou bobagem dizendo que eu era vergonha pra minha família. Eu só respondi: "Quer que eu dê nome de mulher que apanha do marido nesta sala? Isso é menos vergonha que ser prostituta ou atriz pornô? Quer que eu dê nome de mulher nesta universidade que eu nunca ouvi alguém falar bem e só continua no emprego por causa de parente e porque puxa saco de chefe? Tem móvel da minha casa que eu ganhei de cliente. E as moças que transam com professor pra passar na matéria? Papai e mamãe vai gostar se souber?". Essa era até nova, trinta e poucos anos, mas era uma católica magrela esquisita, mas não me encheu mais. Eu até comecei a ir melhor na matéria dela. Aaaah, tem a minha pasta dos podres.

Ela vai rapidamente para outra pasta. Abre uma foto.

- Essa foto é de um protesto de moças que se denominavam vagabundas e se dizia contra o machismo. Esta aqui segurando faixa com peito de fora foi gerente de um banco grande. Foi colega de república de uma amiga minha na universidade. Quando ela começou a crescer no banco, um amigo meu soltou a foto e ela fez uma tramoia que foi até polícia na casa dele pra apreender o computador. Só que eu tinha pedido uma cópia da foto no dia anterior. Mas compartilhei com amigos também e a foto continuou correndo, ficou até pior pra ela.

Abre outra foto.

- Essa pilantra aqui fez filme pornô também e depois que ficou gorda e horrorosa e já estava nos trinta e poucos virou pastora. Disse que teve que usar drogas para fazer os filmes, mas ela já era viciada. Só falou invencionices, que só serviram pra ajudar quem já era contra a pornografia, que era feminista, lésbica, feiosa e homem reprimido. Disse que depois dos filmes, quando virou prostituta, foi explorada pelo crime organizado. Só não disse que a maioria das prostitutas não se encaixava nestes casos. Ah, e a foto foi de uma palestra dela em uma igreja. Eu sempre fui ateia e fui lá só pra ver as abobrinhas. Quando ela me viu no meio do povo, eu era até mais velha que ela mas tinha quase a mesma cara que na juventude, ela começou até a falar mais manso contra a pornografia e a prostituição, porque ela ia abrir pra perguntas e respostas depois.

Abre um vídeo.

- Eu estava filmando uma outra coisa, aí eu peguei ela tratando muito mal um amigo meu muito gente boa, trabalhava de dia e estudava à noite, os pais não podiam ajudar muito financeiramente. Não sei por que eu filmei, mas logo depois eu vi ela saindo de carro de luxo com um velhote cretino que era alto funcionário da universidade. Aí, eu estava com um amigo na hora, fomos atrás deles de táxi. Eu sabia até para onde eles estavam indo, não sei como mas eu sabia. Era um motel de luxo. E fomos filmando desde a entrada no motel.

O vídeo mostra a placa do carro identificável. Mostra os dois entrando no motel, a certa distância, mas dá para ver que o homem é um idoso careca com bigode grisalho e a moça é uma loura magra de cabelos ondulados, olhos um tanto grandes e nariz fino. Corte. Pode-se ouvir algumas risadas de mulher e alguns gemidos por trás da porta que aparece na imagem.

- Isso foi numa sexta-feira. Eu arrumei melhor o material e fiz questão de soltar ainda no sábado. Na segunda-feira, o mal já estava feito. A universidade inteira estava falando do caso. Fui ouvir entre os comentários que ela fazia programas com professores, funcionários e alunos ricos da universidade. A moça dava uma de santarrona, ficou desmoralizada. Ah, e ela também falava muita bobagem com o meu nome.

Ela vai passando pelos arquivos, fotos e vídeos, e contando os casos.

- Ah, eu fiz o estágio do meu curso, eu tive colegas que viram os meus vídeos e as minhas fotos que eu tinha. E eu sei sempre fiz brincadeiras e falei safadeza nos trabalhos que eu tive. Eu me formei com 28 anos, com 29 eu fiz o terceiro filme. Quando comecei o filme, eu já tinha dois anos de casada. Aaaaaah, espera, deixe eu te contar do casamento. Eu e o meu marido nos conhecemos na universidade, mas ele era irmão de um funcionário de uma lanchonete dentro do campus, nos encontramos por acaso. Ele teve que trabalhar cedo, só depois ele pode pensar em ser engenheiro mecânico, mas já estava um tanto sem ânimo. Aí, a gente estava conversando, ele foi me falando dele, eu me propus a dar aulas particulares pra ele para o vestibular. Foi quase um ano. E começamos a namorar também nessa época. Com um mês de aulas eu falei com ele: "você é um rapaz esforçado, inteligente, de caráter, eu gostei de você, eu sei que você gostou de mim também e está afim de me comer". Aí eu tirei o vestido, não tinha nada por baixo, e fui pra cima dele. E disse pra ele: "Você já ouviu falar em casamento aberto?". Como ele fez cara de que não eu expliquei: "A gente se casa mas você pode transar com outras mulheres e eu posso transar com outros homens. Você aceita, gatinho?". Mas teve safadeza e estudo de verdade. Ele passou no vestibular, quase ele entrando e eu saindo. E quando a gente foi se casar, foi com seis meses de namoro, teve gente que pensou até que eu estava grávida. Aí, na cerimônia a irmã do meu marido disse que eu tinha feito filmes pornôs e era prostituta. Eu já estava pronta, eu sabia que alguém ia vir com essa. Do pessoal só alguns amigos sabiam. Só que ele disse que já sabia de tudo, que eu mesma tinha contado pra ele e eu ainda convidei os convidados para um bacanal depois da festa. Aí estragou a cerimônia. Só os nossos amigos mais chegados não saíram na hora. Tem parentes dele que dessa época há quarenta anos atrás até hoje não falaram com a gente dez vezes. Mas a parte da família que vale a pena é amiga nossa.

Ela mostra um casal muito idoso, no álbum de família.

- O meu pai e a minha mãe, falecidos. Eles estavam no casamento, só não ficaram na parte da safadeza. Eu amava os dois e eles me amavam. Eu tive muito orgulho deles e eles diziam ter muito orgulho de mim. Eles me contaram que três senhoras já disseram que se uma filha devassa como eu era motivo de orgulho elas preferiam ter motivo de vergonha. Uma teve uma filha que tentou dar um golpe da barriga em um milionário e ele fez exame de DNA que comprovou que o bebê não era do filho dele, um dia a criança morreu por maus tratos e a mãe foi presa. Outra teve duas filhas presas por fraude com dinheiro público, e pelo que gente de dentro do órgão dizia descobriram até pouco. E a outra teve uma filha que era namorada de um traficante de drogas e a família teve que sumir da cidade levando a roupa do corpo por causa de ameaça de morte do namorado que pensou que estava sendo traído. Satanás era conosco! Hua, hua, hua, hua, hua!

Amanda recapitula que depois ela teve um filho biológico aos 32 anos, que estava trabalhando em outra cidade; aos 34 ela e o marido adotaram um menino de seis anos, com problemas cardíacos, que era o que estava ali; ela ainda era prostituta até os 55, mas na maior parte desses anos ela basicamente atendia os clientes antigos, já que tinha os filhos e empregos na indústria química.

- E quando eu ia buscar os meus filhos na escola, às vezes eu encontrava homens com quem eu tinha conversas rápidas e que me diziam que tinham visto os meus vídeos na juventude e que na conversa comigo também me acharam simpática, ou inteligente, ou de caráter, dependia do caso. As mulheres que me ofendiam eram no mínimo de cara antipática, e os homens que me ofendiam eram casados com elas. E às vezes o coleguinha do meu filho era filho de um cliente ou ex-cliente meu. Aí a gente combinava de não comentar muito por aí. Ah, mas o "seu" Vitório também teve o extra dele. Por exemplo, o aniversário dele de 50 anos eu combinei com uma grande amiga minha ex-colega de universidade de 45 anos e uma amiga de 30 de fazer uma surpresa pra ele. Era uma aula particular de Matemática para um concurso público. Quando ele viu as duas de vestido largo amarrado com cinta, ele já viu que tinha dedo meu na parada. Aí eu apareci com o bolo. E o primeiro pedaço da cobertura do bolo foi para o aniversariante, nos peitinhos das meninas. E ele dá conta de duas mulheres ao mesmo tempo até hoje. Ah, falando de 50 anos...

Amanda volta para a pasta das putarias. Abre um vídeo e vai para uma cena com quatro rapazes perto de 20 anos.

- Teve mais esse filme, o último. "Mulheres de 50". Eu fiquei sabendo que ia ser feito, mas me chamaram também. Esse foi mais rápido. Tirei um mês de férias, nesse mês eu fiz a minha participação. E esse rapaz moreno é filho de um rapaz que estudou na escola onde eu trabalhei. Ele, o pai, achou muito legal. Quando eu voltei para o trabalho, uma outra cinquentona que o pessoal achava muito bonita ficou sabendo do filme e foi a primeira a fazer intriga, mas o fan clube segurou as pontas.

Ela conclui dizendo que nunca escondeu o passado erótico nem as ideias "avançadas", e denunciava quem escondia o passado e mascarava os seus erros. Estes últimos a odiavam e tentavam prejudicá-la onde pudessem, mas pelo que ela era ganhou amigos valiosos, cuja amizade ela também valorizava.

Então, ela chama Benedito e os outros para um lanche na varanda. Se os pais e a irmã dele estivessem menos atordoados, teriam medo de pegar uma doença venérea só de tomar a limonada.

sábado, 7 de dezembro de 2013

O Puritano-Feminismo episódio 8: onde estava a Marcha das Vadias antes da jovem do "vídeo íntimo" se suicidar? (ou: Viva a putaria, abaixo a hipocrisia)

Pornografia de vingança

Garota é encontrada morta após vídeo íntimo vazar no WhatsApp

Adolescente de 17 anos se desculpa com os pais nas redes sociais antes de morrer

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Publicado em 14/11/13 - 22h40

Terezina. A Polícia Civil do Piauí abriu inquérito ontem para investigar as circunstâncias da morte da estudante Júlia Rebeca, que ocorreu no último domingo, dia 10, na cidade de Parnaíba, litoral do Estado. Segundo o delegado regional da cidade, Rodrigo Moreira, a jovem de 17 anos foi encontrada pela tia em seu quarto com o fio da prancha alisadora enrolado em seu pescoço.

A polícia investiga a hipótese de a adolescente ter cometido suicídio após ter um vídeo íntimo compartilhado pela internet. No vídeo, que teria sido filmado pela própria adolescente estão ela, um rapaz e outra garota. As imagens vazaram para as redes sociais através do WhatsApp.

Rodrigo Moreira disse que o inquérito foi aberto, mas as informações que foram repassadas pela família e outros fatos estão sob segredo de justiça. "O inquérito foi aberto, mas não vamos falar muita coisa para não atrapalhar as investigações", disse. Ele não disse se a polícia sabe que vazou o vídeo.

A polícia também irá investigar crime contra a honra dos dois jovens que aparecem nas imagens.

A adolescente chegou a postar mensagens de despedida na conta que mantinha em uma rede social no mesmo dia em que foi encontrada morta. Em uma delas, Julia parecia se despedir dos pais. "Eu te amo, desculpa eu não ser a filha perfeita, mas eu tentei... desculpa desculpa eu te amo muito", postou a garota. Antes, Julia havia publicado: "É daqui a pouco que tudo acaba". A última mensagem deixada na rede foi: "E tô com medo, mas acho que é tchau pra sempre", postou.

Repercussão. O fato chocou a população de Parnaíba. Por meio das redes sociais, vários amigos deixaram mensagens tentando confortar a família da adolescente. Uma pessoa que se identificou como primo de Julia passou a alimentar a página um dia após a morte da garota.

Machismo

Análise. "Expor a mulher é um traço de violência machista. Há castigos e punições individuais e culturais para a mulher que se dá o direito de escolher o que fazer com o seu corpo", diz a psicóloga Marissa Sanabria.

O Tempo, 14/11/13, http://www.otempo.com.br/capa/brasil/garota-%C3%A9-encontrada-morta-ap%C3%B3s-v%C3%ADdeo-%C3%ADntimo-vazar-no-whatsapp-1.746696

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam - parte 1: as feministas não representam as mulheres de verdade

Esse caso foi usado como argumento para proibir o Tubby. Mas por que a adolescente não procurou um grupo feminista antes? Por que nenhuma feminista procurou a moça quando o vídeo estava correndo entre os colegas? Para quem existem os grupos feministas?

E a matéria termina com um suicídio retórico tanto para o jornal quanto para as lesbofeministas:

"Há castigos e punições individuais e culturais para a mulher que se dá o direito de escolher o que fazer com o seu corpo", diz a psicóloga Marissa Sanabria.

No parágrafo anterior, a "sociedade machista" foi consolar a família e até um rapaz machista violento continuou cuidando da página dela em uma rede social. A contradição do inimigo nos diverte. Hua, hua, hua, hua, hua!

E eu fiz questão de trazer aquela chamadinha antes do título da matéria no original: "Pornografia de vingança". Eu não sou coroa, mas passei pelo tempo em que pornografia de vingança era fotomontagem ou perfil falso no Orkut. Hoje, se existisse "pornô de vingança" contra um homem homossexual enrustido, seria um vídeo dele fazendo o que gosta, e quem espalhou (a ex-mulher) seria processada por homofobia.

Mas os feministas existem, agora respondo aquela pergunta do começo, para defender tudo que é mulher, menos as heterossexuais que se dão ao respeito, ainda mais se forem jovens... simpáticas. Por isso que quem diz que uma mulher não vale menos porque teve mais de um homem na vida quase sempre são homens. Isso inclusive no próprio movimento feminista. Mas de casamento aberto as feministas não falam, né?

Mas a revista Veja fez u'a matéria, no ano passado, sobre o "sexting". Eu já apontei uma vez que em condenar a sexualidade heterossexual, os feministas, os conservadores e mesmo os masculinistas brasileiros (a "Real") são muito parecidos ("O machismo foi criado pelas mulheres – parte 7: porque até as feministas são moralistas? (e porque os homens machistas falam igual a sua avó?)").

Ah, e há menos de dois meses e meio nos trouxemos outro caso de vídeo erótico de adolescente, esse foi na Argentina ("O Puritano-Feminismo episódio 4: ver nome feio na TV com 9 anos no Brasil ou gravar vídeo safado na Argentina com 13 não pode, mas menino virar menina com 6 tudo bem, né?"). E de acordo com a matéria que eu vi, o vídeo foi assunto de debate na escola conduzido por psicólogos. Por essa época, uma senhora estava pedindo autorização ao governo argentino para mudança de sexo do filho de 6 anos. No Brasil, talvez na Argentina também, a gente não poderia falar de levar psicólogo ao pré-escolar para falar mal deste caso, né?

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam - parte 2: o caso em si

Das duas, uma: ou a moça era uma vagaba enrustida, ou era uma moça mais esclarecida, mas não o suficiente. Prometo que na segunda hipótese vou caprichar na bondade.

No primeiro caso, a vergonha não era do vídeo, talvez nem mesmo da exposição pública, mas da máscara caída. A humilhação de ter talvez não adiantar mudar de cidade para encontrar um capitão salva-putas aos 25 ou 30 anos. E até lá, a humilhação de não poder desprezar um bonzinho virgem.

No segundo caso, ela pode ter começado um caminho de sair do puritanismo. Mas tinha pouca gente com quem trocar ideias no mundo real. E as páginas feministas que ela encontrou não diziam nada sobre sexualidade hétero, mal discutiam algo que não fosse um boneco de judas. Por isso digo sem medo de errar que ela já tinha ouvido falar da Marcha das Vadias, a mesma que entrou na Justiça para proibir o Tubby, mas aquela macacada saindo seminua em avenida em nome de transar com quem quisesse não significava nada pra ela.

Uma mulher heterossexual "que se dá o direito de escolher o que fazer com o seu corpo", como disse a lesbofeminista Marissa, não vai achar uma página feminista na internet ou um grupo feminista na vida real com os quais vai se identificar. Assim como um gay que quer apenas viver a sua homossexualidade como um cidadão normal não se vê no Movimento LGBT, ou como um negro que quer entrar e se formar na universidade pública estudando não se vê no Movimento Negro. E quando eu contei a estorinha da Isadora Rola antes de ser expulsa do feminismo, tinha gente achando que era piada e eu estava inventando (bom, era piada e a Isadora Rola é ficção mesmo, hehehehe).

Bom, falando em piada e ficção, vou fazer mais uma aventura: "A ex-prostituta e ex-atriz pornô Amanda Rola com seus netos". Obrigada aos amigos que gostaram da outra estorinha.

Abigail Pereira Aranha

Apêndice

Sexting adolescente, um convite para o sexo

Pesquisa revela que compartilhar fotos íntimas via celular e praticar sexo são atividades afins para os jovens. Eles, contudo, subestimam riscos envolvidos

Paula Reverbel

Quase 70% das garotas ouvidas no levantamento foram convidadas a praticar sexting

Quase 70% das garotas ouvidas no levantamento foram convidadas a praticar sexting (Getty Images)

Uma pesquisa publicada nos Estados Unidos nesta semana revelou que quase 30% dos adolescentes americanos já praticaram alguma vez o sexting – ou seja, usaram seus smartphones para disparar mensagens contendo fotos em que aparecem nus, acompanhadas ou não de texto. O número, é claro, assusta. E os estudiosos da Universidade do Texas responsáveis pela pesquisa descobriram ainda outras pistas que ajudam a entender melhor esse fenômeno. A principal delas é que o sexting tem um vínculo com a prática "real" do sexo. De acordo com o levantamento, entre as adeptas do compartilhamento de fotos íntimas, cerca de 80% já praticaram sexo; o número de sexualmente ativas cai pela metade entre aquelas que também não se envolvem com sexting. Entre os garotos, o comportamento é semelhante. "Ainda não sabemos se é o sexting que leva ao sexo ou vice-versa, mas a prática de compartilhar essas imagens íntimas parece ser um bom indício de comportamento sexual", afirma o psicólogo Jeff Temple, principal autor do estudo, em entrevista a VEJA.com. "Se um adolescente está enviando SMS com fotos ousadas, provavelmente já está fazendo sexo." Ou está a caminho de perder a virgindade.

O levantamento da Universidade do Texas também descobriu que as fotos não são enviadas indistintamente. Normalmente, o sexting é direcionado a uma pessoa específica, com quem o adolescente já namora – ou gostaria de namorar. Outra revelação importante traça uma distinção clara entre homens e mulheres. Quase 70% das garotas ouvidas na pesquisa afirmaram que já receberam a solicitação que pode dar início ao sexting, algo no estilo: "Me envie uma foto íntima sua." Entre os rapazes, o índice é bem menor: 42% deles já foram convidados à prática.

O estudo americano considerou apenas imagens de nudez enviadas pelo celular, descartando casos em que jovens usam o computador ou outro meio digital para mandar autorretratos picantes. É o que a própria expressão "sexting" sugere. A palavra, que já entrou para o dicionário Oxford da língua inglesa, é a junção de outras duas: "sex", sexo, e "texting", que designa a troca de mensagens de texto via celular. Pesquisas que levam em conta também o computador costumam encontrar taxas de adesão menores à prática – daí o susto com os 30% revelados pelo novo estudo. Isso serve de alerta aos brasileiros. A pesquisa que se tornou referência sobre o assunto no país, feita em 2009 pela SaferNet, associação que zela pelos direitos humanos na internet, apontou que 12,1% das 2.525 crianças e adolescentes ouvidos já haviam praticado o sexting usando algum dispositivo eletrônico. É possível, portanto, que a participação seja maior, se forem considerados os celulares exclusivamente.

A lógica e os especialistas têm argumentos razoáveis para explicar por que os telefones móveis concentram – e estimulam – o sexting. Em primeiro lugar, porque o celular é um dispositivo para uso e porte pessoal por excelência, o que garante privacidade a seu proprietário. No caso do computador, dá-se o inverso, e não raro a máquina é compartilhada por várias pessoas da família. Temple acrescenta ainda outra razão: "No celular, é muito fácil tirar uma fotografia e mandá-la em seguida para um amigo ou pretendente. Já no computador, é preciso salvar a foto e anexá-la a um e-mail, por exemplo. Esse percurso maior faz com que o adolescente tenha mais oportunidade de refletir sobre o que está fazendo."

Refletir sobre o sexting é uma etapa oportuna – obrigatória, na verdade –, diante dos riscos a que estão sujeitos seus praticantes. Uma das mais frequentes ameaças é o vazamento indiscriminado das fotos, originalmente enviadas para destinatários (e com propósitos) bem definidos. Seja nos Estados Unidos ou no Brasil, as ocorrências mais alarmantes parecem seguir um roteiro: a garota manda suas fotos para o namorado, que, após o término do relacionamento, as repassa a amigos e inimigos, preferencialmente os colegas de escola. A protagonista da trama, é claro, é esmagada pelo constrangimento. Em 2008, a história teve desfecho trágico: a americana Jessica Logan se enforcou aos 18 anos após sua foto, feita na intimidade, passar pelos olhos de todos.

No Brasil, o caso mais recente acabou em prisão. Aluna do primeiro ano do ensino médio do Colégio Maxi de Cuiabá – primeiro colocada no ranking do Enem entre as escolas do Mato Grosso –, uma garota de 14 anos fotografou-se nua. As imagens circularam entre os colegas até que, há três semanas, um jovem de 18 anos foi preso em flagrante, acusado de armazenar as tais fotos em seu celular. É crime produzir, divulgar, compartilhar ou até mesmo possuir pornografia infantil. Imagens de outras estudantes também circularam, mas não continham nudez, apenas insinuações sensuais.

"Nós denunciamos o caso à Polícia, embora as fotos tenham sido feitas fora dos domínios da escola", diz o pedagogo Virgílio Tomasetti Júnior, diretor geral dos Colégios Maxi de Londrina e de Cuiabá. "Recomendamos aos pais de todas as envolvidas que as estudantes fossem transferidas para outra escola, evitando constrangimentos, mas eles optaram por mantê-las aqui. Agora, nosso desafio é protegê-las de um eventual bullying." O pedagogo tem uma opinião bem definida sobre a prática do sexting: "Deve que ser coibido: não leva a nada e não ajuda em nada esses jovens. Erram os pais que permitem que isso aconteça."

De acordo com a delegada que cuida do caso, Alexandra Fachone, da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), o jovem que acabou preso era um "paquera" da vítima. Após pagar pouco mais de 3.000 reais de fiança, foi colocado em liberdade. Além da posse das imagens, ele também pode ser responsabilizado pela transmissão das fotos, caso fique comprovado, através da perícia, que ele as divulgou. "Qualquer pessoa, maior de idade ou até mesmo adolescente, que recebe imagens pornográficas de crianças e adolescentes comete um crime ao armazená-las ou divulgá-las."

O castigo é certo, previsto em lei. Mas seu potencial pedagógico é colocado em xeque pela SaferNet, entidade que continua a se dedicar à questão. "Penalizar ações individuais nesse caso é como enxugar gelo. Seria mais produtivo nos antecipar ao problema, tentando ensinar os adolescentes a fazer boas escolhas na internet", diz o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da SaferNet e estudioso do assunto. "A sexualidade da criança e do adolescente ainda é um tabu para muitos pais e educadores. É preciso conversar com eles e ensiná-los a usar a tecnologia com consciência."

Veja, Vida Digital, 08/07/2012, http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/sexting-adolescente-um-convite-para-o-sexo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Revide ao aplicativo Lulu foi proibido pela Justiça: o doutor Rinaldo também acredita em falsa simetria? (E era boato? Pior ainda!)

(Revisado em 06/12)

Justiça de BH proíbe lançamento e uso do Tubby no Brasil

Decisão foi tomada pelo juiz de direito Rinaldo Kennedy Silva, titular da Vara Especializada de Crimes Contra a Mulher da capital mineira

Publicado em 04/12/13 - 20h32

Camila Kifer / Guilherme Ávila

A 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte proibiu o lançamento e o uso do Tubby, um aplicativo avalia as mulheres e prega a revanche dos homens contra o Lulu. A ordem prevê pena diária de R$10 mil caso a decisão seja descumprida.

O juiz Rinaldo Kennedy Silva, titular da Vara Especializada de Crimes Contra a Mulher da capital, foi quem deu o veredito. A ordem proíbe a GooglePlay Store, a AppleStore, o Facebook e a equipe Tubby de disponibilizarem o aplicativo para o público, em qualquer parte do país.

O juiz entendeu que o aplicativo – que avalia as mulheres, de acordo com seu “desempenho sexual” - submete as mulheres a uma forma de violência psicológica capaz de ser divulgada e potencializada em segundos. O pedido teve como fundamento a Lei Maria da Penha, visando a proteção dos direitos difusos das mulheres.

A ação foi promovida por mulheres das Brigadas Populares de Minas Gerais, o Coletivo Margarida Alves, o Movimento Graal no Brasil, a Marcha Mundial de Mulheres, Movimento Mulheres em luta, Marcha das Vadias e o Coletivo Mineiro Popular Anarquista (Compa).

A advogada e integrante do movimento coletivo Margarida Alves, Fernanda Vieira Oliveira, explicou que a ação aconteceu antes do lançamento do aplicativo como forma de prevenção. “A informação na internet se propaga muito rápido. Depois que o estrago está feito é difícil ou quase impossível de reparar”, afirma.

Para embasar o processo entregue nesta terça-feira (3) à Justiça, a advogada utilizou o caso da jovem de 16 anos que se matou depois de ter um vídeo intimo, em que aparecia com o namorado e outra menina, vazado na rede.

Lançamento

Os criadores do aplicativo Tubby adiaram seu lançamento em 48 horas com direito a contagem regressiva em seu site oficial. Por enquanto ninguém mais poderá se cadastrar ou descadastrar do polêmico serviço que deveria estrear nesta quarta (4). A justificativa dos desenvolvedores foi a sobrecarga nos servidores e eles prometem divulgar uma nova surpresa em breve, como recompensa pelo atraso.

Diante da notícia, diversos internautas manifestaram suas reclamações na página do app no Facebook. "Por que ninguém conseguia fazer o descadastro antes? Cadê a tais políticas de privacidade que dizem seguir?", criticou Caroline Paiva. "Quando lançarem não haverá mais mulheres para serem avaliadas", comentou Frederico Cavalcante. "Então agora sou obrigada a baixar se não quiser participar? Que contradição", disse Caroline Paiva.

Proteção

A melhor alternativa para se proteger da invasão de privacidade de aplicativos que se usam a base de dados do Facebook é mudar as configurações do seu perfil. Acesse a aba "Configurações de privacidade" e depois clique em "Aplicativos". Na seção "Aplicativos que você usa", selecione o Tubby App e depois clique em "Remover", para que o programa deixe de ter acesso aos seus dados. Na parte "Aplicativos usados por outras pessoas", você pode editar e desmarcar as categorias de informações que as pessoas podem levar com elas ao usar aplicativos, jogos e sites. Isso vai impedir que apps utilizem suas informações pessoais indevidamente.

Bolinha

Na próxima semana, estará disponível gratuitamente para Android e iOS o aplicativo brasileiro Bolinha, desenvolvido pela startup mineira GetSet. Trata-se de uma ferramenta, que permitirá aos rapazes realizar avaliações das mulheres que fazem parte de sua rede de amigos do Facebook. A ideia é incluir os homens na brincadeira proposta pelo aplicativo Lulu, lançado no Brasil na última semana, que permite às mulheres avaliarem com notas e hashtags o desempenho de amigos da rede social.

Os criadores do Bolinha encaram a ideia como uma brincadeira e garantem que o conteúdo será leve. Pedro Darma, fundador da GetSet, conta que já foi avaliado pela ferramenta feminina: “Eu vejo isso como uma brincadeira. Eu já fui avaliado tanto positivamente quanto negativamente pelo Lulu e levo tudo isso numa boa”, afirma.

O Tempo, 04/12/13, http://www.otempo.com.br/cidades/justi%C3%A7a-de-bh-pro%C3%ADbe-lan%C3%A7amento-e-uso-do-tubby-no-brasil-1.755731

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam

Devemos ter em mente sempre, quando se trata de qualquer tipo de opressão, o conceito de "falsa simetria". A falsa simetria é quando, querendo tratar tudo com "igualdade", nós fingimos que a desigualdade de poder não existe. Por exemplo, a ideia de que precisaríamos ter um "Dia Internacional do Homem" porque existe o 8 de Março, é uma falsa simetria (assim como a falácia de que deveríamos ter "dia da consciência branca" e outras barbaridades e bobagens que escutamos e lemos por aí).

Essa e outras pérolas da lesbonazista Marília Moschkovich estão no texto "'Lulu', machismo invertido?", da Carta Capital. Aquela revista que tinha uma perereca na capa na semana em que até em jornais de R$ 0,25 a manchete era a prisão de mensaleiros. Mas essa e outras asneiras foram bem respondidas pelo Luciano Ayan.

Eu mesma não estava dando muita importância para o tal Lulu. Em um país onde qualquer mulher pode denunciar qualquer homem por agressão física, assédio sexual ou estupro sem provas, e ele ser preso sem provas ou apenas ter a vida destruída por nada, ser um homem virgem com 25 anos não é garantia de não ser avaliado como "gay", "broxa" ou "violento". Mas até hoje de manhã, me parecia que isso era tudo.

Só que o Luciano é meio otimista no título "Alinskyando Lulu: feministas sucumbindo pelo seu próprio livro de regras por causa do aplicativo Lulu". Elas não estão sucumbindo exatamente porque convenceram o povo da tal "falsa simetria". Aliás, já vimos o professor de Direito Penal da UFMG Túlio Vianna escrever um texto intitulado "Igualdade e falsas simetrias" em janeiro de 2011. Eu comentei a respeito. E é esse ponto que eu gostaria de enfocar.

A "falsa simetria" pode ser definida como a percepção inexistente em qualquer pessoa que não seja psicopata ou irrecuperavelmente burra da existência de direitos de um grupo que não são direitos do outro.

Pegando por exemplo o trecho citado do texto da Marília, quem não sabia da existência do Dia Internacional do Homem e teve a simples curiosidade de pesquisar na Wikipedia, por exemplo, descobriu que o Dia Internacional do Homem não é a mesma coisa de um modelo de saia para homens.

Ou seja, a "falsa simetria" é uma censura em princípio para questionar ou denunciar a hipocrisia, o abuso e a insanidade da turma da igualdade. E o pior, podemos ver isso neste caso, é que não é só essa turma que acredita nela.

Vamos voltar em um trecho da matéria, que podem até ser má redação, mas é denunciador: "A 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte proibiu (...) a revanche dos homens contra o Lulu". Ou seja, assim como o masculinismo foi transformado em caso de polícia, revidar fofoca de vadia também foi.

Ops, falando em vadia, quem moveu a ação mesmo? Entre outros grupos, a MARCHA DAS VADIAS. O mesmo grupo de mulheres que fizeram passeatas seminuas no centro da cidade com cartazes mostrando ofensas contra os homens, e em outras cidades as moças invadiram igrejas e enfiaram crucifixo naquele lugar. E o julgamento foi na Vara Especializada de Crimes Contra a Mulher, algo curioso para um país machista. Dizer que esse juiz foi temeroso é o mínimo, mas parece que ele também acredita na falsa simetria criminal.

Revisão de 06/12/13

Eu já tinha comentado o caso e um amigo compartilha esta notícia:

06/12/2013 08h38 - Atualizado em 06/12/2013 08h38

Aplicativo para avaliar moças, ‘Tubby’ nunca existiu, dizem criadores

App era 'mensagem' contra violação da intimidade, dizem jovens em vídeo.

Na quarta, TJ-MG proibiu app no Brasil com base na Lei Maria da Penha.

Do G1, em São Paulo

Guilherme Salles e Rafael Fidelis, criadores do aplicativo 'Tubby', que nunca existiu, e se tratava de uma "mensagem" contra a violação da intimidade. (Foto: Reprodução/YouTube)

Guilherme Salles e Rafael Fidelis, criadores do aplicativo 'Tubby', que nunca existiu, e se tratava de uma "mensagem" contra a violação da intimidade. (Foto: Reprodução/YouTube)

Os criadores do aplicativo “Tubby”, para homens avaliarem mulheres, revelaram que o lançamento do app nunca existiu e, na verdade, se tratava de uma campanha para conscientizar as pessoas dos limites da exposição da intimidade e dos riscos da violação da intimidade, de acordo com um vídeo publicado nesta sexta-feira (6) no YouTube pelos criadores.

A proposta do aplicativo gerou comoção entre as mulheres. A 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte (MG) chegou a proibir a disponibilização do “Tubby” em todo o Brasil na quarta-feira (4), dia em que o app seria lançado. Antes, a equipe responsável por ele cancelou seu lançamento para esta sexta.

No vídeo, os idealizadores, Guilherme Salles e Rafael Fidelis, apresentam, como parte da brincadeira, um suposto investidor que explica os objetivos do aplicativo. Ele fala em coreano, e o vídeo exibe uma legenda falsa em português. Ao ativar o sistema de legendas do YouTube, a legenda verdadeira surge.

“Sério, caras, vocês caíram nessa bobagem? 2014 já está chegando e ainda tem gente querendo regredir para 6ª série, dando notas pra pessoas do sexo oposto”, diz o rapaz, que permeia o discurso com menções ao aplicativo “Lulu”, direcionado ao público feminino que é incentivado a avaliar o comportamento masculino.

“Pessoas não são objetos, e a intimidade de um relacionamento, por pior que tenha sido, não pode ser exposta dessa forma."

"Esse tipo de aplicativo pode até ser "mera brincadeira", mas dão as ferramentas para pessoas anonimamente fazerem estragos na imagem pública das outras, caso ainda mais grave nos dias atuais, em que observamos intimidades filmadas por ex-namorados por exemplo vazando na rede e tendo repercussão drásticas”, continua.

O jovem fala ainda no “aspecto sexista”, “machista” e “heteronormativo” de aplicativos como o "Lulu" --e como também seria o "Tubby".

Ao fim, questiona se pessoas que usam apps como esses ouviram falar de “respeito, intimidade e privacidade” e sugere que deixem de ser “babaca, imaturo e sem noção”.

O aplicativo chegou à Google Play. Ao ser instalado, porém, o objetivo é direcionar os usuários para o vídeo no YouTube, mas apresenta falhas em alguns celulares. Os jovens que idealizaram o “Tubby” contaram com a ajuda do blogueiro Cid, do "Não Salvo".

http://g1.globo.com/tecnologia/tem-um-aplicativo/noticia/2013/12/aplicativo-para-avaliar-mocas-tubby-nunca-existiu-dizem-criadores.html

Essa matéria tem atalho para uma outra matéria: "'Tubby' incita violência contra mulher, diz militante que foi à Justiça". A militante, do Coletivo Margarida Alves, disse que:

O aplicativo é extremamente machista e violento.

A página do "Tubby" no Facebook já começou a reunir agressões verbais contra as mulheres. "Tinha comentários do tipo: 'Eu tenho um pênis e uma faca, um deles vai ter que entrar em você'. São posts extremante violentos e reproduzem a ideia de que o homens têm de manter as mulheres em posição de submissão.

Quando um fake misógino (ou feminista) como esse fala bobagens em páginas de terceiros, é isto que uma lesbonazista pensa, diz e faz:

As postagens não foram feitas pela equipe do aplicativo, mas por usuários da rede social. Alguns desses comentários já foram apagados, mas as militantes guardaram cópias. "Nós não podemos legitimar um aplicativo que reproduz esse comportamento contra a mulher", afirma Laysa.

Mas na hora em que as podridões das militantes feministas aparece, elas falam como a amiga de um amigo meu no Facebook:

Eu não posso ficar opinando sobre o feminismo alheio, não sou a detentora do "Feminismo Universal" (...). Se essas pessoas acham que são feministas eu não posso fazer nada. Não existe uma carteira de feminista pra rasgar, não é um emprego pra você demitir, não é um partido pra você cancelar filiação. O mais engraçado é que essas mulheres chamam mais atenção do que a própria luta feminista.

Isso foi o comentário a uma postagem onde eu citei uma mulher que agride o marido e ainda ameaça fazer falsa denúncia caso ele o denuncie ou se separe dela; e outra que diz que os homens são criados para matar ("O que você mulher feminista tem a ver com mulheres cretinas e com extremistas que se dizem feministas? TUDO, lésbica duas caras"). Mas achar isso condenável é questão de opinião. E é claro que o machismo alheio não é questão de opinião. E também é claro que se não existe uma carteira de feminista, para ser machista ou ser da turma do falso Silvio Koerich basta você discordar delas.

Mas agora vemos que era tudo boato. Isso faz tudo pior ainda. Os anunciantes do aplicativo queriam dar uma lição nas mulherzinhas em geral e acabaram recebendo eles mesmos uma "real", e talvez nem tenham notado:

1 - uma página do Facebook pode ser responsabilizada criminalmente por comentários de fakes criados por gangues feministas, provavelmente apagados assim que descobertos, mas uma página feminista pode defender ASSASSINATOS DE HOMENS (já publicamos dois casos, o do Machismo Nosso de Cada Dia e o da página de apoio a Elize Matsunaga).

2 - um movimento (Marcha das Vadias) que comete ofensa à religião, apologia ao crime (defesa do aborto) e atentado ao pudor é aceito como tendo direito a abrir uma ação legal contra um aplicativo que nem existe, desde que o caso seja a favor de mulheres e/ou contra homens.

3 - um aplicativo para mulheres não é caso de polícia mesmo quando o simétrico dele é proibido pela Justiça antes de ser lançado e de existir.

4 - e tudo isso pode acontecer mais rápido que o tempo até que se descubra que o objeto da denúncia nem existe. Mulher brasileira em primeiro lugar, principalmente se for feminista.

Abigail Pereira Aranha

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sou Isadora Rola, fui expulsa do feminismo por defender a heterossexualidade

Eu entrei em um grupo feminista aos 16 anos. Eu sempre amei os meus pais e os meus irmãos e tive um bom relacionamento com eles, mas quando eu estava no Ensino Médio eu percebia como os babaquinhas do colégio falavam das moças que tinham vida sexual. Isso e outras coisas que não me lembro mais me fizeram entrar no feminismo. As moças no começo me receberam bem, mas eu tive alguns episódios chatos no grupo.

Episódio 1

Eu disse em uma conferência, na parte de perguntas e respostas:

- Por que a gente fala de diversidade sexual mas só defende o lesbianismo?

- Temos muitas mulheres heterossexuais no feminismo, que são muito bem vindas.

Eu nem esperei a palestrante terminar.

- É só isso? E nós podemos cantar um homem na rua sem problema nenhum?

- Claro que não, o machismo da sociedade nos impede de fazer isso.

- Igual impede o lesbianismo?

O resto foi só desconversa.

Episódio 2

Eu ainda estava no Ensino Médio. Eu tinha feito 17 anos na semana anterior e peguei quatro revistas de sexo explícito emprestadas de um dos meus irmãos. Eu tinha dois grandes amigos homens no colégio. Nós três não tivemos a última aula, fomos para uma sala vazia e ficamos vendo o material. Uma colega nossa viu, chamou a orientadora e nós três tivemos de assinar um termo de ocorrência. Só não chamaram os nossos pais (e os rapazes eram mais novos que eu) porque eu assumi tudo e o pessoal da escola gostava de mim.

E o que as amigas do grupo feminista fizeram? Deram outra bronca. E o dia foi logo depois de um caso de uma mocinha de 25 anos casada com um homem de 50 que traiu o marido, a cena foi filmada por uma câmera escondida e o marido espalhou o vídeo. Quando eu ia começar a falar...

- Você quer comparar um homem machista reprimindo a sexualidade feminina com uma menor de idade ver revista pornográfica com dois meninos no colégio?

Episódio 3

Eu já na estudando em uma universidade federal e estava em um debate sobre violência contra a mulher. Alguém falou sobre a prostituição. Eu nunca tive nada contra a prostituição em si, estava até pensando em experimentar a coisa (só tomando cuidado com os maus clientes). Eu comentei:

- Gente, alguém lembrou que 70% dos assassinatos de mulher foram casos de violência doméstica. Se a prostituição é agressão contra a mulher, um homem pedir uma mulher em namoro é tentativa de homicídio.

No auditório tinha um rapaz chamado Silvio e um outro chamado Erik, um ex-bonzinho, que deram uma risada. Uma das senhoras que estava conduzindo o debate disse.

- Se alguém entendeu a graça, por favor me explique.

Episódio 4

Reunião com uma liderança estadual.

- Se o machismo também faz mal para os homens, por que a gente não deixa os rapazes que simpatizam com a gente participar dos nossos eventos?

- Porque o movimento é das mulheres.

- Então me esclareça: o homem vai ser sempre inimigo ou vai ser submisso à mulher?

- Eu não disse isso.

- Então esclareça: a luta é contra o machismo, é contra o homem ou uma coisa leva à outra?

Nem vale a pena contar a resposta.

Episódio 5

Eu estava em uma roda em uma lanchonete do campus. Uma das colegas disse que a pornografia aumenta os casos de estupro. Aí eu disse:

- Eu já assisti filme pornô com dois amigos homens, o filme era leve e a gente até brincou de imitar o filme. Tinha até chupadinha na buceta, que eu gosto muito. Não tendo agressão nem desrespeito eu até gosto de filme pornô.

E uma das amigas da conversa era colega de quarto do alojamento.

- Ah, então foi assim que você foi estudar Introdução à Lógica no mês passado, né?

- Não, isso foi quando eu tinha 15 anos.

- Você é louca?!

Eu ouvi tudo que o meu pai e a minha mãe não disseram quando ficaram sabendo o que aconteceu três dias depois.

Episódio 6

Já era o tempo do Facebook e eu já tinha me formado. Eu descobri pela internet o caso de uma professora que foi demitida porque tirou uma foto de biquíni e isso chegou na direção da escola. Na matéria, tinha o atalho para o caso de outra professora que gravou um vídeo para uma página pornô e também foi demitida. Compartilhei os dois casos no meu perfil. Todos os comentários e compartilhamentos foram de homens.

Poucos meses depois, todas as minhas amigas feministas estavam postando algo da Marcha das Vadias. Quando eu perguntei sobre o que elas achavam sobre aqueles casos que eu compartilhei, nenhuma respondeu e algumas me bloquearam.

Episódio 7

Eu estava em um evento sobre violência contra a mulher promovido pela prefeitura da cidade onde eu morava na época, que era de um partido de esquerda. Aí eu brinquei no corredor com um amigo homem:

- As colegas falam tanto de estupro que é mais fácil explicar o que não é estupro.

Aí, uma senhora que eu nunca vi mais gorda (no duplo sentido) apareceu do nada dizendo.

- Não é estupro quando a mulher quer. É difícil entender isso?

- É mais fácil de entender do que de ver.

- E você acha fácil a mulher demonstrar que está interessada em um homem sexualmente numa sociedade machista? Tente pra você ver.

Eu podia dizer que já tentei e geralmente dava certo. Mas o que eu pensei na hora foi outra coisa.

- Mas para se casar com OUTRA MULHER a gente faz protesto fechando avenida, né? E várias páginas antifeministas têm casos de mulheres que dão queixa de estupro semanas ou meses depois de relações consensuais. E aí?

Claro que a senhora não disse nada.

Episódio 8

Eu disse para algumas amigas do grupo feminista, no meu trabalho e no meu perfil no Facebook:

"Eu já vi vários homens dizendo, na internet e na vida real, que uma mulher não é pior porque transou com mais de um homem na vida e sem casamento, de uma certa forma é até o contrário. Mas nunca vi nenhuma mulher dizer isso. E o que é pior: a primeira coisa que uma mulher feminista diz sobre um homem que diz o que ela não gosta é que ele mesmo não tem uma vida sexual. Num caso desses, um amigo respondeu: você aceita dar pra mim? Tivemos que juntar eu e mais duas amigas para segurar a amiga para quem ele disse isso."

Episódio 9

Um dia eu fui chamada para uma reunião no movimento por não sei o quê. E o que eu ouço das líderes do grupo?

- Eu recebi a notícia de que você recebeu um rapaz na sua casa anteontem.

- Foram dois, chefe.

- Você ficou louca?! Você está desmoralizando o movimento!

- Que é isso, gente? Não teve nada de errado. Eles foram me fazer uma visita de amigo em casa.

- Mesmo assim! Essa simpatia toda é uma construção do machismo.

- Depois fizemos um sanduíche.

- Mas que coisa machista! Eles já devem ter ido achando que era sedução. Duas coisas que os homens veem nas mulheres: sexo e cozinha. Você recebe dois homens em casa e ainda vai pra cozinha para fazer sanduíches para eles.

- Não, para eles eu fiz um bolo de milho com queijo.

- Mas você não falou de sanduíche?

- Sim, mas o sanduíche foi entre nós três.

Engasgos. No dia seguinte, todo mundo me olhando torto e no dia seguinte eu pedi pra sair.

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Já fora do feminismo, eu criei um blogue de conteúdo contra o feminismo, contra o puritanismo, com fotos de mulher pelada e fotos e vídeos de sexo hétero, mas criticando os defeitos do universo masculino. E criei outro blogue para mulheres, contra o machismo e com foto de homem pelado, mas criticando os defeitos do universo feminino. No blogue para as mulheres, quase só homens, héteros e legais, e as mulheres geralmente eram feministas falando mal. No blogue para os homens,... também.

Abigail Pereira Aranha

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Enquanto mulheres falam de "aprontar" antes de arrumar um CSP, as feministas dizem que o patriarcado reprime a mulher mas quem sente falta da sexualidade feminina... são os homens feministas

Francisca é puta

in Ativismos, idealismos e relativismos

Assim como se nasce arquiteta, jurista ou artesã, também se nasce puta. Francisca nasceu puta. Mulher. Vadia. Vagabunda. Dada. Puta. Poderia ter escolhido ser dona-de-casa, confeiteira ou até mesmo artista. Mas escolheu ser puta. Gostava de ser a outra. De ser a objeto. De ser a usada. De ser a puta. Gostava de sentir prazer. De falar palavras sujas. De chupar. De dar. De ser puta. Puta. Puta. Puta.

Francisca queria saber o porquê das bonecas não brincarem com bonecos. O porquê de bonecas só poderem brincar de cozinhar e de morar em casinhas. O porquê de meninas só brincarem com bonecas. O porquê de bonecas serem iguais. Padronizadas. Corretas. Bonitas. E ela não ser assim.

Francisca cresceu. E as suas dúvidas, antes infantis, viraram aflições. E as suas vontades e os seus desejos viraram ações. E as bonecas passaram a brincar com bonecos. E Francisca saiu de casa. E deixou mãe, pai, irmão e irmã. E trocou-os pelo outro. Pelo desconhecido. Pelo perigoso. Pelo efêmero. E pela felicidade. E pela completude. E pela satisfação. E abandonou a moral. Os costumes. As definições. E ganhou o olhar torto. O julgamento. O pecado. O fardo. O peso. De estar à margem. De ser o excluído social. O usável. O objeto. O lixo. A mercadoria. A minoria. A sujeira. A puta. E, ainda assim, identificar-se como puta. E reconhecer-se como puta. E declarar-se puta. E chamar-se de puta. Porque Francisca, ao contrário de suas bonecas, é puta.

Puta. Porque saiu de casa. Porque deu. Porque deu para qualquer um. E gostou de dar. Porque seu corpo é um instrumento. Porque seu corpo é uma ferramenta. Porque seu corpo é o que ela quiser. Porque seu corpo pinta. Esculpe. Dança. Encena. Porque seu corpo é arte. E arte não precisa ser bonita. Padronizada. Definida. Precisa ser chocante. Diferente. Impactante. Precisa romper paradigmas. Definições. Preconceitos. Conceitos. Porque a cama é o seu palco. Onde se apresenta. Onde se emociona. Onde se conhece. Onde conhece o outro. Onde goza. Sem nunca ter gozado.

Puta. Porque engravidou. Porque teve filhos. Porque não teve filhos. Porque foi para a rua. E se permitiu ser quem quisesse na rua. Onde viu a catarse. A exaltação. A expressão. Daquilo que não pode ser exposto em casa. Na igreja. No trabalho. E foi Brigitte. E foi Tigresa. E foi Geni. E foi Bruna. E foi Marilyn. E foi Fran. E foi todas elas sem ser ninguém. Porque puta não é gente. Puta não tem nome. Puta é puta. E só.

Puta? Na rua? Vergonha. Desonra. Afronta. Tirem-na daqui. Levem-na daqui. E tiraram. E levaram. E colocaram Francisca, a puta, na masmorra. Porque puta tem que ser presa. Porque puta tem que sofrer. Porque a cidade não precisa de puta. Porque ninguém precisa de puta. Porque ninguém precisa ser puta. Porque ser puta é doença. É loucura. É crime.

Puta. Puta. Puta. E criminosa. E prisioneira. Tirada da rua. Jogada na masmorra. Porque na cadeia se conserta gente-com-defeito. Porque animal vira gente na cadeia. Porque puta aprende a ser gente na cadeia. E, mais do que gente, aprende a ser mulher. Mulher como deveria ser. Como deveria ter aprendido com as bonecas. Como deveria ter aprendido com a mãe. Como deveria ter nascido. Mulher que cozinha. Que varre. Que passa. Que costura. Que é submissa. Que aceita. Que se cala. Que é mulher.

Puta. Puta. Puta. Adapte-se. Ajuste-se. Costure. Isso. Costure. Toma, Francisca. Agulhas. Linha. Pano. Coisa de mulher, Francisca. Vai aprender a ser mulher, Francisca. Essa cadeia vai te dar jeito, Francisca. Vai te consertar, Francisca. Borda. Prega. Costura. Isso vai te ajudar. Vai te transformar. Vai te curar. Vai te fazer normal. Costure, Francisca. Costure. Costure. E Francisca começou a costurar.

Puta. Puta. Isso Francisca, continue. Mais agulhas. Mais linhas. Mais panos. Só lhe resta costurar, Francisca. É o que você pode fazer. É o que você tem que fazer. É o que você é. E Francisca aceitou. E compactuou. E se calou. E Francisca aprendeu a costurar. E costurou pedras. Montanhas. Morcegos. Corujas. Leões. Armas. Bombas. E perdeu parte de si enquanto costurava.

Puta. Mais agulhas. Mais linhas. Mais panos. Mais. Mais. Mais. Costurava. Costurava. Costurava. E costurou flores. Árvores. Frutos. Nuvens. Doces. Borboletas. Pássaros. E uma tigresa. E perdeu ainda mais de si.

Costurou. Costurou. E, enquanto costurava outro mundo, perdeu tudo de si. Francisca perdeu o que a fazia Francisca. O patriarcado e a masmorra a tornaram invisível. Não era costureira. Não era apenas emoção. Não era invisível. Era forte. Era corajosa. Era a frente de seu tempo. Era puta. Mas a padronização reduziu Francisca. Virou um nada. Ficou invisível. Sumiu. Francisca, quantas somem junto com você? Francisca, aonde vocês estão indo? Francisca, que mundo é esse que você costurou? Francisca, lá a Tigresa pode mais do que o Leão? Francisca, lá a Geni ainda é apedrejada? Francisca, lá a Fran não é uma piada? Francisca, lá as Franciscas podem ser putas? Porque, Francisca, aqui ainda tem muitas e muitos ficando invisíveis como você. Porque, Francisca, aqui ainda tem muitas e muitos que querem ser como você. Vadias. Vadios. Vagabundas. Vagabundos. Dadas. Dados. Putas. Putos.

http://medium.com/ativismos-idealismos-e-relativismos/4062c78073dc

100 coisas para fazer antes de casar!!!

Meninas,

Quando estávamos em Siena/Itália nas nossas férias, conhecemos 2 meninas mega fofas, brasileiras também, e que estavam morando lá por 6 meses para fazer um curso.

E conhecemos elas um dia que passamos o dia todo bebendo com nossos maridos, almoçamos em um restaurante, depois fomos para 2 bares, passamos no hotel e então fomos beber (MAIS) na praça da cidade (já de noite). Enquanto estávamos lá (imagina o estado) vimos uma roda com algumas pessoas e percebemos que tinham alguns brasileiros. Na hora fomos lá bater papo e conhecemos a Jéssica (carioca) e a Luiza (de Brasília). No meio de tanto papo com elas, o assunto que chegamos foi: casamento! Ambas são mais novas (20/22 anos se não me engano) e a Dé eu começamos a dar maiores conselhos pra elas DEMORAREM MUITOOOO para se casar, pra elas aproveitarem muito cada segundinho lá em Siena, solteiras, etc.

Casamento é bom? É, muito! Mas ser solteiro é bom demais também. E eu sempre acreditei que o casamento SÓ SERIA BOM, se você vivesse intensamente sua vida de solteira e fizesse tudo que quisesse! Se não, no futuro já casada com certeza iriam rolar arrependimentos… e a vida é uma só mulherada!

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Foi aí que me lembrei de uma lista TOP que rolou por email há uns 5 anos atrás… desconheço a fonte… esta lista tinham 100 coisas que TODA MULHER PRECISA FAZER ANTES DE SE CASAR!!!

Imaginem o FUÁ que foi quando minhas amigas e eu recebemos né!? Cada uma imprimiu a sua a ficávamos grifando o que já tínhamos feito e o que ainda faltava…

Já dizia a camiseta que usei com minhas amigas na minha despedida de solteira (fomos em 10 meninas pro RJ)… “O juiz aponta o centro de campo… é FIM DE JOGO”:

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É isso, casou, casou! E eu sou 100% CONTRA infidelidade, xifres, etc. Casou? Então casa direito, não xifra seu marido. Pra xifrar fica solteira e faz o que quiser sem culpa. Então peço encarecidamente para TODAS AS SOLTEIRAS QUE NOS SEGUEM: aproveitem essa vida de solteira INTENSAMENTE pois ela não volta mais!! E cada minuto é único!!!

Prontas para a listinha?!?!?

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1- Beijar mais de 100 caras

2- Sair com as amigas e encher a cara (uma vez por semana)

3- Beijar o seu primo

4- Transar com mais de 5 caras

5- Transar com um desconhecido

6- Transar no primeiro encontro

7- Se apaixonar LOUCAMENTE

8- E sofrer loucamente por essa paixão

9- Ir no swiing (pode ser só para conhecer mesmo)

10- Dançar em cima da mesa de um bar

11- Ficar bêbada e acordar em algum lugar desconhecido

12- Vomitar na sua melhor amiga

13- Ir de penetra em um casamento

14- Nadar pelada no mar

15- Ir numa praia de nudismo

16- Transar na areia

17- Ir pra uma balada sozinha

18- Ir ao cinema sozinha

19- Viajar sem destino

20- Transar com algum dos seus melhores amigos

21- Pegar um buque de um casamento

22- Viajar só com homens

23- Viajar só com mulheres

24- Ir ao estádio de futebol com os seus amigos maloqueiros

25- Arrotar e peidar horrores

26- Andar sem sutiã

27- Ficar 3 meses sem se depilar

28- Ficar um sábado a noite sozinha, assistindo comédias românticas

29- Comer potes de sovertes de haagen daz de doce de leite.

30- Xavecar o seu vizinho

31- Flertar no transito

32- Ficar com um cara comprometido

33- Beijar um barman

34- Marcar um encontro com um cara que vc conheceu no bate papo

35- Transar na escada de incêndio do seu prédio

36- Usar calcinha furada

37- Colar a bunda no box do chuveiro para as suas amigas darem risada.

38- Ficar com um gogoboy

39- Ir no clube das mulheres

40- Ficar com vários caras numa balada só

41- Ir numa micareta

42- Ir numa rave

43- Passar um carnaval em salvador

44- Voltar viva de salvador…

45- Ficar louca com alguma droga

46- Dar vexame no casamento de algum parente

47- Beber 24h seguidas sem parar

48- Sair na mão com alguém

49- Aprender a ficar sozinha

50- Ser dependente financeiramente

51- Ficar com um gringo

52- Morar no exterior

53- Acampar

54- Ficar 3 dias sem tomar banho

55- Fazer um curso de pompoarismo

56- Gastar R$500,00 numa balada!!

57- Pagar a balada de todas as suas amigas

58- Gastar muito dinheiro no shopping

59- Ir no sexshop

60- Comprar um vibrador

61- Xavecar um homem

62- Ficar com um hippie

63- Fazer uma mudança radical no visual

64- Usar calcinha bege

65- Ir num drive in

66- Conhecer pelo menos 10 motéis da sua cidade

67- Fazer um book de fotos

68- Filmar uma transa sua

69- Transar com um cara e ir embora sem que ele perceba

70- Falar para um cara que ele é ruim de cama

71- Transar no banheiro de uma balada

72- Dar uma puta festa!

73- Mandar o seu chefe tomar no cú e se demitido

74- Participar de um programa de tv

75 – Ser tiete de alguma banda/cantor

76- Se vingar de um ex namorado

77- Fazer uma viagem de trailer

78- Casar em Las Vegas

79- Comprar e por em prática o livro KamaSutra

80- Fingir ser outra pessoa

81- Ser expulsa de uma balada

82- Ter um namoro escondido no seu trabalho

83- Trair um namorado

84- Mandar um video para o BigBrother

85- Ir num baile funk e dançar até o chão

86- Ir para Barretos e ser laçada

87- Sair de um lugar sem pagar a conta

88- Fazer xixi nas calças de tanto rir

89- Beijar um pagodeiro

90- Beijar um cara feio, mas bem feio…

91- Ir numa festa a fantasia com uma fantasia vulgar…

92- Ligar bebâda para o seu ex namorado

93- Terminar um namoro por telefone/ email…

94- Apertar a bunda dos seus amigos

95- Dar um mosh

96- Xavecar o pai gato de uma amiga

97- Atender o entregador de pizza de toalha

98- Fazer uma tatoo de amizade

99- Fazer coco no mato e se limpar com uma folha

100-FICAR NOIVA E FINGIR QUE NADA DISSO NUNCA ACONTECEU!

Bora imprimir este post e grifar o que já fizeram… e saibam que um dia “o cara” VAI APARECERsim eles aparecem, confiem em mim. Mas enquanto isso, porfa APROVEITEM e deixem as amigas aqui orgulhosas com a listinha completa ;)

ec2

Bjos,

Cláu

Enfim Casada: O primeiro Blog para recém-casadas e novas donas de casa.

http://www.enfimcasada.com.br/2013/10/100-coisas-para-fazer-antes-de-casar. Grifos e maiúsculas no original.

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam

O conto da Francisca puta me inspirou a parábola "Os países de usuários de maconha que criminalizam a erva". Eu já tinha lido, estava pensando em fazer esse texto e foi bom eu ter demorado, porque aí um amigo do A Real Sobre os Relacionamentos compartilhou o segundo texto.

Ainda sobre o primeiro, eu fui ver depois que quem escreveu foi um eunucozinho. Por que quem fala da repressão sexual do patriarcado contra as mulheres são os homens feministas, e não as mulheres? Elas não sentem falta de liberdade para se encontrar com os rapazes? Ou rola alguma coisa entre as moças e os homens que participam dos movimentos com elas e nós não ficamos sabendo? Amanhã, a minha próxima piadinha: "Sou Isadora Rola, fui expulsa do feminismo por defender a heterossexualidade".

Quando as mulheres feministas falam de liberdade sexual, elas falam de quê? Lesbianismo, criminalização do assédio e do estupro, aborto e fazer loucuras com bad boys. Mulher feminista transa com quem quer, mas homem que presta ela nunca quer.

Aviso aos lesbofeministas e às lesbofeministas: quem não gostou de eu dizer que liberdade sexual feminista é lesbianismo, denúncia de assédio ou estupro, aborto e só "andar" com os piores homens, comentários sem um atalho para texto escrito por MULHER feminista dizendo o contrário não serão aceitos.

E falando de textos de mulheres feministas, e aquelas citações dizendo que sexo heterossexual é estupro? Vamos continuar sendo (quase) só nós masculinistas que vamos comentar?

E será que liberdade sexual feminina com homem é sempre isso que o segundo texto diz?

Aliás, para quem não conhece a Real, CSP, que é capitão salva-putas, é o cara que vai se casar com a mocinha do Enfim Casada depois do que ela contou direitinho que ela fez. Se fosse um dos "old school" da Real que tivesse feito essa lista com um título como "100 coisas que as mulheres modernas fazem antes de casar", já teria sido malhado. Você percebe a sua superioridade moral quando você fala mal dos seus inimigos e eles próprios confirmam as suas palavras. Hua, hua, hua, hua, hua!

E o que o rapaz vai ouvir do pai, da mãe e dos irmãos homens da moça quando for apresentado? Que ela "pintou o sete" na juventude e agora quer ser uma moça séria? Que ela transou no banheiro da balada com o colega de trabalho dele e num quarto de república com o amigo do irmão dele?

E casamento aberto é assunto que o namoradinho infeliz não pode nem tangenciar, né?

(duplo sentido) Abaixo o lesbofeminismo! Pelas relações boas e saudáveis do homem com todas as mulheres e da mulher com todos os homens!

Abigail Pereira Aranha

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